A minha carta ao Pai Natal
Querido Pai Natal,
Escrevo-te hoje com a mão um pouco trémula, não propriamente pelo frio destes dias de dezembro, mas pelo cansaço do peso de quem carrega nos ombros uma Justiça que teima em não ver nada; em manter a venda, não para julgar os casos, mas para ignorar os seus.
Escrevo-te esta carta não com a leveza nem a euforia de uma criança, mas com a grande responsabilidade de quem mantém as engrenagens da Justiça a funcionar todos os dias.
Sei que durante este ano nem sempre me portei bem, mas tal não sucedeu por vontade própria, mas por força das circunstâncias e pelas forças maliciosas que me empurraram para alguns comportamentos menos politicamente corretos, mais reivindicativos, porque o ataque aos trabalhadores tem vindo a ser cada vez mais malevolamente concertado e normalizado.
Por isso, este ano, não peço bens materiais para mim, mas para uma classe inteira que, em silêncio e com relevante sacrifício pessoal, garante que a justiça chegue a cada cidadão.
Os Oficiais de Justiça estão cansados, Pai Natal, de que a sua profissão seja o pilar invisível do Estado de Direito, e é por isso que, com o coração cheio de esperança, mas também de angústia, te peço apenas a satisfação da necessidade urgente da sobrevivência profissional.
Para caber no meu pequeno sapatinho 44, são os seguintes quatro pedidos, muito singelos, mas tão importantes:
.1. O resgate da nossa dignidade
Peço-te que tragas o reconhecimento. Não queremos apenas números num recibo de vencimento, mas sim sentir que o nosso esforço, as nossas tantas horas extra não pagas e a nossa dedicação tenha valor. Queremos uma carreira valorizada para podermos voltar a olhar para o espelho com o orgulho de quem sabe que o seu trabalho importa. Não se trata de um trabalho meramente burocrático, mas de grande complexidade e risco; porque esta é uma profissão de risco; de grande risco. E o risco não está necessariamente em andar na rua no Serviço Externo, mas no risco de não tramitar corretamente, de não tramitar atempadamente, prejudicando a vida dos cidadãos. Esta responsabilidade carece de especial valorização e não de mera classificação da carreira como tal. É imperioso que a camisola negra que clama por “Justiça para quem nela trabalha” deixe de nos servir, por ter encolhido tanto que já nem sequer faça falta voltar a vesti-la.
.2. Ombros onde nos apoiar
Peço que os nossos Sindicatos sejam faróis de força. Que estejam fortificados e focados, para que nenhum Oficial de Justiça se sinta desprotegido na luta contra as injustiças. Que sejam a nossa voz quando a nossa já estiver rouca de tanto bradar (como já está) por justiça para quem a faz. Que se sentem à mesa das negociações sem ter as pernas cruzadas, mas com os cotovelos apoiados e de punhos cerrados, com a força e o peso que a nossa classe merece e anseia. Sem medos, sem pruridos, sem técnicas de silêncio nem de silenciamento. Sem medo, seja do Governo, seja do escrutínio dos Oficiais de Justiça, porque não é pedir muito, é só pedir o que se merece porque os Oficiais de Justiça até se têm portado tão bem que até espanta tanta serenidade, tanto sossego…
.3. Olhos que vejam a nossa essência
Peço um milagre de empatia e lucidez para o nosso Governo. Que percebam que, por trás de cada processo e de cada dado estatístico, há um ser humano exausto. Que entendam que, ao desvalorizarem os Oficiais de Justiça, estão a deixar que se apague a chama da nossa profissão e a sentenciar o sistema ao colapso. Se continuarem a ignorar as perdas, perder-nos-ão para sempre e essa será a maior perda da Justiça. Os sinais estão aí: a desmotivação que grassa nas secretarias, a sôfrega contagem de cada dia que falta para a reforma, a fuga para outras carreiras e a desistência simples da carreira, especialmente para quem entrou recentemente e não se revê naquele velho e gasto espírito de sacrifício que alguns Oficiais de Justiça mais velhos ainda se esforçam em manter. Está à vista o desmoronamento. É necessária muita atenção na colocação das escoras e, desde logo, não podem ser definitivas. As escoras são suportes provisórios, não definitivos.
.4. A luz ao fundo do túnel em 2026
Por fim, Pai Natal, peço-te que o próximo ano não seja apenas mais um ano no calendário, mas o ano final do nosso novo Estatuto, redigido num único diploma que possa ser a nossa casa, que nos dê segurança, tranquilidade, previsibilidade e que ponha fim a décadas de incerteza. Que seja um Estatuto claro, moderno e digno, eliminando as incertezas, mas garantindo os direitos que há tantos anos aguardam ver a luz. Que possa vir a ser o abraço de paz que tanto esperamos.
Pai Natal, só queremos continuar a servir, mas precisamos de razões para ficar. Não deixes que o desânimo vença a nossa vocação.
Sei que estes pedidos não cabem no saco que carregas às costas, especialmente cheio de tantos brinquedos, mas são pedidos com os quais não se pode brincar, ainda que brincadeira possa parecer. É o que os Oficiais de Justiça verdadeiramente precisam para continuar e renovar o serviço que prestam aos cidadãos.
Despeço-me com profunda esperança, apesar do cansaço de quem ainda acredita.
Cumprimentos!
Um Oficial de Justiça.

Esta “carta” é um grito de alerta. Os Oficiais de Justiça querem poder continuar a servir o Povo; querem que a Justiça funcione, mas não pode ser a custo da sua desvalorização constante e permanente.
Como mais ninguém tem sido capaz de ouvir a chamada dos Oficiais de Justiça, talvez já só reste o recurso a esta figura fantástica do Natal.
Ninguém pede o impossível, mas apenas a dignidade que tem sido retirada ao longo dos anos. Perda após perda, a massa que compunha a classe é agora invisível pela exiguidade e pela transparência a que chegou.
Em síntese, esta carta ao Pai Natal reflete a realidade: uma carreira que clama por valorização, por sindicatos que precisam de ser fortalezas e um Governo que tem de acordar antes que seja tarde demais. Para 2026 os Oficiais de Justiça querem a certeza de um futuro.

Fonte: ideia obtida e desenvolvida a partir de um comentário anónimo colocado há dias nesta página, ao qual pode aceder diretamente por “Aqui”.
---
ResponderEliminarQUE POSSAMOS TER A RECUPERAÇÃO DO TEMPO DE SERVIÇO CONGELADO PELA TROIKA [2 ESCALÕES]
---
Querido Pai Natal
ResponderEliminarEste ano gostava de ter no sapatinho, à semelhança dos nossos colegas da DGRSP, um acordo assinado pela Ministra da Justiça, Rita Alarcão Júdice; pelo Secretário de Estado Adjunto e da Justiça, Gonçalo da Cunha Pires; pela Secretária de Estado da Administração Pública, Marisa Garrido; por José Abraão, secretário-geral da FESAP; Maria Helena Rodrigues, presidente do STE, representante da Frente Sindical; e por Orlando Almeida, na qualidade de Coordenador de Setor da FNSTFPS.
E não um acordo assinado por uns BURRES DO CRL que só nos têm enterrado - a nós individualmente e à carreira no seu geral.
Como não se consegue ir pela via da luta, das reuniões e do cumprimento da lei, resta aos oficiais de justiça pedir ajuda divina para a resolução dos problemas.
ResponderEliminarO nosso pai Natal, é o Sr. Bloguer. Pai Natal informativo, do alento e da esperança.
ResponderEliminarEm muitas ocasiões, o que me dá algum ânimo é ler a informação que, diariamente qui nos é data.
Já aos queridos representantes sindicatos, que me perdoem, mas desejo que a ceia de natal lhes provoque ida à casa de banho. Para ver se, de uma vez por todas, acabam com a merda que nos querem impingir.
Não somos licenciados, mas também não somos cegos. Sabemos interpretar e já levámos muitos pontapés no cu, daí reconhecer-mos quem e quando nos querem dá-lo.
Segundo, os ventos da Lapónia, o único pedido que chegou por parte dos sindicatos foi:
ResponderEliminar-!
Deve ser engano dos ventos, porque neste espaço só se fala bem do SFJ-SOJ, como não podia deixar de ser.
Não entendo nem que me abram a cabeça e me enfieim lá o que entenderes. Como é possível que a ministra da justiça já fez vários acordos e só com o nosso é que fica sempre adiada. Oh sem efeito ou sem merda nenhuma
ResponderEliminar10-38:
ResponderEliminarDe acordo.A informação diária, mesmo pouca ou quase mais do mesmo, ainda assim, mostra o cuidado com as pessoas, leitores, sobretudo os Of. Justiça.Alguém se preocupa, pensa, sugere soluções e todos gostam de saber. Dá esse alento, a esperança, a que se refere o comentador.
Os Sindicatos, ao contrário, sempre minimizaram a informação, p. ex. só quando o acordo que assinaram já o estava, o deram a conhecer, menorizaram os sócios nāo confiando na sua inteligência e capacidade de ver que deixava Of.Justiça mais atrás que outros. Fizeram da carreira "gato sapato" quando apenas se pretendia mais remuneração, degradada perante outras carreiras.
Enfim! Reconheço muito trabalho feito ao longo dos anos pelo Sfj, mas sempre foi criticada a sua pouca informaçāo prestada a quem paga, também para ser informado desse trabalho mais vezes.
Ex. Haverá processos pendentes, que foram em tempo informados , cujos custos serão pagos pelas nossas quotas e dos quais nada se sabe.Pendência ou improcedência/procedência, indeferimento liminar, nada se sabe.......🔕
Culminou tal atuação, com a anterior presidência do Sfj no tal acordo.🎃
Mas, nada é irrevogável ou imutável.Há governos que vão, a seguir outro vem e, há muita coisa para alterar.🔔
em tempos idos fecharam a habilândia
ResponderEliminarfalava-se no problema dos eventuais e de muitos outros problemas
e quem andou para que a habilândia fosse encerrada no que diz respeito à livre opinião...
Uma caganeira na noite de Natal.
ResponderEliminarEheheheheh
Bem lembrado
Já fez vários acordos com pessoas sérias que sabem verdadeiramente o que é negociar e que não andam ali com rodriguinhos a enganar uns e outros e em que no final ninguém fica bem!!
ResponderEliminarVeja-se o exemplo de ontem da DGRSP!!
Quiseram agradar aos auxiliares e aos analfabetos e saiu aquilo que se sabe ...
BURRES DO CRL...
Queriam dar despachos e ser tratados por doutores mas continuam a fazer sala e a juntar papéis à semana ...
ResponderEliminarConfesso que eu fui o maior culpado de ter encerrado a habilandia
ResponderEliminarCerto dia, estando eu aborrecido e entediado com o serviço, coloquei um anúncio na habilandia a dizer que fazia permuta de uma comarca do norte para qualquer lugar de Lisboa ou arredores.
Logo choveram mensagens e chamadas tendo eu de seguido que dizer que estava a brincar e que se tratava de uma brincadeira.
Trataram me super mal e chamaram me muitos nomes feios, enfim foi um horror.
O pessoal não aceitou bem uma pequena brincadeira.
No dia seguinte a habilandia encerrou para sempre.
Isto foi talvez em 2005 ou 2006.
Belos tempos ...
ResponderEliminarés muito egocêntrico,
estarás já no âmbito da patologia?
ou queres afastar a conversa: - não interessa!
Na altura não interessava a muita gente, e pelos vistos houve, ou diz-se que houve, processos disciplinares.
Para o das 15:52.
ResponderEliminarSão factos, meu caro.
É tão só uma pequena história que partilhei.
Foi uma brincadeira e não tenho orgulho do que fiz.
Portanto, não se trata de egocentrismo ou de patologia.
Se foi coincidência ou não, não sei.
Mas a história é verídica e aconteceu tal como eu a contei.
Uma coisa é certa, a habilandia encerrou no dia seguinte.
Como disse, se foi coincidência ou não, ninguém sabe
Quanto a processos disciplinares, fique descansado pois não levei nenhum.
E na verdade, não havia motivo para isso.
Se quiserem fechar este blog e abafar a liberdade de expressão e de informação, é muito fácil!!
ResponderEliminarÉ meter uma acção nos juízos cíveis de Lisboa e esperar uma decisão igual à dos cartazes do CHEGA!!
Ainda não entendo o porquê do ingresso só com o direito...o economista também é doutor.... senhores do direito. Até já administradosecos que nomeiam secretários com o dr.
ResponderEliminarAo que chegaram as nomeações por administradores de caca.
Liberdade de expressão não é insultos xenófobos e racistas.
ResponderEliminarDe qualquer modo, como é natal, querem ajuda para tirar os cartazes?
Toma a pílula que isso passa ó Facho!
ResponderEliminarNojo de profissão estou farto desta mer….. já tive prazer em cá trabalhar ! Agora mete me nojo ….. só esquemas , compadrios , A partir de 2013/ 2014, é só esquemas e jogadas de bastidores . Ansioso por fugir . Muita gente a mandar bitaites e pouca gente a trabalhar . Espero fugir no ano que se aproxima !
ResponderEliminarEra isso mesmo. Era vê-los todos contentes pela extinção dos adjuntos. Afinal ... (não digo que é asneira)
ResponderEliminarsaíram uns doutores da treta.
Nem mais
ResponderEliminarNojo
Fugir o quanto antes
E obrigado a este blogue pelo serviço prestado aos ojs