O devido rotundo Não a um acordo laboral insuficiente
Enquanto o presidente do Sindicato dos Oficiais de Justiça (SOJ), integrante da UGT, não vem explicar aos Trabalhadores Oficiais de Justiça o porquê desta central sindical não assinar nenhum acordo com o Governo, mesmo depois de 8 meses de negociações, mesmo depois de ser a única estrutura sindical nas negociações e mesmo depois de ter alcançado algumas alterações, vamos nós aqui tentar esclarecer o que se passou ontem e porquê.
Ao contrário de
outras estruturas sindicais, a UGT não acabou rendida nas longas negociações
mantendo o foco naquilo que verdadeiramente interessa aos trabalhadores e, por
isso, nada assinou nem nada decidiu sem marcar uma consulta do seu secretariado
nacional para avaliar o ponto da situação da proposta do Governo.
É assim que se
faz: se não é suficiente, não pode haver acordo.
Da reunião de
ontem desse órgão nacional da UGT resultou que o pacote laboral é para rejeitar
porque, apesar de ter havido alguma aproximação negocial, ainda assim, a
proposta que está em cima da mesa não consegue alcançar consenso, conforme se
lê no documento final ontem votado e aprovado por unanimidade.
«A UGT e os seus
sindicatos afirmam, desde já, que continuarão o seu trabalho por uma legislação
laboral mais justa, mais inclusiva, que responda aos desafios do presente e do
futuro do trabalho, com uma negociação coletiva e sindicatos mais fortes e
dinâmicos, continuando a apresentar propostas em processo negocial.», lê-se no
documento aprovado.
Convém recordar
que a primeira versão do anteprojeto de reforma da lei do trabalho – chamado
"Trabalho XXI" –, foi apresentada em julho do ano passado pelo
Governo no âmbito da Concertação Social, tendo merecido logo total rejeição,
não só pela CGTP, mas também pela UGT.
Durante estes
últimos 8 meses a proposta foi sendo adaptada, tendo a UGT conseguido que
várias medidas fossem ajustadas, no entanto, a evolução do documento não foi
significativa.
A UGT salienta que, por um lado, há
propostas suas que continuam fora da proposta de reforma e, por outro, há
matérias onde a evolução continua a ser insuficiente.
«Algumas das
propostas mantêm uma visão que vai no sentido de uma maior individualização das
relações laborais, da liberalização e precarização do mercado de trabalho e da
restrição da atuação dos sindicatos, na greve, na negociação coletiva e nos
locais de trabalho», detalha a central sindical.
Entre os pontos
onde o desacordo continua vincado, em relação à proposta do Governo, estão o
alargamento da duração e dos fundamentos dos contratos a termo, o fim da
garantia de reintegração em caso de despedimento ilegal, o regresso do banco de
horas individual, bem como a possibilidade de alteração de categoria com perda
de retribuição.
Mas também a não
aplicação das convenções coletivas a trabalhadores em "outsourcing",
a eliminação dos mecanismos de arbitragem na contratação coletiva e facilitação
da caducidade das convenções, o alargamento dos serviços mínimos em caso de
greve, ou as restrições à atividade sindical nas empresas.
Assim, pesados
os prós e os contras, “a proposta mantém um conjunto de opções que a central
considera inaceitáveis”, diz a resolução, criticando também a ausência de
propostas que a UGT levou à negociação, como a redução do tempo de trabalho, o
reforço do princípio do tratamento mais favorável, o aumento das compensações
por despedimento, a valorização do trabalho suplementar e noturno e a reposição
de descansos compensatórios, a par do aumento do salário mínimo, a
responsabilidade solidária no "outsourcing", o agravamento das
sanções por incumprimento e a redução dos custos no acesso à justiça.
Em suma, após 8
meses de negociações, mas também de muitos protestos na rua e ainda com uma
grande greve geral, o resultado é este: não há nenhuma central sindical que
apoie a proposta do Governo e há mesmo manifestações de entidades patronais que
se mostram contra a mexida do Governo nas leis laborais existentes, conforme a
comunicação social já noticiou, por exemplo, e sendo o mais relevante, a manifestação
do dono da empresa e grupo empresarial “DST”.
Entretanto, o
partido Chega, em declarações de Ventura, mostrou-se disponível para ajudar o
Governo na lei laboral, tal como a Iniciativa Liberal, desde logo quando a
proposta acabar no Parlamento, depois de se frustrar o acordo na Concertação
Social, como desde já se pode prever.
Mas Ventura não
dá nada sem pedir algo em troca e, por conseguinte, já apontou alguns aspetos
relativamente aos quais quer que o Governo ceda, para os elevar ao nível de
novas bandeiras que vai agitar. Por sua vez, todos os demais partidos com
assento parlamentar já se manifestaram contra o pacote laboral.

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