“Quando atacarem, verão as nossas caras, não as nossas costas”
Está instalada em Portugal, desde há muitos anos e de forma muito sólida, uma comunidade de estrangeiros que detém um número muito considerável de indivíduos: a comunidade de cidadãos com origem na Ucrânia.
De um total de cerca de 660 mil estrangeiros a residir em Portugal, o maior número corresponde a cidadãos com origem no Brasil: 183.875. Em segundo lugar estão os cidadãos com origem no Reino Unido: 46.238. Seguem-se os cidadãos cabo-verdianos com 36.466 e, em quarto lugar (do mundo e em segundo da Europa): 28.621 ucranianos.
Este número atual chegou a ser quase o dobro em 2008 e 2009, tendo vindo sempre a descer desde então. Nesses anos chegaram a ser, também depois dos brasileiros, a segunda maior comunidade de estrangeiros a residir em Portugal.
De todos modos, os números indicam-nos que desde os anos 90 do século passado a comunidade de naturais da Ucrânia sempre esteve a subir até 2010 altura em que começa a decrescer
Todos sabemos que esses emigrantes tiveram filhos que são cidadãos portugueses e todos sabemos também que estes cidadãos portugueses descendentes de cidadãos ucranianos estão a trabalhar por todo o lado e também nos tribunais e nos serviços do Ministério Público deste país.
Temos, portanto, um número que, embora não seja significativo, tem a sua existência, de Oficiais de Justiça descendentes de ucranianos.
Temos Oficiais de Justiça cuja família está hoje em fuga da Ucrânia e cujo refúgio e abrigo final será a casa dos Oficiais de Justiça portugueses, seus descendentes.
Temos Oficiais de Justiça cuja família na Ucrânia se refugia no subsolo, nos antigos abrigos ou na profundidade das estações do metropolitano.
Temos Oficiais de Justiça cujos familiares masculinos com idades até aos 60 anos estão impedidos de sair do país e de nele permanecer para o defenderem.
O sofrimento do povo ucraniano convive muito de perto connosco mas, mesmo sem essa proximidade, não podemos considerar que aquela guerra e que aquela invasão da Rússia ditatorial de Putin não é uma guerra nossa também. Longe disso. Aquela guerra é também uma guerra nossa.
Embora o nosso povo e o nosso território não estejam a ser atacados, são os nossos princípios basilares de um estado democrático, soberano e com capacidade de se autodeterminar, que estão a ser atacados.
O povo português não faz nenhum favor ao povo ucraniano quando se coloca do seu lado e na defesa do seu território contra o imperialismo de Putin. O Povo português está também a defender-se de uma das piores pragas do Mundo que a História tantas vezes já nos mostrou, e que, como todos sabemos, pode acabar perturbando muitos mais milhões de habitantes deste truculento planeta.
Por isso, Portugal não está de fora desta guerra; está dentro, e está bem dentro, combatendo do mesmo lado dos ucranianos contra o imperialismo russo. Podemos usar armas distintas e diversas estratégias, mas usámo-las e, por isso mesmo, hoje, Portugal e os portugueses estão também em guerra.
Esta guerra é, pois, uma guerra de todos e, tal como disse o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky ao seu povo: “Quando atacarem, verão as nossas caras, não as nossas costas” e é com este mesmo empenho que os portugueses devem estar, não só nesta guerra mas em todas as guerras diárias.

Nunca é demais agradecer o trabalho brilhante do/s autor/es deste blog tão abrangente. Obrigado e continuem.
ResponderEliminarMuito agradecemos a apreciação que faz deste nosso trabalho, apreciação essa que é a gasolina (caríssima) que faz andar este motor.
EliminarSem dúvida! muita força a este blogue! contra os déspotas deste país e de um outro qualquer pais!
Eliminar