Uns Têm e os Outros Não
Os Guardas Prisionais tinham marcado uma greve entre os dias 26 e 30, isto é, até hoje. Mas a greve foi desconvocada. Porquê? Porque bastou o aviso.
Jorge Alves, presidente do Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional, justificou assim:
“Decidimos desconvocar a greve já que conseguimos encontrar soluções e chegar a um consenso em vários pontos. O diploma que regula o regime de aposentação, que será publicado em breve, possibilitará que os guardas se reformem aos 60 anos e dois meses, assim como outro diploma que irá regular o novo horário de trabalho e possibilitar o início de um curso para a entrada de novos guardas em janeiro”.
A decisão de desconvocar a greve ocorreu após uma reunião com a secretária de Estado Adjunta e da Justiça, Helena Mesquita Ribeiro.
A greve decretada e desconvocada consistia numa greve às horas extraordinárias.
“Em média, cada guarda prisional está a fazer 100 horas extra por mês e só 40 delas são pagas. Isto tem de acabar”, diz Jorge Alves.
Se compararmos com os tribunais, as horas extra realizadas pelos Oficiais de Justiça, no seu conjunto, correspondem a milhares de horas a mais em cada mês e, ao contrário das horas dos Guardas Prisionais, para os Oficiais de Justiça, nenhuma das horas extra é paga.
Fossem os Oficiais de Justiça ressarcidos das suas horas extra, nem que fossem em quantidade ainda inferior à dos Guardas Prisionais e já muito satisfeitos ficariam mas não, não há nada para ninguém; o ressarcimento é zero ou abaixo de zero.
E perante uma carreira estagnada que fazem os sindicatos que representam os Oficiais de Justiça?
O SOJ não dá notícia de nada e o SFJ comenta aos jornalistas que o balanço que faz da atuação do Ministério da Justiça é “francamente positivo”.
Enquanto outros desenvolvem ações reivindicativas reais, os dois sindicatos que representam os Oficiais de Justiça vão passando o tempo com preocupações relacionadas com os impedimentos e entraves do Ministério das Finanças ou com a discussão do orçamento de Estado ou com as reuniões com os partidos com assento parlamentar ou com todas e mais algumas questões de sensibilidade altamente negocial e profundamente conhecedora dos meandros dos gabinetes ministeriais mas com resultados francamente negativos, miserabilistas e com o grosso da classe não só descontente mas profundamente descontente, cuja única ambição é apenas a de descansar no próximo feriado.
É o que se chama trabalhar de graça.
ResponderEliminarNesta classe, é recorrente.
Num interrogatório, recebe horas extra o polícia, o guarda prisional, o Juiz e o MP (pela isenção de horário). Só o arguido e o oficial de justiça é que não recebem nenhuma hora extra.
Muito mal representados pelos sindicatos há mais de uma década. Atitude pequena, sem verticalidade.