UGT acusa Governo de querer "regime de escravatura" para trabalhadores
O secretário-geral da UGT nega que a central sindical seja responsável pelo fim das negociações do pacote laboral, rejeitando as acusações da ministra do Trabalho, Maria do Rosário Palma Ramalho, após a última reunião da concertação social em que as alterações à legislação laboral foram discutidas.
Numa entrevista
ao jornal Público, Mário Mourão imputa à governante um condicionamento ao
debate sobre a reforma laboral ao colocar o Governo no papel de “parte
interessada” nesta negociação ao invés de “servir de árbitro” entre os
representantes dos trabalhadores e dos patrões. E não tem dúvidas de que a
ministra é a “única responsável” pela falta de acordo.
Mourão diz que
os últimos nove meses de negociações com a governante e com os representantes
dos patrões lhe deram um “conhecimento muito real da forma como o Governo está
determinado a introduzir em Portugal um regime de escravatura para os
trabalhadores“. O dirigente sindical refere-se desta forma à possível
reintrodução do banco de horas individual, considerando-a uma forma de o
trabalhador “fazer mais sem receber” e depois usar as horas extra “quando a
empresa tiver essa disponibilidade”.
É o contrário de
moderno, no entender do secretário-geral da central sindical, contrariando o
argumento da ministra e patrões sobre a necessidade de alterar o Código do
Trabalho por ser uma das leis mais rígidas da Europa, citando um estudo que
nega que o problema da produtividade em Portugal esteja relacionado com a
legislação, e dizendo que tem, sim, a ver com a “questão fiscal, a formação dos
empresários e a organização das empresas”.
O dirigente
sindical espera agora que na versão do anteprojeto que vai chegar ao
Parlamento, e que a ministra adiantou ser uma versão intermédia daquela que foi
apresentada em julho com contributos que considera úteis dos últimos nove
meses, não se volte atrás no recuo do Governo em relação a alargar os prazos
dos contratos a termo e diz-se “expectante” em relação ao que vai estar
integrado e sair da proposta final.
Em relação à
garantia de reintegração dos trabalhadores despedidos ilicitamente, Mourão
considera que a proposta que vai para o Parlamento é a “inicial” por ser uma
das traves mestras de que o Governo garantiu que não iria abdicar.
Na primeira
versão do anteprojeto do Governo propõe-se que esta possibilidade de não
reintegrar um trabalhador que foi despedido ilegalmente seja alargado às
pequenas, médias e grandes empresas, sendo que atualmente isto é apenas
possível nas microempresas.
Respondendo às
acusações de fragilização da central sindical que lidera, Mário Mourão concorda
que houve tentativas para dividir a central, mas garante que a UGT é uma
“central de sindicalistas e não de políticos”, mesmo que estejam filiados.
Admite, no
entanto, que percebeu o “desconforto” dos “colegas sociais-democratas” pela
falta de acordo com o Governo social-democrata, tentando sempre chegar a acordo
com a presidente da UGT, Lucinda Dâmaso, que representa a tendência
social-democrata.
“Não tenho dúvidas de que, com as decisões
que os órgãos da UGT foram tomando e que tiveram unanimidade, corremos menos
riscos de perdermos sócios do que se assinássemos um acordo. Tudo isto foi
ponderado”, acrescenta.
Nesta última sexta-feira,
a estrutura de trabalhadores de tendência social-democrata, afeta à UGT,
lamentou, num comunicado, a “oportunidade perdida” para equilíbrio da lei
laboral e apelou à UGT para que não seja “absorvida” por uma estratégia de
confronto ao aderir à greve geral anunciada pela CGTP para 3 de junho.
Criticando ainda a data da paralisação “estrategicamente agendada para a
véspera de um feriado e de uma ponte”.
Fontes: “Observador” e “Público”.
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