A Voz dos Oficiais de Justiça: «Do preenchimento de lugar de Escrivão»
Às quartas-feiras – salvo se a atualidade impuser outras divulgações – é dia da habitual rubrica: “A Voz dos Oficiais de Justiça”, contendo artigos escritos pelos nossos leitores e que nos são enviados – para o nosso endereço de e-mail geral: OficialdeJustica.Portugal@gmail.com – para aqui publicar neste dia da semana. Todos são bem-vindos, todos têm espaço para a sua voz, mesmo aqueles que não se queiram identificar (Saiba+Aqui).
Hoje, vamos reproduzir o artigo enviado por um Oficial de Justiça que, apesar de identificado, declarou preferir que a sua identificação não fosse divulgada. «Gostaria de não ser identificado, por razões óbvias.», disse, mais dizendo assim:
«Associado à
morte da carreira, ou melhor e se calhar o seu impulsionador, é o preenchimento
de lugares vagos de escrivão por funcionários nomeados em substituição.
Se já não
haveria perspetivas do comum dos funcionários chegar a um cargo de escrivão,
pela idade que já tivesse e pela estagnação da carreira, pois o autor deste
pequeno texto já nem se lembra da última vez que viu concurso para o
preenchimento desses lugares, a moda é preenchimento de lugares sem que haja o
devido concurso para tal.
É somente
efetuada uma chamada a interessados, sendo depois nomeado colega sem que tenha
sido explicada convenientemente a sua escolha.
Na comarca do
Porto a quantidade de escrivães que se encontram no lugar de secretário e de
antigos adjuntos no lugar de escrivães é assolador. Aparenta não existir núcleo
que não tenha mais que um ou dois dos exemplos descritos.
Mas o ainda mais
preocupante é a moda de junção de secções que são lideradas por um escrivão, já
por si nomeado.
Associa-se a tal,
a tranquilidade com que se vê tais nomeações, por parte do Sr. Administrador
dessa Comarca.
Numa sua ordem
de serviço, deste ano, efetuada por forma a nomear Escrivão para lugar de um
que recentemente se aposentou, o Sr. Administrador refere expressamente que
“gestão mais adequada para libertar recursos é a de agrupar duas unidades de
processos para serem chefiadas por um só Escrivão.”
Refere ainda
“Idênticas medidas estão em curso neste Núcleo e em toda a Comarca do Porto,
mostrando-se adequadas e com excelentes resultados de desempenho e
produtividade.” Para quem? pergunta-se. Para a chefia mostrar resultados que
gasta menos em salários?
E o moral de
quem vê que nunca vai subir, ou se calhar ter a nomeação para um desses cargos
e ganhar um pouco mais para fazer face às despesas?
Por exemplo, só
no núcleo da Maia, são já duas secções do DIAP e dois juízos criminais que estão
agrupados e são chefiados por Escrivão que era, até há pouco tempo, Adjunto.
E falando em
Adjunto, a escolha desses Escrivães também impossibilita outras pessoas,
igualmente competentes, de concorrer, pois quando há chamada de interessados,
os requisitos gerais de admissão que são anunciados são estes:
.b) Ter antiguidade na carreira superior a 20 anos.
.b) Ser detentor(a) da categoria de escrivã(o) adjunto(a) em 30/06/2025.
.c) Última classificação de serviço homologada de Muito Bom.
Não seria isto agora só uma carreira? Continuamos a invocar o passado? Só a antiguidade e profissionalismo não chega?
Destas medidas
eficientes o único resultado palpável é mostrar aos funcionários, que não
existe mais carreira, provocando uma espiral negativa na vontade de trabalhar
de quem cá anda.»
(reprodução do artigo remetido por Oficial
de Justiça identificado, mas que prefere a omissão do nome nesta divulgação)
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