Mais um relato das vicissitudes da vida real de um Oficial de Justiça

      Hoje vamos relatar mais um caso da vida real dos Oficiais de Justiça.


      Depois dos relatos anteriores, que aqui temos vindo a divulgar, recebemos uma comunicação de um Oficial de Justiça que começava assim:


      «Considero importante divulgarem a vida real dos Oficiais de Justiça, pois pensei que fosse o único a ter várias atividades.»


      Não, não é o único a ter várias atividades, se calhar únicos e raros serão, pelo contrário, os que não têm, pelo menos, mais uma atividade.


      Tempos houve em que a profissão era bastante mais compensatória do que outras, não só em termos remuneratórios, comparativamente com outras (dos setores privado ou público), como também na possibilidade de progressão na carreira e uma mais rápida chegada à aposentação.


      Nesses tempos, não era invulgar a chegada aos tribunais de funcionários públicos vindos de outras áreas da função pública, precisamente ao contrário do que hoje sucede em que o vulgar é ver os Oficiais de Justiça a sair para outras áreas da função pública.


      Não saem, no entanto, aqueles que podem compensar a remuneração com outras atividades, acrescentando o reforço que lhes faz falta.


      Vamos ao relato deste leitor, devidamente identificado, com domicílio na zona centro do país. Diz assim:


      «Há cerca de dois anos tive um acidente de bicicleta, bateram-me por trás, causando-me lesões na coluna e nas ancas, agravando-me alguns problemas. Mesmo com dores horríveis, andei a trabalhar de 2019 a 2021. Chegava a agarrar-me aos muros para chegar ao meu transporte ou a andar de muletas (não podia ficar de baixa pois não conseguia pagar as contas).


      Exerço funções no Serviço Externo e obrigavam-me a, uma vez por semana, fazer videoconferências (7h), mesmo sabendo que não conseguia estar sentado mais de 15 minutos. Nas noites desses dias não conseguia dormir com as dores, mesmo tomando medicação forte.


      E realizava essas funções apesar de ter uma declaração do médico do trabalho, que dizia que beneficiava da alteração de postura frequente, pelo que deveria realizar as minhas funções de sempre, ou seja o serviço externo.


      Finalmente, este ano de 2021, tive que ser operado de urgência à coluna e posteriormente fui operado à anca (já gastei quase 3000 € em operações pois o SNS não tinha capacidade de resposta), tendo esta última me causado muitas mazelas nos nervos da perna que ainda não recuperei. Pelo que seguidamente serei novamente operado à anca.


      A minha esposa está a estudar na Universidade Católica (468 €), pois como é psicóloga brasileira, é a única forma de poder exercer no nosso país. E como esteve um ano sem documentação (devido ao não funcionamento das instituições públicas), não podia exercer qualquer atividade. Além disso, tenho uma filha de 6 anos.


      Assim, exerço as funções de administrador de condomínios, para conseguir comer e pagar as contas, pois, como estou de baixa, recebo 800 € (no ativo recebo 1000 €, salário idêntico ao que recebia em 2010). Mesmo quando saio do hospital com dores horríveis, tenho que trabalhar.


      Tenho 9 anos de formação universitária (licenciatura, mestrado, pós-graduação, etc.), laboro há 21 anos como Escrivão Auxiliar. Realizei a prova para Secretário de Justiça mas não consegui colocação. A pessoa que exerce as funções de Secretário de Justiça do meu local de trabalho teve classificação mais baixa do que a minha…


      É degradante ser Oficial de Justiça; não se aplica nenhuma lei da higiene e segurança no trabalho (não há espaço suficiente, fios pelo chão, tacos descolados, lâmpadas fundidas durante meses, sendo que a iluminação é deficitária pois está a cerca de 3 m de altura; casas de banho avariadas há mais de 1 ano, sendo que as condições das mesmas são dos anos 50, etc.), a que acresce ser chefiado por incompetentes (os lambe-botas que foram colocados nas chefias sem concursos), a par de programas informáticos sempre com problemas, servidores sem capacidade...


      Temos tantos deveres para um salário miserável. Uma amiga cabeleireira a trabalhar para uma firma ganha o mesmo que eu. Os trolhas que trabalharam em minha casa ganham mais 400 que eu e são funcionários de uma firma...


      Quando o salário mínimo passar para 700 €, possivelmente em janeiro, e como estão isentos de impostos, têm direito a apoio judiciário, creche pública e muitas vezes habitação camarária, talvez seja melhor abdicarmos de parte do salário ou irmos trabalhar como assistente operacional...


      Se soubesse o que sei hoje, teria montado o meu escritório de advocacia, pois os mais incompetentes dos meus colegas, ganham, no mínimo, o dobro de mim.


      Desculpem os desabafos, mas o dia mais feliz da minha vida seria quando me despedisse, por não necessitar mais de esmolas do Estado para trabalhar assim.»


      [ Nota: Gostaríamos de conhecer a realidade de muitos Oficiais de Justiça, por isso, quem souber e quiser partilhar o seu caso (ou de alguém), passado ou presente, ou a sua situação vivida ou a viver, pode fazê-lo para o endereço geral desta página: OJ@sapo.pt – A forma final do artigo é previamente acordada e o anonimato total é garantido.]


PedraEmCima.jpg

Comentários

  1. Caro colega.
    Admiro a sua capacidade de luta que será - certamente - recompensada.
    Desejo sincero de saúde e felicidades para si e a sua família.
    Melhores dias virão, decerto!!
    Você foi mais um dos milhares de enganados, quando entrou para isto.
    Forte abraço !!

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  2. E então colegas como eu, que andam deslocados há anos longe de casa, e nem dinheiro para uma passagem área (ilhas) para ir junto da família durante o período de férias tenho!!!

    Nem vou-vos relatar o que a minha vida o que tem sido durante estes últimos anos, pois dava um livro.

    PORRA DE Profissão QUE É ESTA!!! Pois não arranja soluções para as pessoas que estão deslocadas e longe do seu seio familiar!!!

    Agora falam dos edifícios e nós somos o que ?? NÚMEROOSSS!!!!

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    1. Não sei se somos da mesma ilha, mas o mais ridículo é que se for ao contrário, (continentais colocados nas ilhas) têm esse direito....
      É, no mínimo, ridículo!!!!!
      Vou a casa apenas 10 a 15 dias por ano.. infelizmente, não dá para mais.....

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  3. Antes de mais, parabéns ao blog e que dá voz a tantos de nós que - e sem uso de artificialismos de palavras - estamos numa das profissões mais mal remuneradas do país tendo conta as competências, exigências e responsabilidades! Esta parte final quase daria título para um livro...

    Quanto ao colega, força nisso.
    Esse tipo de problemas na coluna são, pelo que sei, bastante difíceis de suportar. E as dores não abalam ou iniciam quando se inicia o trabalho. São constantes!

    Ter o desejo de um salário condizente com o que se faz e atura todos os dias, muitas vezes (demasiadas) sem saber a que horas se vai sair, não pode nesta altura ser visto como uma exigência sem sentido.
    Bem pelo contrário, pois parece-me da mais elementar justiça haver para com os Oficiais de Justiça uma rápida revisão daquilo que auferem. Sim...e com isto não posso deixar de me lembrar dos que trabalham nas Conservatórias e do que conseguiram.

    Ter dinheiro para pagar as contas, ter o direito a viver sem apertos no final do mês por causa da imensa 'fatia' que fica para a renda da habitação (Lisboa então é de fugir neste tocante!!!), ter direito a tempo em família sem estar a ligar a dizer que se vai chegar mais tarde, etc, etc...merecia um olhar atento por parte do Ministério da Justiça.

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  4. Fazendo uso do maior espaço de liberdade da comunidade Oficial de Justiça, vou deixar aqui a minha história:

    - entrei para os Tribunais em finais da década de 90 tendo, logo após, aderido ao SFJ.

    Passados alguns poucos anos "deitei-me abaixo" por que verifiquei que afinal o sindicato para pouco ou nada serve, pois não tem força absolutamente nenhuma e a tutela faz de nós o que quer.

    E agora tenho de regressar ao trabalho, mais logo continuo.

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  5. Força ao colega! e sem dúvida que não é fácil nesta profissão em que fomos e somos enganados! com ordenado quase de varredor de rua, pelo menos os que não conseguiram anos a fio promoções! mal se ganha para viver pagando rendas de casa

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  6. Só venho aqui relembrar que a nossa tabela salarial é a mesma desde há mais de vinte anos!!

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  7. É só para dizer que a quota que é paga para o sindicato dos trabalhadores dos impostos, entre outras coisas, inclui um seguro de saúde que compensa os valores que a adse não comparticipa e que, para além disso, ainda têm um fundo de greve.
    Em 2019 viram revistos os seus estatutos, os quais melhoraram as condições salariais e as da própria carreira mantendo o vínculo de nomeação e alcançando o grau de complexidade de nível 3.

    E é isto, não passamos de uns simples funcionários de secretaria e assim vamos continuar pois o importante agora é denunciar o estado de conservação do edifícios.

    NOJO...

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  8. Este e outros relatos de vida profissional devem chegar ao conhecimento do Presidente da República, de comentadores políticos (dos que têm muita audiência semanal, do género Marques Mendes _ não interessa a côr política, o que interessa é fazer desandar esta situação horrível em que se encontram os OJ-) da Rádio Observador ( O Júlio Magalhães costuma interessar-se por estes casos, mas tudo tem de ser bem explicado: correspondência entre tempo de serviço e ordenado, etc) Por exemplo, esta plataforma poderia juntar alguns depoimentos e, com a devida autorização dos seus autores, enviá-los para as entidades referidas ou outras... . Esta situação tem de ser tornada pública e este exemplo é flagrante!
    Formação de uma Plataforma Sindical da Justiça? Sim!! Ganha-se força, há interação de estratégias.
    Os OJ licenciados, com mestrados, etc devem formar uma comissão e exigirem ser ouvidos pela ministra ou entidade sua representante.Não são os únicos. Os professores também o fizeram em seu devido tempo.
    Deve ficar registado no novo estatuto a exigência de licenciatura para os novos OJ. Só desta forma esta classe pode passar a ter
    mais respeito da parte da tutela.

    mais consideração da parte da tutela.

    Os OJ

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    1. Sua Exa. PR, dado o seu curriculum nos media e capacidade pessoal acima da média, já disso saberá.
      Contudo, o que não se entende é a ausência de punição para quem, constantemente, viola as leis do Orçamento de Estado.
      "Lá vamos, cantando e rindo", quase 48 anos depois.

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    2. MAGISTRADOS SÃO SILENCIADOS PELOS ORDENADOS E RENDAS DE CASA QUE AUFEREM

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  9. Já alguma vez viram a ASJP e o sindicato dos Magistrados do Ministério Público concentrarem as suas reivindicações na melhoria dos edifícios?!...

    Os resultados estão à vista e falam por si.

    Uma caravana de "arquitetos" para um engenharia da desgraça!...

    Já agora disponibilizem também um formulário para aferir o grau de satisfação dos Oficiais de Justiça com esta inositada estratégia desenvolvida pelo SFJ.


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  10. Este espaço tem servido (induzido ou não), para apreciações negativas para tudo o que são iniciativas do SFJ. Se se faz ou não, tudo é alvo de crítica negativa. Carago, digam lá quais as iniciativas que devam ser tomadas (para além das ações em instâncias internacionais, as quais já estão em desenvolvimento). Especifiquem. Digam em concreto, para além das greves. Ou estarão à espera da votação das propostas em AR para atribuírem "vitórias"?! Sr. Oficial de Justiça, aproveite este espaço para mobilizar todos os Colegas. Isso é que era de valor...

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    1. Não, este espaço não tem servido para isso; tem servido para tudo e para muito mais, designadamente, para que todos obtenham informação e se pronunciem como bem entendem. Há quem se pronuncie num sentido, outros noutro, uns são incendiários, outros são bombeiros, mas o que fazer? Censurar aqueles que dizem coisas de que não gosta? Deixar só os "bons" comentários, da "gente boa"?

      Quanto ao apelo de aproveitamento deste espaço para mobilizar todos os colegas, é precisamente isso que se vem fazendo há muitos anos e isso é que é de valor. Este espaço tem servido de "porta-voz" dos sindicatos e em especial do SFJ, não só divulgando as suas iniciativas, mesmo até antes do próprio, e tem conseguido mobilizar muitos Oficiais de Justiça para as iniciativas de luta, como as greves decretadas pelo SFJ. Quem não consegue ver isso, basta que tire os antolhos e isso, sim, é que era de valor.

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    2. Editem um vídeo com todas as intervenções públicas da Senhora Ministra da Justiça relacionadas com as reivindicações dos Oficiais de Justiça (as contradições da Senhora são mais do que evidentes)

      Contratem um escritorio de advogados especializado em direitos laborais e constitucionais.

      Falem com o Presidente da República (na página oficial da Presidência da Republica existe um espaço para esse fim) dando-lhe a conhecer o projeto de estatuto que nos é apresentado para negociação apesar de todos os pareceres demolidores acerca da sua inconstitucionalidade.

      Não se esqueçam que o autismo político, que os atuais responsáveis do Ministério da Justiça têm demonstrado, pode culminar na aprovação de um diploma final muito proximo do projeto de estatutos que nos é apresentado. Mas para entrar em vigor têm que ser promulgados pelo Presidente.

      Antecipem-se para que a desgraça não aconteça!...

      Eliminar
    3. Usem os Sindicatos os 750000€/ano em quotas amealhados para contratar um bom "Garcia Pereira".

      Para fazer processar a responsabilidade dos agentes do incumprimento constante das Leis do Orçamento de Estado e tal publicitar nos media com os respetivos nomes, sejam eles Ministros ou Secretários de Estado, ou até o próprio Estado.

      Perderam um bom momento. O período eleitoral. Aqui sim, tinham uma "bomba atómica" nas mãos prestes a detonar.


      P. S.

      Uma alteração estatutária sindical que impeça seus membros de qualquer filiação ou intervenção política nacional, isso seria a cereja no topo do bolo.

      Ainda, um fundo de greve.


      Mas, 750000/ano em quotas não chegam!


      Existe uma expressão no norte, por onde a "caravana do amor" vai passar que reza assim :

      "Vão dar banho ao cão" e limpem os ouvidos, pois só ouvem o que querem e fazem o que querem!

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    4. cONTINUEM O BOM SERVIÇO! OBRIGADO SINCERO A ESTE BLOGUE

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    5. Elogio em boca própria é vitupério!

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  11. Lamento muito o acidente e a situação actual da profissão, que a quase todos desgasta e prejudica, quanto ao resto, que textozinho mais ridículo e que deixa ver tanto nas entrelinhas e não é preciso ser psicóloga. 20 anos de serviço externo? Já agora, em carro próprio não é? Sempre se compõe o vencimento. Deu jeito nem tentar a promoção, andar no serviço externo, dispôr do tempo para poder andar a estudar e depois ir logo para o topo da profissão. E os outros é que são lambe botas, incompetentes e oportunistas. Destes conheci e ainda conheço muitos, são sempre eles as vítimas, depois quando a coisa azeda ou quando é preciso fazer mais qualquer coisa, baixas e mais baixas e os que lá andam que se aguentem. Acresce que um dos erros da profissão, foi ter integrado os oficiais de diligência como oficiais de justiça.

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    1. Concordo plenamente.
      Tanta formação e ainda não consegui sair de OJ para qualquer outra profissão da FP com melhores condições ???
      Parece um pouco estranho ter um secretário com nota inferior, não vai ser abrangido pela acção que os outros colegas interpuseram ganharam ????
      Com tanta formação já deveria ser magistrado, ou mesmo assessor, como muitos colegas que no mês passado tomaram posse.
      Apenas há que lamentar a doença, mas mesmo os seus contornos parecem ter algo mais ...

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  12. Ao ler o "desabafo" do Colega supra, identifiquei-o de imediato, apenas não o identifico agora porque me apraz respeitar o direito ao anonimato. No mais, não é por se escrever anónimamente, que se dá ao direito de "ofender" a chefia . A este Sr.Funcionário , foram-lhe dadas várias hipóteses de serviço que sempre regeitou, apenas alegando que só quer fazer serviço externo... que o obriga a andar muito tempo a pé, a fazer esforços de entrara e sair do carro, dado qAgora com a divulgação do seu 2º emprego,

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    1. Agradeço este comentário não seja publicado ,dado que por lapso o introduzi, sem correção de ortografia e, por não se mostrar completo.

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    2. Como ia dizendo , retomo o comentário de forma correta:

      Ao ler o "desabafo" do Colega supra, identifiquei-o de imediato, apenas não o identifico agora, porque me apraz respeitar o direito ao anonimato. No mais, não é por se escrever anonimamente, que se dá ao direito de "ofender" as chefias . A este Sr. Funcionário , foram-lhe dadas várias hipóteses de serviço que sempre rejeitou, apenas alegando que só quer fazer serviço externo...... que o obriga a andar muito tempo a pé e, a fazer esforços de estar constantemente a entrar e sair da sua viatura própria (dado que declara a possuir e efetuar o serviço com a mesma, sendo ressarcido de kms nos termos da Lei).Talvez agora, ao declarar que tem outro emprego se entenda o porquê desta opção. Igualmente não corresponde à verdade que fosse obrigado a estar 7 horas seguidas sentado na sala de videoconferências (uma por por semana como demais Colegas) e, neste serviço pode levantar-se e sentar-se muitas vezes!!!!! Mesmo assim lhe foi trocado o dia e, posto no seu lugar outro Colega, com a condição de ficar esse dia internamente na Secção , fazendo o serviço que o Colega faria, o que também recusava, apesar de lhe ser constantemente dito que poderia levantar-se e até caminhar, sempre que necessitasse fazê-lo, o que igualmente não lhe agradou, insistindo apenas na realização do serviço externo....Do seu relatório médico pode ler-se que este Sr .funcionário, não pode andar muito tempo a pé...não pode estar sentado muitas horas seguidas e, não pode fazer esforços.....!! Embora , com muita pena, tenha consciência das dores que o mesmo possa ter, perguntu-me se o mesmo tem robustez física à data, requerida pela n/ função.!! Foi ainda realizada uma reunião com a gestão a fim de lhe encontrar um lugar dentro do Tribunal , que melhor servisse a sua saúde atual, uma vez que o mesmo não pretendia meter baixa médica. Foi encontrado um lugar onde o mesmo poderia estar sentado ou se levantasse , conforme lhe fosse confortável, lugar este que o mesmo igualmente não pretendeu ocupar.......................

      Desculpem igualmente o desabafo mas, no tocante a esta parte escrita , não poderia deixar de informar os Colegas que ao lerem isto vão achar que o mesmo é chefiado, por pessoas sem ética, pondo-as quase num papel de "carrascos" , o que não corresponde à verdade. !!! No mais entendo muito bem as lamentações do mesmo, mas a n/ vida privada é aquela que escolhemos !!

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  13. Mas este Sr. é Oficial de Justiça ?? Vinte anos no Serviço Externo sem ter a ambição de saber o que é um processo (cível/crime/menores/inquéritos etc...). Caso tenha capacidades, aconselho-o a tentar ser um "triste" Escrivão- Adjunto numa Secção de Processos, de preferência de competência genérica para aprender mais qualquer coisa....ou a sentir o peso da responsabilidade de uma Secção e fazer-se um "incompetente" de um Escrivão de Direito ???
    Já agora como é que é possível não saber que lhe é proibido ter aquele segundo emprego....ao menos que arranjasse um que fosse permitido...
    Cada vez tenho mais pena daqueles que vão para casa preocupados com os 10 ou 12 processos de presos que acabaram de tramitar, ou dos 6 ou 7 procedimentos cautelares/Insolvências etc... que deixaram na secretária, ou dos processos que se acumulam na secção sem movimentação. Há questões que nos tiram horas de sono - e muitas.
    Arrepia-me um pouco ter que chamar colega a este senhor...
    É sem dúvida o profissional com a experiência adequada a desempenhar o cargo de Secretário...

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