A prejudicar até ao último dia

      Termina o ano de 2021. Um grande e longo ano. Um ano em que os Oficiais de Justiça depositaram tantas esperanças. Desde logo, a começar o ano, com o início do processo de vacinação e as prioridades que resultaram ser uma trapalhada e uma mentira. Previa-se que neste ano se controlasse a pandemia. No entanto, acabamos o ano a constatar números recordes de infeções diárias.


      Também neste ano havia a expectativa do cumprimento do determinado na lei do Orçamento de Estado – já sendo este o segundo ano em que a Assembleia da República impunha ao Governo determinados assuntos a resolver com os Oficiais de Justiça –, e nada; novamente o Governo incumpriu a Lei, pelo segundo ano consecutivo.


      Em abril, lá começou de novo o prazo para apresentação de requerimentos ao Movimento Ordinário anual, sendo novamente vedadas as promoções aos Oficiais de Justiça e a mais ninguém.


      Já para o final do ano, com o anúncio da dissolução da Assembleia da República, as eleições antecipadas e o lógico fim do atual Governo, o Ministério da Justiça apesenta um e depois outro projeto de Estatuto, ambos discriminatórios e, portanto, liminarmente rejeitados. A única coisa positiva do projeto de Estatuto apresentado foi o de conseguir reunir pareceres negativos vindos de todas as áreas da Justiça; uma unanimidade rara de alcançar.


      As greves decretadas em 2021 foram as seguintes:


      Pelo SFJ: de 17 de maio a 17 de junho; nos dias úteis entre 1 e 15 de julho; 2 e 3 de agosto e 1 de setembro, esta última com abrangência geral.


      Pelo SOJ: de 12 a 16 de abril.


      Para o arranque do verdadeiro ano judicial (agora coincidente com o ano civil) não está marcada nenhuma greve. Espera-se que, pelo menos, venha a ser marcada uma greve ou qualquer outro tipo de ação para a data que vier a ser designada para realização da cerimónia de abertura do ano judicial no Supremo Tribunal de Justiça, desta vez com os partidos políticos embuídos no espírito de uma campanha eleitoral.


      No último dia do ano, hoje mesmo – tal como na passada sexta-feira 24DEZ –, centenas de Oficiais de Justiça estão ao serviço, desnecessariamente, devido à fixação de serviços mínimos de turno quando não são devidos nem necessários.


      A afronta que decorreu ao longo de todo o ano tem que ocorrer até ao último dia; literalmente até ao último dia. Se o mês de desembro tivesse 32 dias havia de se arranjar qualquer coisa para esse 32º dia.


      Invoca a ministra da Justiça, no seu despacho que fixa os serviços de turno para hoje, o nº. 2 do artigo 36º da Lei 62/2013 de 26 de agosto (LOSJ), que diz concretamente o seguinte:


      «São ainda organizados turnos para assegurar o serviço urgente previsto na lei que deva ser executado aos sábados, nos feriados que recaiam em segunda-feira e no segundo dia feriado, em caso de feriados consecutivos.»


      Ou seja: (1) sábados, (2) feriados nas segundas-feiras e (3) no segundo dia feriado quando houver dois feriados consecutivos.


      Portanto, nestas sextas-feiras (24 e 31), não tendo sido feriado nas quintas-feiras que os antecederam e como a sexta-feira não é uma segunda-feira feriado nem um sábado, designar qualquer tipo de serviço mínimo ou de turno para uma sexta-feira é perfeitamente irrelevante e isto mesmo já foi compreendido noutras oocasiões. Sem ir mais longe, na última greve, de 12 de novembro, há cerca mês e meio, uma sexta-feira, não foram fixados quaisquer serviços mínimos. Os tribunais puderam fechar portas com toda a naturalidade.


      Parece-nos que a ministra da Justiça, agora também da Administração Interna, passou a confundir os Oficiais de Justiça com os elementos das polícias que agora detém também sob a sua alçada. As polícias têm que estar sempre disponíveis, todos os dias do ano, mesmo aos domingos, feriados, torlerâncias de ponto, greves… mas os Oficiais de Justiça não; não são polícias, nem sequer são equiparados.


      A pior ministra da Justiça de sempre – apenas para os Oficiais de Justiça – ainda deve permanecer no cargo cerca de mais dois meses. Perguntámo-nos que mais fará neste período que lhe resta?


      Há quatro anos, em setembro de 2017, o então presidente do Sindicato dos Funcionários Judiciais (SFJ), Fernando Jorge, dizia ao jornal “Público” que tinha saído até “surpreendido” e com as “expectativas ultrapassadas” no encontro tido com Francisca van Dunem.


      «A ministra disse ter dado boa nota no documento que lhe enviamos em junho com as nossas revindicações que considerou serem aceitáveis”, disse Fernando Jorge Fernandes. O presidente do SFJ diz que agora e durante cerca de um mês vão trabalhar nos conteúdos funcionais e que terão novo encontro com a ministra em meados de outubro», lia-se na edição do Público de 12SET2017.


      Tanto o Fernando de antes, como o António de agora, bem como o Carlos, todos foram sendo enrolados ao longo dos anos pela ministra da Justiça, pessoa que tudo fez para resolver os problemas das outras carreiras, menos a dos Oficiais de Justiça, bem pelo contrário, aprofundou – sempre que pôde e pôde tantas vezes – o prejuízo destes que constituem a esmagadora maioria dos trabalhadores do “Serviço Nacional de Justiça”.


      No último dia do ano fazemos votos para que o atual Governo/Ministério da Justiça, nos próximos dois meses, nada de mais prejudicial faça à carreira dos Oficiais de Justiça e que o próximo Governo e Ministro da Justiça seja alguém substancialmente diferente desta atual ministra cessante.


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Comentários

  1. Proposta de Ano Novo :-
    Um mês de greve, com os sindicatos a custear o vencimento base aos funcionários, todos quer sejam sindicalizados quer não. Eu sou sindicalizada e voto sim .
    Temos que tomar medida sérias e talvez assim o poder politico sinta a nossa falta.
    E os sindicatos terão com toda a certeza dinheiro para tal.
    Votos de Bom Ano e pensem nisso

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    1. Greve no periodo da campanha eleitoral, de 16 a 28 de janeiro, uma hora por dia, das 16h00 às 17h00, e vamos finalmente ver de que lado estão os que nos representam, nomeadamente aqueles que fazem parte dos órgãos sociais dos sindicatos.

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  2. Desejo aos autores deste blog um excelente 2022, extensivo a todos os que por aqui passam.
    Também entendo ser devido um muito obrigado ao excelente serviço prestado neste blogue.
    Aproveito para deixar uma sugestão/pensamento aos sindicatos e aos funcionários judiciais: começar a reagir ativamente às tropelias do MJ, da DGAJ, Juízes Presidentes e de todos os outros que nos prejudicam ou atentam aos nossos direitos.
    Sempre que haja um despacho atentatório, imediatamente entrar com um processo de intimação.
    Chega de comunicados com bonitas palavras, chega de marcar greves em que são decretados serviços máximos.

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  3. È mesmo a pior ministra da Justiça de sempre.
    Depois da Celeste Cardona pensei que fosse impossível mas neste lodo que é a politica conseguiram arranjar pior.
    Desejo a todos os Oficiais de Justiça um ano bem melhor que este e que pelo menos não levemos com personagens deste calibre.
    Um Bem haja e Saúde.
    FF

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  4. Caganeira e cagar são palavras portuguesas, cujo significado se encontra descrito no dicionário de língua portuguesa e que exprimem necessidades fisioligicas por nós todos sentidas.
    São termos populares, não eruditas. Todavia não ofendem ninguém,, daí não perceber a razão de se apagarem comentaros contendo tais expressoes.
    Sendo eu um homem do povo, não tendo formação erudita, nem aspirando a tal, não compreendo. Razão de tais salameques. Bom ano

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    1. Não há nenhum problema com as palavras, apenas na forma como se usam. Desejar que determinada pessoa padeça desse mal é inapropriado de acordo com o nosso ponto de vista para esta página. Acreditamos que noutros locais serão aceites mas não aqui.

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    2. Compreendi Sr. Doutor. Peço desculpa, Sr. Doutor, por ser tão rude para tão ilustres personagens
      Á..... grandes Eça e Bucage.

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    3. Há três momentos na vida em que todos nós, até os mais elitistas, pensam de igual forma e sentem quão frágeis somos e todos iguais.
      Quando nos morre um ente querido, quando estamos doentes ou, quando nos sentamos na sanita.
      Desejar caganeira a alguém, significa desejar que passe grandes períodos na sanita, pensando em quão iguais todos somos, e desejar humildade.
      Como determinadas pessoas são nitidamente elitistas, pensam e agem de forma elitista, prejudicando toda uma classe profissional e respectivas famílias, desejar-lhe que passe algum tempo na sanita, e desejar-lhe banho de humildade.
      Se lhe desejasse mal seria uma das outras duas situações referidas

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  5. Valor das bolsas de estágio do IEFP aumenta a partir de janeiro.

    De acordo com a portaria hoje publicada no DR o valor da bolsa de estagio para candidatis com licenciatura passa a ser de 886,40 euros.

    Um dos requisitos para acesso à carreira de Oficial de Justiça é ser detentor do curso profissional técnico de serviços juridicos ou de tecnico superior de justiça ministrado pela Universidade de Aveiro.

    Consultei a tabela da DGAEP do sistema remuneratorio da Administração Pública para 2022 e fiquei perplexo!

    Escrivao auxiliar (mesmo aqueles que são detentores do curso superior da Universidade de Aveiro) 802,19 euros!

    Acresce ainda o facto de estes estarem sujeitos a um regime de disponibilidade permanente sem qualquer compensação.

    O desconsideração pela nossa profissão não para de nos surpreender!

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  6. Xiu… não se pode falar nesse assunto por aqui, sob pena de censura. Pelos vistos há quem não considere relevante que alguém esteja dos dois lados da barricada.

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    1. Ph, deve estar confundido com algum grupo do Facebook ou dentro da sua própria cabeça. Aqui não há censura alguma, se é que sabe o que é censura...

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    2. Então pode esclarecer a razão pela qual alguns comentários onde se refere a existência de dirigentes sindicais nas listas do PS foram apagado. Quanto às suas considerações sobre o meu nível de conhecimento, enfim…

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    3. Ph, como já lhe foi dito, aqui não há censura nenhuma. Vamos lá a ver se conpreende: NUNCA foram nem serão apagados comentários sobre o assunto que refere. Se não vê esses comentários procure nos comentários de outros artigos. Deve estar a confundir com o Facebook. Os comentários aqui fazem-se apenas a cada artigo e ali ficam, agarrados ao artigo e como todos os dias há um artigo novo, haverá novos comentários, ou não, e os outros já não transitam para os dias seguintes, porque isto não é um fórum de debates mas apenas de comentários relacionados com o artigo do dia.
      O assunto das listas do PS não tem nada de especial e há fartura de comentários desse assunto, pelo que reiteramos: está confundido e ao acusar-nos de fazer censura insulta-nos, motivos pelos quais duvidamos da sua sanidade mental.

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