“Dia 3 de junho vamos fazer greve antes que seja tarde”
Na informação sindical de ontem (a primeira desde 16ABR), diz o Sindicato dos Oficiais de Justiça (SOJ) o seguinte:
«Os
trabalhadores, sejam do setor público ou privado, têm razões mais do que
suficientes para se opor e lutar contra o “pacote laboral” apresentado pelo
Governo.
A luta contra o
“Pacote laboral” é desenvolvida em diversos planos e é do conhecimento público
que o SOJ participa dessas lutas, enquanto entidade sindical e formalmente,
também no seio da UGT.
Consequentemente,
pese embora a luta contra essa proposta de lei se desenvolva em diversos
planos, há razões para que cada um de nós, enquanto trabalhador, exerça o seu
direito à greve.
Assim, todos os
Oficiais de Justiça podem aderir a esta greve, pois estão salvaguardados pelos
Avisos Prévios apresentados por diversas entidades sindicais que representam
trabalhadores da administração pública.»
E relativamente
à greve geral contra o “Pacote Laboral”, na semana passada, o Sindicato dos
Funcionários Judiciais (SFJ), dizia assim na sua informação sindical de 28MAI:
«Todos os
Oficiais de Justiça e Funcionários de Justiça estão abrangidos. O SFJ torna
pública a sua posição de apoio e solidariedade aos fundamentos desta Greve, e
de todas as lutas em defesa dos direitos, da dignidade, da justiça e do futuro
coletivo dos trabalhadores.»
Assim, como bem
se vê, tanto o SFJ como o SOJ, estão perfeitamente alinhados com a intenção da
greve geral para amanhã convocada pela CGTP-IN, cujo apelo à greve é o
seguinte:
«O governo do
PSD/CDS, com o apoio do CHEGA e da Iniciativa Liberal, tem em marcha uma
política de assalto aos direitos fundamentais e de afronta à Constituição da
República Portuguesa que atinge quem trabalha e trabalhou, fragiliza os
serviços públicos e compromete as funções sociais do Estado.
A estes ataques
acresce o aumento do custo de vida, que sofreu, desde o início do ano,
significativos agravamentos – na alimentação, na energia e habitação, entre
outros, intensificados pela escalada com a guerra dos Estado Unidos da América
e Israel contra o Irão e a especulação que lhe está associada.
É neste quadro
que o Governo insiste em impor o Pacote Laboral, procurando abrir caminho para
o agravamento da política de direita ao serviço dos grupos económicos e
financeiros, para o aumento da exploração, cumprindo assim os compromissos
assumidos com o patronato.
Por isso, no
próximo dia 3 de junho vamos fazer Greve Geral antes que seja tarde.»
Relativamente à
postura da UGT, esta tem sido neutra, isto é, nem apela à greve, nem se mostra
contrária à mesma, no entanto, muitos sindicatos afetos a esta central sindical
têm manifestado, ao longo das últimas semanas, a sua clara adesão à greve convocada
pela CGTP-IN, distanciando-se da postura indefinida da direção nacional da UGT.
É o caso do
Sindicato dos Trabalhadores dos Transportes (SITRA/UGT), que apelou na semana
passada à adesão de todos os trabalhadores, «independentemente do sector onde
trabalham, da sua profissão ou da sua idade, que adiram à Greve Geral de 3 de junho.
Que mostrem que os trabalhadores não estão dispostos a aceitar medidas que
consideram prejudiciais aos seus direitos e ao seu futuro».
Por seu lado, o
Sindicato Democrático dos Enfermeiros de Portugal (SINDEPOR/UGT) afirma que
«não pode deixar de estar de acordo com os motivos da greve geral do próximo 3
de junho, sublinhando que as enfermeiras e enfermeiros têm todo o direito a
paralisar nesse dia».
Também o
Sindicato Nacional Democrático da Ferrovia (SINDEFER/UGT), o Sindicato dos
Trabalhadores do Sector de Serviços (SITESE/UGT), Sindicato da Marinha
Mercante, Indústrias e Energia (SITEMAQ/UGT), o Sindicato de Professores, de
Técnicos Superiores, de Assistentes Técnicos e Operacionais (SINAPE/UGT),
manifestaram a sua adesão.
Para além dos sindicatos
enumerados, afetos à UGT, também vários sindicatos independentes, sem filiação
a qualquer central sindical, estão a mobilizar para a luta contra o pacote
laboral de 3 de Junho, como é o caso do Sindicato dos Maquinistas (SMAQ), o
Sindicato dos Jornalistas (SJ), o Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da
Aviação Civil (SNPVAC), o Sindicato Independente de Todos os Enfermeiros Unidos
(SITEU), a Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP), o Sindicato
Independente do Serviço Comercial (ASSIFECO), o Sindicato Nacional de
Profissionais de Seguros e Afins (Sinapsa), o Sindicato Nacional de Quadros
Técnicos, o Sindicato de Todos os Profissionais da Educação (STOP) e o
Sindicato dos Trabalhadores das Empresas do Grupo CGD (STEC).
Ou seja, a greve
geral de amanhã, apesar da postura indeterminada da UGT, conta com uma substancial
adesão de sindicatos de todos os quadrantes, fazendo com que a greve seja mesmo
geral, adivinhando-se, portanto, uma forte adesão por parte de quem trabalha,
de quem já trabalhou e mesmo daqueles que pretendem vir a trabalhar, porque
esta manifestação interessa a todos.
Como sempre,
veremos que os trabalhadores cuja dependência, proximidade ou especial submissão
às entidades patronais, designadamente das micro, pequenas e até médias empresas
do país, especialmente estes, embora não só, terão muita dificuldade em aderir
à greve por temerem represálias.
O medo é bem
real e é justificado, porque esses trabalhadores bem sabem e bem conhecem a vassalagem
a que estão sujeitos para manterem o seu posto de trabalho e poderem continuar
a trabalhar sem retaliações nem
vinganças dos patrões.
Por isso, cabe
aos demais trabalhadores, a todos aqueles que têm a sorte de ainda não estar sob
um apertado jugo patronal, agir, em seu nome próprio e em nome de todos aqueles
que não podem livremente assim optar e fazendo-o já, antes que seja tarde
demais.
Fontes: pela ordem citada: “SOJ”, “SFJ”, “CGTP-IN”, “AbrilAbril” e “imagem BE”.
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