Acabaram todos os serviços mínimos das greves
A adesão às greves de ontem, a da manhã do SFJ e a da tarde do SOJ, foi um autêntico sucesso. Houve muitos tribunais que estiveram completamente encerrados, enquanto que os que trabalharam estiveram muito reduzidos de pessoal. De acordo com uma previsão sindical lançada à comunicação social, a adesão teria sido na ordem dos 90%.
Houve também considerável adesão a apelo do SFJ para as concentrações à porta dos tribunais, sendo as de Lisboa e do Porto, obviamente, as maiores.
Abaixo deixamos uma série de imagens tiradas ontem junto aos tribunais, com duas observações:
Desde logo o facto de em alguns locais estarem poucos Oficiais de Justiça, o que não significa que não tenham aderido à greve, bem pelo contrário, os Oficiais de Justiça aderiram de tal forma que não foram aos seus locais de trabalho para a fotografia, uma vez que isso implica, para muitos, viagens demoradas. Por isso, os locais com poucas pessoas nas fotografias significam apenas isso: que poucos foram à fotografia, sem mais considerações. Há até locais que nem fotografia tiraram, porque não estava ninguém para a fotografia, mas tiveram adesão a 100%.
Por outro lado, queremos destacar, mais uma vez, o facto da Polícia Municipal do Porto continuar a considerar que os Oficiais de Justiça do Porto e arredores são pessoas perigosas, não os deixando concentrar, novamente (e já vão duas), em frente ao Palácio, por motivos de segurança, conforme prevê o Decreto-Lei 406/74 de 29AGO que, no seu artigo 13º diz assim:
«As autoridades (…) poderão, por razões de segurança, impedir que se realizem reuniões, comícios, manifestações ou desfiles em lugares públicos situados a menos de 100 m das sedes dos órgãos de soberania, das instalações e acampamentos militares ou de forças militarizadas, dos estabelecimentos prisionais, das sedes de representações diplomáticas ou consulares e das sedes de partidos políticos.»
Quer isto dizer que as autoridades podem impedir a realização a menos de 100 m dos tribunais, mas “por razões de segurança”. Portanto, não há um impedimento automático, como se faz no Porto, sem qualquer alegação de segurança, empurrando, isso, sim, automaticamente, todos os Oficiais de Justiça para o parque em frente ao Palácio da Justiça.
Por outro lado, os tais indivíduos perigosos são os mesmos que, nos outros dias, vejam só, até entram naquelas instalações e nela circulam com todo o à-vontade, mas quando pretendem ficar à porta, tal já não é possível, por razões de segurança. Estas considerações ridículas só sucedem no Porto, no resto do país ninguém considera os Oficiais de Justiça uns tipos perigosos. Será que a Polícia Municipal do Porto tem algum conflito com os Oficiais de Justiça? Ou será que os tipos do Porto são mesmo perigosos?

Queremos também dar notícia de que acabamos de atualizar a lista das greves ativas que estão no cimo da página, principalmente quanto à greve do SFJ que detinha serviços mínimos fixados após as 17H00 que deixou de os ter.
A greve aos períodos fora de horas, decretada pelo SFJ em substituição da greve de 1999, que abarca a hora de almoço (das 12H30 às 13H30) e após as 17H00, está em vigor desde 08-01-2024 e tinha sido atingida por serviços mínimos apenas para o período após as 17H00.
É certo que a greve do SOJ, coincidente no horário, fazia com que esses serviços mínimos ficassem prejudicados, mas sendo esses serviços mínimos agora retirados da greve do SFJ, tudo fica mais tranquilo para aqueles que temiam não assegurar os serviços mínimos nem deixar de observar as escalas.
Portanto, esta greve deixou de ter serviços mínimos, por decisão do Tribunal da Relação de Lisboa que julgou procedente o recurso apesentado pelo SFJ da decisão do colégio arbitral. Mas esta vitória dos Oficiais de Justiça é ainda maior.
Para além do Tribunal ter dado razão ao SFJ e anular os serviços mínimos após as 17H00, ainda rejeitou o recurso da DGAJ que queria impor serviços mínimos também para a hora do almoço. Portanto, perde a DGAJ duplamente e ganham os Oficiais de Justiça a duplicar.
Na informação sindical do SFJ pode ler-se o seguinte:
«Esta vitória não apenas fortalece a posição dos trabalhadores, mas também serve como um marco claro da importância da luta sindical na defesa dos direitos laborais. A DGAJ, ao tentar impor condições injustas e desrespeitosas aos funcionários judiciais, mostra a sua prepotência e falta de consideração pelos direitos dos trabalhadores.»
E conclui assim:
«Ainda bem que Abril aconteceu! Imaginem o que seria um mundo sem Justiça!»
Posto isto, neste momento, não há nenhuma greve ativa com serviços mínimos. Acabaram completamente os serviços mínimos em todas as greves que estão em vigor. E quando se diz todas, quer dizer-se mesmo todas e quando se diz nenhuns quer se dizer mesmo isso: que não há nenhuns serviços mínimos.
Sim, há sempre quem questione coisas como: “E quando uma diligência já começou antes das 17H00, não tem de ser continuada?” A resposta é um perentório Não! Porquê? Porque não há serviços mínimos de nenhum tipo. “E quando for um detido que está a ser interrogado e o prazo das 48 horas estão a acabar, não tem de se concluir a diligência?” Não! Porquê? Porque não há serviços mínimos. “E se forem umas escutas que…” É pá! Parem de complicar, como diz o outro: “Não é não!” Essas ideias de serviços mínimos já não existem; não há serviços mínimos; não há nada. “Então e quando estou escalado não tenho que assegurar, é que na nossa secção há uma escala…?” Peguem na escala e queimem-na. A escala destinava-se aos serviços mínimos que, ao não existirem, não podem existir escalas para uma coisa que não existe.
Portanto, o que queremos dizer é que todos os Oficiais de Justiça, sejam filiados no SFJ ou no SOJ ou em nenhum sindicato, podem interromper todo e qualquer serviço e ir embora às 12H30 e às 17H00, todos os dias.

Resta cumprir mais a greve de amanhã, sexta-feira, todo o dia, em que os Oficiais de Justiça devem aderir massivamente.
Ontem foi já notícia que começaram a ser libertadas pessoas detidas por não ser possível garantir as 48 horas, bem como adiamentos de audiências mediáticas (como pode consultar nas ligações às fontes que abaixo indicamos), mas com a greve de sexta-feira, muitas mais notícias idênticas haverá.
Reiteramos que esta situação de conjugação de greves sem serviços mínimos e um feriado é algo completamente inédito e deve ser muito bem aproveitado pelos Oficiais de Justiça e agora, pois não é nada previsível que alguma vez se venha a repetir uma coincidência destas.
O Ministério da Justiça lançou um comunicado onde explica que não há serviços mínimos, que há um recurso pendente para os impor, mas que ainda não há decisão e diz ainda que não vai haver requisição civil porque não há desrespeito dos serviços mínimos, uma vez que estes inexistem.
Recordar também que os Oficiais de Justiça que farão turno no próximo sábado poderão ter mais trabalho do que o normal, mas mesmo esse trabalho tem uma hora limite. A greve do SOJ de todas as tardes também serve para o sábado, pelo que às 13H30 todos os Oficiais de Justiça em turno de sábado podem aderir a essa greve que, mais uma vez se insiste: não tem serviços mínimos. Às 13H30, também aos sábados, todos podem dizer: “Bom fim-de-semana!”.
Seguem algumas fotografias das concentrações ocorridas no dia de ontem.
Armamar:

Benavente:

Braga:

Bragança:

Castelo Branco:

Chaves:

Guimarães:

Lisboa:

Lousã:

Maia:



Porto:

Porto:

Santo Tirso:

Seixal:

Viseu:

Por fim, fica a seguir um vídeo elaborado pelo Bloco de Esquerda sobre a concentração de Lisboa, que, por ser um bom vídeo que muito bem ilustra o ato e a participação de Lisboa aqui não podemos deixar de colocar.

Fontes: “SFJ Info 24ABR”, “Acórdão do TRL que anula serviços mínimos”, “Comunicado do Gabinete da Ministra da Justiça”, Notícias sobre os detidos libertados: “Diário de notícias” e “Público” e ainda notícias sobre o adiamento do julgamento mediático dos ativistas denominados “Climáximo”, no “Sol” e no “Público”.
Isto é apenas o início.
ResponderEliminarOu bem que nos aumentam de imediato e começam a fazer muito rapidamente novo estatuto ou isto só vai pior.
Força a todas mantenham-se unidos.
Pessoal do JIC, as 17 h tudo a ir para casa, é para libertar, libertem os reclusos...
Paguem às pessoas que tanto dão a esta profissão
Após os 60 dias anunciados nos órgãos de comunicação para o novo governo resolver o "problema" dos oficiais, já quase só faltam 30 dias (portanto no começo de junho) começar uma GREVE GERAL POR TEMPO INDETERMINADO!
ResponderEliminarNão tenham dúvidas que vamos ganhar, porque é justo, porque temo razão!
Abraço.
1) - Mais uma estrondosa derrota da DGAJ através dos tribunais.
ResponderEliminarVolto a perguntar? Ninguém é responsabilizado? Quem é que vai reparar os danos causados aos oficiais de justiça que foram prejudicados pela decisão da DGAJ? Isto é que é democracia?
2) - Os parabéns a todos(as) os(as) oficiais de justiça pela enorme força que ontem demonstraram, aos visíveis e aos que não se viram.
3) - Nota-se uma mudança na comunicação e a quantidade de detidos que ontem e hoje foram libertados mostra que o sistema está mesmo a ruir.
ResponderEliminarA DGAJ precisa de outro 25 de abril
Venho informar todos os oficiais de justiça que o slogan " justiça para quem nela trabalha " é fraco temos que meter outro tipo de frases por exemplo "escravos e mal pagos"
ResponderEliminarSe os magistrados estivessem ao lado dos OJ há muito tempo que isto tinha mudado.
ResponderEliminarA verdade é que apenas palavras de solidariedade dão em nada!
Alguns olham para nós com um certo embaraço, não que a culpa seja deles, mas porque temos tanta, mas tanta razão ...
De qualquer forma a "luta" pertence-nos a nós, e nós vamos faze-la, cada vez com mais intensidade!
A nossa luta até lhes dá jeito.
ResponderEliminarMuita solidariedade mas na verdade não querem que estejamos verdadeiramente bem!!
O importante é manterem-nos pobrezinhos, humildes e submissos!
Se a nossa causa lhes interessasse, há muito que tinha havido mudanças pois os magistrados têm muita força.
Mas na verdade ninguém quer por que a situação tal como está até lhes dá jeito e assim irá continuar!
Então continue sem nada fazer...
ResponderEliminarComentários desses são desnecessários.
O que eles querem na realidade é cordeirinhos como o sr(a) que comem e calam.
Isso é o ideal.
Se nos mantivermos firmes e encerramos os Tribunais, que remédio têm eles senão ceder
tenho lutado...sozinho...estou há mais de um ano a fazer todas as greves do SOJ e também a fazer as greves do SFJ-greve total-sempre fiz greve desde que entrei nos tribunais em 1998-tenho 37anos de descontos e direito a uma reforma antecipada de €425.00!.
ResponderEliminarAinda sou escravo auxiliar!!!
Está sim é uma notícia 25 abrilhena, pois sempre vivi e vivo sob o poder ditatorial de uma DGAG que me oprime-nos oprime, sem que haja nunca responsáveis!!!
Mas conheço a verdade e a verdade nos libertará - um dia...Firme na luta.
Estado policial
ResponderEliminarPrioridade máxima as forças de segurança
Guardas prisionais com reunião marcada
Justiça! Justiça são os magistrados que já estão na calha para novos se substanciais aumentos
Nós, os escravos da justiça, não contamos. E suposto trabalharmos de borla .
Só com muita vontade e luta é que conseguiremos algo
Não esperem facilidades, não esperem reconhecimento
O novo PS, suposto novo, já teve tempo para apresentar algo na assembleia. Teria o apoio do chega e da esquerda, era uma derrota para o governo, mas, ainda assim, também estes, na senda dos anteriores, nada
E só parlapier
Isso lá vai com estiver completamente de rastos, já não falta muito, 2/3 semanas de greve e os serviços já não se levantam
ResponderEliminarDa suficiência deste tipo de greve:
ResponderEliminarReparem. Ao anúncio de nova marcação de greve nos moldes da actual, foi o si Ducato convocado para reunião com a tutela. Objectivo,,,,,,,,, discussão dos serviços mínimos. Mais nada. E por aqui iremos ficar.
Imaginemos que teríamos marcado uma greve de um mês. Será que o objectivo da reunião xom a tutela, seria só serviços mínimos?
Pensem, pelo menos pensem
Mais nada!
ResponderEliminarTudo dito colega.
ResponderEliminarMais vale partir que vergar!
Os responsaveis da dgaj é que nada sabem de gestão e ninguém lhes tira a ditadura.
Até um dia.
A reunião para fixação de serviços mínimos, sempre que não há acordo, é a regra. Muito se teoriza quando se desconhecem as coisas.
ResponderEliminarEssas reuniões se nada trazem da dgaj de concreto, é virar logo costas.
ResponderEliminarNisso o SOJ é mais duro e bem.
Vão brincar e gozar com a mãe deles.
ResponderEliminarObrigado bloguistas!
A situação ridicula de obrigar os oficiais de justiça a atravessar a rua e a manter distância segura para o Palácio da justiça do Porto nao se deve a excesso de zelo da Polícia Municipal ou da PSP por sua iniciativa mas tão só à Sra juiza presidente da comarca do porto, que tem um notório défice de cultura democrática conhecido de todos.
ResponderEliminarÉ preciso dizer isto sem medo.
Se fosse a claque dos dragões já não havia problema algum.
ResponderEliminarCirculavam e manifestavam-se a vontadinha!...
E assim se comemora abril!
Essa, implica que nAo haja outras? Gastaram-se ou gastaram-se as vontades!? Ó grande academico teorio!
ResponderEliminarQue força é essa amigo, que força é essa amigo....?
ResponderEliminar25 de abril, sempre! Liberdade de pensar e fazer.
Fim ao trabalho fora do horário, não pago. As pessoas têm família e direito ao lazer. Preencham os quadros dos tribunais e serviços do MP. É uma necessidade desde há muitos anos.
?Até quando tão poucos, para tanto trabalho e de tanta responsabilidade???
Greve greve e greve até cederem
ResponderEliminarLança-te para a frente Regina.
ResponderEliminarRua Marçal.
A Namora
ResponderEliminartem que ir embora!!!
Como é possível o Marçal não exigir aumentos salariais e revisão do estatuto da carreira? Exigência de não se poder estar mais de 5 anos como auxiliar, por exemplo, etc. Diz que há muita coisa que tem de ser faseada. O que ele não quer é fazer alguma coisa pelos OJ, é deixar passar o tempo porque ele está bem! Fora com ele!
ResponderEliminarFora mesmo já não o posso ouvir com os 10% para pacificar o setor.
ResponderEliminar30€ por mês sinceramente.
Que ignorância não há paciência...
Rua com o homem.
Só aumentos salariais imediatos pacificaram o setor.
Estou farto deste incompetente
Não há paciência para tanta incompetência!
ResponderEliminarJá agendaram reunião e se nada sair de concreto já sabem com o que contar... Não nos iram parar de nada de concreto (aumento de salários significativo)daí sair , greve até às férias judiciais.
ResponderEliminarPessoal do JIC. Nem 1 minuto extra... Já não há desculpas.
Já agendaram reunião! Onde leu ou ouviu? Por favor,diga
ResponderEliminarComunicaco do SFJ Está publicado
ResponderEliminarObrigado. Vou ver, boa continuação de dia. E amanhã, vamos para a greve.
ResponderEliminarEstive a ver e, pela ordem dos trabalhos, ZERO.
ResponderEliminarNada de nada, nanica de nada. Co versa de embalar.....
Não vão embalar ninguém.
ResponderEliminarOu a chegam à frente ou fazemos greve até às férias judiciais, simples
Eu sou auxiliar e a nada de concreto sair desta reunião irei fazer muitas greves.. se ia outros quiserem que me substituam. Já não quero saber já cheguei ao meu limite.
ResponderEliminarO Marçal andou a dizer que decretou uma greve para quarta e sexta porque a ministra nada de concertou apresentou na reunião. Mentiu publicamente, pois todos sabemos que a greve já estava agendada e era a meias com a do SOJ; depois afirmou à comunicação social que o instrumento legal para fazer serviços mínimos era a requisição civil. Errou, desconhecia o próprio processo; afirmou, ainda, à comunicação social que o ministério da justiça perante o caos dos tribunais sem serviços mínimos, não o chamou. Parece que esperava ser chamado para ele mesmo apresentar os serviços mínimos. Agora, a horas de uma greve na sexta, sem serviços mínimos, é célere a informar, numa informação vazia, que vai reunir com a ministra para começar a negociar. Talvez a intenção seja desmobilizar-nos já que amanhã é dia de leitão. É preciso alguém que fale verdade e tenha estratégia
ResponderEliminarConcreto*
ResponderEliminarHá quantos anos está na dgaj essa?
ResponderEliminarE o que os serviços melhoraram nesse periodo?
Duas questões simples para ima a acção em tribunal, não?
Sem aumentos se salario, ninguém vem para isto.
ResponderEliminarPelo ordenado minimo e levar porrada de todos.
Fujam.
Ha males que vêm por bem!
ResponderEliminarOs 20% de inconscientes que votaram chega, que não deixam de ser uma minoria, conseguiram provocar a maior manifestação de sempre desde a que ocorreu no 1 de maio de 1974.
E é aqui que se deve ir buscar a força para lutar contra esta falta de reconhecimento e de dignidade do nosso trabalho.