A Justiça Não é Uma Senhora Fácil

      O título de hoje aproveita-se de uma imagem que o Sindicato dos Oficiais de Justiça (SOJ) recentemente utilizou (e que abaixo se reproduz), para se referir à Justiça como não sendo uma tipa qualquer fácil mas antes uma Senhora pela qual é preciso lutar, para a conquistar.


      E isto é bem verdade, não é nada fácil e se compararmos com outras Senhoras (outros ministérios) essas sim, são mesmo bem mais fáceis.


      Vejamos hoje – com espanto (ou talvez não) – mais um caso em que as restrições orçamentais da Lei do Orçamento de Estado são apenas para inglês e Oficial de Justiça ver.


      O Instituto da Segurança Social acaba de aprovar a mobilidade de carreiras a cerca de 600 trabalhadores. Segundo o SINTAP há salários que duplicam (note-se: duplicam) em termos brutos, a partir do próximo primeiro dia de setembro, isto é, no dia em que se iniciar o novo ano judicial teremos cerca de 300 Oficiais de Justiça que terão sido promovidos mas que não irão ganhar mais por isso e que só o serão porque tal não acarreta aumento de despesa e, em simultâneo, haverá o dobro desses 300, isto é, 300 x 2 = 600 funcionários da Segurança Social que passarão a auferir muito mais, em alguns casos, também, o dobro, isto é, duas vezes mais, daquilo que hoje auferem.


      Vieira da Silva, é o ministro do Trabalho e da Segurança Social, este ministro, ao contrário da nossa ministra da Justiça, não liga patavina à Lei do Orçamento de Estado e acaba de ser aplaudido pelo Sindicato dos Trabalhadores da Administração Pública.


MinistroTrabalhoVieiraSilva+MinistroFinancasMarioC


      Mas lá por o SINTAP andar a aplaudir o ministro do Trabalho e da Segurança Social não se pense que nós ficamos atrás, nada disso, os nossos dois sindicatos também aplaudem a nossa ministra da Justiça, por ter tido a deferência de atirar o osso aos Oficiais de Justiça, quais cães famintos. Perante o osso, aplaudimos pelo osso, como se fosse comida de encher a barriga.


      Na semana passada o SFJ dizia assim: «Cumpre-se, assim, uma das reivindicações deste sindicato e o compromisso assumido pelo Ministério da Justiça em recentes reuniões. Aguarda-se agora informação sobre a data da realização do respetivo movimento extraordinário para o efeito. Continuaremos a lutar para que se concretizem, também, as devidas, justas e necessárias promoções dos colegas auxiliares.»


      Isto é, repare-se nos sublinhados, que são nossos, o SFJ vem dizer-nos que se cumpriu aquilo que era um desejo seu, isto é, a ministra da Justiça satisfez um pequeno desejo e depois, diz o sindicato “aguarda-se agora…”, isto é, continuamos a aguardar que nos satisfaçam os desejos, para acabar dizendo que “continuaremos a lutar”.


      É inadmissível que se considere uma luta reivindicativa a apresentação de uma lista de desejos à ministra e ficar à espera que ela os vá satisfazendo, enquanto os vamos riscando da lista: “este já está, vou riscar e ficar à espera do próximo”.


      Isto não é atividade sindical; isto é inatividade ou inexistência sindical. É o mesmo que ir a uma loja de brinquedos com uma criança pedinchona e depois desta pedir isto e aquilo, dizermos-lhe que achamos muito bem tudo o que está a pedir mas que, para já, leva apenas o puzzle para montar e, se se portar bem, lá para o Natal poderá ter outras prendas.


      Perante esta atitude do adulto e querendo muito a criança pedinchona as suas prendas agora e não para um futuro incerto, apesar de nem sequer gostar ou ter paciência para montar puzzles, diz que gosta da prenda mas que é insuficiente e conforma-se, porque é uma criança bem comportada e obediente. Mas outra criança mais reivindicativa deve encenar de imediato uma birra enorme, atirar-se para o chão e berrar com todas as suas forças e isto é uma criança reivindicativa que não se conforma e não é obediente.


      Ora, é precisamente isto que se espera de um sindicato, que seja reivindicativo e não seja conformista e obediente, que não venha dizer obrigado a um presente envenenado e continue a ter esperança em aguardar sossegado que lhe possam vir a dar mais presentes por ser bem comportado. O que os Oficiais de Justiça querem é sindicatos que se rebolem no chão e gritem, fazendo as birras mais rabugentas e inconformadas que possam, pois a treta do esperar não vem resultando, como facilmente se vê.


CriançaFazBirra.jpg


      Voltemos à notícia: o Instituto da Segurança Social (ISS) aprovou a promoção de 581 trabalhadores e esta valorização profissional é feita através da autorização de pedidos de mobilidade de carreira que implicam, na prática, ganhos salariais que podem ir até ao dobro da remuneração bruta que os funcionários estavam a receber.


      “O Conselho Diretivo acabou de aprovar um procedimento de mobilidade intercarreiras com efeitos a partir de 1 de setembro”, lê-se no comunicado emitido pelo ISS, adiantando que a medida afetará um “universo total de 600 trabalhadores”.


      Quando a decisão chegar ao terreno, os atuais assistentes técnicos e assistentes operacionais que têm grau de licenciado, “salvo situações muito especiais”, lê-se no documento, passam para a carreira de técnico superior. Do mesmo modo, os assistentes operacionais que têm habilitações ao nível do 12º ano de escolaridade, transitam para a carreira de assistente técnico.


      Isto é mobilidade em todas as categorias e não a porcaria de um movimento circunscrito aos 299 lugares, estão a ver a diferença?


      José Abraão, secretário-geral do SINTAP, explicou ao Observador que esta mobilidade intercarreiras implica uma valorização salarial relevante: “Os assistentes técnicos e operacionais, que recebem entre 600 e 800 euros e são licenciados, passam para salários em torno dos 1200 euros brutos”. Já os trabalhadores com o 12º ano que são afetados pela medida passam de um salário bruto “de cerca de 500 ou 600 euros para cerca de 700 euros”, adianta.


      Além do ganho imediato no salário, estes trabalhadores também ficam com perspetivas futuras mais otimistas, uma vez que a escala salarial das carreiras que passaram a integrar é mais vantajosa.


      “Esta é uma medida muito positiva e que vai ao encontro do que o SINTAP e os trabalhadores há muito vinham defendendo”, comentou o dirigente, saudando o ministro do Trabalho, Vieira da Silva, pela sua sensibilidade para o tema. “Esta medida também terá sido tomada para travar as saídas de pessoal”, adianta, frisando que a falta de recursos humanos é comum a outros serviços públicos.


      “Apelo por isso ao Governo que faça o mesmo também para outros serviços com carências de pessoal, nomeadamente o Instituto de Gestão Financeira da Segurança Social”, frisa ainda José Abraão.


      Mais: “o SINTAP já exigiu o descongelamento de carreiras e progressões”, lembra, para que os restantes trabalhadores que não foram afetados por esta decisão possam também vir a ser valorizados.


      Contactada pelo Observador, fonte oficial do Instituto da Segurança Social confirmou a decisão e adiantou que custará 442 mil euros até ao final de 2016. A verba será “totalmente acomodada” pelo valor já orçamentado e não vai colocar em causa a redução das despesas com pessoal face a 2015, que estava prevista para o Instituto. Tal será possível, garante o ISS, devido às aposentações e à mobilidade interna para outros serviços da administração pública.


      De 2011 para 2015, o ISS sofreu uma diminuição de recursos humanos na ordem dos 32,4%, ou seja, mais de 2700 trabalhadores”, lembra a mesma fonte.


      A medida visa assim “reforçar a estabilidade dos serviços prestados e assegurar a manutenção destes trabalhadores no instituto”, acrescenta. Dos 581 trabalhadores afetados, há 410 assistentes técnicos que passam para técnicos superiores, 161 assistentes operacionais que passam a assistentes técnicos e 10 assistentes operacionais que sobem para técnicos superiores.


      Ou seja, as progressões e promoções continuam congeladas mas há mobilidade intercarreiras com um custo de quase meio milhão de euros até ao fim do ano (de setembro a dezembro = 4 meses), este ano, mas haverá mais anos e o custo será de cerca de um milhão e meio por cada ano, nos próximos anos, mas, considera o ministério do Trabalho e da Segurança Social, que é o que deve ser feito, porque é necessário fazê-lo.


MexilhãoCongelado.jpg


      Enquanto isso, nós cá vamos continuando, mexilhões lixados e congelados, com a nossa Senhora séria e difícil que teima em nada aprender com os demais, nem sequer com aquilo que se passa no seu próprio domínio, quando assistimos à mobilidade na própria carreira de todos os magistrados, cujo exemplo maior é o da própria ministra da Justiça, recentemente promovida para juíza conselheira do Supremo Tribunal de Justiça.


      E, enquanto tudo isto acontece, o SFJ aguarda pelo próximo movimento da ministra e diz que está em luta e o SOJ revolve o arquivo para vir, mais uma vez, mostrar uma recomendação do falecido Provedor de Justiça que, em 1992, recomendava ao Governo a alterar a legislação de forma a que as categorias de “Auxiliares” pudessem ser remunerados pela categoria superior que exercem em substituição.


      E que fazem os Oficiais de Justiça perante isto? Vão para as redes sociais pôr gostos ou “emojis” engraçados mas agora com carinhas tristes, enquanto aguardam pelo próximo jogo de futebol.


      É uma infelicidade estar numa carreira que tem um conselho próprio mas pleno de gente que não é Oficial de Justiça e dois sindicatos, um que aguarda o próximo movimento do ministério e a isso chama luta e o outro que aguarda desde 1992 uma recomendação como se fosse de ontem, sem que nada tenha acontecido desde há (pasme-se) quase um quarto de século.


      Os Oficiais de Justiça estão pessimamente representados, já estiveram melhor representados no passado, é certo, mas agora não, e não se deve confundir o passado com o presente, embora a maioria dos Oficiais de Justiça já sejam de idade avançada e comecem a ter óbvios sintomas de “alzheimer”, recordando e refugiando-se no passado, sem deter grande perceção do presente e nenhuma vontade de futuro.


      Esperemos que os novos ingressantes, prestes a atingir um ano de período probatório, gente muito mais nova, venha dar um novo impulso à classe, ressuscitando-a e rejuvenescendo-a, não se deixando enganar pelos feitos do passado e, já agora, que o façam antes de saltar para uma carreira mais proveitosa do que esta, o que certamente muito farão.


      Quanto à mencionada comunicação do SOJ, a seguir se reproduz a dita.


      «O SOJ tem, sistematicamente, insistido junto do Governo e até da Assembleia da República, para que se faça Justiça e se cumpra a Recomendação do ex-Provedor de Justiça, Dr. José Menéres Pimental (falecido a 13-02-2014).


      A recomendação foi feita em 06-10-1992, reiteramos: 06-10-1992. Mas nem seria necessária essa Recomendação, a Constituição da República garante isso mesmo. Se alguém desempenha funções de categoria superior, deve ser remunerado por esse trabalho.


      Mas a verdade é que desde essa data até hoje, Nada se alterou, com exceção da denominação (mudou de escriturário judicial para escrivão auxiliar). A mudança foi considerada um tremendo ganho para a classe… todos passaram a escrivães (auxiliares, adjuntos e de direito) e técnicos (auxiliares, adjuntos e principais).


      Todavia, a injustiça apontada foi-se perpetuando, de forma pornográfica, com a aceitação e cumplicidade de todos. Quando se refere todos, não valerá a pena fingir indignação, não nos referimos só aos outros.


      A culpa não é só dos outros, é também "nossa". O SOJ tem insistido por uma valorização da classe, por justiça, mas muitos colegas só surgem quando a realidade se abate sobre as suas cabeças, “clamando” por justiça.


      Se a Justiça fosse uma “Senhora oferecida”, seguramente teria menos valor... temos de lutar para a conquistar, pois ela não é uma “Senhora fácil”.


      O SOJ tem lutado junto do Governo e da Assembleia da República, mas começa a ser necessário que as suas ações tenham mais acompanhamento, por parte dos colegas.


      A recomendação do Provedor de Justiça aqui está, novamente. Ela consta do sítio do SOJ, em pdf (em vários artigos), mas a maioria dos colegas, tal como os deputados e o Governo, todas as vezes que a olham, é sempre a primeira vez…


      Talvez seja o momento de deixar de ser a primeira vez, para todos. Basta fazer o “download” e enviar o documento para o endereço eletrónico do Presidente da República, do Primeiro-Ministro, da Ministra da Justiça, dos Deputados.


      Basta de perpetuar uma injustiça, reconhecida pelo Provedor de Justiça (se alguém foi “O Provedor de Justiça”, foi seguramente o Dr. José Meneres Pimentel…)


      Sabemos que alguns colegas vão encontrar aqui razões para nada fazer. São sempre os mesmos, a sua narrativa não se altera… “o SOJ fala em situações de exercício de funções, mas nós queremos é promoções…”, “isto não serve para nada...”


      Também o SOJ quer promoções para a Classe que representa, mas temos de seguir uma estratégia. Por outro lado, se combater uma injustiça não serve para nada, então temos todos de refletir. Continuar a trabalhar sem qualquer reconhecimento, tem servido de muito... mas para quem ganha com a injustiça.»


SOJ-RecomendacaoProvedoria1992.jpg

Comentários

  1. Os nossos sindicatos há muito que perderam a força e a confiança dos Oficiais de Justiça. Alinharam na acomodação e no "tem que ser" e o resultado está aí. Perdemos força, perdemos respeito, perdemos estatuto, perdemos rendimentos.
    Seria hora de mostrar novamente que somos uma classe que deve ser respeitada. Mas enquanto os sindicatos não pagarem pelo menos metade do valor de uma greve, não há forma de luta que resulte. De negociações andamos todos fartos.
    Esta deriva neoliberal calou que nos devia defender.

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  2. donzília28/6/16 11:35

    Há alguns anos a esta parte que a acomodação referida no comentário, não é do SFJ mas dos Oficiais de Justiça, os próprios, principalmente dos mais novos que "encontraram tudo ou quase tudo feito", depois de muita luta de nós, os mais velhos na classe.
    Não sentiram sequer, necessidade de se juntar, de se associar a qualquer Sindicato.Os outros que o façam!
    Por outro lado, o SFJ no comunicado de 22/06 e sobre as categorias em causa, repare-se no pouco cuidado com que se refere aos Srs.Escrivães Auxiliares , (como alguns que ainda se referem por aí ao"meu funcionário"), e que na verdade estão a ser mão de obra mais barata, mas que são também escrivães em primeira linha e só depois auxiliares.

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    1. Cara Colega, sou auxiliar, nova alias, e não faço parte de qualquer sindicado. porquê? porque vendo as vossa manifestações de insatisfação com os mesmos iria eu pagar 7€/mês para quê? 7€/mês no vencimento base de 700€, sim é exactamente 700€ que esta geração nova que a colega diz que encontra tudo feito recebe, enquanto a colega recebe na ordem dos 1000€ limpos e manda o reles novato fazer!

      Que tanto reclamam vocês? trabalham das 9 às 17h, ganham ordenado base 995€ em 1º frente + 10%, tem 22 dias por ano de férias mais 6 dias para tratarem de assuntos particulares, mais 1 por cada 10 anos de antiguidade, ou seja 28 dias de descanso, enquanto o privado ganha 550€ trabalha no mínimo das 9 às 18:00h tem 22 dias de ferias e para tirar dias alem disso nao pode! tem ADSE que descontam cerca de 40€/mes, um privado apra ter um seguro de saúde equiparado à ADSE nao paga menos que 50€.

      Volto a questionar: reclamam do quê?

      Quanto aos sindicatos, andam a fazer festividades e congressos e nao fazem NADA! HA ANOS QUE O NOSSO ESTATUTO NAO É ALTERADO E VOCES DAO NO MINIMO 120€/ANO, PARA NADA!

      Façam so uma pergunta a voces proprios, qual foi a ultima conquista do sindicato? tenho colegas auxiliares que começaram como auxiliares e como auxiliares vao se reformar!

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    2. Anónimo1/7/16 09:27

      Talvez esteja na profissão errada. Com essa mentalidade, estaria melhor no privado. Aí, sim, acham, que somos uns privilegiados. Era só o que faltava no seio desta instituição, este comportamento. Está mal, mude-se !
      Ou então lute pelos seus direitos. Agora não culpe os outros por ganhar pouco. Além de que demonstra uma tremenda ignorância. Fique sabendo que se o privado pagasse de impostos o que todos pagamos, o país andava bem. Sem falar dos famosos recibos de vencimento em que declaram no privado 550€, pagam imposto por esse valor, e depois recebem meia dúzia de subsídios não tributados e regalias de todo o género. Moral da história, são uns pobres diabos, mas andam de Mercedes.
      Com essa atitude, aconselho-a a mudar de profissão. Estude mais um pouco e mude-se. Ainda irá a tempo.

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    3. donzília1/7/16 23:45

      Se está num local em que saiem às 17h, não peça transferência porque não há muitos assim, Ana.E como o suplemento de 10%, conseguido em 1999, depois de greve que durou uma semana, se destina à recuperação processual e como tal pretende compensar trabalho fora de horas, nesse local estará a ser pago a mais. Eu ao longo de 30 e tal anos (e a maioria dos que conheço), nunca tive essa sorte.
      Quanto ao SFJ, sendo sócia desde o inicio de funções, sempre me senti bem representada junto da Administração, porque eu não faria melhor, pois por mais que reinvindicasse, só, ninguém me ligava nenhuma em Lisboa!Também quem o entender, pode candidatar-se que as eleições são livres:eu nunca quis, nem lá tenho ninguém, estou á vontade para falar!
      Todas as organizações têm congressos, convívios, etc., sobre essa crítica, nada a dizer. Finalmente, se todos os oficiais de justiça estivessem sindicalizados , muito mais força de representação teriam ambos os sindicatos junto da Administração Central, de forma a que, mesmo em tempo de crise, fosse reconhecido que fazem parte do órgão de soberania "Tribunais" e como tal devem ser considerados; que sem Oficiais de Justiça não funcionam; mas também eles devem ter orgulho na profissão que desempenham, pois que são ainda os Tribunais o último reduto do cidadão injustiçado.
      E a propósito, para a incentivar a associar-se, lembre-se que há benefícios que não são dinheiro e são importantes, como o apoio jurídico e o apoio na saúde.
      E quando ouvir críticas negativas, pense que normalmente só se lembram as coisas menos boas e pergunte o que fizeram para melhorá-las.

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    4. O Sindicato a que se refere é o SFJ e já teve muitas conquistas e até já fez uma greve de uma semana, mas isso foi quando? Em 1999? Depois disso já correu tanta água e já entrou tanta gente que congelou logo de seguida…

      O que interessa agora é o que faz e não o que fez. Porquê? Porque agora é que é o presente e agora é que há a necessidade, pois as necessidades passadas já passaram e as pessoas que entraram depois e até ao ano passado, têm necessidades neste agora, neste presente e não lhes servem para nada as glórias passadas e, muito menos, há tanto tempo.

      Hoje, no presente, não basta ter uma lista de desejos e apresentá-la, é preciso fazer algo por ela. Eu também tenho o desejo que me saia o Euromilhões mas que posso fazer por isso? Desejar e dizer a toda a gente que desejo e desejo muito e que até é meu objetivo que me saia este ano? Claro que não! Tenho que fazer algo mais, como, por exemplo, jogar, isto é, ir a jogo, perder e ganhar, gastar dinheiro, só assim, metendo as mãos na massa, é possível que se obtenha algo, embora também seja possível não obter nada mas de certeza que se nada fizer pelo meu desejo nada conseguirei, enquanto que se fizer alguma coisa existirá a possibilidade, ainda que muito remota, de poder alcançar esse desejo.

      O que se nota atualmente é que o dito sindicato (mas o outro é igual) não tem o ímpeto que outrora tive. Os seus dirigentes estão mais velhos? Mais cansados? Descansam à sombra dos feitos passados? Ora, os tempos mudaram e as novas gerações de Oficiais de Justiça querem mais ação e menos conformismo e é precisamente isso que se espera de um sindicato e não apenas que seja um bom organizador de convívios. Claro que tais convívios são elementos próprios e também importantes mas só isso?

      Quanto às listas, claro que podiam aparecer outros candidatos e não sempre os mesmos nem os aposentados, como tantos agora preenchem os lugares mas, por que será que não aparecem outras listas? Será porque todos concordam que está tudo bem? Ou será que muitos desistiram, baixaram os braços, estão desiludidos e frustrados e não têm a necessária paciência para enfrentar uma máquina que ao longo dos anos se tornou tão grande e pesada e até intimidatória?

      Para terminar, dizer que o alegado benefício do apoio jurídico só serve para quem tem problemas, pois quem não tem problemas e leva uma vidinha de trabalho adequada não precisa do apoio jurídico para nada, isto é, não é uma vantagem relevante; tanto mais que hoje em dia (mais uma vez lá vem o presente e não o passado) a maior parte dos novos Oficiais de Justiça são licenciados em qualquer coisa e até em Direito, pelo que são capazes de se defender muito bem sozinhos, ao contrário do que acontecia antes com aqueles que entravam porque apenas sabiam escrever bem à máquina. Não é por isso, nem pela vantagem de receber um calendário anual ou poder participar num convívio ou numa festa de Natal e, muito menos, por ter um cartão de saúde, quando o próprio detém um subsistema de saúde melhor e existem cartões de saúde no mercado idênticos e que igualmente abrangem a família, até por preços inferiores.

      O único argumento que pode levar à filiação e à sustentação por parte dos mais novos é mostrar trabalho efetivo e que interesse à maioria porque defende os seus interesses e não tentar conquistá-los com coisas como: histórias da carochinha passadas há muito tempo, incutir o medo do desconhecido com o apoio jurídico, a benesse do calendário, da revista que até já saiu uma vez, dos convívios e do cartão de saúde para familiares, nada disto interessa porque os não filiados não querem pertencer a um clube recreativo qualquer, pretendem, antes, uma organização nova, jovem e renovada, de ação efetiva e não de gente cansada e antiga, no topo da carreira ou até aposentada, isto não é cativante, isto não é coisa que interesse e dê força à classe e, por isso mesmo, saímos todos a perder.
      Ainda recentemente um colega criticava a composição das listas e manifestava, nas redes sociais, a necessidade d

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    5. donzilia2/7/16 14:23

      Qualquer instituição tem a sua história e é bom e útil relembrar para quem vem depois e não a conhece.Não pode apagar-se!
      Se acha que fará melhor hoje, candidate-se, lute, não se acomode, contribua e poderá fazer em qualquer sindicato também a s/história.
      E mantenho que, não estando associados, não existe grande poder de reinvidicar alguma coisa a título individual.Se conseguir...

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    6. Anónimo4/7/16 08:55

      Srª donzilia, é melhor só que mal acompanhado.
      Colega ana, a última conquista do SFJ foi que na tasca Zé Bucha, na Rua de São Paulo, Cais do Sodré, Lisboa, se for secretário, escrivão ou adjunto, tem à borla um palito, um copo de água e um guardanapo.
      Se for auxiliar, só tem de pagar um euro, mas recebe um pin ferrugento do Algés e Dafundo.

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    7. Os OJ não vão pagar por um sindicato em que não acreditam. Há muito que deixou de chegar o mostrar trabalho, hoje quer-se produtividade, eficiência. Só haver dois sindicatos para uma mesma classe profisisonal já é uma demonstração de desunião, para mais quando estão ambos em permanente conflito, emv ez de trabalharem em equipa.

      Se a Donzília pode dispender um valor que dava para pagar um seguro de automóvel razoável ou alimentar uma família durante meses no sindicato, é compreensível que o faça. Mas nem todos os OJ, principalmente os novos, podem dispender de dinherio assim sem mais considerações. É claro que ter um sindicato é melhor que nada, mas valerão estes sindicatos o seu custo? Há quem entenda que não e penso que aqui reside a diferença de opiniões.

      Um dos problemas de todos os sindicatos nacionais, é que não ainda não chegaram ao século XXI. Lutar apenas pelos seus próprios direitos dizendo que são os de um conjunto de pessoas é batota, mais se é exigido dinheiro. Há muito que lutar pelos direitos dos trabalhadores passou também a ser lutar por empregos melhores, ambientes de trabalho sãos, com bem-estar para os trabalhadores e para quem usufrui do seu trabalho. Os sindicatos, infelizmente, ainda acham que o que relamente interessa é apenas receber um bom ordenado ao fim do mês e progredir, para receber ainda mais.

      Nos tribunais há falta de material, de bens essenciais, há pó em excesso e humidade, há bicharada, pessoas cansadas de tantas horas de trabalho e escadas sem alternativas para pessoas com necessidades especiais. Não é só de OJ que há falta. Mas há sindicatos mais preocupados com um inofensivo contrato de trabalho por tempo indeterminado que, tomara muitas pessoas terem no privado.

      E como já foi dito, hoje em dia já ninguém tem necessidade de sindicatos
      para ter o apoio jurídico e na saúde.

      A história é muito boa, principalmente para se aprender com ela. E os sindicatos não têm aprendido grande coisa com o desinteresse crescente neles. Possivelmente porque tal como nos Tribunais, nos sindicatos os activos estão envelhecidos.

      Os jovens não querem apenas ser defendidos por outros, principalmente outros que não saibam ou não queiram defender os seus interesses, querem ter voz própria, ter a possibilidade de intervir e de dar a sua opinião.

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    8. O Anónimo de 01.07.2016, às 09:27, claramente desconhece a realidade do sector privado.

      Não é por acaso que no privado acham que os do público são privilegiados.

      Tomara a muita gente no privado pagar os impostos dos funcionários do público, era sinal de que podiam pagar. Infelizmente o que há mais no sector privado é exploração:
      - falsos "recibos verdes"
      - falsos estágios
      - trabalhadores sem nenhum tipo de vínculo e logo sem direitos,
      - falso voluntariado
      - não renovação do contrato de trabalho só porque o trabalhador teve de ir ao médico no horário de trabalho ou porque ficou de baixa demasiado tempo por não ter podido pagar a operação no sistema de saúde privado
      - mentiras, mentiras e mentiras, desde o trabalhador trabalhar mais do que é declarado, normalmente para receber abaixo do salário mínimo nacional, a ter de pagar à segurança social do seu próprio bolso literalmente e fingir que foi a entidade patronal a pagar.
      - haver trabalhadores que não sabem quando vão receber o seu ordenado, chegando algumas entidades patronais a atrasarem-se vários meses nos pagamentos.
      - exploração de todo o tipo de benefícios estatais pelo empregador, o que pode levar um trabalhador a trabalhar para uma entidade anos sem ser considerado empregado e não tendo os mesmos direitos
      - ....

      Moral da história, compram Mercedes a prestações, porque não o conseguem fazer a pronto e como são infelizes precisam de dar largas ao consumismo para se sentirem um pouco melhor.

      Claro, também há o que menciona. Mas a realidade não é a preto e branco e nem só disso existe.

      Houve muitas pessoas que ingressaram na profissão de Oficial de Justiça porque as alternativas eram piores. E mandarem-nas embora não vos vai melhorar a vida, porque só vai reduzir o número de OJ e aumentar o trabalho de casa um. Não se preocupem, a generalidade dos que não gostaram da profissão acabará por ir sair aos poucos assim que forem surgindo oportunidades.

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