A Retransmissão Transmitida pelo Sindicato Veículo

      Ontem, o Sindicato dos Funcionários Judiciais (SFJ), publicou, na sua página na Internet e divulgou pelos seus associados, uma comunicação que, em síntese, informa que este sindicato sempre se mostrou preocupado com o descongelamento das carreiras.


      Não era necessário vir dizê-lo, uma vez que tal preocupação já fora manifestada antes, designadamente, quando considerou que o descongelamento, a ser operado levando em conta os anos de descongelamento, constituiria uma despesa incomportável e constituiria uma incoerência, perante um entendimento que já fora aceite por todos no passado, aquando do congelamento de 2005/2007, perguntando se tal consideração seria realista.


      Nesta mesma comunicação de ontem, volta a afirmar que a partir de 1 de janeiro de 2018, os Oficiais de Justiça descongelam e que tal também lhes foi dito na reunião tida com a secretária de Estado adjunta e da Justiça (Helena Mesquita Ribeiro).


      Ora, já todos sabíamos que todos os funcionários públicos e de todas as carreiras descongelam a 01JAN e que os Oficiais de Justiça estavam englobados mas, embora isso seja já um facto adquirido, tal não significa que em janeiro próximo os Oficiais de Justiça tenham algum benefício imediato, porque este descongelamento implica que só quando se for completando os três anos, haverá obtenção de um escalão, isto é, haverá Oficiais de Justiça que, com este tipo de descongelamento, só em 2021 verão completado um escalão e que este será o primeiro, depois de todos estes anos em que o seu trabalho não esteve congelado.


      Nada de novo, portanto. Não se trata de descongelar em 2018 desta forma, sem considerar o tempo em que se trabalhou de facto, como se nada tivesse sucedido. O trabalho diário, mensal e ao longo dos anos não foi congelado.


      A suspensão dos pagamentos devidos constituiu um congelamento, ninguém recebeu o vencimento devido ao longo destes anos, nem obteve nenhuma promoção ou qualquer tipo de benefício, bem pelo contrário. Já noutras carreiras, não houve o mesmo congelamento global.


      Os Oficiais de Justiça admitiram e admitem a perda mensal de vencimento durante todos estes a anos mas, para além de perder dinheiro ao longo dos anos, perder os próprios anos é uma dupla perda.


      De todos modos, a partir de 15DEZ, iniciar-se-ão negociações sobre como minimizar a perda dos anos de congelamento, isto é, entre 30-08-2005 e 31-12-2007 e de 01-01-2011 a 31-12-2017.


      Acaba a informação o SFJ indicando que em 2018 haverá promoções para as categorias de Secretário de Justiça, Escrivão de Direito e Técnico de Justiça Principal e que o Ministério da Justiça está a analisar a possibilidade de haver promoções para Escrivão Adjunto e Técnico de Justiça Adjunto.


      Em suma, o que o SFJ foi fazer à reunião, foi perguntar à secretária de Estado adjunta da Justiça, que novidades tinha para lhes comunicar e esta comunicou e aquele divulgou em forma de informação.


      Temos, assim, um sindicato que se constitui como veículo de informação do Ministério da Justiça, informando os seus associados e os demais Oficiais de Justiça daquilo que vai na mente dos membros do Governo, servindo não apenas de mero retransmissor da informação mas também acrescendo alguma explicação para que todos bem compreendam a mensagem governamental. É, pois, como um gabinete de imprensa ao serviço do Governo e, em especial, do Ministério da Justiça.


      O Ministério da Justiça não tem que se preocupar com o aspeto comunicacional da sua ação ou intenção perante os Oficiais de Justiça porque tem no SFJ um perfeito meio comunicacional.


      Depois… Depois há quem leia na informação que o sindicato conseguiu promoções para o próximo ano e ainda os descongelamentos já em janeiro de 2018 e que isto é a prova provada de que deveria haver uma “união” dos Oficiais de Justiça, e esta união quer dizer que o outro sindicato não deveria existir e que todos deveriam pensar da mesma maneira e, especialmente, deixar de pôr em causa as ações ou as omissões ou até as ambiguidades das comunicações do sacrossanto sindicato, como se isso fosse ou tivesse um mínimo de correspondência com a tão propalada “união dos Oficiais de Justiça”, que, afinal, não é mais do que o desejo de ter ovelhas mansas apascentando em rebanho.


      Não, união não é nada disto. Isto é, antes, desunião! Desunião é ter um sindicato que não age como tal e que consegue provocar a desilusão e o desgosto entre os seus representados e entre os seus potenciais e putativos representados. Desunião é passar o tempo todo a tentar calar ou abafar o ruído das críticas. Desunião é fazer orelhas moucas. Desunião é propagandear sem agir e agindo para nada, como nada é o que ora transmite em mera retransmissão daquilo que um elemento do Governo diz que disse. Isto é que é provocar desunião entre os Oficiais de Justiça; porque ainda há muitos que conseguem ter olhos na cara e ouvidos dentro das orelhas, tudo a transmitir diretamente para a cabeça que é própria e é ainda capaz de ser geradora de ideias próprias e, por isso, há desunião, desânimo, desalento, desilusão e desengano.


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Pode aceder à comunicação aqui mencionada, diretamente através da seguinte hiperligação: “SFJ-Info-23NOV”.

Comentários

  1. Próximo passo, entregar o cartão e cancelar o pagamento da cota. Quando o SFJ tiver tantos associados como o SOJ, talvez desçam à terra. Cambada.

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    1. Como se processa o pedido de desfiliação? Alguém pode facultar um formulário?

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    2. Formulário? Basta comunicar; comunicar sem mais, por simples e-mail, a duas entidades: à própria entidade visada e à DGAJ para que deixe de fazer os descontos mensais aquando do processamento do vencimento.

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  2. O desagrado e a incompreensão são visíveis e vividos.
    Julgo ser importante começar a indicar outros caminhos, outras soluções e...alternativas representativas deste desconforto.
    Este meio de comunicação é disso exemplo maior, sempre atual, sempre incisivo, sempre em representação de uma classe, que merece sem dúvida outro tratamento e atenção.






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  3. Esclarecido24/11/17 12:39

    O facciosismo e a ignorância deste blog atingem um nível tão elevado, que há muito não tem pejo em mostrar ao que veio e para que existe: "braço armado" do SOJ.

    Pergunta-se: se o seu autor é tão inteligente como acha que é, porque não se chega à frente no sindicalismo? Certamente seria uma benção para a classe? Ou não?

    Parafraseando o autor deste blog, hoje, "Não, união não é nada disto. Isto é, antes, desunião!".

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    1. Esta é a atitude típica de quem não aceita a crítica com factos concretos e atribui a culpa aos outros. Vejamos: para que serviu a reunião com a secretária de Estado? Para que foi aquilo? De acordo com a informação prestada serviu apenas para retransmitir as intenções do Governo/MJ. Não houve atividade sindical, houve apenas atividade de mera retransmissão; de prestação de um favor ou de serviços ao MJ. Isto não é uma opinião, é um facto comprovável.

      Este blogue não é o "braço armado" do SOJ mas poderá ser um "braço armado" dos Oficiais de Justiça; sem mais. Se vê mais críticas ao SFJ e menos ao SOJ, tal não significa que se seja pró um e anti outro, apenas quer dizer aquilo que se diz em cada crítica; todas fundamentadas com dados concretos. Não se anda para aqui a dizer coisas no ar e a falar mal por falar, se haver uma ligação a factos concretos. Se na contabilidade das críticas vê mais ao SFJ, deverá perguntar-se, para si próprio, por que será? Será facciosismo? Ou será apenas verdade?

      Parafraseando: o facciosismo e a ignorância de alguns elementos do SFJ atinge um nível tão elevado que há muito não têm pejo em passar o tempo todo a afirmar que os críticos não devem ser críticos devem é candidatar-se e concorrer contra toda a enorme e pesada máquina montada e toda a rede de interesses que atafulha e domina o SFJ. Este desafio, para que quem critica não o faça e se apresente à eleição contra a máquina é um desafio recorrente de quem não tem argumentos para contrariar a realidade. Parafraseando de novo: a bênção para a classe seria a renovação de todos os órgãos do SFJ, especialmente quando se assiste a uma debandada dos seus associados, desiludidos com a sua falta de ação. O problema deste sindicato não está no seu exterior, com a sempre alegada falta de união ou falta de candidatos, o problema deste sindicato está no seu interior; está a ser destruído por dentro, porque teima em não ouvir os apelos nem as críticas que vêm de fora, porque são de fora, como se isso fosse relevante, uma vez que nem as raras críticas que vêm de dentro são ouvidas.
      Este caminho de destruição por implosão não é motivado pelas críticas externas, elas são apenas o reflexo ou o resultado do ostracismo em que vive o SFJ. As críticas externas são alertas e deveriam ser aproveitadas em vez de desprestigiadas. Todos corremos o risco de perder um sindicato com uma história importante mas, a persistir-se nesta linha de autodestruição, mais vale que fique na história e aí permaneça em vez de andar a contar histórias aos Oficiais de Justiça.

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    2. "Thumbs up"!!!

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    3. totalmente de acordo. E amudança já começa a ser tardia. Só com uma debandada geral.

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  4. "Thumbs up"!!!

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  5. Infelizmente o SFJ merece tudo o que lhe está a ser atirado.
    Infelizmente porque foi um grande sindicato.
    Perdeu tudo quando se desinteressou dos OJ´s.

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  6. A postura do SFJ sempre foi esta.
    Na verdade, não querem que se faça muito barulho.
    "Vão lá pagando as quotas e comendo as migalhas que vos vamos dando."
    A sua própria génese começou mal.
    Misturar OJ´s com porteiros e motoristas e outros, deu no que deu. Estão aí os resultados. Aos olhos de quem esta de fora e para efeitos negociais, é tudo a mesma coisa, meus caros.
    Agora, queixem-se ao Fernandinho...

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    1. Que gente tão pequenina! Olhando sempre para o seu umbigo...sempre, a separar para reinar.

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