Marçal, Roosevelt e Kant
António Marçal, presidente do Sindicato dos Funcionários Judiciais, escreveu ontem uma carta aos Oficiais de Justiça e disse assim:
«Caras e Caros amigos,
Somos companheiros neste caminho árduo e exigente que estamos a trilhar na defesa da nossa dignidade profissional e, porque somos Seres integrais, e não meros entes que se dividem consoante os papéis que desempenhamos, promovemos a defesa também da nossa dignidade enquanto Pessoas.
Razão porque, não raras vezes, em resposta ao porquê da nossa luta, dizemos “por Respeito”.
Vamos entrar na terceira semana da nossa greve diária de 1 hora.
Esta é a semana crucial!
Temos de fazer um redobrado esforço e irmos à luta. Não sei, como penso que não saberá́ nenhum de vós, se iremos, no curto prazo, alcançar os nossos objetivos. Mas sei, nós sabemos, que a razão nos assiste!
Permitam-me que use, nesta minha missiva, um excerto (em tradução minha...) do discurso proferido em 1901, por Theodore Roosevelt: “Não importa o crítico; não importa aquele homem que aponta como fraqueja outro homem, ou que dizem que os feitos daqueles que ousaram, que o poderiam ter feito melhor. O crédito pertence ao homem que se encontra na arena, ao homem cuja face está manchada de poeira, suor e sangue; aquele que se esforça bravamente; que erra, que se depara com um revés após o outro, pois não há esforço sem erros e falhas; aquele que se esforça para concretizar as suas ações, que conhece grande entusiasmo, grandes devoções, que se entrega a uma causa nobre; que, no melhor dos casos, conhece no fim o triunfo da realização grandiosa, e que, no pior dos casos, se falhar, ao menos falha ousando grandeza, para que o seu lugar jamais seja como aquelas frias e tímidas almas que não conhecem vitória ou fracasso.”
Eu, Tu, Nós, somos os homens e as mulheres que estamos na arena.
Podemos falhar! Mas estamos a ser Pessoas! Por inteiro!
Num Estado de Direito Democrático, e parafraseando a DUDH (resolução 217 A III da ONU em 10 de dezembro 1948) os governantes deveriam lutar contra “o desprezo e o desrespeito pelos direitos humanos” que ultrajam “a consciência da humanidade” e por um mundo em que mulheres e homens gozem de liberdade de palavra, e também da liberdade de viverem a salvo do temor e da necessidade... É nessa mesma Declaração Universal que está consagrado “ser essencial que os direitos humanos sejam protegidos pelo império da lei, para que o ser humano não seja compelido, como último recurso, à rebelião...”.
A nossa luta é Justa, e como tal reconhecida por outros atores do judiciário e, pasme-se, até os Governantes reconhecem que temos razão no que exigimos...
Assim, Caras e Caros amigos, camaradas e companheiros – Uma hora, a nossa hora, são muito mais que 3600 segundos. Como aprendemos com Kant, a Liberdade só se aprende sendo livres, os pequenos segundos da nossa greve não são um fim em si mesmos. Estes segundos que cada um escreve no dia-a-dia, precisam apenas de esperar até que aqueles que ainda terão de enfrentar os seus medos, tenham concluído essa tarefa. Então, sendo muitos mais, será tempo de gritar ao mundo, dando notícia do acontecido: temos justiça para quem nela trabalha! Estamos juntos. Um abraço. António Marçal»

Fonte: “SFJ-Facebook”.
ResponderEliminarApenas porque não somos uma classe unida!
"No, we Kan't"
EliminarWe've wasted a lot of time on unrelated things.
And so we're not going to go anywhere.
Para que é que informamos os nossos nºs de utentes de saúde e de telemóvel há cerca de um mês? Só para mostrarem que estão a fazer alguma coisa? Porque é que os Srºs. Magistrados foram vacinados, e nós, que lidamos com público, não?
ResponderEliminarEnfim...
Consta-se que quem está vacinado não morre de Covid-19...
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