Descongelar os dias de férias

      Hoje é o último dia do mês de agosto e o último dia das Férias Judicias de Verão de 2019. No entanto, não é o último dia das férias pessoais de muitos Oficiais de Justiça que, para poderem assegurar o serviço durante o verão, têm necessariamente que fracionar as suas férias, intercalando com serviços de turno e gozando também as férias fora do período das férias judiciais.


      E tudo isto ocorre sem que tenha havido recuperação dos dias das férias pessoais, pelo menos para os Oficiais de Justiça, uma vez que muitos trabalhadores do setor privado e também do público dispõem já da recuperação dos dias de férias que foram retirados.


      Se bem se lembram, em 2012, a alteração ao Código do Trabalho então produzida eliminou os três dias úteis de férias que se somavam aos 22 dias em função da assiduidade do trabalhador.


      Em 2014, numa alteração ao contrato de trabalho em funções públicas foi decidido reduzir de 25 para 22 os dias úteis de férias na administração pública e eliminar a majoração em função da idade.


      Os funcionários públicos passaram a ter apenas mais um dia extra por cada dez anos de serviço efetivo.


      Hoje, as férias são de 22 dias, acrescendo apenas mais um dia por cada período de dez anos de serviço.


      No entanto, esta realidade tem exceções no setor privado e também quase todas as autarquias por todo o país que não concedem 22 dias mas os 25 dias de férias que antes já foram comuns a todos os funcionários públicos.


      Nos últimos anos, as câmaras municipais assinaram acordos coletivos que permitiram aos seus trabalhadores recuperar os três dias úteis de férias extra cortados durante o período da Troika.


      Através destes acordos coletivos de empregador público (ACEP), vários trabalhadores da administração local já vêm gozando 25 dias úteis de férias, e isto já desde 2017.


      O conteúdo não é exatamente igual em todos os ACEP mas, em comum, têm a reposição dos 25 dias úteis de férias, indexando o acréscimo de três dias (retirados em 2014) à obtenção de nota positiva na avaliação de desempenho (ou sistema equivalente) no ciclo avaliativo anterior. Para a operacionalização da medida são tidas em conta as avaliações atribuídas a partir de 2015.


      Há acordos que recuperam também a majoração de dias de férias atribuídas aos funcionários em função da idade (o que permite que se ganhem mais três dias entre os 39 e os 65 anos), outros que oferecem o dia de aniversário ao trabalhador e ainda os que instituem como tolerância de ponto várias datas em que é habitual ser concedida esta pausa como o dia de Carnaval, véspera de Natal ou fim do ano.


      "É mais uma vez a administração local a dar o exemplo", refere Helena Rodrigues, presidente do STE, estrutura sindical que, tal como a Fesap e a Frente Comum, incluiu no seu caderno reivindicativo para 2019 o regresso aos 25 dias úteis de férias para toda a administração pública.


      João Avelino, do STAL, acredita que o movimento que está a ganhar força a nível autárquico acabará por "alastrar à administração central", tal como sucedeu com as 35 horas em que, depois de a esmagadora maioria das câmaras e juntas de freguesia os ter assinado, o governo acabaria por estender a medida a todos os funcionários públicos, o que aconteceu em julho de 2016.


      “As autarquias estão a abrir caminho e a fazer que o Estado central fique claramente desadequado e desatualizado”, sublinha José Abraão, lembrando que o Governo tem feito o discurso da reposição de rendimentos e dos direitos, sem que sejam tomadas medidas que revertam de forma integral as alterações decididas durante o período em que o país estava a cumprir o programa de assistência financeira.


      No Parlamento, Bloco de Esquerda, PCP e PAN já apresentaram por mais do que uma vez propostas para que tanto os trabalhadores do setor privado como os funcionários públicos voltem a ter 25 dias úteis de férias mas nesta matéria o PS tem-se juntado ao PSD e ao CDS-PP e impedido que as iniciativas avancem.


Ferias.jpg


      Fontes: “Diário de Notícias” e “OJ

Comentários

  1. Quero é poder ter férias em qualquer altura do ano. O salário não dá para férias na época alta, entendem?!!!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Concordo, quando era oficial de justiça, não conseguia alcançar determinados destinos turísticos, devido ao preço dos mesmos.
      Hoje em dia no sector privado para além de ganhar bem mais do que ganhava como oficial de justiça, tenho agora maior flexibilidade nas férias, a título de exemplo no ano passado no mês de novembro visitei a Tailândia e Vietname no mês de novembro.

      Eliminar
  2. Porque não transformar as horas extras em dias de férias ?

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Porque muitos de nós, se assim fosse, com a quandidade de horas extras acumuladas ao longo de décadas, íamos de férias até à aposentação, sem regresso.

      Eliminar
  3. Antonio Ventinhas - Revista Sábado 31-07-2019
    "A Justiça é vítima de sucessivos anúncios que dão a ideia que há um grande investimento no sector, o que não corresponde à verdade"

    Política de marting e publicidade enganosa!

    ResponderEliminar
  4. Anónimo2/9/19 18:59

    Calma gente da minh'Aldeia que estamos no pelotão da frente. Há que ter fé em Aldrabix, O Goês e no seu Dream Team.
    Já conquistámos a UEFA, a Eurovisão, o FT e a Moodys.
    As Férias podem esperar.
    O interesse nacional é que não....

    ResponderEliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

Ministério da Justiça já tem novos mapas de pessoal da 1ª instância

A carreira dos Oficiais de Justiça é a terceira mais envelhecida da Administração Pública

Mais um acordo assinado e foi “uma grande vitória” e foi “o que se conseguiu”, diz o SFJ