A Greve Geral dos Oficiais de Justiça
Começa amanhã a Greve Geral dos Oficiais de Justiça. Com ambos os sindicatos de acordo com a inadmissível postura de abandono por parte do Ministério da Justiça, em relação à carreira dos Oficiais de Justiça, esta greve detém todos os ingredientes para ser uma esplêndida demonstração da força e da grande união dos Oficiais de Justiça deste país.
Depois de tantos anos de reivindicações e de trabalho de bastidores, os sindicatos conseguiram fazer aprovar um texto de lei que obriga o Governo a concluir as negociações e a ver publicado em Diário da República, até ao final do passado mês de julho, a revisão do Estatuto, a integração do suplemento, sem perda salarial, e a compensação pela disponibilidade permanente, designadamente, através de um regime diferenciado de aposentação.
A Lei não foi cumprida e nada mais foi feito e todo o trabalho dos Oficiais de Justiça, levado a cabo parte dos seus sindicatos, está a ser despejado no lixo. Acresce que no Movimento Ordinário deste ano não houve qualquer promoção, quando já deveria ter havido, tendo havido antes a promessa de que após tal Movimento seria levado a cabo um Movimento Extraordinário com o simples propósito de realizar as promoções então não realizadas no Movimento Ordinário. Resultado: encerrado que está o Movimento Ordinário, não há notícia do Extraordinário e a perspetiva aberta está também a ser despejada no lixo.
Anos de lixo. Depois de todas as carreiras profissionais na dependência do Ministério da Justiça verem os seus estatutos revistos e alguns até revistos de forma exuberante, resta uma única carreira desprezada e adivinhe-se qual é. Não, não se trata apenas da revisão dos estatutos das magistraturas, o Ministério da Justiça reviu tudo, desde os trabalhadores dos registos e notariado ao corpo da Guarda Prisional, tudo tratado exceto a carreira dos Oficiais de Justiça.
Ano após ano adiados e desprezados mas com muitas reuniões, conversas, documentos e grupos de trabalho e até umas linhas gerais, assim se vem empatando os Oficiais de Justiça.
Os sindicatos, ambos os sindicatos, têm levado a cabo todo o género de diligências e de ações de luta, algumas foram até completamente inéditas e nunca antes ninguém havia pensado que seriam possíveis. As greves foram de todo o género e feitio: por horas, por dias, por meses, por secções, etc. Realizaram-se plenários nacionais, vigílias, manifestações, correntes humanas e marchas; camisolas pretas, cartolinas vermelhas e cravos; contactaram-se todos os grupos parlamentares, protestou-se veementemente, reivindicou-se e reivindicou-se e os Oficiais de Justiça, ora mais, ora menos, sempre estiveram presentes.
Note-se bem que a culpa não é dos sindicatos, nem de um nem de outro nem de ambos. O falhanço, o desprezo e o incumprimento não é dos sindicatos mas deve-se apenas à postura do Governo.
Os Oficiais de Justiça devem agora, em união de esforços, reagir de forma contundente e reagir já; agora. Ninguém deve esperar que a sorte lhe caia do céu nem que melhores dias virão; não! A construção do futuro exige uma atitude ativa e determinantemente firme.
Os sindicatos, desapoiados dos seus representados, nada conseguirão. Não basta uma marcação de uma greve e depois quase ninguém a observar. Sem o conjunto unido não há força.
Esta greve de três dias pode ser tudo mas também pode ser nada. Está nas mãos de cada Oficial de Justiça querer conseguir ou não querer nada.
Que ninguém aponte o dedo aos Sindicatos pois não são estes, por si sós, que farão a mudança. A mudança só ocorrerá com a força de todos os Oficiais de Justiça e, embora isto ainda não tenha ocorrido, não é com a desistência e a deserção que se alcançará a ambicionada mudança.
Há dias, no passado sábado 26SET, aqui publicávamos as 10 razões pouco comuns que, neste momento, confluem para tornar os próximos três dias algo ímpar, razões (todas ou algumas) que servem a todos e a cada Oficial de Justiça. No entanto, essas 10 razões cresceram e já conseguimos isolar mais razões; são agora 16 as razões que a seguir elencamos porque, por incrível que pareça, poderá ainda haver algum indeciso.
-1- A greve não é do SOJ nem do SFJ mas de ambos e de todos os Oficiais de Justiça. O SOJ indicou os dias e a motivação mas o SFJ secundou declarando um “apoio inequívoco” e isto raramente ocorreu no passado, pelo que estamos perante um momento que não é nada comum e tem que ser aproveitado.
-2- Dos três dias de greve, a apenas um foram impostos serviços mínimos e isto não é comum, porque ainda recentemente se impunham serviços mínimos a todos os dias e a todas as horas. Portanto, esta circunstância tem que ser convenientemente aproveitada.
-3- Os três dias de greve decorrem em dois meses diferentes, pelo que o desconto no vencimento ocorrerá também em dois meses diferentes e também isto não é comum. São três dias mas são dois meses diferentes que levarão a que os descontos ocorram em novembro e em dezembro e situações destas não abundam ao longo do ano.
-4- Os descontos no vencimento ocorrerão pela altura do recebimento do subsídio de Natal ou 13º mês, o que acaba por atenuar o impacto nos vencimentos e esta situação não ocorre com frequência, aliás, só se pode verificar duas vezes ao ano, porque dois são os subsídios, mas, mesmo assim, no corrente ano, em abril (para junho) não era possível levar a cabo uma greve como esta, pelo que a oportunidade está limitada a este concreto momento deste ano. E isto é uma rara situação no ano que deve ser aproveitada.
-5- Os três dias de greve colam-se a um fim de semana também de três dias, por causa do feriado de segunda-feira, o que permitirá a muitos umas miniférias de seis dias, o que não é nada, mas mesmo nada, comum e quem quiser aproveitar estes dias tem todo o direito a aproveitá-los como bem entenda.
-6- Neste momento, a comunicação social não tem notícias de outras greves e isto também não é nada comum. Nas greves anteriores, com tantas outras greves a acontecer, muitas vezes as greves dos Oficiais de Justiça passaram despercebidas mas isso não ocorre neste momento, por isso este momento se torna tão especial e tem que ser aproveitado.
-7- Atualmente, a comunicação social está muito atenta a tudo quanto se passa na Justiça com tantos processos mediáticos em curso, alguns até sobre o próprio funcionamento interno da Justiça, e isto é um momento novo que corresponde a um somatório de casos incomuns que também só pode ser fruído em proveito da carreira.
-8- Ao contrário de outras greves, cujos focos mediáticos não as iluminaram, é expectável que esta greve obtenha toda a atenção mediática, desde logo por ser única mas também por ocorrer no sistema nacional de justiça que é hoje objeto de uma grande atenção e também este fator não pode ser desaproveitado porque (infelizmente) é na praça pública que se vem discutindo e impulsionando os atos governativos.
-9- Há um claro incumprimento da Lei por parte do Governo, mais concretamente por parte do Ministério da Justiça, incumprindo o artigo 38º da Lei 2/2020 de 31MAR, e isto não é incomum mas completamente inédito; nunca antes ocorreu, só mesmo agora.
-10- Nunca antes os Oficiais de Justiça tinham visto as suas reivindicações plasmadas em obrigações legais, obrigando o Governo a ter publicado em DR até ao final do mês de julho o Estatuto, integrado o suplemento e fixado compensação pela disponibilidade permanente, designadamente com um regime diferenciado de aposentação, e isto nunca antes sucedeu e também nunca se viu tamanho incumprimento, sendo algo que para além de incomum é completamente inédito.
-11- A omissão das promoções no Movimento Ordinário deste ano constituiu uma afronta que só foi atenuada através de uma espécie de promessa de realização de um Movimento Extraordinário para promoções logo a seguir à conclusão do Ordinário e, no entanto, acabado que está setembro, a expectativa mostra-se turvada de frustração.
-12- Com o abandono da reunião das conversas inconsequentes por parte do SOJ, o Ministério da Justiça levou um abanão que o obrigou a lançar uma nota à imprensa, explicando que não há nada de novo a não ser a atitude firme daquele Sindicato. Esta nota à comunicação social, depois de uma reunião, nunca antes havia sucedido, pelo que já se sente o nervosismo e o óbvio sentimento de culpa, embora disfarçado, pelo tratamento conferido aos Oficiais de Justiça. Esta situação, também incomum, carece de aproveitamento estratégico.
-13- Agora, a ação está nas mãos de cada Oficial de Justiça. Os sindicatos dão o mote e justificam as faltas mas cada um terá que decidir se quer que este momento mude de facto a sua vida profissional e, consequentemente, a sua vida pessoal, ou se pretende que tudo continue como antes.
-14- Os Oficiais de Justiça têm toda a razão nas suas reivindicações e até a ministra da Justiça afirma que têm razão em protestar. Por isso, sendo tão ampla a convicção da razão que assiste aos Oficiais de Justiça, não pode suceder que haja algum Oficial de Justiça a alegar o contrário e, com tal ação, prejudicar o coletivo.
-15- Os Oficiais de Justiça não exigem o mundo, nem sequer ganhar mais do que o primeiro-ministro, querem apenas coisas simples e pequenas com pequenos ajustamentos na carreira; tudo alcançável com simplicidade e facilidade.
-16- Este é o momento, uma vez que se verificam, cumulativamente, todas estas circunstâncias e todas estas razões. Este e o momento, assim o queiram os Oficiais de Justiça.
Por tudo isso, esta greve deverá ter a adesão de todos os Oficiais de Justiça, independentemente de estarem ou não sindicalizados, neste ou naquele sindicato ou em nenhum, de se encontrarem em trabalho presencial ou em teletrabalho, em jornada contínua ou normal; todos devem aderir a esta greve, pois, como diz o SOJ: todos devem ir à luta porque “desertar não está na génese da carreira dos Oficiais de Justiça” e ainda conclui assim:
«Uma greve para que o Ministério da Justiça se deixe de populismos, e paternalismos, e passe das palavras aos atos, Respeite e Cumpra a Lei.
Esta é uma greve em que está também em causa o Estado de Direito Democrático e, quando alguns apontam a situação pandémica que o país atravessa, para tentar justificar a sua deserção, importa também perceber que quando os Governos não cumprem a Lei, então os cidadãos deixam de existir.»

Fontes: “SOJ-Página”, “SOJ-Facebook #1” e “SOJ-Facebook #2”.
"Greve Geral" só para quem escreve.Conhecendo a classe, a greve estará longe de ser isso: geral.Quanto a resultados imediatos da mesma, não se augura nada de bom.
ResponderEliminarLá para o fim do ano, talvez!
Isto para cumprir, mesmo fora da data ali estipulada, o Orçamento Geral do Estado para 2020.
Existem ainda na classe um número muito elevado de subservientes e situacionistas. Porquê? É uma carreira com predicados técnicos de elevada complexidade, os quais não são de fácil dominio/aprendizagem, ao que se junta a inexistência de uma generalizada ausência de formação contínua presencial factos que geram muita insegurança no plano técnico diário desses Oficiais de Justiça os quais já inseguros, por mal apoiados tecnicamente, estagnam, encostam-se, têm medo da má classificação, não clamando pelo que lhes é devido também, a formação presencial contínua, um registo biométrico de assiduidade (aqui se afeririam facilmente as horas extras realizadas em excesso e não pagas), o cumprimento da lei por parte do ministério assim, neste sentido, prevaricador não punido.
EliminarGREVE AO PROCESSO ELEITORAL, demonstrem os sindicatos desta forma integridade e independência.
"É uma carreira com predicados técnicos de elevada complexidade, os quais não são de fácil dominio/aprendizagem" Ahahahahaha
EliminarOMG! Quem escreveu isto deve ter dificuldades de aprendizagem.
As funções de OJ são chapa 5. Administrativas. Nunca percebi se realmente acreditam que são funções complexas ou se só dizem isso para se armarem aos cucos.
É que se acreditam que se tratam de funções complexas, tenho pena das vossas limitações.
Mais um professor Pardal!
Eliminar"Funções chapa 5"? "Administrativas"? Vê-se claramente que é um estranho aos Tribunais. Não percebe nada disto, não percebe "da poda", só sabe que nada sabe, mas gostava de saber.
EliminarQuem percebe da tenda é o tendeiro.
Neste caso o tendeiro são os esforçados Oficiais de Justiça a quem tudo tem vindo a ser exigido ao longo dos anos, com escassos meios, formação técnica, incluindo a informática aos tropeçőes, legislação sempre em mudança, quadros de pessoal diminutos, trabalho sem horários e compensações.
Um erro, um atraso do Oficial de Justiça num processo, pode significar o adiar de um julgamento p. ex., com todas as consequências que isso acarreta para terceiros.
É um trabalho muito técnico é! De muita responsabilidade. Se há quem não o consiga fazer devidamente, o certo é que em todas as profissões existem bons e menos bons profissionais.
Stor... desculpe mas está enganado, quem fala do que não sabe ou pensa que sabe, regra geral dá m....
EliminarPortanto Stor não diga nada que o cuco aqui não são os oficiais de justiça certamente.
Não sei? Ahahaha Se calhar sou OJ há mais anos que alguns dos que aqui comentam. Não sou é estúpido. Que dificuldade há em fazer sala (é preciso tirar um curso, querem ver?), mexer no citius, fazer conta, correio, etc etc. A lei está sempre a mudar? Vai mudando. Mas a parte que nos interessa facilmente se acompanha. Ou pensam que com o 12.º ano somos sumidades jurídicas? Sabemos aplicar o direito adjetivo e mal e parcamente.
EliminarCoisa diferente são as questões de organização. Sem dúvida que faltam quadros. O que se passa nos tribunais é vergonhoso. Cada vez somos menos e o trabalho não diminui. Se bem que também há quem não mexa uma palha. Enfim, é o que temos!
EliminarAgora estar sempre a querer passar a imagem que trabalhamos em rocket science e quase a compararmo-nos aos magistrados como eu já tenho lido...
Mais um que chumbou nas provas de admissão ao CEJ!...
EliminarNunca pensei seguir essa área. Mas se pensasse em fazê-lo, lutaria para conseguir em vez de me queixar. Devemos procurar melhor quando não estamos satisfeitos.
EliminarUm lugarito num Direcção Geral qualquer ou num gabinete a convite, sem provas de admissão, renegando a sua origem!...
EliminarProvavelmente teria de tirar uma licenciatura e não tenho paciência para isso.
EliminarComentário anónimo de 30-09-2020, 16h59m: Deprecia-se de tal forma que na verdade sim, deverá ter muitos e muitos anos de serviço, esperando apático, a aposentação.
EliminarPouco entusiasmado com o trabalho que faz, está lá porque sim.Sai legislação nova? Estudem e digam-me alguma coisa.
Se fosse assim tão fácil "fazer sala" - só os termos usados dizem tudo - mais fácilmente os Srs.Magistrados nāo teriam reclamações a fazer.
Se sabe aplicar o direito adjetivo mal e parcamente, problema seu, não de muitos Oficiais de Justiça.
Deve ser dos que dizem, não percebo nada disto, pouco quero perceber porque cansa, eles é que estudaram, os Dr(s), e não me pagam para aprender.
Alguma vez ajudou um Magistrado que se enganou, tem um lapso num despacho que V/ detetou (porque não anda por ver andar os outros e lê e estuda) e alertou-o?Ou cumpre cegamente o despacho?
E as atas de audiência de julgamento, correspondem ao que se passou, sendo assinadas de imediato, sem correções do Magistrado?
Pois é.A dificuldade de que fala é essa.Há um trabalho de equipa diário sempre a ser testado e que não é para todos mas que muitos fazem com dedicaçāo.
O novo Estatuto deveria prever uma seleção mais rigorosa de pessoas com capacidades para a função de Oficial de Justiça e isso tem pouco tem a ver com licenciaturas ou 12.ano.-
Estou longe de ter idade para me aposentar. Apenas tenho noção das funções que tenho. Ou vocês nunca trabalharam noutros lados? Não conhecem outras realidades? Os vossos familiares não têm outro tipo de responsabilidades? Acreditam mesmo que o nosso trabalho é complexo? Se calhar, acreditam, mas isso diz mais de vós do que de mim. Acho o meu trabalho simples. Se gosto? Gosto mais do trabalho de secretária do que de sala. Há matérias que gosto mais do que outras. Há dias melhores e outros piores como tudo na vida.Tudo normal. O que eu acho deprimente é considerarem que o nosso trabalho é uma coisa complexa. Em quê? Honestamente? O que é que nós fazemos que uma pessoa com o 9º ano não é capaz de fazer? Quase todos temos o 12º ano, ou seja, habilitações para sermos assistentes técnicos. Felizmente estamos numa carreira especial. Mas considerarmos que fazemos trabalho de responsabilidade? Alguém aqui tem seguro civil por erros profissionais? Não conheço nenhum OJ que tenha. Todos os erros são corrigidos. Conheço pessoas incompetentes que nunca sofreram qualquer sanção pelos seus erros. Muitos colegas nem português sabem escrever sem erros. É uma vergonha. Mas vamos continuar a dizer ao mundo que as nossas funções são complexas... Só são complexas para quem não é capaz de mais.
EliminarSāo funções complexas sim, e é trabalho de muita responsabilidade, que implica muita concentraçāo e nada de distração.
EliminarPessoas incompetentes e que nem português sabem escrever, sem erros, conheço.Concordo que "é uma vergonha", mas a culpa é de quem as admitiu ao serviço de um órgão de soberania, dando uma péssima imagem dos tribunais, envergonhando os restantes Oficiais de Justiça.
Sanções existem, já vi condenações do Oficial de Justiça no processo, por custas.
A este compete o regular e adequado movimentar dos processos.Há cada vez mais atos oficiosos e a prática de atos inúteis é condenável.Há por aí muita gente que em vez de fazer JÁ, porque temos cada vez mais autonomia para isso, diz: " vou mandar ao Juíz" e lá vai mais um termo de " conclusāo" para encher a pasta das " conclusões".
Só a boa vontade, compreensão e bom senso dos Srs.Magistrados faz com que nāo hajam mais sanções.
Também nos Tribunais os outros operadores, nomeadamente os Srs.Advogados, na sua maioria, deixam passar o erro ou omissāo, não havendo queixa escrita, porque também compreendem e sabem que o problema está na seleção das pessoas para os lugares.
Restam as inspeções que por vezes parece que pouco vêem e não há grandes penalizações.
Há outras realidades como fala, também na função pública, essas sim muito menos complexas e onde se espera, com pouco para fazer, que o relógio dê a hora certa para saír. Mas desses também temos alguns por aí nas Secretarias!
Paralisado no tempo?!...
ResponderEliminarPrioridade?!...
Um grande apreço e uma grande estima pelo trabalho” dos oficiais de Justiça?!...
Reconhecimento da dimensão do que é o esforço dos Oficiais de Justiça e a imprescindibilidade deles na construção dos resultados finais da Justiça”?!..
Senhora Ministra, não se reconhece nem se tem estima por "trabalho escravo"?!...
Erradica-se!
14 de junho de 2019:
Autor: Lusa/AO Online
"Em declarações aos jornalistas no final de um encontro com a ministra das Justiça, Francisca Van Dunem, o coordenador regional do Sindicato dos Funcionários Judiciais, António Salgueiro, recordou que a revisão do estatuto profissional dos oficiais de Justiça “já era para estar decidida aquando da reorganização judiciária” e foi remetida para uma próxima legislatura.
Segundo António Salgueiro, os membros do sindicato aproveitaram ainda a visita da governante ao recém-criado Tribunal de Execução de Penas dos Açores para denunciar que aquela instituição “está a funcionar à custa de funcionários que saíram de outros tribunais.
Desta forma, acrescentou, os oficiais de justiça que estão ali colocado "fazem falta noutros lugares”.
Segundo o delegado sindical, esta situação leva a “trabalho escravo, no sentido de trabalho não remunerado que se faz além do horário de serviço”, que é perpetuado “para que o Tribunal da Comarca dos Açores apresente os resultados que tem apresentado e que seja, sem dúvida, um dos melhores do país”.
Em declarações aos jornalistas, Francisca Van Dunem disse ter “um grande apreço e uma grande estima pelo trabalho” dos oficiais de Justiça e reconheceu “a dimensão do que é o esforço deles e a imprescindibilidade deles na construção dos resultados finais da Justiça”.
“Infelizmente, não vai ser possível nesta legislatura rever o estatuto, mas isto não significa que o estatuto fique paralisado no tempo”, prosseguiu, acrescentando que essa revisão terá, “com certeza, prioridade, tendo em conta que tem havido já revisões ao nível do estatuto dos magistrados judiciais e do Ministério Público”.