A nova rotina da nova greve
Terminou a primeira semana de greves diárias, totalizando 5 horas, ou 4 horas mais um dia inteiro, conforme sucedeu com muitos. No entanto, terminou a mesma semana, também para bastantes, com o cumprimento de 0 horas de greve.
É extraordinário como a nova rotina se implementou para tantos, acorrendo diariamente às 10 horas para a entrada do edifício, ali permanecendo toda uma hora, ainda que sejam apenas uma meia-dúzia e vejam tantas dúzias dentro, continuando a trabalhar.
É extraordinário como tantos, mas também tão poucos, resistem e persistem todos os dias na hora de greve, interrompendo o serviço da secretaria, interrompendo as audiências de julgamento e todas as demais diligências.
É também extraordinário como, em simultâneo, outros tantos, ou melhor: muitos mais, nada fazem. Não julgamos ninguém, apenas achamos extraordinário que haja esta divergência.
Relativamente às paragens desta semana, chegaram-nos notícias de que nos primeiros dias surgiram alguns problemas com alguma falta de compreensão por parte de alguns magistrados que prolongaram as diligências mais um pouco para além das 10 horas mas, depois desse arranque, temos notícias de que os problemas cessaram e a rotina se instalou com toda a naturalidade.
Já toda a gente percebeu e aceitou a nova rotina diária e as coisas já se desenvolvem com maior naturalidade e tranquilidade.
Esta aceitação, por parte dos demais operadores judiciários, designadamente por parte das magistraturas, advém da inovação introduzida pelo Sindicato dos Funcionários Judiciais (SFJ), comunicando aos mesmos a motivação da greve e até fazendo uma também inédita distribuição do “Citote” por todos e já não apenas pelos Oficiais de Justiça filiados naquele Sindicato.
Em alguns locais surgiram alguns comentários de desagrado pela iniciativa do SFJ que, para além dos seus associados, distribuíram a revista às magistraturas mas não aos demais Oficiais de Justiça não associados.
Os Oficiais de Justiça não associados ao SFJ não tiveram direito à revista mas os magistrados, igualmente não filiados, receberam a revista.
Neste momento em que a união na ação se mostra tão importante e necessária, teria sido relevante distribuir mais uma meia-dúzia de revistas pelos Oficiais de Justiça não associados, uma vez que esta edição do “Citote” está inteiramente dedicada à greve em curso, isto é, não é uma edição periódica normal mas uma edição completamente focada na greve e para o êxito desta greve contam todos: filiados e não filiados.
Ter-se-á tratado de um lapso, um lamentável lapso, agora já irreparável, e lamentável porque a sua não ocorrência teria constituído o contrário: um ato exitoso.
Esta interrupção horária ao longo de um mês inteiro tem uma grande potencialidade para se constituir como uma ação bastante relevante. Neste momento, a ação já é muito comentada pelas magistraturas, uma vez que a greve está a afetar as suas funções e isso ocorre todos os dias.
Até agora, as diligências eram afetadas um dia ou mais e acabava ali o assunto, os dias seguintes voltavam à normalidade as agora, nesta semana, todos se aperceberam que a normalidade não regressa no dia seguinte, porque no dia seguinte haverá nova paragem.
Estamos perante um novo quotidiano, logo agora que se começava a desconfinar o serviço; a recuperar das paragens provocadas pelo vírus, surge esta greve para voltar a impor paragens diárias e é precisamente neste o momento, com estas circunstâncias, que a greve também se torna também muito mais impertinente; como deve ser uma boa greve.
Portanto, estamos perante um conjunto de situações e circunstâncias muito propícias a que a greve tenha a impertinência necessária para quebrar as grilhetas que ainda prendem os Oficiais de Justiça mas falta um ingrediente essencial: a participação de todos ou muitos mais do que aqueles que esta semana participaram.
Nas redes sociais vamos vendo as muitas fotografias das participações mas a contagem dos participantes ainda não é relevante. É verdade que muitos não estão nas fotografias porque aproveitaram a hora livre para ir tomar café, passear, ver as montras, etc. mas essas ausências ficam muito mal nas fotografias.
Assim, seria muito mais interessante que as fotografias fossem tiradas perto das 11 horas, num momento em que já todos regressam para o serviço, cinco minutos antes, com todos os que aderiram à greve já presentes e que podem ser o dobro daqueles que aparecem fotografados.
Para a próxima semana espera-se a implementação deste método, espera-se uma maior adesão e, com isso, um maior efeito.

A Senhora Provedora de Justiça já se pronunciou sobre a queixa apresentada pelo SFJ?...
ResponderEliminarNão se compreende este silêncio!...
Será que vai ser necessário também colocar um outdoor em frente aos serviços da provedoria?...
O aumento brutal da idade legal da reforma, de que os Oficiais de Justiça foram alvo, violam de forma flagrante, os principios da proteção da confiança, de proporcionalidade eda igualdade.
ResponderEliminarA única classe profissional que viu aumentada a idade legal da reforma em mais de 11 anos, quando a generalidade dos demais trabalhadores o aumento foi de cerca de 5 anos.
Como é que isto foi, e continua a ser possível, num Estado de Direito Democrático.
Princípios fundamentais transformados em meros adereços no nosso ordenamento jurídico?!...