A greve do SOJ desde o ponto de vista do SFJ

      De regresso do congresso europeu, o Sindicato dos Funcionários Judiciais (SFJ) lançou ontem uma nota informativa na qual aborda diversos aspetos, como o dito congresso, o questionário cujo acesso não é possível dentro da rede dos tribunais, os testes do Crhonus e ainda a greve decretada pelo Sindicato dos Oficiais de Justiça (SOJ).


      Da informação sindical releva a abordagem do questionário e a greve do SOJ, quanto aos demais aspetos abordados, não há nada que mereça especial realce.


      De todos modos, hoje, queremos apenas realçar a abordagem à greve do SOJ.


      Em síntese, o que o SFJ transmite é que não apoia de forma total ou incondicional a greve. O SFJ refere que considera justos os motivos da greve, isto é, a motivação expressa no aviso prévio, mas não refere que, em consequência disso, apoia a greve e, muito menos, apela à participação na mesma.


      Ao contrário da boa prática visível iniciada no passado dia 15JUL no Plenário do SOJ a que se seguiu a greve conjunta dos dias 01 e 02SET, bem como, para essa mesma greve, a delegação de representação que o SOJ fez num elemento do SFJ, para representar ambos os sindicatos na reunião do colégio arbitral que fixou os serviços mínimos; é com algum pesar vemos hoje que essa união encetada não se mostra, nesta nota informativa, claramente manifestada.


      O SFJ não diz apoiar, de forma inequívoca, a greve dos dois meios dias decretados nos núcleos com maior número de agendamentos, nem sequer por mera solidariedade institucional, limitando-se a dizer que as reivindicações são justas, o que não é o mesmo que dizer que a greve é justa e, por fim, esclarece que todos podem aderir, o que é simplesmente óbvio, mas também não apela à adesão.


      Consta assim da informação do SFJ:


      «Como é do conhecimento público, o SOJ decretou uma greve para os próximos 4 de outubro da parte da manhã, para os núcleos de Lisboa, Porto e Ponta Delgada, e 6 de outubro na parte da tarde, para os núcleos do Funchal, Coimbra e Almada.


      Atentas as reivindicações apresentadas pelo SOJ, no aviso prévio, que consideramos justas, o SFJ esclarece que todos os oficiais de justiça, querendo, podem aderir à citada greve.»


      Portanto, há dois aspetos que são comunicados: o primeiro diz respeito às reivindicações que são consideradas justas, o que não é nada de novo, pois já há muitos anos que se sabem justas, e o segundo aspeto é o mero esclarecimento de que todos podem aderir à citada greve, o que é uma declaração descomprometida e mais descomprometida ainda quando introduz a salvaguarda da expressão “querendo”.


      Ora, esta abordagem não constitui nenhum apoio explícito e dificilmente se consegue deduzir que haja um apoio implícito. A menção à greve traduz apenas uma obrigação em fazer tal referência, fazendo-o, no entanto, de uma forma tão ténue e engenhosa que pode parecer aquilo que realmente não o é.


      E pena é que não se dê continuidade à união na ação, tão do agrado dos Oficiais de Justiça, por se revelar uma atitude com um potencial muito maior na ação, desde logo quando o sindicato mais representativo, isto é, com mais associados e mais antigo, não apela claramente à adesão dos seus sócios à participação em mais uma jornada de luta que é a favor e em defesa do conjunto de todos os Oficiais de Justiça.


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      Fonte: “SFJ-Info”.

Comentários

  1. Pena é os sindicatos não se reunirem e não definirem uma estratégia conjunta com uma greve total de vários dias. O descontentamento é total não parcial e as greves devem ser proporcionais à miséria que of. justiça atravessam. Os sindicatos estendem as mãos à tutela e viram costas aos trabalhadores que representam com estas greves parciais... O descontentamento é total não parcial!

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  2. É absolutamente incompreensível esta súbita hibernação do SFJ depois de tudo o que se passou recentemente.

    "As palavras são como lentes que obscurecem tudo o que não ajudam a ver melhor.

    Joseph Joubert"

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  3. É vergonhoso essa atitude. Que eu saiba o SOJ sempre apoiou as iniciativas do Sfj. Mais foi iniciativa do Soj a greve de 01 e 02 de setembro.
    O SOJ teve em consideração os Oficiais de Justiça, e contatou o Sfj, para a greve ser conjunta.
    No primeiro dia da greve ainda vimos o Sfj na comunicação social. O segundo dia ninguém os viu. Foram de férias de certeza. Enquanto que o SOJ fez o seu trabalho inclusiva agendou a entrega de carta aberta no ministério da Justiça.
    Vou ser sincero o Sfj vai pagar muito cara esta atitude.
    E os Oficiais de Justiça. Ficam todos prejudicados aquando da negociação do estatuto. Vergonha só querem tachos e cargos políticos. Deviam de ir já para a rua camada de Judas.

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  4. É preciso sempre fazer ou dizer alguma coisa para não se fazer nada, nomeadamente o que é preciso ser feito.

    Sabe-se (porque foi anunciado pelo PM e está amplamente publicitado nas páginas oficiais) que até 2026 vão ingressar cerca de 1100 profissionais na PJ. Entretanto já entraram 97 tendo-se atingido a média mais baixa de idades dos últimos tempos.

    Também se perspetiva que no IRN vão ingressar a breve prazo cerca de 250 funcionários (porque foi alumiado pelo representante sindical dos Oficiais do Registo que a proposta está com a sra. MJ para decisão) para colmatar o défice de uma classe com uma média de idades a rondar os 55 anos.

    Curiosamente, embora a média de idades nos tribunais seja inferior (andará entre os 45 e os 50) as dificuldades são bem maiores.

    Nos Tribunais é mais difícil distribuir o serviço pelos serviços, e desta forma minimizar o impacto do défice de funcionários o que já não acontece no IRN, em que os registos online das conservatórias são distribuídos a nível nacional - operação que é levada a cabo ao nível central e de acordo com o estado de cada serviço (conservatória, loja do cidadão, etc.).

    No IRN, para minimizar o problema de resposta dos serviços e com o argumento da proximidade dos serviços ao cidadão desenvolveram-se vários protocolos com as Autarquias Locais e muitos dos serviços são hoje assegurados no denominado "Espaço cidadão". Os inventários foram devolvidos aos Tribunais.
    No período Covid, prorrogaram o prazo de vigência dos documentos - apenas com um diploma legal resolveram o problema do fluxo de cidadãos aos serviços.

    Nos Tribunais o problema é bem diferente, apesar de ter uma média de idades mais baixa e de também ser possível dentro da mesma Comarca prestar serviço de outros núcleos, não se pode distribuir processos de acordo com a situação dos serviços (défice de magistrados e funcionários, embora por vezes aconteça no MP e secções de inquéritos/DIAP).

    Por outro lado, apesar da referida média de idades, uma franja muito significativa de funcionários está muito perto da aposentação, o que leva a uma necessidade mais premente de acudir ao problema.

    Já pouco se pode subtrair aos serviços - o "print & finishing", a entrega eletrónica das peças processuais, o registo de intervenientes pelos AI, as execuções tramitadas pelos AE e na AT, etc. - a não ser que se queira por os OPC a fazer notificações nos inquéritos que investiga e eles próprios a gerarem o fluxo ao magistrado para despacho (é uma possibilidade que já foi falada em muitos locais).

    Precisamos de gente nova e qualificada que nos ajude a levar uma vida melhor, que nos liberte do fardo da responsabilidade que carregamos muitas das vezes connosco ao fim do dia (o processo urgente que não foi tramitado, o despacho que não foi cumprido, et.).

    Precisamos de uma reforma séria e não silenciosa.










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  5. Insisto "é preciso sempre fazer ou dizer alguma coisa para não se fazer nada, nomeadamente o que é preciso ser feito".

    Foi precisamente isto que o SFJ fez.

    O porquê desta atitude só saberemos após a publicação do novo projeto do estatuto conforme alumiado pelo sr. SEAJ.

    Enquanto nos perdemos em discussões inócuas sobre as razões da atuação concreta de cada sindicato, caímos no ridículo de perder o foco, a incompreensível falta de soluções do MJ/DGAJ.

    Citando Sérgio Sousa Pinto "pior que frustrado estou zangado".

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  6. "o SFJ esclarece que todos os oficiais de justiça, querendo, podem aderir à citada greve."

    Grato pelo esclarecimento que todos conhecem...

    Incompreensível - por ora - e inaceitável!

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  7. Não se pode esperar pela "candura" das pessoas.

    Já alguém escreveu, em determinado sitio que agora não importa ao caso, que "os políticos não têm aureolas de santos".

    Julgo que o SFJ está na crença de que a pessoa encarregue dos nossos destinos - o sr. SEAJ - é muito boa pessoa (e será certamente), por isso, zelará por um estatuto justo e por encontrar uma solução justa e equilibrada para os nossos problemas.

    Porém, sempre se ouviu dizer que cautela e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém. E como é assim, é preciso confiar desconfiando.

    Com bem se sabe os hábitos revelam as virtudes das pessoas, e como o MJ /DGAJ tem por hábito não discutir as soluções com os administrados, nomeadamente com os OJ, decidindo no livre arbítrio, fará uso da maioria (como bem disse o nosso PM a propósito do novo aeroporto).

    Sou católico praticante e sempre que vou à Igreja lembro que a pessoa que está perante mim é acima de tudo um homem, com todas as virtudes e defeitos, e pode inclusivamente errar posto que o erro é a característica mais comum dos mortais.

    Para evitar erros nas decisões mais importantes da vida é preciso estar atento e ser cuidadoso. É também preciso que o amigo nos chame a atenção para o erro, mesmo antes de o cometermos.

    A atitude do SFJ é por tudo o acima dito incompreensível (pelo menos até que os factos e os atos demonstrem o contrário).



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  8. Só para acrescentar dizendo que o Sr. Bastonário da Ordem dos Advogados, se não me falha a memória, advoga a escolha por parte do cidadão/advogado do tribunal/serviço onde intentar a ação, propondo ao que se supõe a alteração do "princípio do Juiz Natural" para que tal seja possível.

    Enfim ... não faltam ideias, muitas delas desprendidas da realidade social em que vivemos.

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  9. Por muito que me esforce não consigo entender este bate e foge dos dirigentes do SFJ?!...

    Comunicado do SFJ de 02 de setembro
    Nota - Balanço da Greve:

    "...Os números são massivos, demonstrando de forma inequívoca o descontentamento de uma classe profissional que se sente indignada e desprezada pela tutela.

    Este clima de crispação entre o MJ, Administração e os trabalhadores da justiça tem vindo a agudizar-se provocando situações de rutura em alguns juízos, quando os nossos decisores obsessivamente focados no deficit, não apostam na valorização dos nossos profissionais, nomeadamente promovendo a abertura de novos ingressos bem como dignificar e motivar os que já cá estão, permitindo que progridam nesta carreira.

    Esta retoma dos Tribunais pós-férias judiciais provou, mais uma vez, que o sistema judiciário está doente, maleita que, neste momento, só pode ser tratada passando pelo cumprimento do caderno reivindicativo que passará pelo preenchimento dos lugares vagos, abertura de concursos para as categorias de escrivão adjunto e técnico de justiça adjunto, escrivão de direito, técnicos de justiça principal e secretários de justiça, regulamentação do regime de pré-aposentação, um regime diferenciado de aposentação e a integração do famigerado subsídio de recuperação processual que nos foi prometido no ano de 1999, quando o nosso atual primeiro ministro detinha a pasta da Justiça.

    Esta paralisação reflete o estado dos nossos serviços: uma falta gritante de profissionais, remunerações baixas, falta de formação ou inadequação da mesma e a falta de apresentação de um estatuto sócio profissional que reflita e recoloque estes profissionais no patamar que merecem.

    A justiça para funcionar não é com medidas paliativas sendo que esta greve demonstra uma vontade inequívoca dos trabalhadores de verem cumpridas as promessas votadas na AR, razão que impele o Sindicato dos Funcionários Judiciais em apresentar UM CADERNO REINVIDICATIVO à Ministra da Justiça, com conhecimento às seguintes entidades:

    – ao Presidente da República,

    – ao Presidente da Assembleia da República

    – aos Grupos Parlamentares

    – ao Conselho Superior da Magistratura

    – ao Conselho Superior do Ministério Público

    – ao Conselho Superior dos Tribunais Administrativos e Fiscais

    – à Procuradoria Geral da República

    – à Provedora da justiça.

    O Presidente do SFJ

    António Marçal"

    O sindicalismo para funcionar não é com medidas paliativas de entretenimento, sendo que a greve demonstrou uma vontade inequívoca dos trabalhadores e não pode ser ignorada pelos dirigentes do SFJ.

    Está na hora de esclarecer, de uma vez por todas, esta estratégia suicida e a razão de ser da mesma.

    Estou farto de inquéritos e de estudos dos quais nunca são conhecidos os resultados!...

    Estou farto de promessas de lutas duras e longas com bombas inteligentes á mistura que nunca foram conhecidas!...

    Estou farto de caravanas que chegaram atrasadas ao destino!..

    Penso ser urgente a realização de um congresso extraordinário para esclarecer tudo isto!..














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  10. Colegas...

    Como dizia o outro...
    Desta vez é que é...

    Já lá vão 30 anos. Tudo como dantes no quartel de Abrantes.

    A verdade é que existe sempre uma segunda agenda. A dos interesses e das politiquices...

    ACORDAI....ACORDAI...

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  11. Mais uma iniciativa do SOJ:

    "PETIÇÃO: DIA DO OFICIAL DE JUSTIÇA
    VER ANEXO
    O Sindicato dos Oficiais de Justiça dá início, hoje, à recolha de assinaturas para uma PETIÇÃO (Baixar Aqui), dirigida à Assembleia da República, que determine o DIA DO OFICIAL DE JUSTIÇA.

    Os Oficiais de Justiça, como outras carreiras “comemoradas” no calendário nacional, como por exemplo bombeiros, enfermeiros, professores, engenheiros, médicos, advogados e algumas outras, são credores do reconhecimento público.

    De salientar que a carreira dos Oficiais de Justiça está regulamentada, com a devida fundamentação, há mais de 100 anos.

    E por ter sido em 29 de novembro de 1901 (Ver Aqui) que se regulamentou, pela primeira vez, a carreira dos Oficiais de Justiça é a data proposta nesta PETIÇÃO (Baixar Aqui)

    Por outro lado, o SOJ assume o compromisso de, no DIA do OFICIAL DE JUSTIÇA, realizar uma conferência – reunindo a carreira e diversas entidades -, para que o país possa comemorar, reconhecendo, ainda que anualmente, o trabalho dos Oficiais de Justiça.

    As assinaturas – qualquer cidadão poderá assinar -, devem ser enviadas, até ao próximo dia 26 de outubro, para o seguinte e-mail: soj.geral@gmail.com

    Posteriormente, serão entregues, presencialmente, na Assembleia da República.

    Assim, cabe a cada de um de nós assinar a petição e recolher, junto de amigos e familiares, as assinaturas necessárias para que possa ser determinado, pela Assembleia da República, o DIA DO OFICIAL DE JUSTIÇA.

    Lisboa, 26-09-2022"


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  12. Actualmente todos os sindicatos são apenas oposição controlada seja em que pais for. Bem diferente das lutas dos trabalhadores de à 100 anos atrás. Os sindicatos sabem que só podem ir até um certo ponto nas reivindicações e que quem manda é o poder economico. Sendo assim, servem de válvula de escape das frustracoes de quem trabalha e tem sempre uma vida miseravel de sobrevivencia. Quando a pressão é demais e para nao haver revolucoes nem a situacao nao descambar, então eles la autorizam uma lutazinha e o povo na rua. Constato eu da minha analise sociologica da sociedade e do mundo actual.

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  13. SOMOS PRISIONEIROS DOS GOVERNANTES E

    DOS GRUPOS ECONOMICOS, SEM DUVIDA!

    sOCIEDADE DE MERDDDDDDDDDDDDDDDD

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  14. Muito bem! O papel dos sindicatos continua a ser bem importante na mediação entre patrões e empregados e têm de continuar sempre em defesa dos trabalhadores.Hoje estes nāo têm os mesmos problemas que tinham há 100 anos, muita coisa foi melhorando mas têm que adaptar a luta sindical aos tempos que correm.
    Será que assim pensam e executam?

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