Para os fins tidos por convenientes

      No final do ano passado e início deste ano, os Oficiais de Justiça viram publicados em Diário da República diversos tipos de louvores públicos dirigidos a diferentes Oficiais de Justiça, especialmente oriundos dos órgãos de gestão das comarcas que, por essa altura, cessaram as comissões de serviço.


      No dia 23FEV, em comentário anónimo ao artigo desse dia aqui publicado, um leitor do Algarve comentava assim:


      «Para quando um artigo sobre a quantidade de louvores atribuídos no último semestre? E analisar a razão da distribuição desses louvores? Urgente apreciar se os louvores são pela competência ou "lambebotismo".»


      Ora, à questão do “para quando”, respondemos que é para hoje e quanto à questão do “lambebotismo”, impõe-se a seguinte explicação:


      É frequente este tipo de apreciação entre Oficiais de Justiça, tão frequente que vêm corroendo as relações de camaradagem entre todos, ao criar fossos e afastamentos por opiniões tão vincadas.


      Apelidar de “graxismo” ou “lambebotismo” ou seja lá o que for, o desempenho a atuação de uns e de outros, seja pelo motivo que for, constitui um grave erro que vem destruindo a camaradagem antes existente.


      Apesar das opiniões nascerem do contexto atual desta insustentável situação de falta de mobilidade na carreira e do nervosismo e da desilusão generalizada, tal estado de espírito não deve conduzir à autodestruição dos próprios.


      Atentemos bem no seguinte: o facto da carreira de Oficial de Justiça servir para tudo e mais alguma coisa, seja para o desempenho de funções nos tribunais e nos serviços do Ministério Público, seja nas mais diversas entidades e diferentes comissões de serviço, sendo sempre escolhidos para tais funções, tantas vezes correspondentes a técnicos superiores, com ou sem cursos superiores, sempre se apreciando as qualidades e as multifacetadas valências, tudo isso não pode ser interpretado como algo negativo, porque o não é, bem pelo contrário, constitui uma mais-valia para a carreira.


      Todas as funções desempenhadas por Oficiais de Justiça acabam por ser muito bem exercidas e são frequentemente objeto de apreciações e manifestações públicas na forma de louvores, porque tais avaliações e louvores são merecidos e porque, de facto, as funções foram executadas com a qualidade pretendida.


      Esta mais-valia e esta polivalência não pode estar constantemente a ser posta em causa por alguns prejudicando todos.


      É urgente assinalar todas essas situações de realce, compilá-las mesmo, para que sejam levadas às negociações a que “habemos de ir algum dia”, como diz o fado, para que se comprove que os Oficiais de Justiça não só constituem uma mão-de-obra extremamente capacitada como o seu desempenho é constantemente valorizado muito positivamente.


      Todos estes excelentes profissionais, constituem uma classe muito digna, plena de esforçados trabalhadores que, em todas as áreas em que têm intervenção, produzem um trabalho ímpar que por todos os que tenham um pingo de lucidez acaba por ser bastante apreciado.


      É lógico que no Diário da República se leiam sucessivas publicações de louvores a Oficiais de Justiça que, desempenhem lá as funções que desempenharem, estão a contribuir para enaltecer a carreira com uma contribuição de facto; real.


      Claro que há exceções mas, como bem se sabe, são precisamente as exceções que acabam a confirmar a regra e esta regra é clara: a maioria dos Oficiais de Justiça exerce as suas funções com grande mérito.


      O Diário da República precisaria de mil páginas para louvar os Oficiais de Justiça, porque os poucos que ali vão saindo ao longo do tempo, são um bom exemplo mas são isso mesmo: ainda poucos.


      Convençamo-nos: não há lambebotismo ou graxismo, há colegas com atuações diferenciadas que contribuem para comprovar a grandeza da carreira. Aplaudamos antes, deixando de prejudicar o coletivo já tão dividido pelas injustiças de uma administração governativa que, graças a tal prejuízo e divisão, vem apenas lucrando e conseguindo eternizar e mesmo aumentar as injustiças que sobrecarregam a carreira.


      Comentários destrutivos da carreira, como o aqui dado como exemplo, constituem um doce alimento da administração governamental.


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Comentários

  1. Lamento não concordar, mas à luz da realidade o que se passa é que a "classe" de oficiais de justiça está pejada de lambe botas, submissos que através de tais comportamentos vão conseguindo lugares de destaque e claro melhor remunerados.
    Por outro lado deixem-se de folclore e acabem com essa coisa esquisita de louvores que não enchem barriga.
    Um cidadão atentento.

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  2. Volto a parabenizar:
    Bem haja este blog!

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  3. Já não é graxismo ou lambebotismo que se diz!!

    Agora é lambepiroquismo ...

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  4. "injustiças de uma administração governativa que, graças a tal prejuízo e divisão, vem apenas lucrando e conseguindo eternizar e mesmo aumentar as injustiças que sobrecarregam a carreira."

    Bem visto! força a este blogue!

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  5. Completamente de acordo com o artigo. Há que destacar o desempenho do OJ, que em regra, é elevado. Deixem-se de mesquinhices e de dores de cotovelo. Os colegas que se encontram nas administrações foram escolhidos pelos Administradores pelo seu valor e se têm louvor é porque merecem.
    Mas isto faz recordar uma outra questão: o nº demasiado elevado de OJs em comissão de serviço nos órgãos de gestão, retirados das secretarias, onde são tão necessários, até pelo seu bom desempenho, senão vejamos: Cada administração terá em média 5 OJs, multiplicados por 23 comarcas = 115 OJs. Desfalcam muitos OJs das secretarias e estes serão os melhores e depois queixam-se que há poucos OJs... Aqui está um bom tema para análise do autor deste blog.

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  6. Concordo.
    Concordo com a ideia de que os louvores se devem à competência dos Oficiais de Justiça que os recebem e nāo se devem a outro tipo se situações.
    Certo é que, no local de trabalho, nāo fazendo alguns, grande esforço para serem bons profissionais, não conseguindo mesmo, por vezes, manter relações cordiais com colegas e magistrados, optam por compensar a sua frustação com a má língua, e qualquer outro colega que seja melhor profissional e reconhecido por isso, é logo apelidado de lambe botas e por aí...
    Trata-se de gente mal formada, que em vez de trabalhar e se esforçar, prefere andar a inspecionar o que outros fazem e a "dar à língua", assim alimentando o chamado "mal de inveja".
    Mas os Oficiais de Justiça saiem da sociedade e nesta às vezes reage-se assim ao sucesso dos outros.
    Conhecem-se bem: andam ressabiados, zangados com eles e com o mundo, falta de empatia com os outros, tudo lhes corre mal, nada funciona bem para eles, tudo está mal, nada se faz ao seu gosto, não ajudam quem está ao lado, lidam bem com mexericos, intrigas, comentários jocosos....
    Sorte tenho de conhecer um ínfimo número destes, dos quais nunca me senti alvo, mas dos quais ouvi muitos comentários sobre outros, no sentido do mal dizer......

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