Adeus Catarina. Olá Rita!

      Alguém aqui se lembra de algo que a ministra da Justiça cessante, Catarina Sarmento e Castro, tenha deixado como marca na carreira dos Oficiais de Justiça?


      Nada! Esta ministra da Justiça não deixa nada; nem sequer conseguiu implementar cortes na carreira como o fizeram as anteriores ministras da Justiça, Francisca van Dunem ou Paula Teixeira da Cruz, estas, pelo menos, realizaram cortes na carreira, prejudicando os Oficiais de Justiça, desde, por exemplo, a supressão dos três Movimentos anuais à desjudicialização; pelo menos fizeram algo, ainda que negativo, já Catarina nem isso fez; nem isso conseguiu fazer, embora tivesse tentado, é certo que tentou, acabar com a carreira e substituí-la por duas. Mas não conseguiu e a sua passagem pelo cargo representa um mero vazio.


      Mentiu sucessivamente, publicamente aos órgãos de comunicação social e mesmo na Assembleia da República, anunciando resoluções na carreira dos Oficiais de Justiça que nunca implementou, tendo chegado mesmo ao ponto de anunciar que 2023 era o famoso “Ano dos Oficiais de Justiça”.


      Viremos a página.


      Foi ontem anunciada a nova ministra da Justiça para o XXIV Governo Constitucional, liderado por Luís Montenegro: Rita Júdice; de seu nome completo: Rita Fragoso de Rhodes Alarcão Júdice de Abreu e Mota.


      Nasceu a 8 de dezembro de 1973, é licenciada em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade Católica Portuguesa, Escola de Lisboa (1997). Foi sócia da sociedade de Advogados PLMJ, de 2013 a 2023, onde foi cocoordenadora da área de Imobiliário e Turismo.


      Possui mais de 25 anos de experiência como advogada na área do direito imobiliário. É membro da Comissão Executiva da Urban Land Institute (ULI) Portugal e associada da Women in Real Estate (WIRE Portugal).


      Advogada especializada em imobiliário durante 25 anos no escritório fundado pelo seu pai, José Miguel Júdice, que também foi bastonário da Ordem dos Advogados, Rita coordenava, no PSD, a área para a Habitação. Na campanha eleitoral nunca falou de Justiça.


      Foi eleita como deputada pelo círculo de Coimbra e garantia, em declarações ao jornal "Campeão das Províncias", que queria ser “os ouvidos e a voz de Coimbra” no Parlamento. “Estava longe destas andanças, mas agora estou totalmente focada e concentrada em trazer a maior projeção possível ao distrito”, dizia durante a campanha, referindo-se ao local onde o pai nasceu.


      “Coimbra não é uma segunda escolha, não é um plano B ou um trampolim”, garantia há um mês Rita Júdice, quando apresentou a sua candidatura a cabeça de lista da AD por Coimbra, região que devia, no seu entender, “assumir uma nova centralidade no país”.


      Em janeiro deste ano, seis meses depois de sair da PLMJ sem um novo rumo definido, assumia a sua inexperiência política: “Sou independente, nunca estive em nenhuma filiação política, fui chamada a trabalhar como independente no Conselho Estratégico Nacional”.


      Oradora na convenção que a AD realizou, também nessa no Estoril, falou da pobreza, da competitividade da economia nacional, da habitação, dos cuidados continuados para a população sénior e da capacidade de o país atrair e reter talento. Sobre Justiça é que nem uma palavra.


      Com 50 anos e três filhos, Rita Alarcão Júdice, em 2011, assumia à revista Advocatus, ligada ao setor da Justiça, a importância da religião na sua vida, que a levou a integrar as Equipas de Nossa Senhora, vocacionadas para a espiritualidade conjugal. E também o seu gosto por viagens.


      No ano anterior, em entrevista ao Diário Económico, criticava o sistema judicial: “A justiça é um labirinto” que “leva muitos clientes a deixar de investir em Portugal”. E contava como tinha terminado o curso de Direito na Universidade Católica com 13 valores, porque namorava muito e estudava pouco. O marido também é advogado.


      Para António Marçal, presidente do Sindicato dos Funcionários Judiciais (SFJ), “Rita Alarcão Júdice é uma pessoa que conhece muito bem o sistema judicial português”, começou por dizer ao Expresso, desejando-lhe “sucesso” na legislatura.


      “Tendo sido cabeça de lista do PSD por Coimbra, parece significar que terá a capacidade necessária para influenciar a tomada atempada das políticas públicas que nesta área se impõem. O seu sucesso será o sucesso da Justiça”, disse António Marçal.


      “Poderá contar connosco para levar a cabo o trabalho árduo que terá pela frente. Como oficial de Justiça espero que consiga dar resposta aos problemas que nos afetam diretamente e à questão da rutura muitos serviços”, concluiu, pedindo que “concretize algumas medidas que o PSD sempre apoiou e reafirmou durante a campanha eleitoral”.


      Já Paulo Lona, novo presidente eleito do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público, confessou que não a conhece, mas deseja-lhe “boa sorte”. “Esperamos um diálogo construtivo com todos os operadores judiciais sobre as carências que são conhecidas. É necessária uma visão global do setor, para que não haja a ideia de que a justiça só é uma prioridade nacional quando se torna incómoda para o poder político, à boleia de dois ou três casos”, afirmou.


      O ainda presidente da Associação Sindical dos Juízes Portugueses não comentou e, por sua vez, a bastonária da Ordem dos Advogados foi mais reivindicativa que os próprios sindicatos. Fernanda de Almeida Pinheiro também desejou “a maior das felicidades”, contando com a sabedoria e conhecimento de Júdice “para ouvir todos os intervenientes da Justiça” e pediu ajuda para os problemas da Justiça: “falta de meios, falta de recursos humanos e tecnológicos”; a questão dos estatutos da Ordem (que anunciou que iria propor a alteração); e, por último, a “revisão da tabela remuneratória dos advogados inscritos no sistema no acesso à justiça e aos tribunais”.


      “Desde que a senhora ministra esteja disponível para trabalhar e para ajudar a Justiça, exigir para a Justiça os recursos que necessita e ouvir os seus interlocutores (…) poderemos ter naturalmente uma forma de chegar a consensos e fazer avançar a Justiça”, concluiu a bastonária.


      A tomada de posse da nova ministra da Justiça ocorrerá na próxima terça-feira, dia 02ABR e a dos secretários de Estado, cujos nomes ainda não foram indicados, ocorrerá dois dias depois, estando o debate do programa de Governo marcado para os dias 11 e 12ABR.


MJ-RitaJudice2.jpg


      Fontes: “Público”, “PSD”, “Linkedin” e “Expresso”.

Comentários

  1. Não se esqueçam de uma coisa.
    Muda a ministra mas directora geral e vice directora são as mesmas.
    Pequeno grande problema.
    São estas as grandes influenser do sistema
    De borla, não esperem nada
    Com luta que possa estragar imagem e votos, podemos conseguir alguma coisa
    Acreditar na boa vontade etc que não

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  2. vamos ver quem são os secretários da MJ

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  3. Já dizia o pai dela:

    "Os funcionários públicos ganham muito bem, são uns chulos e uns parasitas do Estado."

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  4. Mais uma para não fazer nada e ganhar currículo e pontos de contacto para a sua vida profissional fora do governo.
    Um déjà-vu há 50 anos.

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  5. Ohh...
    Estava com esperança que o chega com tanta pedinchice ao Montenegro, conseguisse um ramo de arvore no governo!
    Que chatice....

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  6. Não estou muito otimista.
    Cheira-me a politicas de Passos Coelho parte 2. Claro que mais soft, mas sabemos que a direita nao valoriza funcionarios publicos. Estou a prever que a canalização dos dinheiros do superávit irão na maioria para o sector privado e novas PPPs, agora na ferrovia. Ainda vamos passar a pagar portagem para andar de comboio (tgv). Os capitalistas ja afiam os dentes.

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  7. Sem duvida.
    As mesmas de anos continuam lá na dgaj para nos continuar a tramar com decisões que levaram a este estado de gestão miseravel de recursos.

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  8. Pois, e o apoio judiciário nada tem de parasitismo? Eheh

    Só para rir

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  9. Acabem com as tretas29/3/24 11:14

    Afirmou seria os ouvidos e a voz de Coimbra, mas a verdade é que já não vai ser. Portanto já começa a faltar à sua palavra. Mas já temos o Marçal a elogiar a capacidade, a competência, como sempre faz, e a afirmar a disponibilidade para contar connosco. Parece certo uma coisa, a preocupação da ministra com o edificado, será também a prioridade do Marçal.

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  10. Deixe lá o chega
    Engula que é mais fácil

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  11. Não mexam nas tabelas salariais e verão quantos ojs conseguem captar.

    Já falta pouco para não haver funcionarios nos tribunais.
    Se é isso que querem, estão a conseguir.
    Continuem.

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  12. "Especialista em direito imobiliário", o que quer dizer especialista em fazer escrituras e registos nas conservatórias.

    Que grande currículo...

    LOL

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  13. Os galhos já estavam todos ocupados por macacos...Ou muito me engano ou ainda se vai arrepender do seu sarcasmo!
    A direita nacionalista sempre quis um Estado forte e os seus servideores respeitados, dignificados e com autoridade!!!

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  14. "É Licenciada em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade Católica Portuguesa, Escola de Lisboa (1997). Foi sócia da sociedade de Advogados PLMJ, fundada pelo seu pai José Miguel Júdice, de 2013 a 2023 onde foi co-coordenadora da área de Imobiliário e Turismo.[3]

    Possui mais de 25 anos de experiência como advogada na área do direito imobiliário."


    Tem tudo a ver com as preocupações do marçal...


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  15. A julgar o que o pai pensa dos funcionários que trabalham para o Estado não é bom sinal.
    A julgar pelo o que o pai anda a fazer na nova justiça " privada" já se adivinham algumas alterações na legislação.
    Relativamente à especialização que a senhora tem ainda ninguém
    teve a curiosidade em saber que tipo de negócios foi mediadora e acima de tudo quem é que representou...
    Não foi certamente o vulgar cidadão que tratou da compra ou venda de uma casa para habitação......
    Porventura mais importante que a nomeação da ministra são os nomes das secretarias de Estado, pois será essa pessoa a tratar do nosso estatuto e das nossas reivindicações.
    Vamos estar atentos a essa nomeação.
    As expectativas são baixas mas nunca se sabe, fazer pior que a Rita é quase impossível.....
    Agora, uma das prerrogativas dos sindicatos que nos representam para sequer começar a negociar devia ser a imediata demissão da direção da DGAJ.
    As senhoras juízas tem a comissão renovada até ao final do ano, salvo erro, mas podem a qualquer momento solicitar a cessação dessa comissão e voltar lá para onde for, desde que seja bem longe dos OJ.
    Aliás, é preciso ter uma grande cara de pau, não o fazerem....
    Devem mesmo julgar as últimas Coca-Colas do deserto.
    Não ficava nada mal às estruturas sindicais fazer desde já um alerta nesse sentido.
    É correr com aquela gente toda......
    De resto, baixas espectativas até pelo background da senhora.
    Abraço a todas e todos o colegas.
    PS. O feriado de 25 de Abril e o facto de sexta feira podermos fazer greve é já uma boa oportunidade de mostrar à senhora que já perdemos a paciência...
    FF

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  16. As Senhoras da DGAJ, nomeadas pelo "Belito" não podem continuar!...

    É isso que temos que fazer ver a nova Ministra da Justiça.

    Foram elas as mentoras daquele projeto de estatuto que foi chumbado por todas as estruturas sindicais e pelos Conselhos Superiores das Magistraturas.

    As coveiras da carreira dos Oficiais de Justiça não podem continuar em exercício de funções.

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  17. Verdade.

    Vergonhoso o estado dos recursos humanos nos tribunais.
    E teimam em ficar no poleiro.

    Que interesses estão por trás??

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  18. Grandes coveiras mesmo.
    Há anos.

    Nojo!

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  19. Os sindicatos só têm que se colar às manifestações dis polícias se querem conseguir algo.
    Copiar, já que até agora nada.
    Certinho policias vão ter prendas e nós só temos que ir atras deles. Triste, mas sindicatos já que nada têm de inovador ao menos copiem. A ver se levamos algo por arrastamento. Difícil de ser sindicalista entender??

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  20. Adeus "oculinhos extravagantes", olá "filhinha do papá da Quinta das Lágrimas", turismo de habitação!

    Não vamos lá.

    Aliás, já fomos!

    Mais uns anos de "9 to 5".

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  21. SFJ - greve ás manhãs;

    SOJ - greve ás tardes.

    Simples!

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  22. Isso já foi no tempo do Cavaco e com fundos europeus? Não foi?

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  23. Deixa de ser Rita Júdice e passa a ser Rita Mota.

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