Fazem falta mais Oficiais de Justiça para quê?
No ano passado (2025), verificou-se no Tribunal Judicial da Comarca dos Açores, uma diminuição significativa nos processos em atraso, com uma redução de 10,04% nos casos ainda sem decisão e de 3,91% nos processos já decididos, mas por arquivar. Assim, se lia na comunicação social nesta última semana.
A notícia baseia-se
no relatório anual divulgado por aquele tribunal, onde se lê o seguinte:
«O mérito de uma
tal evolução não pode ser questionado num contexto de certa turbulência dos
tribunais motivada por várias greves de oficiais de justiça, que marcaram os
anos 2023 a 2025.»
Também é
referido, entre outras razões, que o quadro de oficiais de justiça “se mostrou
deficitário [...] entre 10,45 e 12,44%” e que ocorreu “uma taxa de absentismo
de cerca de 15,36%”.
Quer isto dizer
que, apesar da falta de Oficiais de Justiça e da muito relevante taxa de absentismo,
nos Açores, tudo vai correndo bem e, realmente, não fazem falta mais Oficiais
de Justiça para preencher os quadros, nem sequer é preocupante que haja muitas
baixas médicas, uma vez que os resultados se mostram tão positivos.
«O TJC/Açores
manteve a linha de diminuição geral das pendências», lê-se no relatório anual
divulgado pela juiz presidente Patrícia Pedreiras, onde consta ainda que a Comarca
alcançou também um dos melhores resultados na duração média dos processos (170
dias) e uma forte diminuição dos casos pendentes há mais de três anos (para
6,16%).
A taxa de litigância (número de ações
judiciais por mil habitantes) “não aumentando e mesmo diminuindo ligeiramente,
ainda se mostra muito elevada (70,22%)”, consta no relatório.
O relatório
indica também que “foi genericamente cumprido o objetivo em termos de dilações
de marcação de diligências (entre um mês e meio e três meses) e o da
pontualidade no início delas, mantendo-se as prescrições em níveis residuais
(total de nove)”.
Como se vê, tudo
vai bem naquela Comarca, por isso, a reivindicação dos Oficiais de Justiça de
que fazem falta mais Oficiais de Justiça e que é necessário preencher os
quadros, cai por terra, afunda-se na lama, porque os dados revelam precisamente
o contrário.
Fontes: “RTPAçores” e “Correio da Manhã”.
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