O desassossego da carência e da caridade da informação
Também o Sindicato dos Oficiais de Justiça (SOJ) divulgou ontem, na sua página oficial, uma informação sindical sobre a reunião do passado dia 30JUN, acrescentando ainda agora informação sobre a anterior reunião ocorrida a 18JUN.
Relativamente à reunião de 18JUN, diz o SOJ que o assunto principal discutido foi o do próximo Movimento Extraordinário e seus aspetos novos, especiais e extraordinários, conforme aqui já divulgamos, tendo o SOJ entendido como “ponderado aguardar pela conclusão do processo, o que ocorreu com a publicação do DL n.º 85-A/2025, de 30JUN, para dar nota da reunião.”
Ou seja, os Oficiais de Justiça tiveram de esperar de 18JUN até ao dia 02JUL para saber algo sobre a reunião, através deste sindicato, devido àquela cautela ou prudência comunicacional para com os seus representados.
Não é muito tempo? É toda uma eternidade em face do momento pelo qual a carreira atravessa.
Desde há anos que, sistematicamente, lamentamos todo esse alegado extremoso cuidado comunicacional por parte das estruturas sindicais para com os seus trabalhadores e até, precisamente por isso mesmo, já no longínquo ano de 2013, iniciamos esta iniciativa comunicacional, justamente para suprir essa carência que, tão desassossegadamente, ainda hoje se constata, embora seja apresentada com o acompanhamento de uma desculpa como a da alegada prevenção ou sensatez.
A prevenção necessária é estar sempre de cara voltada para os Oficiais de Justiça; a ponderação a ser tomada é a de ter sempre todo o cuidado de informar – prontamente – os Oficiais de Justiça, não só porque os representam, neste ato e momento tão relevante para a carreira, a todos – a absolutamente a todos –, como, especialmente representam aqueles que lhes pagam as quotas mensais. E é nisso que deve residir a prudência sindical: na informação rápida, ainda que incompleta e a completar posteriormente ou oportunamente.
Por exemplo (por favor tomem boa nota): uma reunião no dia 18JUN deveria dar uma nota informativa, ainda que de uma linha só, no próprio dia 18JUN, podendo o resto, com mais, ou menos, pormenor; com mais, ou menos, ponderação, ser posteriormente comunicado.

Continuando a ler a nota informativa do SOJ:
«O movimento ordinário, como é público, foi bastante limitado, mas havia sido discutido com os Sindicatos, no que é prática nova, e, assim, foi possível reivindicar um movimento extraordinário, junto da Senhora Diretora-geral. Movimento que permite a todos concorrer, sem amarras, fazendo-se justiça à carreira.»
Finalmente, os Oficiais de Justiça – todos exceto os que estão em período probatório –, vão ter um Movimento “sem amarras”, como refere o SOJ, podendo, pela primeira vez, todos se candidatarem à movimentação, sem a contabilidade da amarração ao ano, aos dos dois anos e mesmo ao compromisso dos três anos, como aqui explicamos no artigo desta última terça-feira, 01JUL, intitulado: “A Lista, o novo DL e a Reunião; tudo aqui”.
De resto, as demais informações são as que os Oficiais de Justiça já obtiveram, quer nesta página, quer pela mais rápida publicação de informação por parte do SFJ.
Realçamos, no entanto, mais uma vez, aquilo a que chamamos “arrependimento” e o SOJ denomina como “pragmatismo”. Diz assim:
«De salientar que, pese embora a situação funcional de ambas as carreiras esteja salvaguardada, entende o SOJ, e entendeu sempre, mas temos de ser pragmáticos, que as carreiras do Judicial e do Ministério Público, devem estar separadas.
O Governo, SEAJ e SEAP, entenderam as razões apresentadas, mostrando-se disponíveis para que a matéria seja revista.»
A este propósito já nos referimos, aquando da apreciação da nota informativa do SFJ, referindo que as duas categorias, a que os sindicatos acordaram reduzir a carreira, estão agora a defender, no mínimo, a sua duplicação, tentando ressuscitar as duas carreiras que igualmente acordaram extinguir.
O SOJ vem agora dizer que acordou naquela extinção porque “temos de ser pragmáticos”, porque “entende e entendeu sempre” que deveriam estar separadas as duas carreiras, embora tenha assinado o contrário daquilo que “entende e entendeu sempre”. Ora, isto soa perigoso.
Por fim, aborda ainda o SOJ a necessidade de prolação de um despacho de aclaração, por parte da DGAJ, relativamente a um aspeto do Decreto-lei, que se relaciona com assunto a que os Oficiais de Justiça tanto se vêm referindo diariamente nos comentários, digladiando-se as mais severas posições e rasgadas opiniões, motivo pelo qual nem sequer nos vamos referir a tal assunto, pelos inflamados ânimos.
É recorrente o apelo à aclaração disto ou daquilo e se bem que o segundo decreto-lei aporta alguma aclaração a alguns assuntos do primeiro, tanto um como o outro ainda se mostram carentes de, por caridade, mais um bom par de aclarações.
Tudo isto demonstra, mais uma vez que passar a informação aos Oficiais de Justiça é uma necessidade inexorável e que ouvi-los a todos, seja nos seus mais extravagantes devaneios, seja nos mais sensatos comentários, é algo imprescindível para fazer nascer o debate, a análise, os problemas, as consequências e, claro, as formas possíveis de resolução.
É impensável que todo o futuro da carreira dos Oficiais de Justiça seja decidida de costas voltadas para os mesmos, num par de reuniões à porta fechada, por meia-dúzia de indivíduos que já demonstraram não ser capazes de problematizar e antecipar tudo, esse mesmo tudo que tão bem analisam os mais de 7 mil indivíduos a quem, afinal, as normas estatutárias se destinam.

Fonte: “SOJ-Info-02JUL2025”.
A postura do SOJ de não aceitar uma crítica é triste. Basta ver a caixa de comentários no facebook, é lamentável. Subscrevo este artigo. Uma reunião dia 18 e somente passado 2 semanas é que a carreira sabe o teor da mesma? É sério isto? Isto só vai com um novo sindicato, sem vícios. E digo isto com muita pena porque via o SOJ com uma postura totalmente diferente do SFJ mas nos últimos tempos vejo demasiado autoritarismo com os Colegas e muita simpatia com o governo.
ResponderEliminarParabéns sr articulista.
ResponderEliminarTocou num ponto, dos mais importantes a discutir e a rever com e pelos dirigentes sindicais.
Falta de informação, falta de noção em saber o que é ser si sindicalista.
O dirigente sindical serve, não se serve, informa, não se assoberba da informação, é humilde e despretensioso, não se vale da informação para se fazer de importante
Regina, toma atenção
Obrigado bloguers pela informação que dão a todos os ojs, fazendo mais do que os sindicatos.
ResponderEliminarObrigado pela vossa comunicação trabalhosa, mas de grande utilifade e atempada
Confesso ter sido bem enganado pelo SOJ. O que parecia um sindicato responsável revelou-se de uma soberba sem par na forma como responde àqueles que diz representar. Se algo tenho por certo é que nem mais um minuto de “luta” recebem daqui.
ResponderEliminarDo texto apenas retive «(...) , seja nos seus mais extravagantes devaneios, seja nos mais sensatos comentários, fazer nascer o debate, a análise, os problemas, as consequências e, claro, (...)».
ResponderEliminarTudo o resto diz respeito a considerações que, embora justíssimas, apenas alimentam discussões inócuas e o divisionismo.
De facto, um sindicato, que mais não é que uma associação de trabalhadores, que não decide a partir dos seus membros e que deles esconde as posições que assume perante quem decide sobre os seus interesses socioprofissionais consubstancia, no mínimo, um comportamento antidemocrático, profundamente censurável e motivador de uma destituição automática do cargo.
Quem toma decisões que nos dizem respeito, pela calada e em segredo ou envolto em secretismo, merece total desconfiança e não pode continuar à mesa negocial onde está em discussão o nosso fututo.
Não se pode argumentar que tudo foi feito para o nosso bem, a cuidar e a pensar na classe, quando tudo o que é feito desta forma é exatamente o contrários dos mais elementares princípios de um estado de direito democrático.
Estou farto destes indivíduos (ditos de esquerda) que dirigem os sindicatos e que teimam num certo autoritarismo semelhante ao absolutismo de séculos passados em que se acreditava que "o rei cuidava da felicidade de todos os seus súbditos e estes não tinham que se preocupar com nada apenas acreditar que era assim e prontos, levar a sua vidinha para diante".
Não é assim. Já não é assim. Todos nós temos o poder de, a cada momento, participar nas decisões mais importantes e que nos afetam e não podemos ser descartados ou obliterados na discussão dos nossos problemas.
Para mim estas pessoas foram como que uma espécie de "sacanas" para a maioria da classe (no sentido de quem se aproveita de outra pessoa para tirar dela vantagens e benefícios em favor de si próprio; finório, espertalhão) pois que as alterações ao nosso estatuto são demasiadamente benévolas para alguns e extremamente desfavoráveis para muitos outros.
É a minha opinião pessoal e com todo o respeito e consideração que me merecem não tenho como dizê-lo de outra forma - aceitaram alterações estatutárias sem saberem que caminho levavam, o que era pretendido para a carreira e fizeram-no apenas pelo benefício de alguns, de muito poucos.
ResponderEliminarDe facto a falta de informação atempada por parte dos sindicatos é gritante
e provoca ansiedade na vida de todos
obrigado a este blogue
Autor do blogue avança com um sindicato
ResponderEliminarTens o meu apoio
2.
ResponderEliminarFaçamos isso acontecer
ResponderEliminarE agora quando um técnico de justiça concorre no movimento é para fazer o quê no lugar de destino? Funções de auxiliar ou adjunto? Fica arriscado...
ResponderEliminarSubscrevo
ResponderEliminarNa mouche.
ResponderEliminarSOJ é o SFJ 2
12.24: que pergunta! Técnico de justiça agora faz tudo.Se não sabe vai depois aprender! Foi o que os sindicatos quiseram.
ResponderEliminarNão há incentivos a promoções, ao mérito.
A carreira está .......
Pouca cultura democrática, decorridos 51 anos do 25 de abril.Não é porque são eleitos ( no SFJ) é hoje o dia, que podem decidir tudo sózinhos, mais o governo.
Estão previstos Plenários locais que, antes do acordo, deviam ter sido realizados e não assinar nada sem o consentimento dos presentes.
Esta iniciativa diária faz a diferença na informação.
Contario das12.24:
ResponderEliminarÉ para fazer o que o Escrivão determinar. Todos têm que adquirir competências para tudo
E a pasta???
ResponderEliminarNinguém fala na pasta??
Os retroativos???
É para Agosto?
Setembro?
Outubro?
Só tenho a dizer bem do SOJ, sempre que lhe coloco alguma questão.
ResponderEliminarRespondem prontamente quer por mail quer por telefone.
Certinho
ResponderEliminarsubscrevo
ResponderEliminarEstarei de baixa até receber o dinheiro que me devem de 2001 a 2005.
ResponderEliminarO auxiliar, em muitos Tribunais, faz tudo.
ResponderEliminarO adjunto é que não, em muitos Tribunais, não faz sala.
ResponderEliminarTu é que devias cumprir as tuas obrigações ou já não tens nada para fazer às 15.33 horas.
ResponderEliminar"Os chatos do costume" vão-te comer de cebolada...Cumpre tú também as tuas obrigações e habitua-te à ideia que vais cumprir sempre as mesmas enquanto houver adjuntos! Se os sindicatos assim o entendem, quem és tú para dizer o contrário?
ResponderEliminarVivem-se tempos de desunião e de desconfiança nos sindicatos (SFJ/SOJ);
ResponderEliminarPara que um novo sindicato vingue é necessário que a pessoa que esteja à frente do mesmo já tenha dado provas de confiança
Um grande número de funcionários confiam no autor deste blogue
Ao contrário de alguns, sou de opinião, que isto ainda, não bateu completamente no fundo ex: SIADAP
Não será certamente de ânimo leve que o autor deste blogue tome uma decisão de avançar com um novo sindicato
Se o fizeres terás o meu apoio.
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Só me apetece dizer palavrões mas como tal não adianta nada "PQP". Sindicatos demonstram parasitismo e isto já não vai a lado nenhum para além dos quero, posso e mando bacocos nas secções existentes.
ResponderEliminar"Enquanto houver adjuntos"😂😂
ResponderEliminarAgora depois do trauma, vem a negação.
Acho melhor a Dgaj instalar uns gabinetes de psiquiatria em cada comarca que as sequelas vão ser profundas.
Acho muito bem. Vou de férias sem me preocupar com isso. Não tinha jeito nenhum abrir um movimento em férias
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