A fragilidade e a precariedade que nos determina
No artigo de ontem divulgávamos o falecimento do Francisco Costa, Oficial de Justiça na Comarca de Santarém, e hoje somos forçados a voltar a embrenharmo-nos noutra triste notícia, novamente na mesma Comarca de Santarém, porque a Oficial de Justiça Paula Varelas, também não resistiu à doença difícil do cancro.
Notem bem que usamos a expressão difícil, querendo dizer isso mesmo: que não é fácil, mas não querendo dizer que seja impossível de superar; apenas é difícil.
Paula Maria Paulino Varelas, com 53 anos de idade, trabalhava nos tribunais desde 1994, isto é, há 31 anos, desde que tinha 23 anos de idade.
Tinha 23 anos quando começou nos tribunais e precisamente após outros 23 anos na mesma categoria, aos 46 anos de idade, já em 2017, conseguiu a promoção à extinta categoria de “adjunta”.
Estava atualmente colocada no Juízo do Trabalho de Tomar, tendo exercido funções em Abrantes e no Entroncamento.
Praticava atletismo na modalidade de corta-mato, isto é, corria em piso natural, integrada na natureza, com todas as suas características variadas, imprevistas e de esforço. Participou em muitas provas nacionais e chegou mesmo a representar Portugal em provas internacionais (como veterana).
Os colegas caracterizam-na como “colega disponível para ajudar, amiga do seu amigo, sem se intrometer na vida ou no trabalho de ninguém”, uma vez que há alguns anos já tinha tido cancro da mama, que superou, tendo a sua perspetiva perante a vida um objetivo: vivê-la com felicidade.
Há cerca de três meses recebeu a notícia de que padecia de um novo cancro, agora nos ossos, e que já estava muito disseminado.
Vai hoje (14AGO) a sepultar, ao final da tarde, em Abrantes. Deixa marido e dois filhos.
Podem ver mais informação na ligação que abaixo colocamos.
Depois de dois dias seguidos com tristes notícias destas, por coincidência na mesma comarca, e tendo em conta o panorama geral da classe dos Oficiais de Justiça, que é muito envelhecido, corremos o risco de nos virem a confundir com uma página de necrologia, no entanto, é esta a realidade e, como tal, tem de ser conhecida e assim exposta, tal qual ela é; inexorável.
Entraram recentemente muitos jovens, com idades como aquela com que a Paula entrou para os tribunais, pelo que o seu percurso na vida e na profissão pode ser uma referência muito importante, especialmente sobre aquilo que tem mesmo valor, isto é, se há mesmo motivos para as agruras, quezílias e tantas acidezes do dia a dia que, incontornavelmente, nos amargam a breve existência.
Se ontem apresentávamos o caso do Francisco Costa como um exemplo da solidariedade e camaradagem entre os Oficiais de Justiça, hoje queremos apresentar a Paula Varelas como um caso que merece a nossa séria reflexão pela fragilidade e precariedade que nos determina.

Fonte: “Agência Funerária Paulino”.
Tudo a correr de feição para este ministério e governo. São umas reformas a menos que já não vão pesar nas contas da CGA.
ResponderEliminarComeço a ficar assustado, quem disse que a profissão de Oficial de Justiça não é de risco? Por este andar metade de nós ainda ao serviço não vão chegar a gozar a reforma.
Bem, é um aviso para quem entra nesta carreira, cuidado que estás a entrar numa carreira de risco para a saude mas vais ter de trabalhar na mesma até aos 67 anos ou mais. Se pensas que vais ter a sorte de vir a gozar uns poucos anos de reforma pensa duas e tres vezes.
A revisão e reversão da idade da reforma devia ser uma das prioridades dos sindicatos mas estes pensam como os governos, em vez disso andam entretidos a negociar graus tres e aumentos insignificantes. Querem é socios a pagar cotas e quanto mais tarde se reformarem mais cotas entram.
Paz á sua alma. Assustador o que se passa não só na saúde da classe mas no alastramento em todas as idades do flagelo que é o cancro.
ResponderEliminarAtualmente sobrevive-se nos tribunais, atentas as condições de trabalho, físicas e humanas. As carências são muitas e as perspectivas são poucas de haver melhorias.
As entidades sindicais são opacas, inertes á situação. Fazem acordos com receio das alternativas virem a ser ainda piores.
Com o tempo tem se verificado que sejam governos do PS ou PSD os fins que pretendem para a classe não diferem.
Querem acabar com a classe de oficiais de justiça conforme a configurámos durante décadas, sempre houve temporalmente alterações, pontuais, mas no essencial a estrutura mantinha se, vertical nas suas várias formas de distribuição de serviço.
O futuro o dirá, sobre quais as consequências desta agonia laboral.
Descansa em paz.
ResponderEliminarQuanto à reforma:
As pessoas do NOVO SINDICATO, ponham os olhos no que se passou na Caixa Geral de Depósitos.
Bonita. É uma tristeza. Espero que pelo menos tenha virado as costas ao tribunal e tenha sido feliz . Ninguém merece a dedicação que muitos dão ao serviço.
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ResponderEliminarRIP
Dois cancros.
ResponderEliminarHá quem tenha a sorte e ganhe o Euromilhões e depois há isto.
Sem paciência para aturar magistrados preocupados com merdas sem interesse nenhum, sem paciência para aturar secretário porque não justifiquei devidamente no Crhonus, sem paciência para a coordenação porque não comuniquei uma coisa que já tinham conhecimento, sem paciência para os órgãos de gestão porque não gostam das minhas oficiosidades, sem paciência para alguns colegas que só sabem criticar outros colegas, sem paciência para sindicatos que acham que 100% era o ideal mas 95%, já é óptimo, quando sabemos todos que nem 20% conseguiram e deram cabo de qualquer perspectiva de futuro a cerca de 90% .
Que a Colega descanse em Paz.
Muita força para a sua família e amigos.
TT
Se tinhamos aos 55 anos era por alguma razão e nós sabemos as razões
ResponderEliminarumas quantas pessoas que começam a trabalhar que nada sabem sobre os tribunais só querem puxar do chicote e sobrecarregar - foi a troika e, provavelmente alguns troikistas (veja-se que a maior parte das medidas tomadas durante a troika ainda vigoram e nós agora temos superavit e nada se faz: quem anda a mamar? - pensem).
a desproporcionalidade de 55 anos para 67 anos é uma violação da lei de grande tamanho e os dirigentes dos sindicatos em silencio como se uma coisa normal se tratasse...
vejam lá que a assembleia da republica através de lei reforçada deu ao governo prazo para legislar sobre o assunto e nada feito
e no que diz respeito à inclusão do subsidio em que assembleia da republica ordenou ao governo para legislar veja-se ao que se chegou do acordo deste com os sindicatos
RIP para os dois colegas que nos deixaram
"
ResponderEliminarAcho que a seguir à troika governou a esquerda, primeiro a geringonça e depois o PS.
ResponderEliminarAcho que foram oito anos seguidos, dizem ...
O que se passou na CGD?!
ResponderEliminarPaz
ResponderEliminarCertíssimo.
ResponderEliminarE a geringonça acabou porque o PS é igual aos que agora estão no governo e quem defendia os trabalhadores dentro da geringonça não só não quis compactuar com essas políticas mas defendia outras - como por exemplo a devolução de todo o tempo congelado a todos os trabalhadores e não apenas aos privilegiados que são os doutrinadores das nossas gerações futuras, diga-se de passagem excecionalmente desfavoráveis à nossa carreira.
Ambos, o Costa e o Montenegro, jogaram cartadas no sentido do totalitarismo e defesa das grandes fortunas e rendas de empresas específicas nas áreas da energia e das infraestruturas e lucros de bancos.
O Costa levou os portugueses completamente ao engano mas pouco tempo depois teve azar, ou não...
Já o Luís ficará para a posteridade como o motor duma viragem que, apesar de sempre se ter insinuado ao longo dos últimos 50 anos, que foram os únicos verdadeiramente livres em toda a história deste país, só com ele finalmente voltou a ser uma realidade, coisa que, confesso, quando de tenra idade mas já compreendendo bem o que era "aquilo" e o terror que significava para a grande maioria das famílias trabalhadoras, não esperei que pudesse ganhar corpo ainda em minha vida.