Como estamos de vindimas? Muita parra e pouca uva!
Difundiu esta semana o Instituto de Gestão Financeira e Estruturas da Justiça (IGFEJ) uma notícia sobre a modernização da rede dos tribunais.
Diz assim a notícia pública:
«O IGFEJ iniciou, a 29 de agosto, a instalação de novos equipamentos de rede nos tribunais portugueses. Esta intervenção representa um passo decisivo na modernização tecnológica da Justiça, com impacto direto na velocidade e estabilidade das comunicações.»
Ótimo, agora é que vai ser velocidade!
E continua:
«Os novos equipamentos permitirão uma resposta mais eficaz às exigências atuais dos sistemas judiciais. A gestão centralizada facilitará atualizações e configurações, reforçando a resiliência da infraestrutura.»
E, pronto, quando me começam a falar de resiliência acredito logo que o discurso é falso.
Então o que é que isto quer dizer? Há ou não há resiliência? Em que é que consiste esta alegada modernização da rede que apregoa o IGFEJ?
Vamos traduzir:
O que o palavreado da notícia pública do IGFEJ quer dizer é um pouco diferente daquilo que o mesmo diz em comunicações internas, que amavelmente dois leitores nos encaminharam (e que agradecemos), onde o IGFEJ explica que a tal modernização em curso consiste apenas numa visita de um técnico da NOS para ver os cabos de rede e seus percursos e que só posteriormente, ou seja, oportunamente, é que serão instalados os novos circuitos, mas nem sequer com tal instalação a coisa fica a bombar.
Ou seja, para já não há nada. Que ninguém pense que vai chegar amanhã ao Citius e de repente vai abrir um documento qualquer num segundo, isso não vai acontecer, pelo menos no curto prazo, uma vez que o que está a acontecer são apenas visitas exploratórias de análise.
A explicação interna do IGFEJ é a seguinte:
«No âmbito deste projeto, estamos a preparar a instalação de um segundo circuito de fibra em cada edifício. Atualmente, cada edifício dispõe de um circuito de fibra do operador MEO e um segundo circuito 4G da NOS, que funciona como “backup”. Este segundo circuito é ativado quando o primeiro falha, mas em alguns locais, o circuito 4G não possui capacidade suficiente para assegurar um bom desempenho da rede para todos os utilizadores.»
E continua assim:
«Com a instalação do novo circuito de fibra pelo operador NOS, todos os edifícios ficarão com dois circuitos a funcionar no modo ativo-ativo, assegurando não só uma melhor capacidade da rede, mas também uma redundância real dos circuitos. Este procedimento permitirá ainda que o IGFEJ realize um incremento de até 5 vezes, da largura de banda existente em cada local, até ao final do contrato (4 anos), ajustando conforme as necessidades.»
Resumindo:
Trata-se de mais um circuito, um terceiro, que já não servirá apenas para entrar em funcionamento quando o primeiro falha, porque até aqui falhava o primeiro e como o segundo não dava conta do recado, falhava tudo. Depois, haverá uma terceira via, que não ficará circunscrita a ser um sistema de salvaguarda (“backup”), mas uma nova via em funcionamento que, diz-se, até ao final do contrato (que tem a duração de 4 anos), poderá vir a ter um “incremento de até 5 vezes a largura de banda existente”.
Quer isto dizer que a modernização em curso que é dada na notícia poderá ocorrer até ao 4º ano com o tal incremento de 5 vezes, não já, mas até ao final do tal contrato e de acordo com as necessidades que irão sendo “ajustadas”.
Desilusão!
A notícia é falsa? Não, não é falsa, é verdadeira, mas está distorcida numa curvatura temporal que a torna praticamente falsa, desde logo porque transporta o leitor para uma realidade de um mundo paralelo que nem sequer existe, mas que poderá vir a existir.
É esta a nova forma comunicacional do presente, tanto de empresas privadas, como de entidades públicas, partidos políticos ou pessoas individuais: dizer uma verdade que é tão retorcidamente verdadeira que acaba arrancada das suas raízes de veracidade para a neblina da dúvida, da insinuação, da eventual interpretação secundária, roçando, portanto, a mentira, mas sem passar a fronteira.
Não, a notícia não é falsa, mas é enganadora, isto é, induz o leitor a acreditar num mundo maravilhoso que não existe, mas que pode vir a existir e porque pode mesmo, as afirmações passam a ter esse véu de verdadeiras, porque são isso mesmo: possibilidades verdadeiras e não possibilidades falsas, embora ainda não existam, apesar da indução da insinuação.
Isto assim explicado até parece difícil de perceber, mas não é relevante, porque o financiamento do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), ou como o outro lhe chamou: “a bazuca”, paga e a fatura corresponde a um negócio de 3,5 milhões de euros.
Conclui a notícia o IGFEJ dizendo que «Os trabalhos decorrerão com o mínimo de impacto nos serviços, garantindo que a atividade dos tribunais se mantém com normalidade enquanto se reforça a infraestrutura tecnológica.»

Fonte da notícia pública: “Info-IGFEJ-02SET2025”.
Há pelo menos uma coisa que é certa e verdadeira, disso não tenhamos dúvidas:
ResponderEliminarÉ um novo contrato e vai ser para cumprir até ao fim, funcione ou não funcione o sistema, verifique-se ou não se verifique ao fim dos 4 anos um melhor desempenho da rede.
Perante estas empresas estrangeiras o Estado Português é sempre Pessoa de Bem e nem com justas causas se atreve a deixar de pagar incluindo indemnizações.
Agora surpreendam-me e esfreguem-me nas fuças as garantias deste novo contrato.
Tristes as notícias vespertinas e matutinas dando conta da tragédia que sucedeu na capital do nosso país, dita da luz.
ResponderEliminarOs acidentes podem acontecer, a mecanização traz consigo um risco associado que comporta sempre ter presente.
Nós, cidadãos em geral, aceitamos esse risco por ser mínimo relativamente às vantagens que oferecem, mas ele está sempre presente.
O que acho verdadeiramente incrível é como é possível um equipamento daqueles - com mais de um século - sujeito a manutenções e verificações e tudo o mais, nomeadamente na forma de funcionamento (elétrica) não possua sistemas redundantes que minimizassem o impacto de uma ou várias falhas - falos dos freios pneumáticos ou dos freios eletrodinâmicos, assim como de sistemas automáticos.
Treta institucional em cima de treta institucional !
ResponderEliminarO habitual !...
Quando se refere: "vamos traduzir", deixa logo expresso que se está a lidar com leitores, leia-se oficiais de justiça, acéfalos. Um qualquer artigo, publicado seja por quem for, se lido por gente capaz não precisa de ser "traduzido", cada um o entende. Acontece que aqui há sempre a necessidade de se traduzir tudo. Na verdade a "tradução" é a forma enviesada como se pretende formatar mentes pouco esclarecidas que precisam de alguém que pense por elas e faça os desenhos. É isto que faz esta página e nisso tem algum sucesso
ResponderEliminarè à Tuga.
ResponderEliminarengenheiros, engenheiros, doutores , doutores e nada
ResponderEliminar"
não, pelos vistos traduzir quer dizer aprofundar o nivel da mensagem porque esta não é assim tão perfunctória.A maior parte das comunicações saem com conceitos extensos que dificultam a univocidade da mesma.
10:02:
ResponderEliminarOlhe que não, olhe que não!
Entendo apenas que o blogue gosta de tudo bem esclarecido e esmiúça bem em palavras os vários temas.Daí serem artigos, à aparência, por vezes massudos e a palavra tradução em sentido figurado, podia bem ser substituida por outras.-
A árvore não faz a floresta e os of. justiça nas suas funções não precisam assim tanto de tudo tão explicado, mas defendo o blogue mesmo não concordando com algumas coisas, porque traz informação útil quase todos os dias.
Quanto à propaganda política é mais do mesmo e muitos milhões para gastar.
Triste pela tragédia ontem em lisboa; podia ser qualquer um de nós, familiar, ou amigo.
Sentimentos ăs famílias e amigos; rápidas melhoras para os feridos.
Hoje toda a gente vai ser muito delicada com a Central, com a Secdesc e com o OJ dos OB...
ResponderEliminarE o Luís aproveita para fazer piadolas disfarçadas de comunicações ao país.
ResponderEliminarA preocupação do Luís é que ninguém tire aproveitamento da situação, depois do que ele disse em 2017 do António em Pedrógão.
Só mesmo para rir.
São os únicos, pá, que são escrupulosamente destinados.
ResponderEliminarQuando são entregues, já tudo foi rigorosamente planeado.
Sim, pá, falo dos milhões!
E infelizmente vão sempre para os mesmos, sempre muito próximos.
Caríssimo/a
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ResponderEliminarO contrário também pode ser verdade, assim não sejam subservientes os funcionários do "mau" chefe!...
ResponderEliminarDesculpe?
ResponderEliminarO que é que o Luís tem que ver com a coisa - está no poleiro desde abril de 2024 - menos de ano e meio!
Mas aquela coisa (o elevador da Glória tem mais de um século e nos últimos 30 anos apenas 9 foram de Autarcas Sociais Democratas (2002 a 2007 com Carmona e Santana Lopes e desde 2021 com Moedas) sendo que a gestão do equipamento é da responsabilidade da Carris ( em 2017, deu-se a transferência de titularidade da CARRIS para a Câmara Municipal de Lisboa).
Eu pergunto aos entendidos como é que desde 2011 - na gestão do PS - se passou a contratualizar externamente o serviço de manutenção, de fiscalização e vistoria do equipamento e quem é que atualmente faz parte dos órgãos de gestão daquela empresa - que relatórios técnicos existem sobre o período de vida esperado e sobre a necessidade de substituição ou revisão do modelo de funcionamento.
Estamos num país fraquinho, fraquinho, fraquinho ... em que ninguém assume a responsabilidade de coisa nenhuma.
ResponderEliminarPá?! Pá?! És tu Sócrates?
ResponderEliminarNão tem nada a ver com o "tema" de hoje, mas quero dar os parabéns aos Cheganos pelo grau de representatividade social do seu partido na área criminal.
ResponderEliminarAgora foi detido mais um membro do Chega, desta vez suspeito de atear fogos.
Deve ter ficado entusiasmado com o filme do Adolf ventura.
Que maravilha de case study!
Carrega Chega.😅
Sou chegano com todo o gosto.
ResponderEliminarOlha para os teus corruptos, pedófilos, etc.
Só usas pálas