Ideias e prazos que todos pagamos
Terminava no final deste mês de abril de 2026 o contrato de arrendamento do Campus da Justiça de Lisboa, contrato este que custa aos portugueses mais de 12 milhões de euros ao ano, valor a que acresce o condomínio, mais cerca de milhão e meio ao ano, tudo isto desde a sua inauguração em 2008.
Há vários anos e
há vários governos que a saída das valências instaladas no Campus da Justiça de
Lisboa se anunciam, perspetivando-se o termo do prazo do contrato, no entanto,
nada aconteceu.
Até ao momento,
os portugueses já pagaram em rendas cerca de 250 milhões de euros só pelo Campus
da Justiça de Lisboa.
Em 2024 foi
constituído um grupo assim denominado: “Grupo de Trabalho para a elaboração do
Plano Estratégico Nacional para o Campus da Justiça de Lisboa”, com o propósito
de “definir um plano de saída dos serviços, tribunais e organismos do Campus da
Justiça de Lisboa”, devendo tal Grupo de Trabalho apresentar, até ao dia
31JAN2025 o referido Plano Estratégico; conforme se lê no Despacho de 18NOV2024
da secretária de Estado da Justiça, publicado em DR a 21NOV2024.
Ficou também definido que o Grupo de Trabalho seria constituído por representantes de 13 entidades diferentes; não treze elementos, mas elementos de treze entidades, em quantidade que cada uma das entidades reputasse adequado, podendo ainda fazer-se acompanhar por um técnico.
Nesse mesmo
Despacho ficou estabelecida uma outra data, para além daquela de apresentação
do Plano (31JAN2025), foi a nova data de termo do prolongamento do contrato de
arrendamento, mais oito anos, agora até 30 de abril de 2034.
E
perguntar-se-ão: então e o Plano foi apresentado no prazo de 31JAN2025?
Claro que não!
Em despacho de
outra secretária de Estado da Justiça, estabeleceu-se um prolongamento do prazo
devido à “complexidade da matéria em causa”, bem como à “necessidade de ajustar
as agendas dos representantes de todos os organismos e entidades que serão
parte integrante do Grupo de Trabalho, assim garantindo a participação ativa de
todos”.
O Grupo reuniu
pela primeira vez no fim do prazo, em janeiro de 2025.
Entretanto,
lançou o Governo, também por via do IGFEJ, uma nova ideia: trata-se agora de
uma consulta ao mercado para um concurso público destinado à manutenção dos
edifícios dos tribunais espalhados pelo país.
Não, não se
trata de um concurso para a manutenção dos edifícios, mas de uma recolha de
ideias para um futuro concurso de prestação de serviços de “diagnóstico,
vistoria, planeamento e manutenção – preventiva e corretiva – das
infraestruturas judiciais”, conforme se lê na página do IGFEJ que acrescenta
que “a iniciativa insere-se na estratégia do Ministério da Justiça para
reforçar a qualidade, eficiência e sustentabilidade da gestão do património
edificado, ao mesmo tempo que promove práticas de contratação pública mais
transparentes e competitivas”, concluindo assim:
«Com esta
iniciativa, o IGFEJ reafirma o seu compromisso com uma gestão responsável dos
recursos públicos e com a melhoria contínua das condições de funcionamento da
Justiça em Portugal.»
Fontes: "Despacho DR 21NOV2024", "Observador", "ECO" e "IGFEJ".
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