Montenegro quer que todos sejamos Cristianos Ronaldos
Depois de na sua mensagem de Natal, que dirigiu a todos os cidadãos deste país, na mensagem de ano novo voltou o primeiro-ministro a apelar aos portugueses para serem como o Cristiano Ronaldo.
Diz Montenegro que devemos lutar mais, persistir mais, não desistir e trabalhar como o Cristiano Ronaldo.
Mas a mensagem do primeiro-ministro carece de sensibilidade e, acima de tudo, de noção. Não porque o esforço não importe, importa, mas porque a comparação serve sobretudo para nos atirar areia para os olhos.
Se não chegamos longe, a culpa é nossa. Falta-nos força. Falta-nos mentalidade e vontade. Mas também nos falta salários e um governo que assuma responsabilidades.
Ficamos na dúvida sobre o que devemos mudar para que este ano seja melhor: se a mentalidade, a profissão ou o país.
No caso dos Oficiais de Justiça, como se deve aplicar a mentalidade do jogador milionário? O que é que estes profissionais devem fazer exatamente? Trabalhar mais horas? Dormir nos tribunais? Aceitar ainda mais tarefas não pagas? Competir com os colegas?
Ou mudar de profissão? Os Oficiais de Justiça mudariam hoje, sem hesitar, se isso resolvesse algum problema. Até poderiam pensar em ser futebolistas, mas a idade e as responsabilidades familiares, sendo o sustento dos seus, não permitem tais aventuras.
Resta a hipótese de mudar de país, tal como vai fazendo o CR7, hipótese que já passou pela cabeça de muitos, especialmente desde o tempo de Passos Coelho, desde logo porque neste país, trabalhar não é garantia de viver com dignidade.
Talvez estejamos a interpretar mal a mensagem do primeiro-ministro, aliás, pelos vistos, passamos o tempo todo a interpretar mal as mensagens, como ainda recentemente aquela do ministro da Educação sobre os pobres e as residências estudantis. Curiosamente, estas más interpretações têm-se repetido com demasiada frequência. Será que o problema está mesmo sempre em quem ouve?
Os discursos de força individual e perseverança não batem certo com os números do país real. Dados recentes mostram que cerca de 69% dos jovens portugueses não ganham o suficiente para viver de forma independente. Portugal continua entre os países europeus onde os jovens mais tarde saem de casa dos pais, não por falta de mentalidade de CR7, mas por falta de salários que acompanham os valores absurdos da habitação.
Os jovens tentam sobreviver como podem e um número crescente recorre à inteligência artificial como alternativa de apoio emocional, um substituto improvisado da terapia que o sistema não garante. Entre os homens jovens, a solidão tornou-se estrutural, com estudos internacionais a mostrarem que uma fatia significativa diz não ter amigos próximos. Também aqui não parece que o problema seja de mentalidade.
O problema não está na preguiça. Está nas condições. Ainda assim, a mensagem passa. Somos pobres porque queremos, porque fazemos greves, porque não trabalhamos o suficiente. Se todos fôssemos como Cristiano Ronaldo, estaríamos melhor. Então não estaríamos? Há apenas um detalhe: mesmo trabalhando mais horas do que devíamos, mesmo sacrificando a vida pessoal, mesmo aceitando salários baixos e toda a precariedade, nunca chegaríamos sequer perto do que Cristiano Ronaldo ganha ao segundo.
Talvez fosse útil ao Sr. Primeiro-Ministro virar o espelho para si próprio e olhar, em silêncio, para a vida concreta da maioria dos portugueses. Não para a vida de quem acumula património, mas para a de quem acumula cansaço.
Que 2026 nos traga um Primeiro-Ministro que perceba que gostamos de futebol, sim, mas gostamos mais de ter casa, médico, escola e salários que acompanhem o custo de vida. Não o seu salário nem o do CR7, mas o do português comum.
Os discursos públicos exigem responsabilidade. As piadas fáceis podem ficar para os jantares de negócios.
Neste mesmo sentido, Regina Soares, presidente do Sindicato dos Funcionários Judiciais (SFJ), no seu artigo semanal no Correio da Manhã, abordava o mesmo assunto, considerando assim:
«O nosso Estatuto não pode continuar refém do mesmo mantra: “é urgente, é merecido, fica pronto até ao fim do ano”. Imaginem dizer isto, ano após ano, ao Cristiano Ronaldo, enquanto lhe exigem golos todas as semanas. Alguém acredita que chegaria onde chegou se, em vez de regras claras, progressão e reconhecimento, lhe pedissem apenas resultados e paciência?»
Conclui Regina o artigo assim:
«Mais um ano sem Estatuto. Mas marquem muitos golos, se faz favor. E, como já se ouviu noutra época, não sejamos “piegas”.»
Muito bem Regina e agora quando passamos ao nível seguinte; quando elevamos o patamar, depois de todas essas considerações, ou as considerações são apenas para preencher espaço semanal no CM?

Fontes: Transcrição adaptada do artigo de Bruna Oliveira Lemos publicado no Esquerda.Net e do artigo de opinião de Regina Soares publicado no Correio da Manhã.
ResponderEliminarcomo
Não há trabalhadores motivados por pouco dinheiro.
ResponderEliminarSubscrevo!
ResponderEliminarPegando na última frase, o que estamos à espera para passar para outro nível sindical?
Como parece que vai acontecer nos próximos dias, que é citar tanto o PM como o PR, para quando MAIS ação sindical,Mais reação, Mais greves, Mais RUMO?
É que o ano de 2025 findou.
E agora?
Esperar pela reunião do dia 16 de janeiro caladinhos e amorfos?
Acordem para a vida real.
O SFJ precisa de fazer uma prova de sobrevivência e prosseguir no seu objetivo, seja lá o que for...porque pior que um governo que empurra é um sindicato desorientado e que não sabe que ESCONDE DOS SEUS ASSOCIADOS QUE HOUVE UMA PROOSTA QUE CORRIGIA ALGUMAS DESIGUALDADES, MAS COMO NÃO RESOLVIA O PROBLEMA DA SRA PRESIDENTE, ACHOU POR BEM NÃO ACEITAR.
O que dizer sobre isto??
Eu sei.
Publique-se a proposta e deixem-nos decidir.
Qd for publicada, porque vai, vão ver que os associados vão decidir retirar-vos a confiança e abandonar o barco.
E depois? É para isso que vieram?
Ahhh a transparência, D.Regina?
Onde anda...
Eu, eu, eu.
Muito bom dia.
ResponderEliminarDesejo a todos um excelente ano de 2026.
Este ano é que é. Vai ser agora, este é o ano dos Oficiais de Justiça!
Tretas, só tretas, é o que ouvimos ano após ano, seja de um Governo liderado pelo PS seja de um liderado pelo PSD.
Lembro de ler num programa do Governo do Dr. António Costa que a revisão da nossa carreira estava revista acontecer em 2026, ano coincidente com o último do mandato do Governo que havia sido empossado e que, entretanto, se demitiu.
Lembro ainda de, em 2024, se falar num acordo de princípio para revisão do Estatuto até ao final desse ano, o que só veio a acontecer em março do ano seguinte, em 2025, com a promessa de concretização até ao final do ano.
Pois é, esse ano, o de 2025, já se foi, e agora o que esperar? Mais tretas, do género daquelas que nos impingiram nos últimos anos ou outras mais rebuscadas?
A incompetência é gritante.
Vejamos: entre 2011 e 2015 a ex-MJ Paula Teixeira da Cruz levou a cabo uma reforma profunda do Sistema de Justiça, com uma nova Organização Judiciária, levada a cabo em cerca de dois anos, num ciclo de austeridade e com intervenção da troika, criou a especialização dos Tribunais (que tem vindo a ser destruída a pouco e pouco) reformou o Código do Processo Civil, criou o Tribunal da Concorrência e da Propriedade Intelectual; fez a revisão do Código da Insolvência; implementou os meios alternativos de resolução de litígios (mediação familiar, arbitragem, julgados de paz, etc.).
Mas não se ficou pelos Tribunais, no IRN (Conservatórias) iniciou os processos de desmaterialização, a transição para o digital e os serviços Online, providenciando por uma maior autonomia financeira e reorganização dos recursos.
E mais faria se por lá ficasse mais alguns anos.
Passaram agora mais de 10 anos dobre a sua saída e pergunto-me quanto se andou e eu dia muito pouco, ficamos quase parados em relação ao curso das reformas que naquela época se iniciaram (falo do digital, da desmaterialização, da reorganização dos serviços etc.).
Deixou-se tudo na mesma até ficarem completamente depauperados.
Agora vem esta gente pedir que sejamos como o Cristiano Ronaldo?
Mas porque é que eles próprios não são como o Ronaldo (no discurso deles obviamente) ... têm de dar o exemplo, para pedirem mais de cada um de nós é preciso que deem o seu melhor também e não se limitem a cobrar!
Eu nunca serei nem quero ser como o Cristiano Ronaldo, esse famoso futebolista porque não comungo dos mesmos princípios, não me confundo com uma pessoa que se prontificou a jantar com o sr. Trump, atitude para a qual eu encontro apenas uma explicação, qual seja a de conseguir jogar o próximo mundial (disputado no Canadá, EUA e México, uma vez que tem uma questão judicial meia resolvida e meia por resolver e nos EUA não há prescrições ...).
Admiro a resiliência física do Ronaldo, mas é preciso lembrar que este não joga sozinho, e os seus sucessos em equipas multimilionárias não escondem os insucessos, como sucedeu no Man. United, nesta sua última passagem.
Os Ronaldos deste mundo, por muito hábeis que sejam, ambiciosos e resilientes, encontram sempre um apoio em quem está ao seu lado e nós todos não temos tido o apoio de ninguém, muito menos de uma equipa competente no MJ que, ano após ano, deixa agudizar um problema sem mudar de treinador e de organização de jogo.
Sou mais como um Porto do Farioli - se os sistemas anteriores não deram resultado, implementa-se um novo modelo, bem explicado, em que todos acreditam, não apenas por convicção, mas porque dá resultados e tem margem de evolução.
Neste aspeto, sinto-me mais Tripeiro que ilhéu ou das emigrante das arábias.
Bom dia.
ResponderEliminarSou do signo Leão e parece que o ano não vai ser mau, será até globalmente positivo, pelo menos é o que dizem os astros, as cartas e as bolas de cristal ... com uma exceção, é que se for Oficial de Justiça não será assim tão bom, e isto percebe-se sem recorrer à cartomancia ou a videntes.
Não é preciso ter dons de adivinhação: a mensagem é a de que todos temos de dar o nosso melhor muito para além do que é razoável e habitual, até há alguns anos era difícil ver futebolistas com mais de 40 anos (conhecia o Paolo Maldini e poucos mais ...) agora é comum. A explicação para isto é que são muito bons no que fazem e apesar das limitações físicas pagam-lhes muito bem e são integrados em equipas de trabalho recrutadas de entre os melhores para que eles possam, por sua vez, dar o seu melhor e transmitir esses bons princípios àqueles que integram as suas equipas - é esta a nova filosofia no futebol - sempre comandados por excelentes equipas técnicas com provas dadas.
O nosso PM integra como que uma equipa técnica, sendo quem a encabeça, é o seu natural líder, e eu pergunto-me que raio de equipa é esta que não consegue definir princípios de organização, não tem ideia nenhuma nem rumo algum para a justiça, que sabe que a equipa está desarticulada mas teima em manter uma liderança que só existe porque os seus jogadores ainda correm pela camisola caso contrário há muito que teriam baixado os braços.
O Cristiano Ronaldo e outros como ele só correm para além dos limites físicos e mantêm um espirito competitivo porque têm uma grande ambição e expetativa de a concretizar - chegar aos 1000 golos, ser milionário (ou até bi ou trilionário), dono de uma equipa de futebol e tudo o mais que lhe possam prometer.
Eu pergunto-me que ambição têm os OJ com este Estatuto remendado ... que expetativas de carreira podem ter ... que promessas lhe podem ser dadas para permanecerem nos serviços para além do limite de idade, ou perpetuarem muito para lá dos 40 anos a sua dedicação e empenho ?
Não poderão nunca ficar ricos (quanto mais bilionários), correndo antes o risco de empobrecerem a trabalhar, longe da família e amigos, fazendo parte de uma grande equipa manifestamente desestruturada e desorganizada com péssimos dirigentes, sem qualquer ideia na cabeça que não seja cobrar mais dos outros.
E que tal cobrarem de si mesmo um pouco mais e fazerem acontecer as reformas que há muito se ambicionam!
Estou de baixa
ResponderEliminarRoubado de 2001 a 2005
O sr. Montenegro vai perceber o meu descontentamento já no próximo dia 18 de janeiro, aquando das eleições presidenciais.
ResponderEliminarNão fui à tropa mas sempre pensei ser importante um país ter regras que sejam respeitadas e ter à frente dos seus destinos quem cobre e peça contas do que se anda a fazer e não se pareça com nenhum senador ou então uma espécie de boneco/marioneta dos interesses instalados neste país que a cada dia que passa mais se parece com qualquer um dos qualquer país das ex-colónias do continente Africano do que daqueles que integram uma Europa vanguardista.
Em lugar do Cristiano Ronaldo se desse antes o exemplo físico e professor Fernando Carvalho Rodrigues, pai do satélite Português, ou do também físico Carlos Fiolhais, ou outros por esse mundo fora como a
Boa tarde.
ResponderEliminarVou acreditar nas suas palavras e exortar a que seja divulgado o documento, que se conheça a proposta que alude no seu texto.
É uma exigência mínima em face da completa ausência de desenvolvimentos negociais que nos deixam completamente exauridos e exangues, sem qualquer esperança, o nos impele a atitudes de comodismo por resignação - somos comodistas involuntários e situacionistas por imposição da tutela.
Quando os músculos que nos permitem inalar e expirar o ar que respiramos se atrofiarem por não nos esforçarmos um pouquinho que seja por querer mais e melhor já estaremos mortos para esta vida e serviremos apenas de carcaças para alimento desses parasitas que gravitam em todo o lado e nos tentam convencer que ainda podemos dar-lhes mais de nós sem a justa retribuição apenas que que que eles possam engordar as suas criações.
Boa tarde colegas e bom ano.
ResponderEliminarAlguém tem apontamentos e as provas dos anos anteriores para os cursos de escrivães?
Quero começar a preparar-me já com alguma antecedência pois a prova será no mês de abril.
abril de que ano?
ResponderEliminarPenso que a Irina é Ok mas preferia a conta bancária do pressonagem!
ResponderEliminar👏👏👏👏👍
ResponderEliminarInfelizmente somos um País de futeboleiros ! 95% da população deste País , sabe lá quem é Sobrinho Simões, Fiolhais e muitos mais , esses sim valorizam e enaltecem o País !
ResponderEliminarColega oficial de justiça, não precisa de estudar para o exame ! Agora para chegar a escrivão basta ser bem comportado, dizer amém e será convidado para o cargo . Pode ser o maior incompetente, há muitos que assim estão como interinos !
ResponderEliminarCristiano Ronaldo.
ResponderEliminarJá o somos das horas extra não pagas, tamanha a burocracia do necessário despacho judicial e também das resultantes de constantes urgências das 12.28 horas.
Já o somos dos "banhos de gelo" de recuperação processual, por falta de "jogadores" na equipe.
Já o somos nas constantes "substituições e acumulações posicionais" em campo.
Já o somos na medida em que ficamos em campo quando o "treinador" recolhe ao balneário.
Só não somos mais Ronaldo pois não temos um "Mendes" que nos valorize e por nós negocie melhores condições contratuais.
Quanto ao resto o Senhor Primeiro Ministro há muito que demonstra gostar da bola e dos seus meandros.
Mais valia que o Senhor Primeiro Ministro fizesse um exercício de introspecção e se aplicasse em ser um Cristiano Ronaldo da língua inglesa por forma a não nos representar de forma tão medíocre e vexatória como faz nos mais diversos fóruns mundiais.
Abril próximo.
ResponderEliminarO concurso vai ser anunciado na próxima semana.
10 dias para concorrer.
Requisitos (entre outros):
15 anos de serviço efectivo;
Classificação de Muito Bom;
Curso de
- direito;
- solicitadora;
- gestão
Não são elegíveis quaisquer outros cursos, nomeadamente biologia, arqueologia, engenharia electrotécnica, entre outros.
ResponderEliminarLadroagem!!!!@
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