Governo também aumenta pagamentos a advogados e com retroativos a janeiro

      Se ontem aqui publicamos os aumentos para os assistentes técnicos e técnicos superiores, aumentos esses que, pasmem-se, são retroativos a janeiro do corrente ano, isto é, retroagem meio ano; e se ainda ontem abordávamos essa atualização salarial para esses cerca de 40 mil funcionários públicos, hoje vamos abordar uma nova atualização, e não, não é para Oficiais de Justiça, e não, não é sequer a integração do suplemento remuneratório ou o seu pagamento em 14 prestações tal como o vencimento. No que se refere a estes profissionais da Justiça, continuam a “chupar no dedo”, como aqui intitulávamos o artigo de ontem.


      O Governo vem atualizando muitas remunerações e eis que chegou também o momento de atualizar a remuneração dos advogados e solicitadores que realizam serviço no âmbito do apoio judiciário.


      Todas as remunerações atualizadas são perfeitamente justas; o que é injusto é serem apenas essas, continuando os Oficiais de Justiça a esperar, e também a desesperar, pela saída do congelamento forçado que lhes foi imposto.


      Assim, os profissionais com funções no âmbito da proteção jurídica veem atualizada a Unidade de Referência (UR) para pagamento das suas intervenções no âmbito do sistema de acesso ao direito e aos tribunais.


      Esta atualização, com impacto na tabela de honorários de advogados, advogados estagiários e solicitadores, que prestem serviços no âmbito da proteção jurídica, decorre da aplicação do índice de preços no consumidor (sem habitação) referente ao ano de 2021, com efeitos retroativos a 1 de janeiro de 2022 (1,24%).


      Mais uma vez, o Governo aumenta agora mas faz retroagir os aumentos e os pagamentos ao início do ano, o que é algo verdadeiramente extraordinário, especialmente quando em relação aos Oficiais de Justiça as promessas se arrastam ao longo de muitos anos, com nenhuma atualização, com nenhuma cedência, mas com vicissitudes, com o agora é que é e já está em circuito legislativo, e tantas outras aldrabices.


      A portaria conjunta da Justiça e das Finanças – ainda não publicada em Diário da República – refere que esta opção permite «proceder, desde já, a nova atualização das remunerações dos profissionais forenses, tendo em conta o índice de preços, parâmetro que satisfaz, do mesmo passo, o princípio da justa remuneração, e a garantia da sustentabilidade ou solvabilidade do sistema».


      Por sua vez, a Ordem dos Advogados diz que o aumento aos oficiosos "não cumpre a Lei".


      Em resposta à agência Lusa, acerca da nota do Ministério da Justiça, o bastonário da Ordem dos Advogados (OA), Luís Menezes Leitão, afirma que a atualização da Unidade de Referência "não obedece mais uma vez ao imposto pela Lei (Lei nº 40/2018), que estabelece não só a obrigação de atualização anual dos honorários dos serviços jurídicos prestados pelos advogados no âmbito do apoio judiciário, em dezembro de cada ano, como também determina a recuperação dos valores face à inflação dos anos anteriores".


      Na resposta à Lusa, Menezes Leitão recorda que a tabela dos advogados oficiosos não era atualizada desde 2009, tendo em 2020 o Governo efetuado "um aumento de oito cêntimos, valor muito aquém das expectativas da OA, por não contemplar, no seu entender, a inflação do ano respetivo, nem da quase uma década passada sem qualquer atualização ou reformulação dos honorários destes profissionais".


      "Agora, e de uma forma reiterada, o Governo insiste, a meio do ano, em atualizar apenas em 1,24%, o valor de referência e deixa passar em branco os períodos em que não houve qualquer atualização destes valores", critica.


      O bastonário afirma que a OA "vai verificar os valores da inflação aplicados na atualização anunciada e, naturalmente, pugnar para que a remuneração dos advogados oficiosos seja reformulada de forma digna e não simplesmente atualizada fora de horas, sem respeitar o que a Lei recomenda, como o Governo insiste em fazer".


      Menezes Leitão sublinha que o Governo, "ao insistir em não cumprir a Lei", por em cada final do ano promover a atualização dos honorários dos advogados, só o fazendo seis meses depois com efeitos retroativos, "obriga estes profissionais a uma reorganização de procedimentos, tendo que anular e emitir novos recibos de honorários, com inerentes custos logísticos inesperados".


      O bastonário diz ainda que a Ordem espera que, "no final deste ano, se verifique, conforme a Lei determina, a respetiva atualização dos honorários dos advogados que atuam no âmbito do Sistema de Acesso ao Direito e Tribunais (SADT) tomando por base a inflação de 2022".


      A Ordem "espera igualmente" que seja também cumprida a Lei e reformulada de forma digna a tabela de honorários.


      Em 2020, o Governo atualizou o valor da UR, pela primeira vez numa década, aumentado-a em oito cêntimos, para um total de 25,58 euros.


      Com a atualização de 1,24% agora anunciada, esse montante subirá mais 32 cêntimos, isto é, para 25,90 euros.


Calculadora+Oculos+Pc.jpg


      Fontes: “Governo” e “Notícias ao Minuto”.

Comentários

  1. Quem não chora não mama, é perceção coisa inata, adquirida ainda quando damos os primeiros passos na vida.

    Aprendemos a fazer birras para nos darem o que queremos só porque não sabemos expressar-nos.

    Mas, crescendo, e já fase adulta porque já somos autónomos e sabemos expressar-nos deixamos as birras, as quais são agora o último recurso que numa espécie de metamorfose empresta-se à forma reacionária de manifestações do desagrado (sejam elas com greves, resistência civil, manifestações na rua, etc.).

    Da conjugação dos preceitos constitucionais plasmados nos artigos 21.º e 22.º da CRP, assiste-nos o direito de reação à violação dos nossos direitos, enquanto trabalhadores, por omissão da tutela com sucessivas descriminações negativas (enquanto vão acontecendo revisões e atualizações nos mais variados setores, continuamos a reger-nos por um estatuto com quase 25 anos e por regras manifestamente desadequadas à realidade atual.

    O direito ao descanso previsto na CRP ( art.º 59.º), no que respeita aos OJ é constantemente violado, com o subterfúgio de se tratar de uma carreira especial (e do especial dever de permanência, também decorrente do estatuído no diploma que atribui o suplemento dos 10%), é-nos constantemente exigido que fiquemos muito para além do horário de trabalho, não por causa de situações pontuais ou conjunturais, mas já de natureza estrutural, decorrentes do enorme défice de OJ.

    A qualidade do trabalho desenvolvido, vai-se perdendo, não há tempo para o brio profissional nem para dar a atenção que deve ser dedicada no apoio ao magistrado (sinalizando-lhe as vicissitudes processuais) provocando o vaivém de processos, de fluxos, entre a secretaria e o gabinete manifestamente desnecessário se os quadros fossem providos do número suficiente de funcionários e lhes fossem delegadas outro tipo de tarefas mais técnicas.

    Assim, mudou-se o paradigma, agora querem-nos "meros tarefeiros", pois pensa-se que com o "digital" não são precisos tantos funcionários e estes devem ser distribuídos numa lógica apenas numérica (de número de atos e de pessoas) sem atentar à velha norma de que o direito varia com a latitude e que os problemas são diferentes desde logo nas zonas rurais e urbanas).

    E como assim é, enquanto tarefeiros/assistentes técnicos, porventura acham-nos bem pagos e descuram os nossos problemas.

    Não quero que os sindicatos que nos representem façam birras, assim por assim, mas nos dias que correm deveriam GRITAR A TODOS OS VENTOS lutando, em primeiro lugar pela defesa da nossa carreira para que não nos tornemos meros "bonecos" (assistentes técnicos) na máquina da justiça e consequentemente que nos seja revista a carreira, nomeadamente, salarial.

    Exorto a todos que, no uso do seu direito à expressão (art.º 37.º da CRP), reclamem dos sindicatos uma atitude firme e uma postura diferente, mais ativa e visível, de demonstração do inconformismo para se alcançar resultados, talvez já com uma greve, pois que "QUEM NÃO CHORA NÃO MAMA".

    ResponderEliminar
  2. Nós também vamos ser aumentados, de trabalho e talvez mais um prato de sopa,......por semana.

    ResponderEliminar
  3. Hoje mesmo, foi noticiado que decorrem negociações entre os órgãos representativos das policias e a tutela para discutirem melhores condições em época alta de férias (a notícia difundida pelo aparelho é "Governo negoceia pacote de medidas sociais para polícias. Regalias na habitação e cantinas estão em cima da mesa...").

    Para os oficiais de justiça também decorrem negociações, entre os Presidentes das Comarcas e entre estes e a DGAJ, digladiando-se por terem o maior número de funcionários e com isso melhores condições para os srs. Magistrados.

    A nossa guerra, a luta dos oficiais de justiça por melhores condições, fechou portas como diria o saudoso Raul Solnado, e os nossos "Comandantes" não estão a planear estratégias de combate nem os soldados a preparar as suas "armas" (de luta).

    Impávidos e serenos, sem tugir nem mugir, assim caminhamos todos, calcorreando calçadas desniveladas e com paralelos pouco limados, apenas porque outros não as percorrem.

    Quando o caminho estiver bem nivelado e e o piso regular, então outros nela caminharão pois nós já não teremos pernas para andar.

    Para a luta já!

    ResponderEliminar

  4. Costa pinóquio!

    ResponderEliminar
  5. Quando a esmagadora maioria dos OJ , assim como os seus representantes rejeitaram liminarmente o estatuto apresentado pela anterior ministra, achei que fizeram MUITO MAL! Podiam ter negociado o que achassem pertinente! Assim é que era! Perderam, mais uma vez o respeito da tutela! E agora como estão?

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Com as inconstitucionalidades identificadas pelos Conselhos Superiores da Magistratura Judicial e do Ministério Público?!...

      Com a divisão da carreira?!...

      Quando o mesmo não se verificou com os funcionários dos Registos e Notariado?!...

      Eliminar
  6. !O facto de a DGAJ aproveitar o momento em que muitos Oficiais de Justiça já estavam em gozo de férias, para publicitar o movimento, revela não só falta de respeito para com estes trabalhadores, como também, e mais ainda, enorme falta de decência.

    Contudo, mais do que adjetivar os atos ou revisitar posições anteriores, o SOJ optou por entregar o processo aos serviços jurídicos deste Sindicato e, assim, no dia 28 de julho, entregou no TAC de Lisboa uma Providência Cautelar – 2251/22.8BELSB – para suspensão do ato administrativo.

    De salientar que o SOJ e o SFJ têm mantido contatos, com alguma regularidade, e também esse Sindicato vai apresentar Providência Cautelar."

    Há dois dias perguntava aqui por uma providência cautelar contra esta aberração de movimento judicial, felizmente parece que já surgiu, e outra se seguirá. Contra o despotismo deste ministério só assim se pode combater, levando tudo até às últimas consequências, custe a quem custar. Só assim nos começarão a respeitar e a pensar duas vezes antes de nos prejudicarem.
    Como se costuma dizer... amor com amor se paga!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Muito bem, mais uma vez.

      A indecência tem de ser parada.

      Eliminar

    2. Falta executar a sentença que declarou nulo o movimento anterior!

      Eliminar
  7. Os polícias vêm para as televisões dizer que querem a destituição do seu diretor! Os OJ têm de se manifestar, exigir publicamente que os sindicatos apresentem trabalho em prol da sua classe! Ou isso ou rua!

    ResponderEliminar
  8. Vivemos um IMPASSE na nossa carreira.

    A revisão do estatuto está em discussão há pelo menos 15 anos, data em que a ex-Diretora Geral Dra. Helena Ribeiro a iniciou com a apresentação de um projeto que foi recusado pelo SFJ, e muito bem.

    Desde essa data, passaram-se cerca de 15 anos, 11 dos quais com governo da mesma cor (PS), tendo-se iniciado os cortes salarias em 2010, em período pré-troika no tempo do sr. José Socrates.

    Volvidos estes anos continuamos, como acima disse, num impasse, sem acordo.

    E na ausência de acordo a força prevalece, tendo neste caso o MJ evidenciado a sua posição de força, com o SEAJ a "dar a cara", sem mostrar abertura ou recetividade pelas reivindicações dos OJ.

    Em lugar de uma reação enérgica, ambos os sindicatos bastaram-se e, pior, acalentaram-se com a resposta do SEAJ de que o projeto seria oportunamente (não se sabe quando) publicado.

    Ora, como nunca vi um pinto sobreviver sem abrir o bico para pedir que o alimente, também não vejo forma se serem satisfeitas as nossas reivindicações, por serem justas, sem que "abrirmos o bico", ou seja sem nos manifestarmos, e a melhor forma é a greve.

    É certo que não devemos julgar as pessoas pela "capa", mas os atos e os factos verificados neste hiato de 5 meses (aliás, 11 anos) diz muito sobre o que podemos esperar e, por isso, mais vale arregaçar as mangas e começar a luta, desde já, com o anúncio de greve.

    Poderão muitos dizer que é melhor esperar para ver, numa lógica de que "ovelha que berre é bocado que perde", mas não deve de ser assim, pois mesmo destas se ouvem os berros vindos das montanhas reivindicando por melhor pasto.

    Temos de fazer "acender as campainhas da tutela", alumiando-lhes o melhor caminho, fazendo com que nos ouçam na hora de decidirem, e não ficar à espera que aconteça um milagre pois os responsáveis não têm aureolas de santos.

    Com este MJ temos de lutar para que não fiquemos mais 4 anos sentados à mesa, sem comer e a discutir o mesmo assunto como se fossemos maluquinhos.

    Os Sindicatos têm culpa pois o recurso à greve seletiva teria obrigado à resolução do problema há muito tempo, mo tempo em que o sr. Sócrates desbaratava dinheiro em candeeiros desenhados por encomenda para escolas públicas só porque era esteticamente bonito no âmbito da renovação do parque escolar.

    Hoje temos o PRR, para além dos fundos do quadro de poio comunitário, que destinou uma importância considerável ao setor da Justiça e ao que parece destina-se a financiar os programas informáticos em desenvolvimento pelo IGFPJ e pela PGR.

    E assim vai o país e o mundo - "comme ça meme!" - e nós OJ serenos.

    ResponderEliminar
    Respostas

    1. Comme d'habitude...

      Eliminar
    2. É parar de pagar quotas.

      Parei e não senti qualquer remorso.

      Até foi prazeroso.

      Comidos e bebidos em familia foram os euros mais bem poupados este ano judicial que passou.

      Eliminar
  9. No plenário do SOJ foi dito pelo seu presidente, que os sindicatos têm uma estratégia. Só não a divulgam para não beneficiar a tutela e guardam os trunfos para a próxima reunião. Vamos acreditar...

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Penso eu de que, a estratégia é a de passarem a esperar deitados, em vez de sentados. Dá menos trabalho, porra.

      Eliminar


  10. fazer o minimo enquanto não nos reconhecerem como gente que merece consideração, designadamente em termos salariais

    TUTELA NÃO MERECE MAIS QUE O MINIMO

    ResponderEliminar
  11. Da análise curricular sobre os principais responsáveis constata-se, para os mais desatentos, que:

    - A Exma. sra. Diretora Geral é Juíza Desembargadora, com promoção em 2018, enquanto Juíza Presidente da Comarca de Coimbra;
    - Á coadjuvação é feita por: uma sra. Juíza de Direito, que foi assessora no Tribunal Constitucional (aquele órgão onde se fiscalizam as violações dos mais elementares direitos civil); e por um licenciado, antes Técnico Superior da área da Saúde e Coordenador do Núcleo de Planeamento Estratégico e Avaliação e também Diretor do Departamento de Gestão Financeira.

    Bem, pelo acima dito, está tudo explicado, aos srs. Juízes sempre lhes foi reconhecido que confundem os problemas da justiça com os seus problemas e assim tem sido, resolvem os seus problemas, nomeadamente do Estatuto Remuneratório, e creem que está tudo feito no setor da justiça.

    No resto, na gestão, foi emprestada pessoa oriunda da saúde cujos resultados de gestão dos últimos anos são bem conhecidos e está tudo também dito.

    Estaria, não fosse o SEAJ com delegações a respeito da DGAJ ser ele também um Magistrado do MP e até oriundo da área laboral, e a srs. Ministra ter tido também passagem pelo Tribunal Constitucional, onde foi Juíza, foi membro do Conselho Consultivo da PGR e membro do CSTAF (órgão que superentende nomeadamente os Tribunais Administrativos onde se discutem muitas das ações interpostas pelos sindicatos)

    É verdadeiramente um Ministério e uma Direção Geral que mais parece ter sido "arrebatada para não dizer tomada de assalto" por uma determinada classe que teima em esquecer a resolução dos problemas dos Oficiais de Justiça, secundarizando o seu papel.

    Tanto mais que agora, a forma de gestão dos tribunais, como que numa espécie de tentáculos, viu-se alargada a 23 Comarcas (23 J P e 23 Coordenadores) com ambas as magistraturas ao seu leme (parece que estamos num dos países que integram o chamado grupo dos PIGS, Portugal, Itália ...).

    Na verdade somos uma espécie de pajens figurativos na cena da justiça.

    Não temos que ter comportamentos mímicos, como o dos outros sindicatos, mas não podemos ficar inertes a esta situação, tanto mais que fazemos parte do setor e temos um especial dever de alerta.

    Reagir já a este status quo, lutar hoje antes que as forças nos desvaneçam ...






    ResponderEliminar
  12. Da análise curricular sobre os principais responsáveis constata-se, para os mais desatentos, que:

    - A Exma. sra. Diretora Geral é Juíza Desembargadora, com promoção em 2018, enquanto Juíza Presidente da Comarca de Coimbra;
    - Á coadjuvação é feita por: uma sra. Juíza de Direito, que foi assessora no Tribunal Constitucional (aquele órgão onde se fiscalizam as violações dos mais elementares direitos civil); e por um licenciado, antes Técnico Superior da área da Saúde e Coordenador do Núcleo de Planeamento Estratégico e Avaliação e também Diretor do Departamento de Gestão Financeira.

    Bem, pelo acima dito, está tudo explicado, aos srs. Juízes sempre lhes foi reconhecido que confundem os problemas da justiça com os seus problemas e assim tem sido, resolvem os seus problemas, nomeadamente do Estatuto Remuneratório, e creem que está tudo feito no setor da justiça.

    No resto, na gestão, foi emprestada pessoa oriunda da saúde cujos resultados de gestão dos últimos anos são bem conhecidos e está tudo também dito.

    Estaria, não fosse o SEAJ com delegações a respeito da DGAJ ser ele também um Magistrado do MP e até oriundo da área laboral, e a srs. Ministra ter tido também passagem pelo Tribunal Constitucional, onde foi Juíza, foi membro do Conselho Consultivo da PGR e membro do CSTAF (órgão que superentende nomeadamente os Tribunais Administrativos onde se discutem muitas das ações interpostas pelos sindicatos)

    É verdadeiramente um Ministério e uma Direção Geral que mais parece ter sido "arrebatada para não dizer tomada de assalto" por uma determinada classe que teima em esquecer a resolução dos problemas dos Oficiais de Justiça, secundarizando o seu papel.

    Tanto mais que agora, a forma de gestão dos tribunais, como que numa espécie de tentáculos, viu-se alargada a 23 Comarcas (23 J P e 23 Coordenadores) com ambas as magistraturas ao seu leme (parece que estamos num dos países que integram o chamado grupo dos PIGS, Portugal, Itália ...).

    Na verdade somos uma espécie de pajens figurativos na cena da justiça.

    Não temos que ter comportamentos mímicos, como o dos outros sindicatos, mas não podemos ficar inertes a esta situação, tanto mais que fazemos parte do setor e temos um especial dever de alerta.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Não leram o acórdão do TC - processo n 21/95 - relatora Cons. Maria Fernanda Palma:

      "... Na verdade, uma permanente disponibilidade do trabalhador para acorrer a uma qualquer solicitação decorrente da sua actividade profissional consubstanciaria uma privação do período de autodeterminação e de descanso, constitucionalmente inadmissível.
      Com efeito, o dever principal que cabe ao trabalhador por força da celebração do contrato de trabalho não compreende apenas o desenvolvimento da actividade laboral, abrange também o seu estado de disponibilidade, para o recebimento de uma concreta indicação no sentido do exercício de uma qualquer prestação conexa com o trabalho devido (cf. Menezes Cordeiro, Manual de Direito do Trabalho, 1991, p. 129 e Monteiro Fernandes, Direito do Trabalho, I, 8ª ed., 1993, p. 95).
      Assim, esta disponibilidade do trabalhador tem de ter uma dimensão temporal, o que significa que tem de ter limites, nomeadamente um limite máximo".

      Eliminar

  13. chega-te CHEGA!

    ResponderEliminar
  14. Comunicado do SOJ:

    "... Pelo exposto, os Oficiais de Justiça decidiram em Plenário Nacional, realizado a 15 de julho, exigir ao Ministério da Justiça, o seguinte:

    1. A abertura de um movimento extraordinário, que garanta também promoções, como é de lei, a publicar antes do dia 1 de setembro e tendo como prazo de candidaturas até à segunda semana de setembro, nos termos da alínea b) do n.º 4 do artigo 19.º do EFJ;

    2. Integração do suplemento, nos termos determinados no n.º 2 do artigo 38.º da Lei 2/2020, de 31 de março, até 15 de setembro;

    3. Apresentação, até 15 de setembro, de um regime de aposentação diferenciado, para os Oficiais de Justiça, como compensação pelo dever de disponibilidade permanente da carreira;

    Os Oficiais de Justiça deliberaram ainda, mandatar o SOJ para desencadear todas as ações de luta necessárias para se alcance a dignificação e valorização da carreira e, bem assim, promover a realização da justiça, enquanto pilar fundamental do Estado de Direito Democrático"

    Para que a decisão do Plenário faça algum sentido está na hora de reagir.

    Já vimos que os prazos de 1 e 15 de setembro não vão ser cumpridos pelo Ministério da Justiça.

    Assim está na hora de apresentar um pré aviso de greve para os primeiros dias de setembro.

    A indignação aumenta porque estamos fartos ser ultrapassados na fila de espera.

    Mais prazos dilatorios não obrigado!

    O prazo aprovado em Plenário de trabalhadores é urgente e tem que correr em férias!..

    Chega de mais manobras dilatórias!...


    ResponderEliminar
  15. Crónica de uma morte anunciada do sindicalismo judicial.


    Em teoria, se a carreira de OJ vai deixar de existir, não estarão os sindicatos na fase adaptativa de "abandono do barco", deixando-nos a todos a ver navios?

    Em teoria, não estarão já "os sindicatos" a executar o seu plano B de sobrevivência?

    Em teoria, sendo detentores de informação privilegiada, não partilhada, não se estarão já o sindicatos, como se diz lá para o norte, a "orientar" e de bolsos cheios com o dinheiro dos OJ?

    Em teoria, não estarão os sindicatos a "fazer o frete" numa "morte" que lhes foi já anunciada?

    Assim sendo todas as crónicas deixam de fazer sentido e só nos tiram a nó, ainda OJ, paz de espírito e capacidade de discernimento para ver-mos as nossas "saídas" na verdadeira acessão da palavra.

    ResponderEliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

Ministério da Justiça já tem novos mapas de pessoal da 1ª instância

A carreira dos Oficiais de Justiça é a terceira mais envelhecida da Administração Pública

Mais um acordo assinado e foi “uma grande vitória” e foi “o que se conseguiu”, diz o SFJ