Das Férias e das Motas

      «O recente processo em que são visados membros do grupo motard Hells Angels ou a diligência que envolveu Manuel Pinho no DCIAP, demonstram que o período de férias judiciais é bem agitado.


      Na opinião pública existe a ideia de que os tribunais estão fechados no verão e que todos os magistrados e funcionários judiciais vão de férias, o que não corresponde à realidade.


      Por questões de melhor organização do serviço convencionou-se que os profissionais forenses deveriam tirar férias num determinado período (16 de Julho a 31 de Agosto).


      No entanto, todo o serviço urgente tem de estar assegurado, sendo certo que há cada vez mais processos classificados como urgentes. Por exemplo, todos os processos em que se investigue o crime de violência doméstica ou em que existam arguidos presos têm tal classificação.


      No âmbito dos tribunais de família e menores, trabalho, administrativo e cível também existem milhares de processos de natureza urgente que são tramitados durante o Verão;


      No período de férias judiciais, enquanto uns magistrados gozam férias outros despacham os processos dos colegas. Desta forma assegura-se que os processos urgentes nunca parem, mesmo quando os seus titulares não se encontram;


      Estes direitos, também são instigadores e cúmplices do roubo              


      As férias judiciais correspondem ao período em que os magistrados e funcionários judiciais gozam férias de forma rotativa.


      Nesta época do ano o aumento do turismo implica um acréscimo significativo das detenções.


      No Verão, em Lisboa, Porto e Algarve existe um número muito elevado de detidos que é julgado de imediato,


      No Algarve chegam a verificar-se várias dezenas de detenções por dia, grande parte delas devido às operações policiais que fiscalizam a ingestão excessiva de álcool por parte dos condutores.


      Ao contrário do que se possa pensar, as grandes investigações aceleram nesta altura do ano.


      A acusação da Operação Marquês foi redigida no Verão passado e os procuradores só tiveram férias a partir do final de Outubro.


      Na semana passada foram aplicadas as medidas de coação mais gravosas a vários elementos do grupo motociclista Hells Angels.Nesta, como noutras situações, há a tendência errada de se fazerem generalizações. Para muitas pessoas quem se desloque de moto, se tiver um blusão de cabedal e cabelos compridos, é necessariamente um delinquente.


      O preconceito está sempre associado ao desconhecimento da realidade.


      Há largas dezenas de anos que a concentração anual do Motoclube de Faro consegue congregar mais de 20.000 pessoas num ambiente de salutar convívio.


      A associação mencionada integra pessoas de todos os estratos sociais e é muito respeitada a nível nacional e internacional, tendo inclusivamente um relacionamento muito próximo com algumas das maiores bandas de rock da Europa.


      A sua inserção na comunidade é notável e está sempre disposta a colaborar com outras entidades.


      Há muitos políticos, magistrados, médicos, advogados e gestores que nas horas vagas assumem a sua condição de motociclista e participam em diversos eventos.


      Ao contrário de algumas visões preconceituosas, posso afirmar com segurança que os motociclistas não são criminosos, mas há alguns delinquentes que se deslocam de mota e gostam de atuar em grupo.


      Quem optar por um estilo de vida à margem da Lei e fizer do crime o seu modo de vida terá de sofrer as consequências.»


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Fonte: Sábado | Transcrição do artigo de opinião subscrito por António Ventinhas, presidente do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público (SMMP).

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