Santarém: O mini e prejudicial plenário
O Plenário de ontem em Santarém reuniu cerca de 10% dos Oficiais de Justiça. Trata-se de uma participação muito modesta, trágica até, uma vez que, num momento crucial como este, que se aguarda há décadas, 90% dos Oficiais de Justiça não compareceram à chamada do sindicato maioritário.
Como já no artigo de ontem referimos, a contabilização do Governo (pelo registo de assiduidade) desta ação que até nem cortava no vencimento, cifra-se na constatação da diferença entre conformados e desconformados e essa diferença é de 90% para uns contra os muito poucos 10%.
Com participações sucessivas desta índole, seja em greves, seja em plenários, a mensagem que os Oficiais de Justiça têm vindo a transmitir ao Governo é que podem aprovar o que quiserem porque são muito poucos os inconformados. Claro que essa leitura do Governo não corresponde à verdade, porque o número real de inconformados é avassalador, no entanto, os números de todas as ações sindicais não transmitem essa dimensão.
Neste sentido, a realização deste plenário acaba por confirmar ao Governo que de facto são poucos os que tomam a iniciativa de se manifestar, ou seja, o plenário acaba por ser mais prejudicial para os interesses dos Oficiais de Justiça do que benéfico. Em face do reduzido número de participantes, que já se sabia com antecedência, para o aluguer dos autocarros, o SFJ deveria ter desconvocado, de novo, o plenário, uma vez que os resultados da participação seriam prejudiciais para a demonstração de força e união que se pretendia passar, passando-se precisamente uma imagem contrária: de fraqueza e de desunião.
Tal como ontem também já referimos, os poucos que participaram detêm, no entanto, uma grandeza enorme, são um número pequeno, 10%, mas são gigantescos, mantendo-se sempre disponíveis para demonstrar a sua irredutibilidade, mesmo fazendo largas centenas de quilómetros.
Igual grandeza e coragem manifestou Salgueiro Maia, na Revolução de Abril, e, por isso, o Sindicato dos Funcionários Judiciais (SFJ) procedeu à deposição de uma coroa de flores em homenagem àquele que, sozinho e apoiado por poucos, não se intimidou, agiu de forma corajosa e determinante em representação de todos.
Em memória desse dia de libertação, houve também distribuição de cravos pelos participantes no plenário.
Quanto à organização, ouviram-se algumas críticas, designadamente, a falta de organização de forma a assegurar todo o tempo do plenário. Para o período das 14H00 às 17H00 deveria ter sido programada uma ocupação de todo esse tempo e não apenas de cerca de hora e meia com duas ou três intervenções mais relevantes. Aliás, a intervenção do presidente do SFJ foi classificada de “morna” por oposição à mais animada intervenção de Manuel Pinto que entusiasmou os participantes.
Por exemplo: com 23 comarcas e uma intervenção de cerca de uns pequenos 5 minutos por cada representante de comarca, daria mais cerca de duas horas de participações, assim detendo um plenário verdadeiramente pleno e muito mais participativo, porque disso mesmo se tratava, de um plenário participativo de todos os Oficiais de Justiça, ouvindo-se as opiniões das comarcas, de norte a sul, de este a oeste e das ilhas.
Sem dúvida que outras ações semelhantes ocorrerão no futuro, pelo que aqui ficam estas observações para que tais ações futuras possam ser melhores e, consequentemente, mais proveitosas.
A seguir ficam algumas imagens que ilustram este dia em Santarém.









Devia ter sido marcado um plenário em todas as comarcas ao mesmo tempo.
ResponderEliminarPor distritos, sem duvida!
EliminarE o pessoal das ilhas que já anda a cerca de uma dezena de anos sem ir para as suas terras junto da família e muitos deles a pedir mobilidade para outros serviços como forma de ficar perto da família.
ResponderEliminarUma classe tão desunida que irá levar ao desta carreira e ao início de uma nova "era" nos tribunais!!
VERDADE! SACRIFICIO QUE NINGUÉM VÊ!
EliminarNão há pessoal das ilhas. Exitem oficiais justiça Madeirenses e Açorianos a trabalhar por todo o país. Não tem direito a viagens para férias nem a mama que tem os que estão colocados nas ilhas e mais 220 euros.
EliminarMas não podemos falar nisso porque há quem tenha medo de perder o subsídio.
Por isso ficam todos caladinhos.
E mais para ir para as ilhas e preciso ser do sindicato e de preferência pertencer a direção do sindicato.
Nem há necessidade de movimento para basta uma cunha na dgaj.
Além de revelar um sentimento muito baixo e rasco este comentário revela também muita ignorância.
EliminarSe não sabe fique a saber que nas ilhas, nomeadamente nos Açores ninguém está a mamar.
Primeiro, está muito mal informado, se quiser concorrer para os Açores seja para que categoria for é muito fácil apanhar uma vaga e não precisa ter cunha na DGAJ nem ser sindicalizado.
Até há pouco tempo era a comarca que mais falta de pessoal tinha portanto não é por aí.
Já agora, informe-se bem do valor do suplemento após tributação.
Depois, se estiver disposto a vir 'mamar' tenha em atenção diversos factores, por exemplo se tiver algum problema de saúde ou filhos em idade de irem muitas vezes ao médico esqueça a ADSE, não há médicos/clínicas convencionados, portanto cada consulta arrota 70/80 euros.
Hospitais existem em três das nove ilhas e a espera por consultas de especialidades é o dobro do continente (esqueça).
Aconselho também a entrar num supermecado para ver os preços praticados e depois veja lá se os tais 220 euros que os colegas estão a mamar não são diluídos muito facilmente.
Até o leite que é produzido aqui é às vezes mais caro.....
Depois se tiver o azar de ter um pai ou uma mãe doente e quiser estar um pouco com eles gasta metade do ordenado em passagens aéreas entre voos directos e ligações com o continente.
Podia falar dos colegas que estão nas Flores onde tudo falta, dos colegas da Terceira e dos preços dos alugueres das casas, da Horta e por aí....
Convinha antes de mandar bitaites infelizes informar-se sobre o significado de uma região ultra-periférica.
Para terminar, dou-lhe razão numa coisa, os OJ's que vivem nos Açores tem medo de perder o suplemento, sabe porquê?
Porque se o perderem não chega....como acontece infelizmente com muitos colegas no continente.
Pelos vistos é um assunto que o incomoda muito.....
Bem explicado, para elucidar mentes tacanhas, sem dúvida!!
EliminarComentário de inveja, apenas.
EliminarMas já agora, quando concorreu para a carreira de Oficial de Justiça não sabia das condições que estavam em vigor, quer para as Ilhas, quer para o Continente?
Era bom saber que sei muito bem o que e viver numa ilha, sei muito bem o custo da insularidade.
EliminarExitem Açorianos e Madeirenses a trabalhar no território nacional querem ir para casa e não tem vaga. Foi o que cá foi dito.
O custo de vida em Lisboa actualmente e superior aos Açores e Madeira.
Paga 300 euros por 1 quarto exíguo em Odivelas. Em Lisboa nem se falam em preços.
A alimentação e cara. Ganhamos apenas 940 euros.
Para ir de férias muitas vezes tenho de desembolsar com 03 meses, ou mais de antecedência valor superior a 500 euros. Por cabeça. Não temos direito a viagem para férias para toda a família.
A questão do ficar calados e que já foi tentado obter o subsídio de mensal a quem está a trabalhar no continente.
E nomeadamente na Madeira ficaram com medo de defender os colegas porque pensaram em perder o subsídio.
Mais para que saiba em 2015, 11 oficiais de justiça ficaram colocados no continente e passados 02 meses já estavam na Madeira.
Prejudicando os restantes próximo a 200.
Recentemente por influências sindicais foi alguém lá parar sem sem sequer concorrer em movimento.
Será que isto não acontece por cunha ou apadrinhamento.
Vergonhoso essa situação! E consequências ? Nenhumas .... Para não falar dos destacamentos... etc.. etc...
EliminarE quanto a promoções a adjunto???? sindicatos pressionam o quê?? há falta deles, não há congelamento no orçamento e porque não pressionam???? está tudo bem de vida é???
ResponderEliminarAquela mensagem " Ó Mario " é de uma falta de nível gritante...é a imagem deste novo sindicato...volta Fernando Jorge ...
ResponderEliminarRealmente, está assim a dar para o labrego.
EliminarNão me revejo nesta linguagem de vão de escada.
Sem elevação, não saímos do que está á vista.
Digo eu.
É um cartaz do tempo e dirigido ao Mário Centeno!!
EliminarReaproveitado no dia de ontem.
Volta Fernando Jorge,?!...
EliminarDécadas de um sindicalismo de entretenimento!..
A diversão levou-nos ao estado a que chegamos.
Ano após anos em perda de direitos e de dignidade.
Os resultados da famosa "bomba inteligente" estão à vista de todos.
Volta???
EliminarEle é que nos colocou aqui.
Não termina hoje o prazo dos vinte dias?!
ResponderEliminarOra aí está.
EliminarE a comunicação social🤔
ResponderEliminarComo passa a imagem para o país🤔
Acabei de ouvir na TSF que o governo propôs aos sindicatos dos polícias o valor mensal de 80 a 100 euros a atribuir a título de subsídio de risco.
ResponderEliminarOs sindicatos não aceitam pois acham o valor proposto muito baixo.
Reinvindicam o montante de 400 euros por mês por ser este o valor justo para dignificar a função.
Pois bem, o nosso novo estatuto propõe-se compensar a entrega, o dever de permanência e a disponibilidade total dos oficiais de justiça pelo valor simbólico de DOIS a TRÊS EUROS POR MÊS.
E se não acreditam no que eu digo, atentem na fórmula que nos é dada no articulado do novo estatuto.
Com efeito, fazendo as contas utilizando aquela fórmula, temos, no meu caso, os seguintes valores:
Vencimento: 1360,00€
10%: 136,00€
X11: 1496,00€
:14: 107,00€
107,00€ x 1,035 = 110,00€
Portanto, no meu caso vou receber a título de compensação pelo cumprimento do dever de permanência a quantia de 107,00€ (que já se recebem mas de outra forma) acrescida do ESCANDALOSO MONTANTE DE TRÊS EUROS POR MÊS!!!!
Sobre isto ainda não ouvi ou li uma única palavra.
É triste.
E de tão triste que é fiquemo-nos, por ora, por aqui...
Muito bem dito
EliminarUma vergonha
Com pão e bolos...
Os slogan "do Mário" e similares, a atitude de afrontamento e "bota baixo" o permanente negacionismo do Sindicato, como se vê e tem visto não leva a lado nenhum. Para quê o Salgueiro Maia?!
ResponderEliminarA proposta do governo é muito má, estamos todos de acordo, mas não teria alguns aspectos que servissem para fazer pontes com o Ministério, e permitir pelo menos reuniões de análise???
ASSIM ESTÁ MELHOR?!
Perdoem-me a minha estupidez e falta de visão mas é o meu entender - e se calhar de muitos- como se pode perceber pela falta de apoios e de mobilização na classe. Só os dirigentes dos Sindicatos e poucos mais alguns é que não veêm.
Parem. Reflitam. Mudam a agulha. Basta.
Que figuras Tristes aqueles discurssantes do plenáriozito!
ResponderEliminarUma autêntica Vergonha para a classe!
Onde anda o soj?
Eliminar