Hoje é o melhor dia para casar

      Segundo o Quim Barreiros o dia de hoje é o melhor dia do ano para casar, e porquê? Diz ele porque depois entra agosto (a gosto). E sobre isto tem uma famosíssima canção que diz assim:


            «Qual é o melhor dia para casar,
              sem sofrer nenhum desgosto?
              É o 31 de julho, porque depois entra agosto.»


      E perguntam os leitores: mas numa página que aborda assuntos de interesse para os Oficiais de Justiça, o que raio faz aqui uma canção do Quim Barreiros?


      Porque hoje é, de facto, 31 de julho, porque amanhã entramos realmente no mês de agosto e porque aos Oficiais de Justiça tudo corre, ao contrário da canção, a contragosto.


      Os Oficiais de Justiça chegam a este final do mês de julho questionando-se que conquistas obtiveram nesta primeira parte do ano, antes das férias de verão, ou mesmo nos últimos anos. Chegam à inevitável conclusão que nada conquistaram e que nem sequer se mantiveram na sua instável situação, desde logo porque acabaram de perder a greve isenta de serviços mínimos que perdurava há 22 anos (a greve do SFJ de 1999 após as 17H00) que se vê agora atacada por serviços mínimos que são, na realidade, máximos, isto é, que permitem que tudo suceda como se não houvesse greve.


      Não nos cansamos de o repetir: nunca se viu nada assim em tempos de democracia, desta já com quase 50 anos, verificando-se um nítido retrocesso civilizacional, perigoso, por astuto, por traiçoeiro e por ser concretizado por vendidos.


ElefantesCasamento.jpg


      O Sindicato dos Funcionários Judiciais (SFJ) acaba de sofrer um duro golpe na sua ação, ao perder, de uma cajadada só, duas greves, sendo uma delas histórica e emblemática.


      Perante estas perdas, o SFJ lançou informações sindicais e, ontem mesmo, na última, lia-se o apelo, logo em título: “Apelo a todos os Oficiais de Justiça”, nos seguintes termos:


      «Estimados colegas,


      Perante o ataque ignóbil que nos está a ser dirigido pela Tutela e, tendo-nos manietado no efeito útil da greve decretada para 2 e 3 de agosto, apelamos a todos os Colegas que durante esse período vistam as camisolas pretas distribuídas por este Sindicato e, se declarem em greve, mesmo sob a circunstância de terem de assegurar os serviços mínimos.


      Tal mostrará o desagrado de toda uma Classe e, acima de tudo, mostrará que não baixa os braços à luta perante as adversidades que forças maiores lhe impõem.


      Mais informamos que outras ações de luta se seguirão.


      Não ficaremos parados até atingirmos os objetivos de uma Classe, sofredora, mas tenaz!


      Este Sindicato só vai parar no dia em que os atingirmos, disso podem estar certos!


      O trabalho tem sido árduo, mas isso não nos demove. A cada pedrada que nos atiram, aproveitamos para ficarmos mais fortes!»


      Alguns dos leitores desta página costumam comentar periodicamente afirmando que a página se dedica a elaborar crítica negativa do SFJ e que é esse o seu único objetivo ou obsessão. Dizem-no e repetem-no vezes sem conta, mesmo quando explicamos, tantas vezes, que é mentira e que as publicações diárias demonstram precisamente o contrário, isto é, que as críticas que não agradam a alguns ocorrem quando são necessárias, ocasionalmente, e se ocorrem mais ou menos vezes é porque nessa precisa proporção são necessárias perante aquilo que temos diante dos olhos abertos.


      Este apelo do SFJ é um apelo desesperado, apressado, realizado num momento terrível deste “ataque ignóbil”, como bem refere o SFJ, num momento de stresse e, por isso, talvez por isso, saiu assim tão mau.


      E é mau porque apela a um enfiar de camisolas pretas como reação à monstruosa destruição de duas greves, sendo uma delas uma sobrevivente de 22 anos, uma bandeira e um símbolo de resistência e de salvaguarda dos Oficiais de Justiça.


      Haverá muitos Oficiais de Justiça que seguirão à risca esta instrução folclórica, porque disso se trata, porque uma reação a sério, firme, decidida e imediata, não é nada disto.


      A decisão arbitral, o acórdão 6/2021, está datado de 27 de julho, tendo tido o SFJ conhecimento desta decisão nessa mesma data.


      Três dias depois – e não no mesmo dia – a reação ao “ataque ignóbil” dá-se com um enfiar de camisolas prestas que é um verdadeiro enfiar de barrete.


      No apelo de ontem, diz o SFJ ainda isto: «Mais informamos que outras ações de luta se seguirão.» Esperemos que não seja o enfiar de mais nada nem que seja a ainda aguardada “bomba atómica” ou “bomba inteligente” ou a “luta dura e longa”, há tanto tempo prometida e que nunca chegou.


      Em três dias, o SFJ – o maior e mais representativo sindicato dos Oficiais de Justiça – tinha a obrigação de vir indicar aos Oficiais de Justiça novas e imediatas ações de luta e não um mero enfiar de camisola acompanhado da promessa de que se seguirão “outras ações de luta”.


      Era tempo mais do que suficiente para uma estrutura desta dimensão e com tantas valências e pessoas a ela dedicada, reagir com mais celeridade, indicando já e para o curto prazo as ações de luta, as ações judiciais e ainda as ações para provocar ações judiciais, isto é, para se poderem propor procedimentos cautelares e processos afins, de qualquer jurisdição, a par de outras ações judiciais como, por exemplo, a indemnizatória pela demora de toda uma década na resolução da subida automática de escalão, porque não basta pagar o que é dívida, é necessário compensar também as vidas de todos os Oficiais de justiça que durante todos estes muitos anos estiveram privados da adequada e justa retribuição mensal pelo seu trabalho diário.


      Com um Governo deste calibre as reações não se anunciam para depois, levam-se a cabo no mais curto espaço de tempo possível; reage-se imediatamente e com todo o vigor, com ou sem camisola preta vestida por alguns em algumas secretarias.


      Não podemos deixar de realizar esta crítica ao apelo do SFJ, apelo este que deveria ser um apelo a essas tais ações de luta, ainda que não se realizassem imediatamente, porque há prazos legais de antecedência a observar mas desde já anunciadas.


      Por outro lado, a ação das camisolas pode criar algum impacto se for bem utilizada e objeto de chamada de atenção aos jornalistas, oportunisticamente com a entrega das listas dos candidatos que forem mais mediáticos. E este aproveitamento tem que ser feito, sob pena de a atenuação da depressão dos Oficiais de Justiça perante o “ignóbil ataque”, apenas com o vestir da camisola, se perca nas profundezas do sítio para onde vão estas coisas que se perdem, sendo certo que na secção de perdidos dedicada aos Oficiais de Justiça, já transborda o espaço com tantos perdimentos.


      Assim sendo, aqui fica o contra-apelo para que este Sindicato decida com a maior brevidade que outras ações de luta vai encetar no curto prazo e no imediato. O contra-apelo vai ainda no sentido de convidar a outra estrutura sindical representativa de Oficiais de Justiça a agir também contra este “ignóbil ataque”, não comunicando apenas as ações mas decidindo-as em conjunto, para o efeito, reunindo imediatamente.


      Acaba-se o mês e entra agosto, ou a contragosto, porque se mantém a mesma impossibilidade de tantos Oficiais de Justiça na flor da idade, casarem e terem descendência para, contribuírem para a segurança e garantia do sistema.


      Se o dia 31 de julho é o melhor dia pata casar, não será certamente o deste ano nem sequer foi o de anos anteriores, porque nunca nada entrou a gosto.


HomemVomito.jpg


      Fonte: “Info-SFJ-30JUL2021”.

Comentários

  1. Todos nós sabemos que este sindicato forte, se tornou fraco. Não são os números que contam, mas as ações, que se fazem.

    Perderam a confiança dos sócios, porque alguns dos órgãos da sua direção de preocupam apenas com a sua barriga. Ganharam conhecimentos na DGAJ e ambos em conjunto conseguem violar as normas de um estatuto que ajudaram a negociar, para favorecer alguns ou algum membro dos seus órgãos sociais. Este sindicato precisa de uma purga em toda a sua linha. E era bom que existi se o mais rápido possível.

    Quando a greve acho que só poderia surtir alguns efeitos práticos se fosse decretada a nível geral.
    Mas tendo em conta que a maioria dos colegas está de férias, também acho que não teria efeitos práticos.

    ResponderEliminar
  2. SFJ, mais do mesmo, não sabem e não querem ou, não querem s não sabem,
    Perdoai-lhes que eu não posso, pois não pactuo com a opacidade, com a falta de transparência, com a preguiça, com a preguiça, com a preguiça...

    ResponderEliminar
  3. Ninguém aceita ou sequer acredita que sindicatos de oficiais de justiça, trabalhando na área da justiça, não tenham conhecimentos jurídicos, ou acesso a quem os tenha, para usando os meios legais, poderem contrapor com estes ataques da tutela.

    Eu vou ser mais contundente que o artigo.

    No dia 1 de Agosto podem-se retirar mascaras em algumas situações, abre-se muita coisa.

    Como resposta o SFJ propõe:

    Tudo no local de trabalho, de mascara na cara e vestidos de igual e de preto, de rabinho para o ar, vêm ai magotes de políticos para fazerem festas. Só não diz se é para por uma luz vermelha na porta.

    O SOJ, exemplifica, come e cala.

    Toca a abrir é preciso é abrir. Por isso vamos fazer a vontade ao António porque como diz o Quim "entra Agosto" e o Timão "só uma não doi".
    A dona da casa a "Chica" que não é da Silva é que sabe.

    O problema que já são muitas, durante muito tempo, sempre com a mesma música.

    Etá na hora de vir o malhão, os pauliteiros de Miranda e ir tudo dançar a chula.

    Já chega de Cabeçudos e ir tudo num corridinho.











    Ponham lá as tshirt's pretas

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Para ajudar vai uma ideia, em vez de T-Shirt vão de lingerie preta, tem mais cobertura mediática.

      Eliminar
  4. Acerca da greve de 99, ainda não consegui perceber se 'perdermos', como é dito, a mesma para esta greve ou se a perdemos para todo o sempre.
    Ninguém é claro e está instalada a confusão, pelo menos para mim, que não consigo perceber nas entrelinhas.
    Alguém que consiga explicar, p. favor?

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Como o aqui disse há dois ou três dias, greves em férias só geram confusão. A resposta era dada em finais de agosto, com greves contundentes marcadas para depois de 15 de setembro, com os OJ a marcarem os calendários e a não serem conduzidos, por tutela e sindicatos, como carneirada 😡

      Eliminar

    2. À greve de 1999 nunca poderão ser aplicados serviços mínimos.

      Leis com aplicação rectroativa só em benefício!

      O colégio arbitral, presidido pelo mesmo de quase sempre e que é colega de carreira da ministra, embora aposentado continua a ser passível de censura e acção disciplinar.

      Viola a Lei e faz tábua rasa das decisões de Tribunais superiores!

      Os sindicatos há muito deveriam ter participado disciplinarmente daquele sr. dr. ao CSMP.

      Porque não o fizeram? Perguntem-lhes!

      Eliminar
    3. Anónimo1/8/21 09:28

      Os sindicatos são coniventes tendo por base interesses difusos. Só pode. Perante tanta sindical subserviência e habitual inoperância incapacitante.

      Contratem o Dr. Garcia Pereira e avance-se com os respectivos pedidos de responsabilidades extracontratual dos agentes do Estado e subsequentes trâmites.

      Só assim os OJ se sentiriam bem representados pelos seus sindicatos os quais, de outra forma, não aparentam ser mais do que sorvedores de 500000€/ano em quotas em, assim, aparente benefício próprio.

      É que é muito dinheiro obtido para nenhuma ou tão pouca produtividade ao longo de mais de vinte anos!

      Tal provoca, no mínimo, estranheza.


      SFJ e SOJ, sem medos, coloquem os interesses dos OJ em primeiro lugar!

      Avancem com a avença ao Dr. Garcia Pereira e irão ver os resultados rapidinho, rapidinho, a todos os níveis!

      Eliminar
  5. Nunca vi nada igual a isto!

    SFj, SOJ e todos os Oficiais de Justiça têm que se unir e encontrar formas de luta contra este ataque despedurado, a uma classe profissional, que tudo tem dado em prol do estado de direito democratico, para garantir, 24 horas por dia, os direitos liberdades e garantias dos cidadãos em geral.

    Esquecidos, marginalizados e sujeitos a medidas de coação laboral até quando?!...

    Com decisões destas, o estado de direito democrático e o principio da legalidade está ameaçado e não pode ser agora, que lhe vamos virar as costas.

    Endurecer a luta, é a única forma de o fazer.

    Antonio Marçal e Carlos Almeida agendem urgentemente uma reunião, para analisar este ataque despedurado aos direitos liberdades e garantias dos Oficiais de Justiça e encontrar uma estratégia conjunta de reagir contra ela!

    Juntos vamos encontrar a "bomba inteligente" e desmascarar muita gente, que adorna os seus discursos em intervenções políticas, com chavões de combate à discriminação, defesa dos princípios da legalidade da igualdade, da proporcionalidade e na defesa de um Estado de Direito Democrático.

    Com os pareceres do CSM e do CSMP sobre o novo projeto de Estatutos, os Sindicatos deviam subscrever um documento conjunto, dirigido às entidades com competência para pedir a fiscalização abstrata sucessiva da constitucionalidade, designadamente ao Senhor Presidente da República, Procuradora Geral da Republica e Provedora de Justica e perguntar o seguinte:

    Se no novo projeto de estatutos a norma de dever de permanência, se mantém nos precisos termos do estatutos em vigor, porque razão nunca pediram a fiscalização abstrata sucessiva da inconstitucionalidade desta norma em vigor!

    Porque razão tiveram a mesma omissão, relativame te a fórmula estatutária relativamente concurso lara Secretários de Justiça e já agora porque nada fizeram, relativamente ao aumento desproporcional da idade da reforma dos Oficiais de Justiça, em que princípios com o da proteção da confiança, igualdade e proporcionalidade foram flagrantemente violados!..

    Cumprir e fazer cumprir a Constituição e a Lei tem este ónus, e com pareceres como aqueles que citamos legitima questionarmos estas instituições.







    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Muito bem, haja vontade dos nossos representantes de fazer algo para além de bocejar

      Eliminar
    2. Digo "despudorado"

      Eliminar
    3. Muito bem, apoiado a 100%. Força, foco e fé.

      Eliminar
  6. Anónimo1/8/21 09:07

    Nem dinheiro tenho para a boda,

    Por isso, sou mais um OJ amancebado.

    800€/mês, com o dever de disponibilidade a qualquer hora de qualquer dia ou de qualquer noite. Sem qualquer compensação das mais de 40 horas extra que fiz este mês!

    Contudo fui aconselhado a requerer o pagamento das mesmas em mapa próprio, devidamente detalhado e com referência à gravação de vídeo vigilância das minhas entradas e saídas, já que a DGAJ se recusa a implementar o registo biométrico de ponto, andando eu a assinar soltas folhinhas de papel.

    Consoante a música a dança evoluirá para valsa.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Anónimo2/8/21 09:38

      É bom que aprendas a dançar, mesmo!!
      E o ritmo, não és tu que o escolhes, certamente.

      Eliminar
    2. Anónimo5/8/21 14:15

      Hummm,

      Não concordo!

      O ritmo será o meu!

      Querem ver que me vão bater?

      Eliminar

Enviar um comentário