O foco de uns e de outros
Enquanto a presidente do Sindicato dos Funcionários Judiciais (SFJ) se preocupa e lamenta relativamente ao estado de funcionamento do Citius, escrevendo sobre isso no artigo do Correio da Manhã, os presidentes de outros sindicatos preocupam-se e lamentam o estado de espírito das pessoas que representam.
É o caso do presidente do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público (SMMP), em recente artigo publicado na revista Sábado, que aborda as questões que atualmente preocupam os seus representados, designadamente, a relativa à última aplicação da generalização da carreira, passando por cima da especialização, bem como a questão do “burnout”, aspetos estes que, afinal, desde há muito afetam os Oficiais de Justiça.
Existe, portanto, um paralelo de preocupações, embora com a particularidade de que o fim da especialização na carreira dos Oficiais de Justiça é algo acordado com os dois sindicatos que os representam. Ou seja, há uma anuência que não permite contestar o facto concretizado e assumido e, por isso, o foco desvia-se das pessoas para se centrar num programa informático.
Diz assim o presidente do SMMP:
«Terminou o período de férias judiciais de verão, retomando-se a rotina habitual e o ritmo normal de trabalho nos tribunais e nos serviços do Ministério Público. Importa salientar que estes serviços não encerraram durante o recesso, continuando magistrados e oficiais de justiça a assegurar todo o serviço urgente, muitas vezes em elevado volume.
Mas o que esperar neste regresso a partir de setembro?
As dificuldades antes existentes mantêm-se inalteradas. A contestação dos magistrados do Ministério Público persiste, enquanto se aguarda a decisão de uma providência cautelar interposta no Supremo Tribunal Administrativo, que visa a suspensão dos efeitos do recente movimento. A carência de magistrados do Ministério Público continua a ser uma grave problemática em todas as 23 comarcas do país, agravada pelo reduzido número de novos ingressos após a formação no Centro de Estudos Judiciários, sem que haja reforço adequado.
Anualmente, o aumento de baixas por motivos de saúde relacionados com doenças profissionais e “burnout” continua a colocar pressão sobre um quadro limitado, reforçado apenas por poucos magistrados do quadro complementar, insuficientes para cobrir todas as ausências. Esta situação obriga os restantes magistrados a assumirem cargas de trabalho excessivas, com longas horas, frequentemente prolongadas até à noite, fins de semana e feriados, amplificando a exaustão física e psicológica.
A maioria dos magistrados não tem acesso a medicina do trabalho, e nenhum dispõe de apoio psicológico adequado, o que resulta em inúmeros casos de “burnout” sem diagnóstico. Em resposta, o Conselho Superior do Ministério Público optou, na sua deliberação anual, por ocultar a escassez de recursos humanos, extinguindo lugares, agregando vagas e alargando competências de forma que compromete gravemente a especialização e prejudica o serviço prestado à sociedade.
Se esta estratégia persistir, a magistratura especializada dará lugar a um modelo generalista e multifuncional, comprometendo a qualidade do trabalho, sobretudo nas áreas de família e menores, criminalidade económica e violência doméstica.
Em resultado, 75% dos magistrados do Ministério Público subscreveram uma carta aberta a solicitar a anulação da deliberação do movimento. Além disso, em julho, foram realizadas greves nacionais e regionais, com grande adesão, em defesa dos interesses dos cidadãos, exigindo um Ministério Público qualificado, especializado e eficaz, capaz de responder adequadamente às necessidades da sociedade.
Neste momento de reinício, é fundamental reiterar o apelo à Procuradoria-Geral da República e ao Conselho Superior do Ministério Público para que alterem o atual modelo de gestão dos quadros, que tem contribuído para a precarização da carreira dos magistrados. É igualmente crucial reconhecer que o número de magistrados é insuficiente para preencher todas as vagas, evitando assim a supressão, fusão ou agregação indevida das mesmas.
Deve ser valorizado o elevado nível de exaustão dos magistrados, muitos dos quais estão em risco de “burnout”, agravado pela ausência de medicina do trabalho, pela precarização derivada da extinção de postos e pela conversão de cargos efetivos em funções auxiliares, assim como pela desvalorização da especialização. Proteger o bem-estar físico e psicológico dos magistrados é essencial para garantir que continuem a desempenhar eficazmente as funções sociais a que estão vinculados. Não existe “mais um bocadinho” para dar ao serviço porque os magistrados do Ministério Público já estão no limite.
Nada fazer não é opção.
Os magistrados e a sociedade esperam que a Procuradoria-Geral da República e o Conselho Superior do Ministério Público enfrentem a realidade atual e ajam com a devida sensibilidade, reconhecendo a legítima revolta dos magistrados do Ministério Público.
É preciso entender os sinais do tempo e agir. Recorrendo a uma citação bíblica “Sabeis discernir o aspeto do céu, mas não podeis discernir os sinais dos tempos.” (Mateus 16:3, Evangelho de Mateus).
Este é o momento oportuno para que, no âmbito do Conselho Superior do Ministério Público, seja criado um grupo de trabalho destinado a rever as alterações funcionais introduzidas no último movimento, ouvindo as preocupações dos magistrados e da sociedade civil.
O início de um novo período após as férias judiciais é sempre uma oportunidade para reflexão e reajuste. No entanto, a persistência de problemas estruturais no Ministério Público exige mais do que simples retoma de rotina: exige coragem para reconhecer as fragilidades, compromisso para corrigir as desigualdades e determinação para proteger os profissionais que sustentam o sistema judicial. Só assim será possível garantir uma justiça eficaz, especializada e justa, alinhada com as reais necessidades da sociedade.
Que o regresso traga boas notícias ao sistema de justiça, aos magistrados, advogados, oficiais de justiça, solicitadores, agentes de execução, polícias e a todos os cidadãos. Um bom regresso para todos os intervenientes no sistema de justiça.»

Fontes: artigo de opinião de Paulo Lona, presidente do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público (SMMP), intitulado: “Sinais do tempo na Justiça”, publicado na Sábado e artigo de opinião de Regina Soares, presidente do Sindicato dos Funcionários Judiciais (SFJ), intitulado: “Citius sempre em baixo”, publicado no Correio da Manhã.
Realmente o problema do citius não é nosso problema. Que chatice. Está visto que não vamos a lado nenhum.
ResponderEliminarQuando um sindicato como o SFJ consegue alcançar 95% (NOVENTA E CINCO) das reivindicações é natural que se vire para outros assuntos de menor importância;
ResponderEliminarSindicato dos Magistrados do M. Público, ponham os olhos no SFJ.
Foco nas pessoas. Bem diferente dos nossos sindicatos que gostam de divagar em questões secundarias para não incomodar o poder politico.
ResponderEliminarAliás, mesmo os magistrados estão dependentes do poder politico e dependem da boa vontade deste para implementar politicas de reforço dos quadros de pessoal, se isso lhe interessar.
Por algum motivo oculto parece que aos partidos e aos governos convém todos os serviços publicos viverem numa permanente falta de pessoal. E não venham dizer que é uma questão de orçamento efalta de verba. Outros interesses estão por trás destas politicas que promovem carência crônica de funcionarios.
Alcançou grau e muito prestígio para todos.
ResponderEliminarE ninguém ficou para trás.
Não metam funcionários que não é preciso.
ResponderEliminarEu estou de baixa. Saúde em primeiro.
E deixem que se mantenha a mistura mp judicial que isso aumenta o rendimento e tapa buracos.
Sindicatos não pressionem nesse sentido que não é preciso. Está tudo brm com os oficiais
Eu sou filiado num sindicato da função pública geral, com advogados bem especializados na área administrativa.
ResponderEliminarSoj e sfj fraquinhos nas ações em tribunal administrativo.
10:34
ResponderEliminarJá somos dois.
Dia 16 vai ser a prova dos 9. O algodão não engana
ResponderEliminarEsperemos para ver
Já vai ser a segunda vez. Já vai dar para ver qualquer coisita. Até porque, passou umknvo período de tempo, em que certamente deu para planear, planear, planear .......
A ver iremos. Are dia 17
Ha-Ha (em versão Simpsons)
ResponderEliminarVão 3
ResponderEliminarO que me interessa mesmo é o departamento jurídico e isso em Administrativo está mais que visto que é fora do sfj e soj.
Apoio juridico são zero, comparados com outros sindicatos.
Algodão que?
ResponderEliminarEheheh
Façam horas extra e vão ao fim de semana trabalhar para recuperar.
ResponderEliminarForça
Estão todos bem de vida.
ResponderEliminarSem dúvida.
ResponderEliminarZero à esquerda em termos juridicos
A mim não me apanham dinheiro em quotas.
Eu quando precisar de apoio pagarei do meu bolso a alguém competente.
MP borre a cara
ResponderEliminarPois não vejo defesa de legalidade nenhuma.
E Juizes com tomates há poucos.
O povo diz e com razão, só prendem a arraia muida.
Com tomates no sitio para se meterem com o peixe graúdo há 1vou 2 %.
O resto quer é o dinheiro chorudo, casa paga e subsídios.
ResponderEliminarVerdadinha.
ResponderEliminarCorajosos para se meterem com os grandes, houve 1 ou 2 %. O que prendeu socrstes e o que foi à assembleia da República prender o paulo pedroso.
Quantos têm essa coragem?
Bem visto.
Triste país.
ResponderEliminarEnquanto não me pagarem o roubo de eventual 2001 a 2004, não volto aos tribunais para trabalhar.
Sem duvida esses dois para mim são juízes com eles no sitio, muito acima dos outros outras que só mexem com os pequenos.
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