Mais uma reunião para entrega de papel
Depois do interregno das reuniões técnicas, após a entrega das contrapropostas ao Governo, no final de janeiro, esteve este a elaborar uma nova proposta que tem a intenção de integrar e ir ao encontro, na medida do possível, das contrapropostas que os sindicatos apresentaram.
Esse novo
documento do Governo que, como os anteriores, parece que não pode ser enviado
por e-mail, vá-se lá saber porquê, será entregue em mão própria aos Sindicatos
na próxima semana, numa reunião com tal propósito que o Governo marcou para o
meio-dia do próximo dia 24MAR, terça-feira.
Esta reunião
marcada para as 12H00 indicia isso mesmo, que a reunião serve apenas para fazer
entrega da proposta reformulada do Governo e nada mais, a não ser,
eventualmente, a marcação de uma nova data para uma nova reunião técnica.
Portanto, depois
desta pausa negocial de cerca de três meses, caso o Governo tenha estado sempre
a trabalhar na proposta que vai apresentar na próxima terça-feira, só pode ser
uma proposta muito bem elaborada, muito bem pensada e, como nasceu após a
apresentação das contrapropostas sindicais, só poderá ser uma proposta que será
aceite por todos os Oficiais de Justiça, caso a venham a conhecer, embora o
mais provável é que o secretismo técnico continue a reinar.
O dia da reunião
para entrega da proposta acontece no dia seguinte ao da greve nacional dos
trabalhadores em funções públicas e a escassos dias do início das férias
judiciais da Páscoa, momento em que muitos Oficiais de Justiça também gozam as
suas férias pessoais.
A dita proposta
deverá abarcar aquelas mesmas questões que vêm sendo abordadas há muito, como a
avaliação pelo sistema SIADAP, as condições de ingresso e de promoção. Não é
previsível que os demais assuntos pendentes sejam abordados nesse dia,
continuando tudo pendente como até aqui, sem que o Governo sinta que tais
assuntos sejam um verdadeiro problema.
Os problemas só
existem verdadeiramente para os governos quando se agigantam, quando são
enormes e quando há um verdadeiro empenho dos trabalhadores em mostrar o
tamanho desproporcionado desses problemas que carecem de urgente resolução, o
que não é o caso dos Oficiais de Justiça, pois continuam na sua vidinha
silenciosa e submissa sem grandes reações, de tão amansados que têm vindo a
ser, sem deter uma organização própria que possa exibir a enormidade do
descontentamento real que grassa nos tribunais e nos serviços do Ministério
Público pelo país fora.
A informação
sindical de ontem do Sindicato dos Funcionários Judiciais (SFJ) surge
imediatamente a seguir à comunicação que, no dia anterior, o Sindicato dos
Oficiais de Justiça (SOJ) havia remetido aos seus associados, anunciando a dita
reunião para a próxima semana.
É pena que o SOJ
continue a considerar que não deve nenhuma explicação à generalidade dos
Oficiais de Justiça, como se, à mesa das negociações, estivesse apenas a
representar os seus associados, ou a assinar acordos que só vinculam os seus
associados, e não todos os Oficiais de Justiça. Por isso, a atitude informativa
do SFJ, com a sua divulgação para todos e não apenas para os seus associados, é
melhor comunicação e é mais adequada, embora muito breve e, como sempre, com a
repetição dos velhos e gastos chavões, como o seguinte:
«O SFJ mantém-se
determinado, atento e focado na defesa de uma classe essencial ao funcionamento
de um órgão de soberania, que tem sido negligenciada ao longo de mais de vinte
anos.»
Esses 20 anos
que o SFJ refere estão incorporados no dobro dos anos de existência desse
sindicato. Quer isto dizer que, nos tais “mais de vinte anos” este sindicato, e
também o outro, foram incapazes de lidar com a problemática da carreira dos
Oficiais de Justiça junto dos diferentes governos, e isto diz muito do estado
atual da arte.
Fonte, entre outras: “SFJ-Info”.
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