Greves para inglês ver
O Sindicato dos Funcionários Judiciais (SFJ) manteve na sua página de Internet desde o dia 08JAN até ontem, isto é, durante quase todo o mês de janeiro e especialmente neste período de entrega das listas às eleições legislativas, uma nota com instruções de como obedecer aos serviços mínimos decretados para a sua greve fora de horas, após as 17H00.
Nessa nota informativa, sempre em exibição, estavam descritas as operações materiais decorrentes das eleições, com todo o pormenor, desde o prolongamento do horário até às 18H00, até aos dias especiais de afixação de listas, do resultado do sorteio e outros atos, tudo para que seja obedecido.
Obviamente que estes serviços mínimos não invalidam nem anulam a greve de todas as tardes e noites, entre as 13H30 e as 24H00, decretada pelo Sindicato dos Oficiais de Justiça (SOJ), greve esta que também ocorre no mesmo horário daquela do SFJ e não tem qualquer tipo de serviços mínimos decretados, o que faz com que aqueles serviços mínimos do SFJ sejam inúteis e não careçam de qualquer obediência.
Durante todo este período eleitoral inicial o SFJ, com as suas três greves ativas (a das segundas, terças e quintas; a das quartas e sextas e a fora de horas), nunca apelou à realização de nenhuma dessas greves, ou de todas, durante os períodos de relevância eleitoral. É como se as greves não fossem para cumprir ou, como popularmente se diz, eram “para inglês ver”, ou apenas para “dar nas vistas”.
A intenção de realizar uma autêntica ação que chamasse a atenção no processo eleitoral não existiu, podendo considerar-se que as greves são para fazer, sim, mas sem causar especial mossa nem desrespeitar eventuais compromissos assumidos.
Em alternativa à possibilidade de levar a cabo uma ação com real impacto, foi criado um folheto para ser entregue pelo país fora a cada lista no ato da entrega das listas em tribunal.
Portanto, daqui se comprova que a ação de luta do SFJ neste período eleitoral não passava pelo aproveitamento desta oportunidade única das greves sem serviços mínimos, mas pelo folheto.
O folheto, diz o SFJ, é um “memorando com as reivindicações da classe, nomeadamente a falta de condições nos tribunais”. Trata-se, portanto, de um regresso ao passado, àquela célebre “Caravana da Justiça” que percorreu o país para chegar tarde ao Parlamento e elencar os problemas dos edifícios.
O SFJ, antes de ser um sindicato de defesa das infraestruturas, deveria focar a sua atenção, toda a sua atenção, na defesa de, pelo menos, os seus associados contribuintes.
Essa ação de luta tão estridente, levada a cabo nas sedes das comarcas, com a entrega do tal folheto, foi acompanhada de um pedido suplementar: que os representantes sindicais se fizessem fotografar junto dos cabeças de lista no momento da entrega do papel, o que ocorreu, exibindo agora o SFJ na sua página as imagens dessa magnífica ação de luta em defesa das infraestruturas, como a imagem que abaixo reproduzimos e que corresponde à entrega de uma lista em Viseu.
Ao mesmo tempo, por estes mesmos dias, sentindo os Oficiais de Justiça o marasmo e a caricatura a que chegou a sua luta, depois de assistirem boquiabertos às realmente fantásticas lutas de outras classes profissionais públicas, espontaneamente se organizaram, completamente à margem dos sindicatos, e por sua própria iniciativa, de mão em mão, de e-mail em e-mail, chegaram a todo o país.
A iniciativa consistia (e consiste, porque ainda está pendente) no envio de uma missiva a várias entidades, que rapidamente os Oficiais de Justiça quiseram transformar num abaixo-assinado, porque queriam fazer parte dessa ação, porque queriam fazer algo em vez de estarem parados, sendo o documento assinado rapidamente por grande número de Oficiais de Justiça pelo país fora.
Durante a recolha de assinaturas, os Oficiais de Justiça que aderiram à iniciativa depararam-se com obstáculos e obstaculizações de grande parte da máquina do SFJ, porque a iniciativa individual e a espontaneidade, à margem da organização, não é bem-vista, e não só não é bem-vista, como é mesmo malvista pela organização.
Nenhuma entidade corporativa de trabalhadores gosta de assistir à possibilidade de tantos trabalhadores, para além de trabalharem e pagarem quotas, se organizarem e concretizarem qualquer ação que eles próprios idealizaram, sem necessidade da bênção da organização.
A espontaneidade na ação dos trabalhadores é algo que repugna as organizações de trabalhadores, e bem, porque demonstra muito bem às organizações como podem ser dispensáveis e substituídas, estando a força dos trabalhadores não nelas próprias, mas nas mãos dos próprios trabalhadores.

Fontes: "SFJ Nota Serviços Mínimos" e "SFJ Entrega de memorando".
Por isso medei para o SOJ
ResponderEliminarMas com este marasmo qualquer dia deixo de vez de ser sindicalizado.
Assim com ações silenciosas nunca se conseguirá nada.
Tristeza.
Parabéns aos colegas de Penafiel. Ao menos abanam esta coisa.
Com 800€ de inicio de carreira não vai conseguir gente.
ResponderEliminarPor este andar não haverá funcionarios a breve tempo.
E quem fica, em sitios afundados, começa a adoecer.
Eu sou um deles, volume de serviço incomprtavel para os que estão ao serviço.
Será que sindicatos e desgovernantes querem mesmo continuar a fazer adoecer quem está ao serviço?
ResponderEliminarÉ urgente derrubar a cúpula dirigente do sfj.
Ontem já era tarde!
ResponderEliminarAconteceu esta semana ...
ResponderEliminarUm ou mais aviões, um deles era um Hércules C-130, levou cerca de 300 homens, entre magistrados, inspetores e outros operacionais, em passeio á Madeira, onde tinham mais de 20 ou 30 viaturas alugadas.
Motivo: buscas e detenções de 3 indivíduos, 2 empresários e 1 autarca a que se somou o visado mais conhecido Albuquerque, sendo que um deles até estava em Lisboa.
Um ex PGR, Cunha Rodrigues, disse ontem á Renascença o que fazia se fosse ainda PGR, pedindo explicações sobre os meios empregues na operação e os custos associados.
Pior que os custos e meios, referiu-se á simbologia do acto: um avião de guerra com 200 inspetores da PJ aterra numa ilha no âmbito de uma investigação criminal que visava um autarca, a figura principal do governo regional e dois empresários.
Dizem que desde 1931 ou 1936, não acontecia algo idêntico.
Esta desproporção de meios, que Cunha Rodrigues diz ter de ser justificada, é por muitos entendida como uma justicializacao da política.
O certo é que o MP , as suas investigações, levou á demissão de dois líderes de governos, no continente e na madeira, enfraqueceu o líder da oposição e vai seguindo o seu caminho.
A justiça tem o seu tempo e é atuante.
Vamos ver como tudo se desenvolve.
Eu espero sentado no sofá.
Os oficiais de justiça esperam que haja mais iniciativas, como a de Penafiel, mas dirigidas ao presidente do sindicato, SFJ.
ResponderEliminarEu gostaria de ver este dirigente responsabilizado pelos seus atos (seja por via de ação ou da inacção).
Só assim se conseguirá obter resultados - a solução é uma nova estrutura sindical - talvez uma associação profissional que defenda e apresente soluções para os nossos problemas.
Muito gostaria de ver um oficial de justiça sindicalizado a mover uma ação contra o dirigente sindical recorrendo ao apoio jurídico do próprio sindicato.
Pois não basta demandarem em ações judiciais a DGAJ quando o SFJ é um dos maiores responsáveis do problema.
Noto que os problemas que levaram a ações judiciais mantêm-se no texto do EFJ o que veda, por exemplo, á aberturas de concurso a secretários e de escrivães de direito e técnico de justiça principal.
Como é que é possível esta inacção gritante de ambos os sindicatos - que se bastaram com avisos de greve.
Era preciso descobrir a careca dos ainda responsáveis pela pasta, esta equipa do ministério da justiça foi extraordináriamente incompetente e desleal com a nossa classe.
Mas tudo se passa como se a nada tivesse acontecido, como se o tempo tivesse parado, mas não está... o tempo é devorador ... e as nossas vidas não são eternas.
É preciso atitude já....
A palavra é mudar, mudar, mudar, mudar, mudar ...
ResponderEliminarRefiro-me á equipa do MJ mas também aos dirigentes sindicais, de ambos os sindicatos.
O presidente do SOJ, depois do evento da caca que contou com a Alexandra Leitão e o SEAJ, ou seja com os atuais responsáveis e com a protocandidata a ministra da justiça, e ficou todo inchado, de tal maneira que ainda hoje não consegue verbalizar nada por se encontrar em convalescença da caimbra no músculo facial.
Lembro que aquela voluptuosa senhora foi acusada de bullying aos nossos colegas do IRN.
Ao presidente do SOJ sugiro que leia Cervantes, que eu resumo: quem será mais maluco, o louco que luta contra moinhos de vento e vive num mundo irreal, ou aquele que se deixa bajular pelos elogios, una vez falsos outra vezes de cortesia, e que por isso se apressa a considerar o louco como pessoa virtuosa.
Precisamos todos de tomar banhos de água fria, para activar a circulação sanguínea...
Realmente o homem ficou tão convalescente da caimbra no músculo facial que acabou por publicar milhares de fotos e videos desse evento.
ResponderEliminarÉ preciso demissões na DGAJ: de dirigentes máximos a intermédios.
ResponderEliminarVejam como publicaram pela surdina as datas do congresso.
ResponderEliminarCarlos Almeida, já tem uma resposta da Senhora PGR sobre o pedido de fiscalização sucessiva da constitucionalidade sobre as normas do estatuto sobre o trabalho extraordinário?
ResponderEliminarNão se compreende este silêncio!...
Ou já tem, e não quer dizer!...
Eu vou recorrendo ao banco alimentar
ResponderEliminarE sem vergonha nenhuma, apenas digo o salário e o que pago de renda deslocado
Viram as polícias hoje a cantarem o hino nacional em frente à ministra da justiça. Não eram muitos, mas em número suficiente para chamarem a atenção e fazerem parte dos noticiários. Temos de nos mobilizar e de tar a iniciativa. Não podemos esperar mais pelos sindicatos!
ResponderEliminarA justiça tem o seu tempo que é um tempo de constante atraso, para uma magistratura paga principescamente.
ResponderEliminarQuotas sindicais, comidas e bebidas, são mais bem empregues.
Companheiro, vergonha é roubar ou matar sem motivo.
ResponderEliminarForça! Muita força.
Não o conhecendo, um abraço.
Esta está uma profissão de pedintes cheios de deveres estranhos para 800€/ mês, nos quais se incluem horas extraordinárias não remuneradas sem qualquer limite.
Agora, atentem pois a consta neste blog a história de tentativa de suicídio de um Oficial de Justiça, por frustração profissional e de uma Oficial de Justiça desistente que via o seu filho 1 hora por dia, fazendo 4 horas de deslocação tantos os atrasos de transporte.
O país caiu.
Presidente da república,
( 4 Milhões)
Governo nacional,
(Bes , Tap, Altice, Milhões e milhões)
Governo Regional da Madeira.
(Milhões)
Vão todos pendurar-se no carvalho.
Por estes, não há dinheiro para nós.
Eu não tenho vergonha de dizer que varias vezes penso em suicídio por causa do trabalho.
ResponderEliminarBem te percebo, mas não desista da vida, há sempre alternativa a este trabalho.
ResponderEliminarMeta baixa medica e vá procurando outro trabalho, mais vale mais largar isto e ir trabalhar mesmo numa loja, restaurante, etc
Mas suicidio não.
Força aí