Querem 80? Levam 26, se os houver; para não dizerem que não fazemos nada

      No seguimento da nossa notícia aqui publicada nesta última segunda-feira 26DEZ, intitulada "Comarca considera ineficaz a ação da DGAJ/MJ e propõe contratos para ingresso de 80 tarefeiros", na qual se abordava a anunciada necessidade da Comarca de Lisboa Oeste de, pelo menos, 80 pessoas com contrato para dois anos, para suprir a falta de Oficiais de Justiça, eis que a Direção-Geral da Administração da Justiça, no dia de ontem, em reação a tal necessidade, divulgou a possibilidade de destacamentos de Oficiais de Justiça para dois núcleos daquela mesma Comarca, mas, em vez de 80, apresenta a quantidade máxima de 26 (16 para Sintra e 10 para Cascais).


      Estes destacamentos excecionais (artº. 56º EFJ) permitem a colocação (máxima e a prazo) em Sintra de 10 Escrivães Auxiliares e 6 Técnicos de Justiça Auxiliares, e em Cascais de 4 Escrivães Auxiliares e 6 Técnicos de Justiça Auxiliar.


      Diz a DGAJ:


      «Esta medida excecional visa dar uma resposta urgente a uma situação em que, esgotados todos os meios ao alcance dos órgãos de gestão daquela Comarca e desta Direção-Geral não é possível assegurar o funcionamento dos serviços dos núcleos de Sintra e de Cascais.»


      Realçamos as afirmações: “esgotados todos os meios ao alcance” e “não é possível assegurar o funcionamento dos serviços”.


      Quer isto dizer que a DGAJ não sabe que mais há de fazer a não ser esta opção do surgimento espontâneo de voluntários, designadamente, não desenvolvendo, ou não podendo desenvolver todas as diligências necessárias junto do Governo para que tivesse havido, ou que venha a haver, um atempado ingresso de Oficiais de Justiça para que não se chegasse a esta situação de se afirmar que “não é possível assegurar o funcionamento dos serviços”.


      Claro que a eficácia dos destacamentos é de efeito muito duvidoso, não só porque os núcleos em causa não são do interesse de muitos, como a provisoriedade dos destacamentos não contribui para a estabilidade de vida que os Oficiais de Justiça procuram, e ainda porque há restrições para a mobilidade dos interessados que não permitem que qualquer Oficial de Justiça possa ser destacado.


      Prossegue assim a DGAJ:


      «Porém, esta medida tem de considerar o funcionamento dos serviços de outros tribunais ou núcleos de secretaria; nesse sentido, impõe-se que sejam definidos critérios para a concretização dos destacamentos excecionais. Assim, determino que: (1) Apenas sejam aceites candidaturas de Oficiais de Justiça, das categorias indicadas, que exerçam funções em núcleos com défice inferior a 16,6 %, correspondente à média nacional de défice nos núcleos e (2) Não sejam aceites candidaturas de Oficiais de Justiça que exerçam funções na jurisdição Administrativa e Fiscal, considerando que nos mesmos se encontra em curso um plano de recuperação de pendências.»


      Apesar destas restrições e das restrições naturais pessoais da vida dos Oficiais de Justiça, ainda assim, a DGAJ considera que poderá surgir um número de interessados superior àqueles destacamentos, pelo que também ficou determinado que «Caso as candidaturas sejam superiores ao número de destacamentos pretendidos, os candidatos serão ordenados de acordo com as preferências legalmente previstas para a transferência e para a transição dos Oficiais de Justiça constantes do artigo 13.º do EFJ.» Obviamente.


      Assim, caso haja algum Oficial de Justiça interessado em candidatar-se a estes destacamentos, poderá manifestar a sua vontade até ao dia 09JAN através do e-mail: drgrh@dgaj.mj.pt


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      Fonte: "DGAJ-Notícias" e "DGAJ-OfícioCircular".


 

Comentários

  1. Se fossem homenzinhos e mulherzinhas, deixavam de brincar e DEMITIAM-SE, por absoluta incompetência e leviandade para o cargo.

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  2. A comarca de Santarém em 2023 vai entrar em ruptura.
    É um dado certo.
    Desmotivação, mal pagos, falta de OJ.....
    Acções sindicais em 2023 nem vê-las.

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  3. Tonito, Carlitos, hora de levantar.
    A ber se se faz alguns coisa, carago.

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  4. Se as pessoas que se encontram em comissão de serviço fossem íntegras....

    CESSAVAM A COMISSÃO

    Assim são coniventes com a situação.

    Falam... falam... e não fazem nada.

    Que bom ter salário alto. Sou importante.

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  5. Os "comissários" são promovidos os outros que se f...

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  6. Estou em comissão de serviço e ganho o mesmo salário, estou num escalão que corresponde praticamente ao primeiro da categoria superior.

    No entanto o colega vai-me perdoar mas não tenho essas manias, pelo menos não tanto com os demais.

    No meu caso a conivência é a de que concorri para um lugar declarado vago no concurso e que não foi preenchido por arbítrio da DGAJ.

    Como estava colocado num núcleo e recolocado noutro por decisão da gestão da comarca não pensei duas vezes em aceitar a comissão.

    Entrei na década de 90, e já dei horas suficientes para entender que não somos bombeiros, nem médicos de um SU ou do INEM, para andar a vida toda a ocorrer a situações de serviço acumulado que não são conjunturais, antes estruturais e decorrem da incompetência que é permitida por nós todos.

    Acordamos todos os dias, transportamos ou arrastados as nossas carcaças para o trabalho, sempre em alta rotação como um atleta de alta competição, até estourarmos.

    É triste mas é assim que vai a nossa vida.

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  7. Quantos são?? Quantos são??

    Será que alguém quer concorrer para ali?

    Baixo salário, rendas altas, afundados em trabalho, sem horários de saída...

    Quantos colegas se vão reformar para o ano?
    Alguém sabe?
    Já ouvi falar em 400/600.
    A ser verdade vai começar a rutura de serviços em várias comarcas.

    Viva a inteligência artificial.
    A justiça caminha para onde o Costa quer, completamente inoperacional.

    Tic tac, tic tac......

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  8. É preciso ver que os comissários são como os funcionários colocados em regime se substituição em cargos de chefia.

    Todavia, o signatário concorreu a escrivão de direito, a técnico de justiça principal e a secretário, e apesar disso quem ocupou na comarca e núcleos respectivos os cargos de chefia foram colegas que nem sequer fizeram o concurso por opção pessoal.

    Resignado e conformado com esse facto tratei da minha vidinha e não é por isso que perco a minha integridade ou sou hipócrita.

    Tudo isto está mal e mal continuará por muito que se escreva ou propale bonitas palavras e a culpa é de todos nós e não é só dos comissários.

    Mas o colega tem razão pois um dia destes cessam as comissões e regressamos todos a casa sendo os cargos ocupados por técnicos superiores.

    Temo que todos nós ingressarem os num grupo especial de tarefeiros.

    Há quem trate do lixo da rua nos trataremos do lixo humano, daqueles que se colocam á margem da sociedade.

    Há sempre faccionarios, umas vezes criando divisões entre licenciados e não licenciados, ao que parece também com os "comissários", se calhar entre auxiliares e adjuntos, enfim o mal está em quem gere os recursos e não em quem, de forma transparente, tenta a realização profissional.

    Já dizia o Salgado Senha que os portugueses não querem ser melhores que o outro, nas que os outros não sejam melhores que eles.

    Enquanto for assim não vamos a lado algum.

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  9. Tanta demissão no (des)governo... podiam e deviam aproveitar...


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  10. Ao ponto a que chegamos!...

    Quando são as próprias responsáveis da DGAJ a assumirem que se encontram esgotados
    todos os meios ao seu alcance e que já não é possível assegurar o funcionamento dos serviços dos núcleos de Sintra e de Cascais, impõe-se que assumam as suas responsabilidades e peçam a demissão.

    E têm que assumir as suas responsabilidades "políticas" pelo simples facto de ocuparem cargos de nomeação política.

    Tinham perfeito conhecimento de que vários serviços estavam e estão a beira da rotura por falta de Oficiais de Justiça.

    Não alertaram o Ministério da Justiça para o perigo que se avizinhava ou, se o fizeram, conformaram-se com a inação.

    Demitam-se!...













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  11. Leia-se o relatório da DGAJ de 2014 (apresentado em 2022!) quanto ao assunto dos sistemas informáticos que substituem "com eficácia" OJ.

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  12. O assunto em questão é mesmo grave e só espero que os Sindicatos façam chegar aos órgãos de comunicação social esta divulgação da DGAJ, bem como ao Senhor Presidente da República e ao Senhor Bastonário da Ordem dos Advogados.

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  13. Aqui nos meus papéis apareceu-me uma carta assinada pelo Sr. Costa Primeiro Ministro, então Ministro da Justiça, a divulgar a videoconferência como o início do futuro!

    É pena o gasto em material de uso pouco intuitivo, quando outro mais barato faria mais e melhor, e em meios humanos adstritos para o efeito.

    Enfim. Instalam-se PC's com Windows 10 a dias de estar generalizado o Windows 11.

    As licenças do MS Office não existem, o que demonstra a vontade de modernização. Só se for dos bolsos de intermediários, comissionistas ou de vendedores de material informático.

    Mas só se olha para as "TAP's".

    Modernização?

    Com "material" obsoleto ou sub aproveitado?

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  14. Mas não foi um sindicato que denunciou esta situação? É que pelo que tenho lido foi um sindicato que colocou a nu a situação. A César o que é de César, senão um dia já ninguém entende nada.

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  15. O facto mais relevante desta notícia, é que é a primeira vez em que um Diretror-geral da Administração da Justiça reconhecer não ser possível assegurar o funcionamento dos serviços por falta de Oficiais de Justiça.

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  16. Constitui declaração de incompetência própria. E depois?


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  17. Que há falta de oficiais de justiça é um facto, não resolvem porque não querem. Agora há um outro facto, há oficiais de justiça a exercer funções que não são de oficiais de justiça. Em entidades ou serviços que facilmente os poderiam substituir por técnicos ou administrativos com a qualificações e caracterização das funções a desempenhar. Voltando os oficiais de justiça para as secções de processos. Incomoda, sim incomoda alguns, mas aí o numero de oficiais de justiça a exercer as funções para as quais concorreram e foram admitidos seria um dado concreto. Quanto aos oficiais de justiça que deveriam voltar ás secretarias, por forma a não prejudicar ninguém, teriam preferencia nas vagas a a abrir nas respectivas entidades desde que tivessem qualificações para tal função, deixando de pertencer á carreira de oficial de justiça.
    Escusavam de dizer que há 5000 oficiais de justiça de uma grande parte não trabalha em Tribunais, não exercendo portanto as funções inerentes a essa profissão, nem se encontrando em secretarias de tribunais.

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  18. Olhe que a ideia pode pegar.

    Surge é um pequeno problema, como os oficiais de justiça são pau para toda a colher, pode acontecer que se descubra ainda mais a manta.

    Com efeito quantos OJ estão na DGAJ/IGFEJ, na PGR e noutros organismos dentro da estrutura da justiça?

    Será que regressarem aos Tribunais isso não vai fazer colapsar o seu funcionamento e tornar o problema ainda maior, seria como uma bola de neve a agigantar-se ao longo dos tempos.

    Já se percebeu que este Ministério é o próximo a bater com a porta pois apostou as fichas todas na informática não cuidando de, no entretanto, assegurar um número mínimo de funcionários para o serviço ser assegurado.

    Volto a afirmar que o problema é bem maior, dou o exemplo de Celorico da Beira, em que a média de idades nos serviços ao que julgo ultrapassa os 62 anos, mas ao que parece deve haver muitos mais por esse país fora.

    Isto está caótico e está generalizado.

    Se tivessem poupado o dinheiro do balcão mais em tribunais que não faz sentido algum a sua existência e o canalizassem para o reforço do pessoal até a implementação dos novos sistemas teria sido melhor.

    Em lugar disso andaram a criar mais juízos, apenas para servir o interesse dos srs magistrados nomeadamente judiciais, mas com os mesmos ou melhor cada vez menos funcionários e sem a especialização destes que ficou na gaveta.

    Agora vão pagar o preço pois faltam ainda 4 anos de governação e o sistema está visto que não sobrevive até lá.

    Saúde para 2023

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  19. https://www.rtp.pt/noticias/pais/oficiais-de-justica-pedem-reuniao-do-conselho-de-estado-sobre-falta-de-funcionarios_n1456671

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  20. Descobriram agora que os tribunais sem oficiais de justiça não funcionam!!!



    Descobriram agora que nada vale um juiz dar vinte, ou cinquenta ou cem sentenças por dia se elas não saírem do gabinete.

    Descobriram agora que são os oficiais de justiça que metem a máquina da justiça a funcionar e que sem eles todo o sistema judiciário colapsa!!



    Com tanta inteligência artificial e tanto algoritmo, admira-me como ainda não tinham dado conta ...

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