Ministério da Justiça expressa satisfação com resultados do inquérito com 4,9 pontos (em escala de 10 pontos), expressos pelos utentes da justiça
No passado dia 27FEV aqui publicamos o artigo intitulado “DGAJ quer saber a satisfação dosOficiais de Justiça”, divulgando a existência do inquérito em que se solicitava a opinião dos Oficiais de Justiça em relação à sua satisfação com a DGAJ.
O prazo para responder a esse inquérito terminou ontem e, pelo que fomos sabendo, houve muitos Oficiais de Justiça a responder de forma extremamente negativa, mas, ao mesmo tempo, houve muitos Oficiais de Justiça que não quiseram responder.
Entretanto, foi
divulgado recentemente o resultado de um inquérito semelhante, desenvolvido
pela Direção-Geral da Política da Justiça (DGPJ), que analisou a satisfação dos
utentes da justiça.
Este último
inquérito resultou, de acordo com a DGPJ, num “Aumento da satisfação global dos
cidadãos com os tribunais”, acrescentando que os dados revelam uma consolidação
da “tendência de melhoria registada em anos anteriores”.
De acordo com a
DGPJ, cada vez mais os utentes da justiça manifestam maior satisfação com a
justiça, desde logo em relação ao ano anterior.
No relatório
lê-se o seguinte:
«O inquérito,
realizado em 2025, indica um aumento da satisfação global dos cidadãos com os
tribunais, consolidando a tendência de melhoria já observada no ano anterior.
Estes dados refletem os esforços contínuos de melhoria do sistema de justiça e
serão agora analisados para reforçar as políticas públicas orientadas para a
qualidade do serviço nos tribunais.
Principais
resultados comparativos (2025 vs. 2024):
• Índice médio
de satisfação global dos utentes: ~4,9 pontos em 10 (estimativa) em 2025, acima
dos 4,3 registados em 2024 (+0,6 pontos, cerca de +14%). Este indicador geral
interrompeu, já em 2024, o ciclo de quebras observado em 2020-2021 (quando se
ficara pelos 4,3 e 4,1 pontos, respetivamente) e manteve em 2025 uma trajetória
ascendente.
• Imparcialidade
do juiz (aspeto mais valorizado): ~5,6 em 10 pontos (estimativa) em 2025,
superando a média de 5,3 obtida em 2024. A clareza das decisões judiciais e a
igualdade de oportunidades ao longo do processo mantiveram igualmente
avaliações positivas (superiores a 5 pontos).
• “Lealdade” dos
utentes (intenção de voltar a recorrer e recomendar): ~5, 2 em 10 em 2025,
ultrapassando pela primeira vez a barreira da neutralidade e superando a média
de 4,8 observada em 2024. Este indicador sugere um aumento da confiança dos
cidadãos na justiça, evidenciando maior propensão para voltar a utilizar os
tribunais em caso de necessidade e para os recomendar a terceiros.
O estudo avaliou
24 indicadores de desempenho dos tribunais, agrupados em 7 dimensões da
qualidade do serviço judicial. Estas dimensões cobrem aspetos gerais dos
tribunais, acesso à informação, condições das instalações, funcionamento
processual, atuação do juiz responsável, recursos disponíveis e lealdade dos
utentes.
Em 2024, nenhuma
destas dimensões apresentou uma média global positiva (igual ou superior a 5
pontos) e apenas 5 dos 24 indicadores obtiveram avaliação média positiva, três
dos quais relativos à atuação do juiz.
Em 2025
constatou-se uma melhoria transversal: todas as dimensões registaram pontuações
médias superiores às do ano anterior. Destaca-se a dimensão “juiz responsável
pelo processo”, que abrange indicadores como imparcialidade, clareza das
decisões e igualdade de tratamento – esta dimensão manteve-se como uma das mais
bem avaliadas e beneficiou de uma ligeira subida, apesar de continuar
condicionada pela perceção da lentidão na tomada de decisões (que, embora
melhorando para ~4, 4 pontos, ainda penaliza a média global).
Também as
dimensões de “funcionamento” e “recursos disponíveis” nos tribunais
evidenciaram progressos moderados, refletindo investimentos em modernização
infraestrutural e organizacional realizados recentemente.
Como resultado,
o número de aspetos avaliados positivamente pelos utentes subiu para 11 em 24
em 2025, face aos 5 do ano transato.
As melhorias
registadas são acompanhadas de vários desafios: se em 2024, nenhuma dimensão
atingiu ainda uma média claramente satisfatória (>5 pontos), já em 2025, a
normalização dos serviços e o empenho em recuperar atrasos contribuíram para
uma avaliação mais favorável por parte dos utentes.
O contexto
estrutural da Justiça ajuda a explicar igualmente os resultados. Segundo a
DGPJ, a própria natureza dos litígios implica que cerca de 50% dos utentes
terminem o processo com uma decisão desfavorável, o que inevitavelmente pesa na
forma como avaliam o sistema. Ou seja, mesmo com um desempenho técnico
adequado, é expectável alguma insatisfação inerente ao desfecho negativo de
muitos casos para pelo menos uma das partes. Este fator estrutural ajuda a
explicar por que motivo a confiança global no sistema permanece abaixo do nível
desejado, exigindo cautela na interpretação dos resultados e persistência nas
políticas de melhoria contínua.
Para a ministra
da Justiça, Rita Alarcão Júdice, este “estudo é muito importante como
instrumento de avaliação e aperfeiçoamento do sistema judicial. O inquérito de
satisfação de utentes agora apresentado foi desenvolvido de acordo com as
melhores práticas internacionais – nomeadamente as recomendações do Conselho da
Europa para inquéritos dirigidos a utilizadores dos tribunais – e conduzido
anualmente no âmbito da iniciativa “Justiça 360º”. Esta prática, em vigor há
vários anos, permite monitorizar de forma consistente a perceção dos cidadãos
quanto à qualidade da justiça em Portugal e identificar áreas prioritárias de
intervenção”.
Em resposta aos
resultados de 2025, o Ministério da Justiça e o Governo reafirmam o seu
compromisso com a melhoria contínua da Justiça.
Rita Alarcão
Júdice sublinha que “as medidas de modernização e eficiência implementadas –
incluindo a transformação digital dos tribunais, a simplificação processual e o
reforço de meios humanos e tecnológicos –, estão a produzir efeitos positivos
que começam a ser visíveis nos indicadores de satisfação dos utentes.
A melhoria da
Justiça é um processo contínuo e os progressos registados neste estudo demonstram
que estamos no caminho certo, embora cientes de que há ainda desafios
significativos a superar”.
O Ministério da
Justiça e o Governo prosseguem com as reformas já iniciadas, focadas em reduzir
a morosidade processual, aumentar a transparência e aproximar a Justiça dos
cidadãos. A manutenção e expansão das iniciativas, bem como o reforço do
diálogo com os operadores judiciários e utentes, continuarão a ser prioridades
estratégicas.
Os resultados
agora divulgados foram partilhados com os Conselhos Superiores e demais órgãos
de gestão dos tribunais, servindo de base para planos de ação específicos
orientados para as áreas onde a satisfação pode melhorar.
O Ministério da
Justiça reconhece sinais encorajadores nos dados relativos a 2025, de
recuperação da confiança dos utentes nos tribunais, sinais que reforçam a
necessidade de persistir no caminho da modernização e melhoria contínua da
Justiça portuguesa, missão em que está empenhado todo o Governo.
O Ministério da
Justiça congratula-se com as evoluções positivas alcançadas face a 2024 e
reitera a sua dedicação diária e investimento sério na construção de um sistema
de justiça mais eficiente, acessível e centrado no cidadão – uma justiça humana
e próxima, pilar essencial do Estado de Direito democrático e em benefício de
toda a sociedade.»
Fonte: “Ministério da Justiça”.

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