Regina: “Nada se consegue a 100%, mas 95% já é muito bom”
O Diário de Notícias de ontem traz uma entrevista com a nova presidente do Sindicato dos Funcionários Judiciais (SFJ), Regina Soares.
Para o título de hoje escolhemos um extrato da entrevista que é uma afirmação da Regina, com a qual diz mostrar-se muito satisfeita se alcançar 95%, e não 100%, das reivindicações, porque, segundo diz, nada se consegue a 100%.
Vamos a seguir reproduzir a entrevista e, a final, colocamos o vídeo da mesma.

«DN – Porque decidiu ser funcionária jud0icial?
Regina – Primeiro tinha feito um concurso, estava a estudar na altura engenharia, mas, entretanto, achei que estava na altura de começar a trabalhar e pareceu-me que os tribunais seriam uma boa opção. Não sabia se ia continuar ou não como oficial de justiça, mas, para começo, como tinha feito o concurso e tinha passado, concorri, porque é uma coisa que também faz parte de mim, daquilo que eu gosto, os temas da justiça.
DN – E a atuação sindical, começou quando?
Regina – Desde que entrei para os tribunais, fiz-me logo sócia. Pouco tempo depois, tive um convite para pertencer à estrutura, mas era uma coisa muito leve, como suplente, na parte das coordenadoras regionais. Em 2020, tive o convite para pertencer como secretária executiva da regional de Lisboa, no último mandato. Mas sempre tive um gosto muito grande, um apelo pelo sindicalismo.
DN – Os oficiais de justiça estão um pouco nos bastidores. Como vê a valorização da profissão?
Regina – Não somos valorizados. Uma das coisas que me trouxe aos tribunais, há 30 anos, é que os oficiais de justiça eram valorizados. O senhor escrivão de Direito, o juiz entrava na secção e pedia licença ao senhor escrivão. Entrar nos tribunais tinha uma postura de correção e deferência pelos oficiais de justiça. Mas, ao longo destes anos, por responsabilidade da entidade patronal, que é o Estado, foram retirando essa dignidade com diversas políticas. Há muitos anos que essa valorização se perdeu e hoje não é a mesma coisa. É isso que também me trouxe aqui: tentar recuperar essa dignidade do oficial de justiça.
DN – Por ser a primeira mulher a estar na presidência do sindicato, como vê este significado?
Regina – A sociedade está em constante evolução. Nós, mulheres, há muitos anos lutamos pela igualdade e cargos de liderança, o que ainda é difícil, até pela conciliação familiar. Hoje, como mãe e já com um filho e uma vida profissional, senti que tinha que ter um cunho feminino aqui. Penso que é importante para todos os oficiais de justiça. Para mim, é uma grande honra ser a primeira mulher – reflexo dos tempos – mas estou aqui com o compromisso de evoluir e dignificar a carreira e todos os funcionários judiciais.
DN – Quais são as principais metas à frente do sindicato?
Regina – Neste momento, o principal é o decreto de lei que começámos no último mandato: o estatuto dos funcionários judiciais. Temos o mesmo estatuto há 26 anos, o que é uma grande falha. Agora é continuar a sua realização, pois, apesar de iniciado, falta muita coisa. Foi feito à pressa e precisa de muitas correções. Além do estatuto e da dignificação, queremos melhorar as condições de trabalho – desde o edificado, aos equipamentos, à parte informática e digitalização, e também os recursos humanos.
DN – Como avalia o interesse dos jovens em Portugal hoje para a carreira de funcionário judicial?
Regina – A administração pública não se soube renovar. As políticas públicas levaram ao envelhecimento das carreiras e a salários baixos. As novas gerações têm outra mentalidade e não se reveem nos tribunais como um lugar onde são valorizadas. Isso, aliado à negligência na entrada de novos recursos humanos, aos salários e às formações fracas, afasta candidatos.
DN – Agora empossada presidente, já fez contactos com o Governo?
Regina – Estamos a ultimar cartas oficiais para entidades com quem queremos reunir — ministra, presidente da Assembleia da República, sindicatos e Conselho Superior de Magistratura. Ainda não as remetemos, mas já tivemos contactos negociais com o Ministério da Justiça no âmbito da negociação estatutária.
DN – Pode contar-nos como foi essa reunião e quais são as expectativas para as próximas?
Regina – É um trabalho de continuidade do mandato anterior, debatendo temas como ingressos, progressões e avaliações de mérito. A classe está cansada, à espera de um estatuto há 26 anos. Há abertura ao diálogo, mas abaixo do que pretendemos. O entrave costuma ser nas finanças, pois tudo passa pela tabela salarial. Esperamos eliminar o SIADAP, que é desmotivador, e conseguir um estatuto que valorize a carreira. Se não for possível, teremos de usar outros instrumentos para chegar a bom porto.

DN – No discurso de posse comentou sobre a questão da saúde mental dos profissionais. Como pretende lidar com essa situação?
Regina – O sindicato está a tentar criar protocolos com entidades para acompanhamento psicológico dos associados. Também queremos que a tutela e a Direção-Geral tenham mecanismos para combater o sobretrabalho e a falta de recursos humanos, que contribuem para o burnout. Um estudo da Universidade de Coimbra aponta-nos como a profissão com maior índice de burnout.
DN – Sobre a violência doméstica, que medidas Portugal precisa ter para dar mais proteção a essas vítimas?
Regina – Antes de tudo, mais recursos humanos – oficiais de justiça, técnicos especializados e melhor formação. Não adianta criar edifícios ou leis sem pessoas para executá-las. É preciso sensibilidade no atendimento às vítimas e repensar práticas como obrigá-las a sair de casa.
DN – Pode nos contar um caso marcante que tenha ficado na sua memória?
Regina – O caso dos inspetores do SEF e do cidadão ucraniano Ihor Homeniuk, que era da minha secção. Também casos de violência doméstica extremos, com vítimas hospitalizadas, muitas vezes à beira da morte. Trabalhando nas execuções, vemos idosos fiadores de filhos endividados, pessoas sem dinheiro para advogados, empresas paradas. Situações de maus-tratos a idosos e solidão extrema.
DN – Que mensagem deixa para as pessoas que lidam com a justiça em geral e para os associados do sindicato?
Regina – Deixo uma mensagem de esperança: lutem pela justiça, mesmo com as dificuldades e injustiças que o próprio sistema cria. Continuem a reclamar e a denunciar situações inadequadas. Aos colegas, digo que um sindicato é união, não um edifício. Unidos, podemos alcançar objetivos. Nada se consegue a 100%, mas 95% já é muito bom. Temos que ajudar a justiça a ser justa.»
Fonte: "DN/SFJ".
Neste momento conseguimos -95%, com tendência a piorar.
ResponderEliminarMas isto digo eu que sou um otimista.
Bom dia
ResponderEliminar95% já é muito bom!!!
Mas então, o que é que desses 95% já se conseguiu? Traduzem-se em quê? Tenho 23 anos de serviços, e o que consegui? Algumas migalhas, sim migalhas como aquelas que se dá ao pombos nos jardins públicos deste país, para não morrerem à fome, e algumas decisões judiciais, revertidas algumas, por interpretações de gente iluminada e bem formada, ( pelo menos de CV).
O descrédito das pessoas que regem as instituições, nomeadamente, e principalmente da DGAJ, há muito que se instalou em muitos de nós, e que dificilmente desaperacerá.
A ver vamos, ( como diz o outro).
Uma conversa de amigas, como se estivessem num café a falar das coisas da vida,
ResponderEliminarSobre os problemas atuais e os do futuro dos oficiais de justiça, nem uma palavra.
Com as mesmas frases que a anterior direção utilizava, vamos conversando, vamos reunindo, temos que negociar, é um processo lento, blá, blá, blá.
E pronto, mais do mesmo.
Eu como cética que sou, aguardo pelo fim da maré de boas vindas, da autopromoção sindical, para, após, no concreto, se começar a ver resultados, palpáveis, para os oficiais de justiça.
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ResponderEliminarVamos lá "buscar" esses + 90% !...
ResponderEliminarJá sei que vou ser criticado, que dizem que a mesma é do "establishment", mas ainda assim vou dar-lhe o benefício da dúvida!...
Mais, vou dar-lhe 6 meses para a revisão final do estatuto, recuperando também o "apagão" do tempo de serviço decretado pelo DL, e 1 ano para a recuperação do "congelamento" e demais questões.
É preciso haver entradas de novos funcionários, e que estas se façam forma semestral ou anual, e que colmatem os que estão em falta e os que se vão reformando!
Por tudo isto, e porque, verdadeiramente, parece ter capacidade acrescida em relação ao seu antecessor, boa sorte Regina!
Abraço
Certeiro.
ResponderEliminarEu assim que possa largo esta pantominia
Bom dia;
ResponderEliminarFica aqui a pergunta que fiz ao chat da inteligência artificial, para os colegas terem a noção da quantidade de coisas que o nosso sindicato fez por nós!
É mesmo.
ResponderEliminar30 anos de vida perdida.
Deslocado de casa com uma mão cheia de nada.
Canalhada.
Paguem-me ao menos os anos de 2001 a 2004.
Roubo!!
Mais do mesmo.
ResponderEliminarÉ fofinha, mais nada.
É fofinha para os OJ.
É fofinha para para o governo.
Então, vamos ver se não ficamos com o SIADAP???
Então, assinaram um acordo sem salvaguardar que o SIADAP não se aplicava a nós??
Grande Marçal e seus
muchachos....
Ah pois é....
Foi um acordo assinado à pressa...
Então porque assinaram?????
Qual era a vossa pressa??
Passar um cheque em branco???
Já ouviram falar que "o que nasce torto........"
No fundo, assinaram a merda do acordo e agora ficaram na mão deles.....
Tantos anos de sindicalismo e aquelas alminhas foram na cantiga...
Todos os que acompanharam o ex presidente e assobiaram para o lado e agora estão novamente nos tachos deviam era ter vergonha......
O SIADAP não se aplica a nós porque somos uma carreira "especial"!
ResponderEliminar"Lutem pela justiça...",
ResponderEliminarQuestiono aqui o sindicato sobre o que é que está a fazer de concreto para que os eventuais vejam o tempo todo de serviço contabilizado e assim lhe seja pago; o que está a fazer de concreto para que o tempo de serviço congelado (e atenção que a maioria do pessoal passou por dois congelamentos) seja recuperado.
Finalmente a carreira dos Oficiais de Justiça, está a ser valorizada com esta Ministra da Justiça.
ResponderEliminarConvido os colegas a verificarem os recibos de vencimento de abril de 2024, data da posse da atual Ministra da Justiça e compararem com o atual.
A título de exemplo um Escrivão Adjunto no primeiro escalão, em abril de 2024 auferia um vencimento de 1385,99 + 10% de suplemento, num total de 1524,58.
Atualmente esse técnico de justiça aufere 1705,73 + 120,00, num total de 1825,73.
Uma valorização de 320,00 de abril de 2024 a julho de 2025.
Nem tudo está bem mas ainda pode ser melhorado.
Se, por acaso, for ou tenha sido funcionário/a judicial, não é necessário socorrer-se da inteligência artificial. Basta constatar, ou será que não é capaz? Ou é daqueles/as que, em vez de pesquisar e estudar, pergunta sempre ao colega do lado como se faz?
ResponderEliminarQuando finalmente acordarem irão enfim também perceber que se não forem fofinhos e fofinhas ficarão a marcar passo até ao fim da nova carreira.
ResponderEliminarEste acordo só foi bom para quem ainda tinha 2 escalões para percorrer e estava exatamente à mesma distância da reforma...
Batatas!
ResponderEliminarFantástico, Mike!
ResponderEliminarE daqui a 3 anos, mais x, e daqui a 6 anos + xx, e daqui a 9 anos + xxx.
Fantástico Mike!
Política do deixa arder o país que eu estou a jogar golfe.
ResponderEliminarO ano passado tive um burnout, acumulação de serviço como tantos outros, ainda ando no psiquiatra, estou medicado, regressei ao trabalho, estão dois colegas a desempenhar funções naquele que era o meu serviço, deram-me outras funções, sem presos, sem escutas, sem aquele constante pára tudo o que estás a fazer para tratar disto que é muito mais urgente que o urgente, sim, é o dia a dia do MP. Regressado, há quem me aponte como se fosse xalupa por ter tido um burnout, depois de ler a entrevista à presidente do SFJ onde é revelado um estudo que refere que a nossa profissão tem a maior taxa de burnout do país, só fico mais preocupado por aqueles colegas, que são muitos, que ainda não partiram o elástico de tanto esticar, mas que se encontram no ponto de. Procurem ajuda antes que seja tarde demais
ResponderEliminarEngraçado é que no dia que o acordo se tornou publico era ver os OJ's todos a partilhar como se fosse uma grande vitória! Só quem ingressou em 2023, 2024 e 2025 teve realmente uma valorização salarial.
ResponderEliminarE novo sindicato? É para avançar? o meu aumento de € 37 paus estão-lhe prometidos.
ResponderEliminarBoa recuperação.
ResponderEliminarObrigado pelo conselho. E não ligue ao que os outros pensam ou dizem.
Põe um chapéu na cabeça que apanhaste muito sol
ResponderEliminarbrincadeirinha do colega.
ResponderEliminarCompara o teu recibo de vencimento de abril de 2024 com o atual!...
ResponderEliminarPessoal do NOVO SINDICATO!
ResponderEliminarjá vai sendo tempo de dizerem quem são!
Regina é marca de chocolate que nunca comprei!
Cara Senhora Presidente do SFJ, havendo carreiras que foram valorizadas em centenas, senão milhares de euros, connosco acontecem casos em certos escalões que têm de repor €€€ desde janeiro de 2025. É fazer as contas, por exemplo, no 3º escalão de Escrivão de Direito que subiriam de escalão agora em Agosto e, com este estatuto, têm afinal de repor. Não esquecer de alertar a tutela nas próximas reuniões.
ResponderEliminarE os outros???
ResponderEliminarQue belo aumento comparado com psp, pj, guardas prisionais, professores. Sim senhor!
E com o dever de permanencia.
Bravo.
Com o acordo poucochinhos passarão a escrivão . Por isso com siadap ou sem siadap, tanto faz. Antes ainda havia a ambição de subir a adjunto e muitos ficavam por aí satisfeitos, agora nem isso.
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ResponderEliminarLutar por justiça e ajudar a justiça a ser justa
Colegas
Relativamente a entrevista à colega Presidente do SFJ, publicada em 11-08-2025 no Diário de Notícias, gostaria de destacar os seguintes pontos:
- tentar recuperar a dignidade do Oficial de Justiça
- compromisso de evoluir e dignificar a carreira e todos os funcionários judiciais
Estatuto: continuar a sua realização e tratar das correcções necessárias
Condições de trabalho
Deixou uma mensagem curta:
- lutem pela justiça
- temos que ajudar a justiça a ser justa
Claro que é importante termos uma postura realista:
Confesso que gostaria de conquistar não 95, nem 100 mas sim 200% do que reivindicamos e pelo qual tanto nos temos sacrificado
Estou ciente que temos em frente, como sempre tivemos, uma autêntica parede de betão (o Governo), mas já estamos a conseguir abrir fendas e mesmo partir essa obstáculo
Os nossos sindicatos, o SFJ e o SOJ, por si só, não conseguirão alcançar o que se propõem sem terem o suporte e ajuda de uma classe forte, coesa, unida e determinada
Abraço a todos
Recuperar a dignidade dos 3000 cuja despromoção ela assinou por baixo?
ResponderEliminarCarissimo, se não percebeu a ironia pode sempre perguntar ao colega do lado ou então socorrer se a da IA!
ResponderEliminarNão vou fazer 1 crítica colega, pelo contrário...devemos dar sempre o benefício da dúvida da dúvida às pessoas. Eu é que já não consigo.
ResponderEliminarAquela brincadeira da sra. Directora da DGAJ, com as contas dos " eventuais " , caiu-,me muito mal e estou a recuperar de uma operação a um ombro ( dói que farta) . Talvez quando isto passar, também me passe o cinismo. Mas até lá...é assim!
Quem o aponta é por ignorância.
ResponderEliminarContinuação de boa recuperação.
Parece que o colega vê uma realidade alternativa, mais rosada...
ResponderEliminar- Desculpe: mas que fendas...? Onde?
- Classe forte, coesa etc? Quem? Onde?