O anúncio no jornal que expõe a falta de decência do Governo

      O Sindicato dos Oficiais de Justiça (SOJ) fez publicar um anúncio pago num jornal de âmbito nacional: o Diário de Notícias.


      O anúncio, publicado na edição de ontem 26SET, ocupa quase um quarto de página, e goza com a carreira de Oficial de Justiça, simulando uma oferta de trabalho, indicando-se as exigências e aquilo que se oferece em contrapartida por tal emprego.


      Ao mesmo tempo que, com este anúncio, se pode considerar que é "gozar com quem trabalha", a intenção está longe de ser essa. Esta iniciativa do SOJ constitui uma crítica pública mordaz ao estado da carreira, com um bom elencar sintético de aspetos que bem ilustram a situação atual dos Oficiais de Justiça.


      Assim, em vez de "gozar com quem trabalha" este anúncio goza com quem governa e, ou, administra a Justiça, designadamente, no que diz respeito à carreira dos Oficiais de Justiça.


      O anúncio, que emita uma oferta de emprego, certamente despertou a atenção de muitos leitores do Diário de Notícias que não se aperceberam de imediato de que se tratava de uma crítica e não de uma verdadeira oferta de emprego.


      Em título consta: "Procuram-se candidatos / Excelente oportunidade de emprego", sem esquecer a habitual referência não discriminatória de género: "(m/f)".


      O anúncio divide-se em duas partes: a primeira, encabeçada pelo termo "Exige-se" e a segunda, destinada aos benefícios: "Oferece-se".


      Na lista das exigências para a candidatura constam 7 aspetos: "Formação técnica e conhecimentos de nível superior; Exclusividade ao trabalho (proibição de trabalhar noutro lugar); Robustez física e psíquica (para suportar violência psicológica e cargas pesadas); Disponibilidade 24 horas por dia (sem direito a qualquer compensação); Disponibilidade para ser colocado/a a mais de 500 km de casa; que renuncie ao Direito à Família e que renuncie ainda ao direito de reclamar em caso de alterações unilaterais do contrato".


      Em compensação a todas essas exigências, consta do anúncio aquilo que se oferece, elencando os benefícios da carreira, e diz assim: "Horas extraordinárias; centenas de horas/ano efetuadas e não remuneradas; Férias: 22 dias/ano a gozar em períodos determinados pelo empregador; Garantia de que 25 anos depois do ingresso mantém a situação inicial; Garantia de assédio laboral e forte probabilidade de "burnout"; Garantia de perda de poder de compra, anualmente; Instalações de trabalho sem condições (altas temperaturas no verão, frio e chuva no inverno) e Salário bruto: 792,10 € (sujeito a descontos).


      O anúncio a final identifica a carreira de Oficial de Justiça e termina deixando o contacto aos interessados: "Procurar, sff, mais informações por correio eletrónico: soj.geral@gmail.com".


      O SOJ divulgou este anúncio na sua página do Facebook com o seguinte comentário: “Quando ao empregador (Governo Português - Ministério da Justiça) falta a decência, resta aos trabalhadores denunciar as condições.”


      Ao longo dos anos os Oficiais de Justiça vêm adjetivando de forma exuberante a atitude do Governo perante a sua carreira, tal é o espanto, tão grande que nunca mais acaba, mas, realmente, somos forçados a concordar com o SOJ de que se trata, simplesmente de “falta de decência”.


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      Fontes: Publicações no Facebook do SOJ a 26-09-2022: “Publicação #1” e “Publicação #2”.

Comentários

  1. Excelente.

    Vai agregar boas sinergias.

    Apenas não foi mencionado que pode ser tratado como um objeto e como o trabalho é (que não é) indiferenciado pode mudar de local a toda a toda a hora.

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  2. Ora bolas...Isso é tudo o que já tenho (e muito mais...)!!!
    E eu a pensar que era agora que ía mudar de vida!!!!
    Agora a sério:
    O SOJ está a demonstrar uma vitalidade, imaginação e capacidade de luta que me impressiona!
    Em contraste com a apatia, conformismo e situacionismo do SFJ, sempre a lamber as mãos e a pactuar com o governo.
    Um sindicato pequenino, boçal e passivo como o seu dirigente.
    Após 32 anos como seu associado, vou finalmente mudar para melhor, senão de vida, pelo menos de sindicato.
    Cumprimentos

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  3. As grandes obras nascem, por vezes, de pequenos gestos.

    Admiro a proatividade do SOJ e o inconformismo com este situacionismo incompreensível por parte do maior sindicato.

    Com efeito a atitude passiva do SFJ é incomodativa e deixa-nos apreensivos.

    O que é que será que está para vir? Porque é que se mantêm tão calados? Porquê esta quietude agora também silenciosa?

    Acho que não se augura nada de bom!

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  4. Parabens ao SOJ pela ideia original. Certamente despertou a atenção do publico que leu o anuncio. Consegue por a ridiculo este ministerio da justiça. Não é que eles se importem, tamanha deve ser a falta de vergonha daquela gente.

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  5. Muito bem SOJ! Andem para a frente com este tipo de iniciativas! Só denunciando publicamente a nossa situação é que conseguiremos alguma coisa! Usem e abusem dos meios de comunicação social ! Já senti e sinto muitas das situações descritas!

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  6. Parabéns ao SOJ e à sua liderança por algo marcante, disruptivo relativamente às manifestações de sempre. É este o caminho!!
    Desta vez, ganharam aos pontos relativamente à passividade do SFJ, a que nos vamos habituando há décadas. (Pergunto-me o que faz uma estrutura tão grande, tanta cabeça a pensar e não sai dali nada de palpável, marcante ou positivo).
    Faz bem mais mossa este anúncio do que passeios pelo país fora.
    Sendo certo que não creio que afete minimamente os responsáveis pelo deplorável estado a que chegámos.
    Mas pelo menos deixa o país a saber a escravatura que nos é imposta.
    Falta apenas fazer perceber a população em geral, que estamos todos do mesmo lado contra políticas de desvalorização do trabalho para aumento exponencial da riqueza de alguns.
    Ter a população do nosso lado implica a perceção de atenção e de medo, por parte dos operadores políticos, que vêm assim necessidade de rever posições para não perder votos.

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  7. Haja Lume!

    força SOJ

    contra a FALTA DE VERGONHA DA TUTELA

    Nunca parar perante os atropelos!

    Por mais pequena que seja a iniciativa, parece-me excelente!

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  8. Muito bom. Há que continuar, de preferência nos telejornais das 20:00h.
    A questão do assédio laboral referida no anúncio é uma realidade concreta, há que tomar medidas sérias quanto a isso e denunciar publicamente.

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  9. Penso que não serei o único a estranhar nos Tribunais o silêncio do SFJ mais barulhento que o trazido pelo vento pré-outonal, o que não augura nada de bom,

    Normalmente, depois de uma tempestade amainar (a trazida pelo velho projeto do EFJ) vem outra, porventura mais turbulenta, e que costuma apanhar os mais incautos e desprevenidos, enfraquecendo ainda mais a sua capacidade de luta.

    Questiono-me o que andam a tutela e o nosso maior sindicato (SFJ) a preparar!

    Que “cozinhados” (acordos/negociações) estarão a fazer por baixo da mesa?

    Será que vão conseguir saciar o apetite dos seus destinatários.

    Sabemos que serão os oficiais de justiça quem, sujeitos à prova do experimentado “cozinhado”, sofrerão as consequências “digestivas” do mesmo.

    No entanto não nos dão possibilidades de escolher o menu, por muito mau que sejam as hipóteses de escolha.

    Vamos todos azedar ...

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  10. Reitero o que aqui já foi dito- usem os telejornais( mas com o discurso bem estudado) dos diversos canais. Se for preciso, levem tudo escrito em papel para não esquecer nada! A maior parte das pessoas mão lê jornais, mas fizeram bem em fazer o que fizeram.
    PS: não se percam a falar do edificado!!!

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  11. Fica assim tudo dito.

    Veio a crise e ficamos ainda mais pobres, perdemos poder de compra.

    A (re)qualificação dos serviços mantém-se na gaveta.

    Não estamos a ser pagos em função do que estudamos e muito menos em função daquilo que trabalhamos.

    Está provado que, para algumas pessoas, é fácil dizer uma coisa e fazer o seu contrário.

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  12. Já agora dizer que me enganei quando antevi que o problema do défice de funcionários seria colmatado com os estágios profissionais na administração pública (PEPAP), os tais destinados a licenciados.

    Como era para trabalhar a sério e o tempo é coisa que não sobra, muito menos para ensinar quem já se acha por vezes já bem ensinado, estava visto que os Tribunais não seriam contemplados.



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  13. Não sei quanto custa fazer circular um "infomail" mas não seria descabida a ideia de o fazer.

    Se calhar a CM TV estaria disposta a um anúncio televisivo em horário nobre ... não sei ... é tentar.

    Seria estrondoso e assunto em vários noticiários.

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  14. Parabéns ao SOJ.
    Excelente iniciativa!..

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  15. Mais uma iniciativa do SOJ

    O SOJ anunciou o início de recolha de assinaturas para uma petição pública dirigida a Assembleia da República para seja designado o dia do Oficial de Justiça!

    Força SOJ. Assim, sinto-me representado!...

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  16. Boa malha, parabéns ao SOJ!

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  17. Visão:

    "...Oficiais de justiça denunciam silêncio do Ministério e antecipam greves cirúrgicas

    Lusa
    O Sindicato dos Oficiais de Justiça (SOJ) acusa o Ministério da Justiça de não responder às reivindicações do setor sobre dignificação da carreira e promete avançar com greves cirúrgicas em alguns tribunais já em outubro

    LUSA
    SOCIEDADE
    27.09.2022 às 19h49
    Depois de ter entregado uma carta aberta no Ministério da Justiça em 02 de setembro e de ter procurado uma reunião com Catarina Sarmento e Castro, o presidente do SOJ, Carlos Almeida, disse à Lusa que “não houve qualquer resposta por parte da ministra” às preocupações manifestadas pelo sindicato e critica a “inércia” governamental nesta matéria, lembrando o silêncio da governante no recente Conselho Consultivo da Justiça.

    O SOJ decidiu avançar com uma série de anúncios nos jornais a pedir candidatos para a “excelente oportunidade de trabalho”, apresentando como regalias um salário bruto de 792,10 euros, “garantia de assédio laboral e forte probabilidade de ‘burnout'” e centenas de horas extraordinárias por ano “efetuadas e não remuneradas”.

    “A razão dos anúncios tem a ver com a inércia do Ministério da Justiça e a falta de condições que é dada aos oficiais de justiça. Todos reconhecem a falta de oficiais de justiça, mas as condições são péssimas e algumas violam mesmo os direitos fundamentais. Apresentámos o anúncio para que os cidadãos conheçam a carreira e vejam se é atrativa. Estas são condições reais. Algumas raiam mesmo o hilariante”, disse Carlos Almeida...."

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  18. Sábado.py:

    "...Oficiais de Justiça convocam greve dois dias em outubro

    Presidente do Sindicato dos Oficiais de Justiça diz que apenas é pedido que se cumpra a lei. Carta enviada à ministra da Justiça ainda não obteve resposta.

    "Exige-se robustez física e psíquica (para suportar violência psicológica e cargas pesadas); disponibilidade 24 horas por dia (sem direito a qualquer compensação). Disponibilidade para ser colocado/a a mais de 500 quilómetros de casa", lê-se num anúncio do Sindicato dos Oficiais de Justiça (SOJ) divulgado no jornal Público. À primeira vista parece ser uma proposta de emprego normal, mas trata-se de uma iniciativa do sindicato...."

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  19. É este o caminho. Muito bem.

    É mandar para a equipe do RAP. Dá uma boa rábula televisiva.

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