“Sempre” é uma constante não intermitente que ou é, ou não é
Veio ontem, também, o Sindicato dos Funcionários Judiciais (SFJ) manifestar-se publicamente sobre a nomeação do Funcionário do Regime Geral para o cargo de Administrador Judiciário, alegando que “desde sempre defendeu que os Administradores Judiciários apenas poderão ser recrutados da carreira de Oficial de Justiça, onde existem muitos e excelentes quadros”, conforme se lê na informação sindical de ontem.
No entanto, apesar dessa defesa poder ser, como se diz, “desde sempre”, também é verdade que nem sempre é, ou foi, manifestada de forma constante a cada oportunidade, designadamente, até nas situações em que diretamente foi o próprio sindicato chamado a pronunciar-se sobre o cargo de Administrador Judiciário.
O alegado “sempre” do SFJ mostra-se com algumas lacunas que não são um “sempre” tão “sempre” como se alega.
Vejamos:
A Lei 62/2013, de 26 de agosto, a Lei da Organização do Sistema Judiciário (LOSJ), foi recentemente alterada ´(a 15ª alteração) pela Lei 57/2025 de 24JUL, que consagrou as alterações propostas pelo Governo ao Parlamento (Proposta de Lei 52/XVI/1ª), reescrevendo, entre outros, o artigo 104º e 105º, que dizem diretamente respeito aos Administradores Judiciários.
Nas alterações que foram propostas, e acabaram aprovadas, não ficou expressa a mais mínima referência aos Oficiais de Justiça, ficando perfeitamente em aberto a hipótese de poderem vir a ser nomeados indivíduos não Oficiais de Justiça para o cargo de Administrador Judiciário.
Aquando da apresentação da proposta do Governo, a Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias, da Assembleia da República, pediu pareceres (em março passado) a diversas entidades, como os conselhos superiores (CSM, CSMP, CSTAF) e o Conselho dos Oficiais de Justiça (COJ), as Ordens: OA e OSAE, os sindicatos das magistraturas: ASJP e SMMP, e também aos dois sindicatos representativos dos Oficiais de Justiça: SFJ e SOJ.
Não foram apresentados pareceres nem contributos por parte do COJ, do SFJ, ou do SOJ, nem foi comunicada qualquer justificação para a sua não apresentação, como, aliás, fez o CSM, preferindo adiar a apresentação do seu parecer.
Ora, independentemente do momento político e das possíveis leituras políticas, mesmo da eventual inutilidade do ato, sempre que instado a manifestar a sua opinião sobre determinado tema, designadamente, sobre assunto do interesse dos Oficiais de Justiça, como é o cargo de Administrador Judiciário, qualquer sindicato que representa Oficiais de Justiça, tal como o seu Conselho (COJ), deveria – sempre; sempre mesmo – pronunciar-se; marcar a sua posição e a sua presença em defesa dos interesses de todos os Oficiais de Justiça em vez de se fazer de morto.
O Conselho dos Oficiais de Justiça (COJ) e os dois Sindicatos (SFJ e SOJ) deveriam ter respondido ao apelo do Parlamento, manifestando SEMPRE a tal defesa dos interesses dos seus representados.
Sempre tem de ser mesmo sempre, sem ser uma mera figura de retórica.

Fontes: “Info AR Parlamento: Detalhes Proposta de Lei 52/XVI/1”, “Info AR Parlamento: Catálogo” e “Info-SFJ-09SET2025”.
Em que é que essa alteração contraria a Portaria 288/2016, de 11/11?
ResponderEliminarA alteração não contraria a Portaria, mas podia ser contraproposta uma alteração que indicasse um caminho para as futuras portarias, em vez de deixar tudo nas mãos do Governo, leia-se MJ, leia-se DGAJ. Algo fixado por lei não pode ser alterado por Portaria. Neste momento, as futuras Portarias podem fixar o que bem entenderem, porque a lei não estabeleceu nenhuma margem, pelo contrário.
ResponderEliminarTerá este administrador direito ao uso , porte e manifesto gratuito de arma de defesa, independentemente de licença exigida em lei especial?
ResponderEliminarE quanto aos deveres, quais são? Só tem os deveres gerais da função pública?
A juiz que o colocou só quis resolver o problema que a atormentava e não hesitou em ir buscar este técnico superior como podia ter ido buscar outro qualquer, um advogado ou um qualquer primo de uma amiga.
E a DGAJ vai na conversa?
E o CSM?
Foi tudo tratado nas férias para ninguém dizer nada.
É isto que se espera de uma juiz presidente?
para quem a terá indicado a resposta deverá ser...sim
ResponderEliminarPaulatinamente, a mudança está a ocorrer nos tribunais.
ResponderEliminarAssistentes operacionais a entrar devagarinho e aos bochechos, extinção de categorias, extinção da área especifica nos serviços do ministério público, administradores judiciais, nomeações para chefiar tribunais, seções ou serviços, habilitações literárias para admissão.
A carreira tal como a conhecemos até ao dia 30 de junho de 2025 acabou.
Agora é tempo da mudança e a maior parte dos oficiais de justiça estão com os cabelos em pé por aquilo que ficou nas letras pequeninas dos acordos com a tutela.
Como dizia um grande mestre do século XXI, "habituem-se"
Era o resto da reforma em complemento da LOSJ 62/2013, de 26 de Agosto, que foi suspensa pela geringonça.
ResponderEliminarNão perderam pela demora, mesmo com interrupção de legislatura, o plano de vários Passos começa a tomar forma final.
Uns não fizeram nada, os outros acabaram com tudo.
Somos poucos e todos fazem pouco de nós.
Bom dia,
ResponderEliminarAlguém que nos explique as razões que presidiram a esta decisão - falo do CSM e da PGR/CSMP.
Os tribunais têm de dar uma imagem de justiça ("à mulher de César não basta ser honesta, tem que parecer honesta"). No caso desta decisão de nomeação, muito honestamente, não foi observada a lei (em sentido amplo).
Como esperar boas decisões de tribunais sobre julgamentos em curso, por ilegalidades e ilicitudes, quando eles próprios não observam a lei, desrespeitam-na e fazem dela letra morta.
Em que posição fica a justiça. Que credibilização pode resultar destas decisões muito mal explicadas (a de Bragança não é a única).
O controlo das instituições pode acontecer de muitas e variadas formas. O Dr. Nuno Garoupa tem um escrito (publicado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos (FFMS)) onde fala desse controlo ao nível dos Conselhos Superiores (CSM, CSMP/PGR e CSTAF) mas esse controlo pode advir da politização dos serviços - com nomeações de favor e à medida. Não sei se é este o caso (acredito que não seja) mas não se pode de modo algum deixar que possa acontecer.
Que tal uma representação da situação ao senhor Presidente da República e ao senhor Presidente da Assembleia da República? É que começa a estar em causa todo um setor que é um dos pilares mais importantes de uma sociedade livre e justa e garante de uma democracia.
Tenho para mim que há por aí muito boa gente que se poderia enfiar num barco (como fez o Bloco de Esquerda) e partir para outros mares, se calhar até fundear ou ancorar por ali e ali permanecer muito tempo, e a regressarem que o fizesse apeados para demorarem mais tempo pois que, ao que parece, estão mais preocupados com as suas "causas" do que resolver os reais problemas das pessoas que os elegeram).
Noto que a senhora Diretora Geral é especializada em Direito Administrativo e deverá, porque se impõe no caso, pronunciar-se sobre a questão com mais autoridade.
Esta coisa da justiça está a precisar de uma grevezita de 15 dias para ver se se põe fina!
ResponderEliminarAcabem lá com a revisão do estauto, que existem outras matérias que urge resolver através desse mecanismo (greve).
Vocês já viram no ponto em que está a justiça no seu todo?!!!
É incrível!
Muito folgo em saber que ainda há quem acredite nas instituições nacionais, e em democracia, estado de direito português e outras coisas que tais.
ResponderEliminarÉ uma das que ainda não pagam imposto, a esperança, mas aviso que a fronteira está mesmo aí já ao virar da esquina e até há no país um partido político com uma designação que é sinónimo de limite...
Fomos vendidos. De que adianta agora o blá, blá, blá?
ResponderEliminarSó queriam prestígio e grau 3. Foi nisto que deu.
Habituem-se
A Sra Directora Geral, eheheheh
ResponderEliminarestá bem está
shame
GREVE IMPUNHA-SE
ResponderEliminarMas ojs são borrados e têm o que merecem
escravatura e esmagadela
A culpa é do Passos.
ResponderEliminarExactamente.
Exactamente.
ResponderEliminarGrau 3 e prestígio a dar c'um pau e ainda se queixam.
Cambada de ingratos.
não vai demorar muito e todos os lugares acima de Técnicos de Justiça serão de nomeação politica, quero dizer conforme a cor do cartão.
ResponderEliminarE claro está todos com licenciatura e bastante experiencia para o cargo.
algumas recolocações, não publicadas, que contrariam os movimentos publicados, já o são
ResponderEliminarQueres dizer de nomeação de lambebtismo, vulgo, lambe botas?
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ResponderEliminarquo vadis
ResponderEliminarTambém deves ser bom aluno.
ResponderEliminarEnsinus - Escária - ISG
ResponderEliminarQuanto mais literados...
É isso mesmo que pretendem. Futuramente as participações ainda nem sequer chegaram "às mãos" dos Procuradores e já irão estar a ocultar e despachar eventuais provas do delito... Tudo controlado para o "bem maior"..
ResponderEliminarPor exemplo
ResponderEliminaralguém ,
Não metam o Passos aqui. Plano socretino e costiniano. Estas coisas são o que os socialistas e comunistas sempre quiseram. Está-lhes na génese: dominar todos os poderes, violando indirectamente a respetiva separação.
ResponderEliminaré o poder político a meter-se na justiça.
ResponderEliminarSim, pois, foram esses socialistas e comunistas é que aumentaram/compraram os juízes na mesma altura em que apertaram o cinto a todos os outros portugueses.
ResponderEliminarAinda, recentemente a presidente do maior sindicato congratulou-se em ter já logrado alcançar 95% (noventa e cinco) de 100% (julgo eu) das reivindicações do sindicato.
ResponderEliminarLogo, só pode ser na brincadeira que se pede, VAMOS PARA A GREVE!
Quanto a mim já me resignei, que isto como carreira, ACABOU, HE FINISHED
Se acabou, deixe de ver qualquer utilidade em ser sindicalizado, pelo que da minha parte nem um cêntimo/chavo o SFJ e o SOJ veem.
Se isso fosse verdade não acha que o estado das nossas - ojs - coisas já teria sido desagravado?
ResponderEliminarOs laranjas têm revertido tudo o que lhes apetece que vinha de trás, incluindo substituir os boys dos outros pelos deles, custava-lhes alguma coisa reverter mais essas maldades do socratismo e do costismo sobre a justiça?
Pelo teor dos comentários de hoje, carregados de especulações e populismos, os Cheganos tiraram todos o dia.
ResponderEliminarDeixem se de merdas, a questão é muito simples: Houve uma nomeação ilegal que tem que ser contestada e nada mais que isso.
E enquanto não alterarem os critérios de acesso, assim vai continuar.
Defendo os seguintes critérios:
15 ou 20 anos como OJ.
Licenciatura
Prova escrita e entrevista.
Melhor nota em detrimento da antiguidade.
ResponderEliminarNossa Senhora!
Sindicatos duma carreira de elite e grau a jogarem para 100%?!
Pessoalmente, derivado a esse estatuto que julgo ter na sociedade portuguesa por força da minha profissão, quando oiço a líder do SFJ falar desses 95 só consigo conceber na minha cabeça que seja de 95 para mil e nunca só 100%!
É o que eu acho.
You have a dream!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
ResponderEliminarPode precisar de 1 advogado; pense bem!
ResponderEliminarContinua a sonhar, tonho.
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ResponderEliminarBoa demanda, má demanda, escrivão pela nossa banda.
Se queres ter boa demanda, anda com o escrivão à banda
Artigo 218.º CRP
(Conselho Superior da Magistratura)
3. A lei poderá prever que do Conselho Superior da Magistratura façam parte funcionários de justiça, eleitos pelos seus pares, com intervenção restrita à discussão e votação das matérias relativas à apreciação do mérito profissional e ao exercício da função disciplinar sobre os funcionários de justiça.
Pela quantidade e teor dos comentários e das respostas a cada "despacho" do OJ pode perceber-se que certos temas considerados cruciais para uns, poucos, são totalmente indiferentes para outros...
ResponderEliminarSe aqueles poucos ainda se auto dividem por tendências clubísticas perde-se massa crítica essencial para provocar a necessária mudança.
"Se nós não dissermos BASTA, o Povo vai continuar a dizer ...CHEGA!..."