Ações para participar hoje: Concentrações, Manifestações, Praças da Greve e uma ou duas resenhas históricas

       A CGTP-IN (Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses - Intersindical Nacional) divulgou uma lista com todas as iniciativas que decorrem hoje em 28 cidades de todos os distritos e regiões autónomas em Portugal, para assinalar a greve geral.

      As iniciativas são distintas em cada local e passam por concentrações, manifestações e ainda as denominadas “Praças da Greve”.

      Se todos bem compreendem o que é uma concentração ou uma manifestação, já a denominada “Praça da Greve” é um conceito que não é tão bem conhecido dos trabalhadores e, muito menos, dos portugueses.

      O conceito da “Praça da Greve”, utilizado pela CGTP-IN, consiste num simbolismo que designa os locais públicos de concentração, de protesto e de reunião de trabalhadores durante um dia de greve.

      O conceito funciona remetendo para um local de ponto de encontro físico dos trabalhadores em greve, seus piquetes, bem como a população em geral, onde se pode distribuir informação a todos os que por ali passem ou ali estejam.

      Em síntese, é na denominada “Praça da Greve” que conflui a concentração e a manifestação e, dada a centralidade do local, se pode projetar um maior impacto junto da população.

      A origem do conceito leva-nos a França e remete-nos para a “Place de Grève” – atualmente denominada Place de l'Hôtel-de-Ville ou Esplanade de la Libération, praça onde se situa a Câmara Municipal de Paris.

      No século XIX, os operários sem trabalho reuniam-se nessa praça à beira-rio para protestar ou esperar que os patrões os contratassem. Daí nasceu a expressão francesa "faire grève" (fazer greve), adotada internacionalmente.

      O termo "grève" referia-se a um terreno plano coberto de cascalho ou areia à beira de um curso de água. Como era um ponto de carga e descarga de mercadorias no Rio Sena, os operários desempregados reuniam-se ali para esperar por novas contratações diárias. Assim, “Estar em greve”, inicialmente significava “estar sem trabalho” ou “estar na praça à espera de emprego”. Com o tempo, com o aumento das manifestações e paralisações coletivas exigindo melhores condições laborais, a palavra assumiu o significado moderno de protesto.

      A CGTP-IN resgatou essa identidade histórica para rebatizar temporariamente as praças portuguesas durante as paralisações e, na greve de hoje, temos praças de greve em Aveiro, Santa Maria da Feira, Évora, Faro, Portimão, Guarda, Lisboa e Portalegre.

      A partir das 10H00 desta manhã começam as iniciativas em determinados locais, noutros às 10H30, 11H00 e 11H30. Na parte da tarde, as iniciativas começam às 14H30, noutros locais às 15H00 e mesmo às 16H00.

      No quadro que segue pode ver todos os locais onde pode (e deve) comparecer para demonstrar a sua rejeição ao “Pacote Laboral”.

      «Um pacote laboral que agrava a precariedade, desregula ainda mais os horários, fomenta o trabalho gratuito, acrescenta dificuldades às que já existem para a conciliação da vida profissional com a vida pessoal e familiar e afronta o princípio constitucional da segurança no emprego tentando impor o despedimento sem justa causa», considera a CGTP-IN, não pode ser levado por diante.


       E como hoje os trabalhadores têm um pouco mais de tempo disponível para si próprios, podemos aprender algo mais sobre as greves.

      Como já vimos, o termo “greve” tem aquela origem francesa, mas, apesar dos franceses serem bem conhecidos pelo seu ativismo e pelas movimentações sociais e políticas, não foram os franceses os primeiros a realizar uma greve.

      A primeira paralisação de trabalhadores de que há registo – paralisação e protesto, porque ainda não existia o conceito de greve – foi em 1159 a.C., no Egito Antigo, isto é, vejam bem, há mais de três mil anos!

      Com esta não contavam, pois não?

      Há uns incríveis 3185 anos, os trabalhadores que construíam o Templo de Set-Ma’at decidiram parar a atividade, por não estarem a ser pagos com as cotas de grãos que haviam sido combinadas.

      Na altura preparavam-se as comemorações do 30º aniversário do faraó Ramsés III, e os trabalhadores já tinham um mês de atraso no fornecimento de alimentos.

      Tal como hoje, houve negociações para que retomassem o trabalho, mas sem que fossem supridas as necessidades dos trabalhadores – notem bem o paralelismo com o presente –, pelo que, insatisfeitos, os trabalhadores, após um novo período sem o recebimento combinado, voltaram a reunir-se e, desta vez, fizeram uma marcha clamando por comida.

      Houve uma distribuição de pães para tentar acalmar os ânimos do povo trabalhador, mas tal iniciativa não foi suficiente para o regresso às atividades.

      Firmes e famintos, ou porque famintos, os trabalhadores acabaram por invadir o principal armazém de grãos de Tebas, assim obtendo, pela sua ação direta, grande parte do pagamento do grão que estava em falta, sendo a parte restante oferecida por um grupo de líderes religiosos tementes da revolta do povo.

      O trabalho foi retomado, mas por pouco tempo, pois o pagamento das cotas de grão no mês seguinte voltou a falhar.

      Depois da paralisação, da marcha e do assalto ao armazém, os trabalhadores levaram a cabo outro tipo de protesto e bloquearam o acesso ao Vale dos Reis, local onde faraós e pessoas importantes eram sepultados, ação que foi considerada um insulto ao descanso na vida após a morte, de acordo com a crença egípcia, chegando os trabalhadores a ameaçar que danificariam os túmulos. Esta ação e ameaça funcionou e mais um pagamento parcial acabou por ser feito.

      Os problemas continuaram durante cerca de três anos, com conflitos periódicos e só terminou com um acordo que garantiu a entrega regular e completa dos grãos de que dependia a alimentação dos trabalhadores, isto é, do pagamento do seu trabalho.

      Estes acontecimentos históricos foram registados no Papiro de Turim, um documento que reúne os nomes dos governantes e instituições do Egito.

      Este relato tão antigo tem ainda muito de atual e tanto de ensinamento que mais nada é necessário dizer.


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