Vem aí um novo sindicato de Oficiais de Justiça?

      Com apenas dois sindicatos a representar os Oficiais de Justiça, parece ser fácil que haja algum entendimento em muitas matérias, bem como na forma e na ação de representação dos Oficiais de Justiça, com muito pouca variação nas interpretações e nas cedências finais.


      Essa dualidade simples, ou biconformismo, que não se verifica noutras carreiras, também não é exemplo na nossa democracia, nem em qualquer democracia séria.


      Ao contrário daquilo que muitos entendem, a pluralidade de opiniões e a diversidade na discussão das ideias, não é um empecilho, mas é, antes e sempre, um fator basilar para a construção de algo com maior solidez e qualidade.


      Recentemente, vimos como nas Conservatórias dos Registos, os seus trabalhadores pararam durante um par de horas numa manhã, para a realização de um plenário nacional em que aqueles trabalhadores foram chamados a dar a sua opinião sobre uma proposta do Governo apresentada numa reunião com os sindicatos.


      Os sindicatos não negociaram nada, nem aceitaram nada, nem acordaram nada, sem antes ouvirem os seus representados e, para o efeito, usaram a figura do plenário nacional, realizando-o “online” durante duas horas, podendo dessa forma colher a opinião direta dos visados e responder cabalmente ao Governo numa boa e responsável representação dos trabalhadores.


      Já no passado também os Oficiais de Justiça levaram a cabo plenários nacionais, curiosamente tendo até sido decidido alguns aspetos que depois nunca foram observados.


      Perante tudo isto, e muito mais, também já surgiram no passado recente iniciativas que visavam a criação de um terceiro, ou mesmo de um quarto, sindicato, no entanto, a adesão dos Oficiais de Justiça a tais iniciativas mostrou-se sempre muito fraca, pelo menos naquelas concretas ocasiões, de tal forma que os promotores dessas iniciativas acabaram por não as concretizar, apesar de terem ultrapassado a fase da criação e publicação dos estatutos dos sindicatos que, efetivamente, foram criados, mas que se encontram inativos.


      A última iniciativa sindical remonta a 2021 com o “Sindicato dos Funcionários do Ministério Público” (SFMP), com publicação dos seus estatutos de 14 de junho desse ano no Boletim do Trabalho e Emprego nº. 38, de 15-10-2021 e sede no Seixal.


      Teve membros eleitos para os três anos subsequentes, mas esta iniciativa de Oficiais de Justiça que não se sentiam satisfeitos com a representação existente com os dois sindicatos ativos (SFJ e SOJ), procurando, portanto, uma alternativa, pereceu, tal e qual a anterior, havida três anos antes, tal como também acabou por perecer a carreira do Ministério Público de forma diferenciada da carreira judicial, coisa que aquele sindicato, a encontrar-se ativo, certamente não concordaria.


      Em 2018, iniciativa semelhante nascia no Porto (Valongo), com a constituição do “Sindicato Nacional dos Oficiais de Justiça” (SNOJ) que também não conseguiu sair do papel.


      No início de 2023 formou-se uma outra iniciativa sindical, um movimento de tendência dentro do SFJ, designou-se como JUSTA – “Justiça, União, Superação, Transparência e Autenticidade”. Este movimento tinha também como propósito a mudança, mas interna. De todos modos, não pode deixar de se contar como mais uma iniciativa sindical.


      Depois disto, os últimos anos foram pródigos em iniciativas individuais ou de pequenos grupos de Oficiais de Justiça, com uma grande diversidade de ações, como cartas-abertas, abaixo-assinados, acabando alguns na Assembleia da República, local onde também houve audições, concentrações e vigílias com acampamento incluído.


      Pese embora todas estas iniciativas, o formato dos dois sindicatos ativos manteve-se inalterado, no entanto, acaba de surgir uma nova iniciativa, desta vez sindical, propondo a criação de um novo sindicato, iniciativa esta que nos acaba de ser apresentada, ainda em fase embrionária, solicitando-se a sua divulgação, com duas propostas de estatutos e pedido de apreciação por parte dos Oficiais de Justiça.


      Obviamente, como sempre fizemos com todas as iniciativas de Oficiais de Justiça, também esta terá de ser apresentada e divulgada, o que prevemos fazer já no dia de amanhã, uma vez que a comunicação vem acompanhada de extensa motivação que hoje já não nos cabe no artigo.


      A história do sindicalismo dos Oficiais de Justiça não é muito diversificada. Antes destas iniciativas sindicais referidas (SNOJ, SFMP e da JUSTA), verificou-se a criação, em 2003, da já extinta Associação Sindical dos Oficiais de Justiça.


      Quanto aos dois sindicatos ativos e em pleno exercício de funções, o SOJ e o SFJ, o primeiro constituiu-se em 29-11-2005, completando este ano 20 anos redondos de existência, e o segundo, o mais antigo e que foi único até 2005, o SFJ, completou este último mês de junho (a 30JUN) 35 anos de existência desde a unificação nacional (ocorrida a 30-06-1990), dos 4 sindicatos regionais existentes até então, e desde 1976 (Lisboa, Évora, Coimbra e Porto), denominados “Sindicato dos Trabalhadores Judiciais do Distrito Judicial de...” (O Distrito Judicial de Lisboa incluía as regiões autónomas).


      Como curiosidade fica o pormenor de que os referidos sindicatos extintos, relativos aos também extintos distritos judiciais de Lisboa e Évora, foram criados a 29-09-1976, o de Coimbra a 19-10-1976 e, por fim, o do Porto, a 21-01-1977.


      Passaram quase 50 anos de sindicalismo em democracia, desde a criação do primeiro sindicato dos Oficiais de Justiça e, em todo este período, apenas mais um sindicato vingou, até ao momento, o que é manifestamente pouco e é tão pouco que se converte em fenómeno muito redutor das pessoas que integram a carreira, carreira esta que tem tido um percurso tão especial, tão cheio de vicissitudes e com tanta perda.


CozinheiroOficialDeJustica(DDOJ).jpg


      Fonte e mais informação no artigo DD-OJ de 28-06-2022.

Comentários

  1. Anónimo6/8/25 08:16

    O vosso serviço informátivo é útil ...as vossas opiniões são penosas e desnecessárias...

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  2. Anónimo6/8/25 09:45

    SEA - Sindicato dos Ex - Adjuntos. 

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  3. Anónimo6/8/25 10:30

    No seio das negociações com a tutela relativamente à progressão e estruturação das carreiras dos oficiais de justiça, tem-se vindo a destacar uma posição particularmente controversa por parte do Sindicato dos Funcionários Judiciais (SFJ). Esta posição, longe de representar uma visão inclusiva e justa para todos os profissionais que integram o nível três — atribuídos precisamente pela complexidade e exigência das suas funções — parece antes assentar numa lógica elitista e profundamente discriminatória.
    A tentativa de limitar o acesso à categoria de escrivão apenas aos funcionários detentores de licenciatura em Direito constitui uma afronta não só ao princípio da igualdade, mas também à meritocracia. Esta proposta ignora por completo o valor da experiência, do desempenho funcional e do mérito demonstrado nos processos de avaliação e concursos internos. Impor este critério académico como barreira de entrada — ainda por cima restrito a uma só área de formação — é institucionalizar um privilégio, não promover a excelência.
    George Orwell escreveu em O Triunfo dos Porcos que “todos os animais são iguais, mas alguns são mais iguais do que os outros.” Esta máxima parece ter sido tomada como orientação estratégica pelo SFJ, que pretende criar uma nova clivagem dentro de uma carreira que deveria ser coesa e baseada em princípios de justiça, imparcialidade e competência.
    Ao defender que apenas licenciados em Direito — e, veja-se bem, não qualquer licenciatura — possam aceder à progressão para escrivão, o SFJ não só exclui injustamente uma vasta maioria de funcionários competentes, como também promove uma hierarquização artificial entre iguais. Todos são funcionários judiciais de nível três, reconhecidos pelo Estado como desempenhando funções de elevada complexidade. Mas, afinal, apenas alguns devem ter direito à progressão?
    É também pertinente sublinhar que muitos licenciados em Direito que prestaram provas nos concursos de acesso à categoria de escrivão obtiveram classificações bastante inferiores a colegas sem essa formação específica. Esta realidade, documentada nas listagens públicas de graduações finais, desmonta por completo o argumento de que a posse de uma licenciatura em Direito, por si só, garante maior competência ou melhor desempenho.
    Neste contexto, é de louvar a posição assumida pelo SOJ que tem vindo a defender uma abordagem muito mais abrangente, equitativa e intelectualmente coerente com a realidade funcional dos oficiais de justiça de nível três. A proposta do SOJ respeita a diversidade de competências no seio da profissão e valoriza o mérito de cada um, independentemente da sua área de formação académica.
    Infelizmente, parece que, para alguns, a igualdade só existe no papel. Porque, no fim, somos todos iguais… mas uns são mais iguais do que os outros.

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  4. aquele que acredita em milagres!!!6/8/25 10:33

    O costume!!! Ainda nem sequer se copnhece a iniciativa e já há por aqui menorização. è por isto que os OJ nunca deixarão de ser uma classe profissional subserviente, vazia e acritica. Também é por isso que que a sua representação sindical é fraca, incompetente e, ainda ssim, tem apoio incondicional deste grupo de profissionais amorfos.  

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  5. No seio das negociações com a tutela relativamente à progressão e estruturação das carreiras dos oficiais de justiça, tem-se vindo a destacar uma posição particularmente controversa por parte do Sindicato dos Funcionários Judiciais (SFJ). Esta posição, longe de representar uma visão inclusiva e justa para todos os profissionais que integram o nível três — atribuídos precisamente pela complexidade e exigência das suas funções — parece antes assentar numa lógica elitista e profundamente discriminatória.
    A tentativa de limitar o acesso à categoria de escrivão apenas aos funcionários detentores de licenciatura em Direito constitui uma afronta não só ao princípio da igualdade, mas também à meritocracia. Esta proposta ignora por completo o valor da experiência, do desempenho funcional e do mérito demonstrado nos processos de avaliação e concursos internos. Impor este critério académico como barreira de entrada — ainda por cima restrito a uma só área de formação — é institucionalizar um privilégio, não promover a excelência.
    George Orwell escreveu em O Triunfo dos Porcos que “todos os animais são iguais, mas alguns são mais iguais do que os outros.” Esta máxima parece ter sido tomada como orientação estratégica pelo SFJ, que pretende criar uma nova clivagem dentro de uma carreira que deveria ser coesa e baseada em princípios de justiça, imparcialidade e competência.
    Ao defender que apenas licenciados em Direito — e, veja-se bem, não qualquer licenciatura — possam aceder à progressão para escrivão, o SFJ não só exclui injustamente uma vasta maioria de funcionários competentes, como também promove uma hierarquização artificial entre iguais. Todos são funcionários judiciais de nível três, reconhecidos pelo Estado como desempenhando funções de elevada complexidade. Mas, afinal, apenas alguns devem ter direito à progressão?
    É também pertinente sublinhar que muitos licenciados em Direito que prestaram provas nos concursos de acesso à categoria de escrivão obtiveram classificações bastante inferiores a colegas sem essa formação específica. Esta realidade, documentada nas listagens públicas de graduações finais, desmonta por completo o argumento de que a posse de uma licenciatura em Direito, por si só, garante maior competência ou melhor desempenho.
    Neste contexto, é de louvar a posição assumida pelo SOJ — Sindicato dos Oficiais de Justiça — que tem vindo a defender uma abordagem muito mais abrangente, equitativa e intelectualmente coerente com a realidade funcional dos oficiais de justiça de nível três. A proposta do SOJ respeita a diversidade de competências no seio da profissão e valoriza o mérito de cada um, independentemente da sua área de formação académica.
    Infelizmente, parece que, para alguns, a igualdade só existe no papel. Porque, no fim, somos todos iguais… mas uns são mais iguais do que os outros.

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  6. Anónimo6/8/25 12:45

    A verdade é que depois deste acordo muitos de nós sentiram-se abandonados ou injustiçados: ex-adjuntos e quem estava no 3° escalão da tabela são apenas alguns exemplos...
    Por isso seria bem vindo um novo sindicato que voltasse a recentrar os anseios dos OJ.

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  7. Anónimo6/8/25 12:50

    E esse hipotético aumento daria para pagar habitação nessas zonas?
    E despesas médicas e escolares?
    Cumprimentos.

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  8. Anónimo6/8/25 13:51

    Penosas???
    Desnecessárias???


    Vai  pata aquele lado, pá!! Para  não  dizer outro!!!

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  9. Anónimo6/8/25 13:55

    Certeiro!


    A avançar,  xau SFJ

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  10. Anónimo6/8/25 13:56

    Amorfos na maioria.
    E tu talvez sejas im deles.

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  11. Anónimo6/8/25 14:00

    Muito teórico. 
    Concorre para os lugares do interior se estás  mal

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  12. Anónimo6/8/25 14:04



    Sinficalismo com 35 anos??


    Porreiro pa!


    Escravos.
    Vejam isso mesmo os valores das aposentações  dos oficiais do registo e notariado.


    Oj gosta mesmo  de ser escravo. 


    E acabou de fazer um acordo que em termos medios trce um aumento de ins 200€.


    Força  escravos 

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  13. Anónimo6/8/25 14:06

    Tem a certeza que os emolumentos dos funcionários do IRN, entram para a reforma??
    Depois, o valor dos emolumentos baixaram drasticamente nos últimos 15 anos.
    Os funcionários do IRN recebem reformas superiores porque a tabela de vencimentos deles sempre foi melhor que a nossa.
    Depois, a história de receber mais onde há mais trabalho.
    Que eu saiba, não há Tribunais onde há pouco trabalho.
    Há Tribunais com maior volume e outros com menor.
    Uns tem os quadros um pouco mais compostos e a generalidade tem os quadros depauperados.
    Faz-se o que se pode.
    Agora, que eu tenha conhecimento não há super homens nem super mulheres.
    De uma maneira ou de outra cada um faz o que pode, com os meios que tem, com as condições que tem, com os 'magistrados" que tem, com as chefias que têm.
    Essa perspectiva imbecil de se ganhar mais onde há mais trabalho, é como referi, imbecil.
    Nem me vou dar ao trabalho de explicar, provavelmente não há massa cinzenta para entender.
    Um dos problemas desta carreira são os que tem a mania que são melhores que os outros.
    TT

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  14. É uma variavel para a equação

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  15. Anónimo6/8/25 14:52

    Como  aqui alguém  costuma dizer
    Concorre a oj quem é  talhado para ser escravo. 


    Vejam que nem um suplrmento de jeito acordaram. 180€ e porque nem a 200€ chegaram? Isto um pequenissimo exemplo 

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  16. Anónimo6/8/25 14:54

    O sentimento geral é que os Sindicatos neste momento estão focados apenas nos ingressos e nas chefias. 

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  17. Anónima da hora do chá6/8/25 15:25

    Se os oficiais de justiça tiverem coragem, será altura de uma pedrada nas janelas de vidro estilhaçado. Já todos constatamos ( exceto os de palas) que as respostas às perguntas e expetativas da classe foram inexistentes, tudo bem demonstrado neste acordo insultuoso. Reparem colegas que (do que conversei com alguns colegas desconsiderados das regiões autónomas e do Algarve no último congresso, onde uma senhora loura roçava a insolência cada vez que se apresentava no palco a desdenhar de boas ideias de reflexão apresentadas pelos oj mais novos) que quer os novos que os das regiões autónomas e de Algarve e nós do norte do pais somos submetidos ao desprezo centralizado de Lisboa. Por isso, não ficarei admirada que haja um ou vários movimentos para a separação. Não é Rui?

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  18. Anónimo6/8/25 18:03

    Não  diria melhor TT

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  19. Anónimo6/8/25 19:54

    Toda a razão, não faz qualquer sentido, os das conservatórias conseguiram 90 euros e nós ficámos pelos 180 euros. Vergonha! 

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  20. Anónimo6/8/25 21:22


    Ao Deves ser reformado


    não queres que os outros tenham uma reforma mais elevada que a tua.

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  21. Anónimo6/8/25 23:11

    SEA - Sindicato dos Ex - Auxiliares.

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  22. Anónimo6/8/25 23:21

    Concorreram para adjuntos por que leram em algum lado que poderiam ficar no nível 3 e os auxiliares no nível 2. A ganância saíu pela culatra.

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