Como é que o caso da greve do MP contagia os Oficiais de Justiça?
Começa hoje uma greve de 5 dias dos magistrados do Ministério Público. Os dois primeiros dias: 09 e 10 de julho (quarta e quinta-feira), é geral, de âmbito nacional e os dias: 11 (sexta-feira), 14 (segunda-feira) e 15 (terça-feira), são de cariz regional: (11-Lisboa, 14-Porto e 15-Coimbra e Évora).
Por acordo, o Sindicato dos Magistrados do Ministério Público (SMMP) e a Procuradoria-Geral da República (PGR), estabeleceram serviços mínimos para todos os dias, mesmo para aqueles dias em que não fazia falta fixar tais mínimos.
Na reunião que ocorreu no passado dia 27 de junho, na Direção-Geral da Administração e Emprego Público (DGAEP), estabeleceram-se os seguintes serviços a assegurar:
.a) Atos processuais estritamente necessários à garantia da liberdade das pessoas, nomeadamente, interrogatórios de arguidos detidos e promoções respeitantes ao cumprimento dos prazos máximos de detenção;
.b) Apresentação de menores detidos, nos termos do artigo 51º da Lei Tutelar Educativa;
.c) Comunicações a que alude o nº. 7 do artigo 174.º do Código de Processo Penal (buscas efetuadas por órgão de polícia criminal nos casos de terrorismo, criminalidade violenta ou altamente organizada, quando haja fundados indícios da prática iminente de crime que ponha em grave risco a vida ou a integridade de qualquer pessoa);
.d) Promoções referentes a validação de tratamentos involuntários urgentes, no âmbito da Lei de Saúde Mental;
.e) Procedimentos de urgência referidos no artigo 91º da Lei de Proteção de Crianças e Jovens em Perigo;
.f) Interrogatório de cidadãos detidos que se encontrem irregularmente em Portugal, com vista à aplicação de medidas de coação;
.g) Diligências urgentes no âmbito da cooperação judiciária [internacional] em matéria penal;
.h) Habeas Corpus e
.i) Tomada de decisão relativa a dispensa ou realização de autópsias médico-legais.
Desde o anúncio desta greve – anunciada com bastante antecedência para permitir o eventual surgimento de soluções – que foram desenvolvidas diligências diversas e reuniões tendentes a evitá-la, mas todas se revelaram infrutíferas, mantendo o Sindicato SMMP as suas reivindicações, sendo a principal, e o principal ponto de discórdia, a deliberação do Conselho Superior do Ministério Público (CSMP) sobre o Movimento Anual e as condições de acumulação de serviço definidas, isto é, a pretensão governamental de fazer constar no Movimento lugares comuns de acumulação.
Ou seja, devido à falta de magistrados para todos os lugares, criaram-se no Movimento lugares correspondentes a mais do que um lugar, em acumulação de funções.
Por exemplo: imagine-se que, também devido à falta de Oficiais de Justiça (o que ocorre em todos os núcleos), no próximo Movimento de Oficiais de Justiça fosse estabelecido que, quem concorresse para determinados núcleos, teria necessariamente de acumular com mais um, ficando colocado ou afeto a dois núcleos, e não só a um como tem ocorrido, passando a desempenhar funções nos dois; ora aqui, ora ali, na forma que vier a ser definida e de acordo com as necessidades do serviço.
Ora, isso poderia solucionar a falta constante de interessados em determinados lugares, evitando as recolocações transitórias sempre tão contestadas e passando a ter candidatos que para ali concorriam porque “queriam”, bastando com colocar um determinado lugar atrativo com um desinteressante para que os interessados, com o engodo do lugar de interesse, concorressem engolindo o sapo da outra colocação, sujeitando-se, assim se prendendo.
Em síntese, é esta a ideia que foi levada ao Movimento dos magistrados do Ministério Público, colocando alguns lugares com acumulações de serviço até de áreas díspares como Família e Menores com Criminal.
Os Oficiais de Justiça compreendem o perigo de criar e de deixar passar este precedente que ora está a dar o seu primeiro passo com os magistrados do Ministério Público, porque a seguir poderá esta ideia ser aplicada a outras carreiras com carência de recursos humanos, como é o caso, obviamente, da dos Oficiais de Justiça.
Por isso, apesar dos sindicatos que representam os Oficiais de Justiça não manifestarem sequer a sua solidariedade com o SMMP, quando este sindicato e esta magistratura tanto se manifestou ao lado dos Oficiais de Justiça, vem esta página expressar hoje a sua solidariedade para com a luta encetada pelo SMMP, solidariedade esta que é partilhada com alguns Oficiais de Justiça e não com todos, de forma mais abrangente, designadamente englobando os sindicatos, porque ainda não perceberam este perigoso caminho que se começa a trilhar.
Evidentemente que todos compreendemos os problemas existentes com a falta de pessoal e todos até estão disponíveis para alguma acumulação, mas tal esforço tem de ter um horizonte, mas um horizonte limite e não aquele que nos foge quando dele nos aproximamos. Nesse sentido, do horizonte, o SMMP até propôs ao Governo que abrisse um concurso especial para recrutar mais uma centena de magistrados (entre 100 e 120), número que considera que ajudaria a resolver o problema da falta de quadros e da sobrecarga de trabalho, mas tal proposta, ou compromisso, não ficou assente, perdendo-se também esta via de oportunidade na resolução do diferendo.
Tal como sucedeu com os Oficiais de Justiça, com a supressão de 7 ou 8 categorias criando duas novas que servem para tudo, generalistas e polivalentes, também o Sindicato SMMP acusa o Conselho CSMP de querer criar “uma magistratura ‘multitask’ e generalista”, afirmando que, desta forma, se está “espetando o último prego na tão almejada e apregoada especialização”, por efeito das agregações como: execução e cível em municípios diferentes, ou família e menores, cível e crime num só lugar…
Conseguem captar a tendência atual?
Por oposição ao dócil e meigo estado de concordância dos sindicatos que representam os Oficiais de Justiça, designadamente naquela supressão e nivelamento generalista polivalente, este Sindicato SMMP reagiu imediatamente, opondo-se com toda a veemência e diz ainda que não vai ficar por aqui, pois admite recorrer a outras formas de luta a partir de 01SET, altura em que se efetivará o seu Movimento anual, com as colocações.
Simplesmente, o SMMP exige a anulação do Movimento deste ano, devido às regras que lhe estão subjacentes, “lamentando profundamente” a decisão de o manter, declarando-se “forçado a recorrer a formas de luta” para travar esta decisão, não propriamente pelo Movimento, mas pelo caminho que abre tão grave precedente da banalização generalista de cada profissional e seu muito provável contágio a outros profissionais e, desde logo, em primeira-linha, àqueles que lhes estão mais próximos.

Tenho ódio a dgaj, mj e gestão comarca, pelos maus tratos contantes aos ojs.
ResponderEliminarIsto merece posição de força. Estou sólida com as greves fo MP
Vão gozar com o carrrŕr
Face ao silêncio dos nossos sindicatos, fica aqui a reflexão:
ResponderEliminarOra vejamos a situação: em Fevereiro, há cerca de quase 5 meses, os sindicatos chegam a acordo com o governo. Desde tal data foi comunicado pelo governo que a transição dos Oficiais de Justiça para a nova carreira ocorreria a 30 de Junho de 2025 com a publicação da respetiva lista de transição. Logo, a DGAJ e os sindicatos teriam conhecimento que a respetiva lista teria de se tornar definita e o movimento não poderia ocorrer em Julho conforme comunicado. Ainda assim, nada foi transmitido à classe. Estavam os Oficiais de Justiça até 07-07 a aguardar pela aberta de movimento ainda em Julho. Isto não só é de uma irresponsabilidade como de um desrespeito total pela classe, quer da DGAJ quer dos sindicatos.
Falando do que interessa:
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ResponderEliminarSerá que ninguém quer saber dos esgotamentos, das doenças mentais devidas às sobrecarga de serviço por falta de gente???
ResponderEliminarVida de merda sem qualidade.
Ninguém quer saber??
De que vale o dinheiro se não há saúde para dele desfrutar??
Canalhada que gere esta porcaria
Solidario com tudo wue seja destrato!!
ResponderEliminarForça!!!
ResponderEliminarÓdio é uma atitude não inteligente.
Procura outro caminho colega
Veja lá esses instintos e ódio destilado diariamente, ainda mata alguém!
ResponderEliminarO que estão a querer iniciar com os Magistrados do Ministério Público é grave e irresponsável
ResponderEliminarGrave porque é abrir um precedente para esta carreira, e no futuro, certamente para a nossa e para os Juízes;
Irresponsável, porque denuncia a falta de investimento nas carreiras do judiciário, em particular no que toca a meios humanos, se faltam procuradores, não é de hoje, mas de largo desinteresse de quem nos governa e que deixou chegar a esta situação, com intenções mais ou menos pensadas.
Dou o meu apoio a esta greve, e espero que adesão seja massiva, para mostrar a força que os sindicatos possuem na defesa dos seus associados, em questões que não são apenas monetárias.
FORÇA ao MP
Quem tem que procurar outro caminho é a gestão deste sistema
ResponderEliminarque trata as pessoas como porcaria.
Que sociedade quer esta casa dita de justiça???
Vergonhosa a maneira como somos tratados.
ResponderEliminarE essa dos que andaram de 2001 a 2005 a ser roubados é inqualificável!!!
Metem nojo os decisores!
Anos e anos em tribunal com as decisões dessa gente!!!
vida que se vai.
E vão dois!!!
ResponderEliminarHaja quem se imponha perante os ditadores!!!
Os nossos sindicatos deveriam ter apoiado a greve do MP e juntar-se à mesma porque nós acumulamos serviço e sem qlq compensação. MAS SOMOS UM MEDRICAS.
ResponderEliminarO SFJ deve estar a contar os votos... O SOJ a dormir.
ResponderEliminarEstamos muito mal representados.
Tem de haver limites para a estupidez!
ResponderEliminarFalando da questão abordada no texto de hoje é bom que se diga que não nos devemos associar a causas cujas razões verdadeiramente desconhecemos, com efeito, a maior razão clamada pelos senhores Magistrados grevistas contende com a perda de lugares efetivos em muitas comarcas e, por isso, a obrigatoriedade de se proporem a concurso todos os movimentos anuais para além das situações de "acumulações" ou desconsideração da "especialização" na definição dos conteúdos funcionais.
Importa, assim, realizar uma primeira abordagem dizendo que os quadros das comarcas são de natureza flexível (a revisão dos quadros de pessoal (magistrados e funcionários) depende dos valores de referência processual (VRP) que são revistos trianualmente (art.º 90.º n.º 4 da LOSJ, e art.º 7.º n.º 4 e 8,º 4 do ROFTJ) e que é a medida da capacidade de produtividade de um magistrado) pelo que se a (re)definição dos lugares efetivos obedecer a esta lógica (prevista na lei) não há como a colocar em causa (posto que a lei é para se cumprir) a não ser que o levantamento das necessidades esteja assente em pressupostos errados (ou seja, em VRP's indevidamente considerados).
A outra questão contende com a especialização, que é levada exponencialmente à letra, querendo-se com ela vedar a que um magistrado possa, pelo (pouco) volume de serviço tratado assumir funções multifacetadas (por exemplo: Local Cível + Local Crime e DIAP) sem se atentar ao princípio básico de que "o Ministério Público é UNO", é um só corpo e como tal não se pode equiparar, na sua organização e distribuição do serviço, à magistratura judicial.
O que se passa é que existem fações corporativas que querem ter o mesmo regime de acumulação dos senhores Juízes (com mais 1/5 ou até mais de vencimento) e para que tal aconteça pretendem uma cerca estanquicidade na delimitação do conteúdo funcional mesmo que, em termos de volume e complexidade de serviço, não se justifique.
Ora, eu não me posso solidarizar com isto, por discordar dos fundamentos que estão por detrás desta reivindicação.
Como todos bem sabemos os senhores magistrados do MP que comumente nos tratam com desapego nunca se preocuparam com a nossa especialização tendo vindo a terreiro defender a divisão da carreira apenas quando perceberam que podem perder muitos dos seus quadros.
Num DIAP, por exemplo, um auxiliar e um adjunto (agora todos Técnicos de Justiça) confundiam-se nas funções de investigação e de coadjuvação da Procuradoria, sem respeito pela especialização, muitas vezes acumulando serviço de várias secções e núcleos e tal nunca foi motivo para que tivessem ensaiado uma posição mais assertiva junto da tutela.
Acumulamos serviço e levamos com o dos outros sem qualquer compensação.
Em resumo muito apertado o que os senhores magistrados do MP querem - e vão conseguir ter - é o pagamento de acumulações que não deveriam ser assim consideradas por via da delimitação do conteúdo funcional e com isso serem pagos, aliás muito bem pagos.
Aceitando que há situações pontuais em que possam ter razão, eu não apoio causas destas, tanto mais que não há nem nunca houve reciprocidade.
É uma vergonha não ser já anunciado a abertura de um concurso para novos ingressos... Sem movimento em julho só em 2026 até lá trabalhemos por 3 ou 4!
ResponderEliminarComentário das 10H35: Não é necessário dar o seu apoio a esta greve, pois os Srs. Magistrados sabem defender-se. Além do mais se a greve não resultar, estão aí os Tribunais para decidir o diferendo!!
ResponderEliminarCertinho, mas triste
ResponderEliminarpois
ResponderEliminarDe manhã:
De tarde:
Tudo sem DSP
Vitória!
No dia seguinte:
Idem
No dia da distrital :
idem
No 1.º dia após ( Previsão) :
Tudo DSP c data desse dia e toca a cumprir.
T
òdio mesmo!
ResponderEliminarNão te sentes roubado e espezinhado, por isso falas assim!
eles sabem, nós é que não. por isso devíamos ir na onda
ResponderEliminarAfinal o SFJ tem novo presidente, segundo consta no CM. https://sfj.pt/noticias/recortes/suar-a-camisola-pela-justica-correio-da-justica-cmjornal/
ResponderEliminarE comunicação aos sócios, ainda não ?!!!!
ResponderEliminaro desrespeito pelos associados é inacreditavél.
ResponderEliminara prova de como o sfj não é para os sindicatos mas para a tutela. que desrespeito.
ResponderEliminar48 horas depois e estão em SILÊNCIO PROFUNDO. E o SFJ tem novo presidente e nada comunicou aos sócios. RIDÍCULO.
ResponderEliminarCom esta nova Presidente do SFJ, o SOJ deve abrir a pestana senão daqui a 6 meses fica a falar para as paredes.
ResponderEliminarO apoio é institucional, e de solidariedade para que o decidido naquela carreira não venha no futuro a contaminar a nossa.
ResponderEliminarOs sindicatos neste momento não representam os oficiais de justiça, mas sim interesses partidários. A partir do momento em que discutem a carreira e acabam com a especialização. Tenho 31 anos de serviço sempre no MP agora se for colocado no cível só sai asneira ou levas o dobro do tempo a fazer o mesmo
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