Esta semana não há greves nas manhãs

      Esta semana não há greves no período da manhã em nenhum dia. Terminaram essas greves convocadas pelo Sindicato dos Funcionários Judiciais (SFJ), no entanto, este mesmo sindicato já convocou novas greves idênticas a começar na próxima semana.


      Esta semana mantêm-se as outras duas greves anteriores, a saber:


      -1- A greve de todas as tardes, convocada pelo Sindicato dos Oficiais de Justiça (SOJ), com início às 13H30 e termo às 24H00, bem como


      -2- A greve convocada pelo SFJ, entre as 12H30 e as 13H30 e ainda após as 17H00 até às 09H00 do dia seguinte.


      Estas duas greves estão convocadas por tempo indeterminado e podem ser usadas todos os dias, mesmo nos sábados, usadas individualmente ou em conjugação umas com as outras.


      A greve do SOJ de todas as tardes está em vigor há mais de um ano, desde 10-01-2023.


      A greve do SFJ da hora de almoço e depois das 17H00 está em vigor há cerca de 5 meses, desde 08-01-2024.


      Nenhuma destas greves tem um prazo final para terminar, ambas estão declaradas por tempo indeterminado.


      Nenhuma destas greves tem serviços mínimos fixados, pelo que nenhum tipo de serviço, mesmo de caráter urgente, tem de ser assegurado.


      Assim, os Oficiais de Justiça podem aderir todos os dias, pelas 12H30 à greve do SFJ durante toda a hora de almoço e a partir das 13H30 à greve do SOJ para toda a tarde e noite, ou, em alternativa, não querendo aderir à tarde toda, podem começar apenas às 17H00 pela greve do SFJ que dura todo o resto do dia.


      Repetimos: estas duas greves têm a particularidade de não terem nenhum tipo de serviços mínimos fixados. Já tiveram, é certo, mas o Tribunal da Relação de Lisboa, em recurso dos sindicatos, anulou os serviços mínimos que os colégios arbitrais haviam imposto para ambas as greves.


      Quer isto dizer que os Oficiais de Justiça podem abandonar o serviço, por greve, todos os dias, sem mais nem menos, independentemente do tipo de serviço que tenham em mão, logo a partir das 12H30? Sim!


      Há sempre quem questione coisas como:


      “E quando uma diligência já começou antes das 12H30 ou antes das 17H00, não tem de ser continuada, até acabar?” A resposta é um perentório Não! Porquê? Porque não há serviços mínimos de nenhum tipo.


      Ou seja, para quem não se declarar em greve tem mesmo de continuar até acabar a diligência ou o ato, seja urgente ou não, mas para quem aderir à greve, então cessa imediatamente tal obrigação e vai embora de imediato.


      “E quando for um detido que está a ser interrogado e o prazo das 48 horas está a acabar, correndo o risco de ser libertado, não tem de se concluir a diligência?” Não! Porquê? Porque não há serviços mínimos.


      A responsabilidade pela libertação ou manutenção da detenção não é do Oficial de Justiça, nem o Oficial de Justiça se deve envolver num assunto que não lhe diz respeito enquanto mero executante e não decisor.


      Por outro lado, obrigando o Governo os Oficiais de Justiça a tomar estas atitudes de greve, a responsabilidade é do Governo, pois os Oficiais de Justiça não fazem greves por gosto, nem passam o tempo todo a perder dinheiro por lhes sobrar.


      “Ah e se forem umas escutas que…” É pá! Parem de complicar, como diz o outro: “Não, é não!”


      Todas essas ideias de serviços mínimos já não existem; não há serviços mínimos; não há nada. Quem não aderir às greves tem essas obrigações de salvaguardar prazos, de continuar diligências, mas quem aderir às greves perde imediatamente essas obrigações.


      “Então e quando estou escalado não tenho que assegurar, é que na nossa secção há uma escala…?” Peguem na escala e queimem-na. A escala destinava-se a serviços mínimos que já não existem, seja para as greves da manhã que acabaram a 26ABR, seja para a greve após as 17H00, cujos serviços mínimos acabam de ser anulados. Portanto, ao não existirem serviços mínimos, já não podem existir escalas para uma coisa que não existe.


      Na próxima semana poderão surgir novas escalas para as novas greves que começarão a partir de 07MAI e de 08MAI, mas isso é outra coisa e é coisa nova, pelo que tudo o que existia até à semana passada deixou de ser válido.


      Em fim, o que queremos dizer é que todos os Oficiais de Justiça, sejam filiados no SFJ ou no SOJ ou em nenhum sindicato, podem interromper todo e qualquer serviço e ir embora às 12H30, às 13H30 ou às 17H00, todos os dias.


      Todos os dias atualizamos o que houver que atualizar em relação às greves ativas na lista que no cimo da nossa página encontra, aí encontrando todas as explicações e ligações aos documentos relevantes de cada greve.


      É necessário mais alguma explicação? Questionem-nos para o nosso e-mail geral: OJ@sapo.pt – respondemos sempre a todos, embora nem sempre seja imediato.


      Por fim, avisar também que a greve do SFJ fora do horário normal de trabalho, isto é, à hora de almoço e depois das 17H00, não implica nenhum corte de vencimento, pelo que ninguém pode deixar de a fazer.  O registo na aplicação da assiduidade limita-se à saída à hora certa (às 12H30 e às 17H00), sem necessidade de qualquer justificação.


      Advertir ainda que, em algumas secções, a interrupção à hora de almoço ou às 17H00, poderá ter como consequências deixar outras pessoas que acorrem aos tribunais penduradas e zangadas com o abandono, mas não é possível aos Oficiais de Justiça agradarem a todos em seu próprio prejuízo.


      O sistema está a funcionar mal, não há Oficiais de Justiça suficientes, os vencimentos são o que são, os sucessivos governos ignoram por completo os Oficiais de Justiça, portanto, não vão ser agora os Oficiais de Justiça sobreviventes que vão segurar tudo, satisfazer todos, continuando a ser prejudicados todos os dias, continuando a alimentar a anormalidade da máquina.


TrabalhoVida.jpg

Comentários

  1. Ainda bem que temos este espaço (e quem está por trás do mesmo), que nos orienta, nos esclarece e nos dá conhecimento valioso.

    Obrigado. Muito obrigado...

    Estas informações/esclarecimentos são MUITO importantes.

    ResponderEliminar
  2. Andam a brincar com os OJ!

    Primeiro, chamam-nos (sindicatos) a uma primeira reunião, onde nada se discute, nem se marca, sequer, uma segunda reunião...

    Depois, passadas duas semanas, e já "estimulados" pela greve, marcam uma segunda reunião para ... para ... calendarizar as próximas reuniões ?!...

    Já agora, os sindicatos que exijam a elaboração de atas das reuniões, para as mesmas serem levadas a conhecimento público, se for caso disso!

    Mas digam-me, andam a brincar connosco?!!

    ResponderEliminar
  3. GREVE em cima desta gente!

    ResponderEliminar
  4. Esta profissão é unica no panorama português do trabalho. Seja público ou privado.
    Onde é que ja se viu um sindicato ter de marcar greves para o periodo fora do horário de trabalho (que é das 9.00 às 17.00) e ainda pir cima os trabalhadores levarem com a exigência de cumprir serviços minimos fora desse horário de trabalho. E sem qualquer pagamento de horas extras. Trabalhar de borla.
    É surreal e mais próximo de uma coreia do norte do que da europa do primeiro mundo.

    ResponderEliminar
  5. É uma das classes mais formatadas e subservientes que eu me lembre.
    E ainda continua mesmo para os novos funcionarios que é suposto terem outra mentalidade.

    ResponderEliminar
  6. "andam a brincar connosco?!!"

    Aos anos...


    ResponderEliminar
  7. Na mouche. Excelente análise e tão simples de ler.
    O mais preocupante é ninguém das nossas cúpulas ter a mínima noção disto mesmo.

    ResponderEliminar
  8. Líder dos licenciados29/4/24 13:22

    Querem começar a lutar de verdade ?? Onde está a respectiva ação judicial no tribunal europeu dos direitos do homem??? Onde estão petições??

    Sim digo petições porque se tiver mais de mil assinaturas tem que ser discutida por membros do governo se tiver 5000 tem k ir á assembleia da república acordem...

    ResponderEliminar
  9. Esta questão do horário de trabalho e horas nao pagas é mais importante do que parece e do que a tutela quer dar a entender.
    Faz dos oficiais de justiça uma classe e carreira especiais sem duvida. Quase equiparada às forças policiais.
    A relação de forças a favor da entidade patronal ficou severamente desiquilibrada quando foi alterada a idade de aposentação para o regime geral.
    E a partir dai foi tudo a desmoronar, não preenchimento dos quadros, desvalorização salarial e da carreira, etc etc.

    ResponderEliminar
  10. O Montenegro é um aldrabão!


    Este governo não vai chegar ao Natal!


    A seguir vem o Pedro Nuno que é outro tangas.

    Estamos tramados.

    A solução é o suicídio colectivo!!

    ResponderEliminar
  11. Tem alguma razão no que diz, alguma só.

    Foi a especificidade da profissão, nomeadamente com a disponibilidade permanente e a realização de tarefas de elevada competência técnica como tramitar execuções e inventários entre outras que permitiram que a profissão, em tempos que já lá vão, fosse uma profissão apetecível e também considerada.

    Os salários e os direitos competiam com os dos professores, dos enfermeiros da PJ.

    Entretanto a profissão perdeu algumas dessas competências e não acompanhou a evolução a nível de habilitações que essas profissões tiveram, embora no topo da carreira/escalões ainda tenha alguma semelhança a nível salarial.

    No início do século e quando já começavam a existir alguns OJ licenciados esse assunto nunca foi devidamente abordado e as sucessivas propostas de alteração de estatutos foram sempre terminantemente recusadas por isto ou por aquilo por não agradarem a Gregos ou a Troianos.

    Ainda hoje continuam a entrar na profissão não licenciados e não se vislumbra qualquer vontade de alterar este sistema numa profissão que se fechou sobre si mesma.

    Fala-se nisso mas ninguém quer assumir uma rutura na profissão e esta vai perdendo a sua importância aos olhos de todos.

    ResponderEliminar
  12. Sim, sim, comece você que nós vamos a seguir!

    ResponderEliminar
  13. Só assim nos darão atenção!!

    ResponderEliminar
  14. Aos ânus!!!

    ResponderEliminar


  15. Enquanto não pagarem como deve ser, rever tabela de salário que não é mexida há décadas, por mim

    9h-17h, nem mais um minuto.

    e baixa por burnout quando fico sozinho numa seção.

    é assim que querem, assim têm


    escravos e escravos a caminho da doença, não, obrigado.

    andam a poupar em oj´s para para pagar corruptos

    foddddd


    ResponderEliminar
  16. Andam a poupar nos oficiais de justiça para depois gastarem em subsídios de doença.

    E, ao mínimo sinal de cansaço, meto baixa.

    É assim que querem, é assim que têm!!!

    ResponderEliminar
  17. Façam greve a partir do dia 8, é combinar nas unidades orgânicas os dias com mais julgamentos ou julgamentos mais conhecidos e tudo a fazer greve .
    Até Julho vai ser assim caso não haja um aumento substancial no ordenado.
    Força OJs

    ResponderEliminar
  18. Pois. Se este governo tal como os anteriores insistir no desmantelamento da classe dos oficiais de justiça e for substituindo por assistentes tecnicos e não valorizar a carreira dos oficiais de justiça nunca vai ter paz nos tribunais dado que as exigências não são compatíveis com os salarios oferecidos.
    A saturação chegou a um ponto tal que mesmo aqueles funcionarios obedientes e cumpridores durante estes anos todos atingiram o limite e estão dispostos a tudo.
    Estão a querer criar a tempestade perfeita.

    ResponderEliminar
  19. Mas qual a necessidade de ser dia 8 se atualmente já há greves? A merda das camisolas já mete nojo

    ResponderEliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

Ministério da Justiça já tem novos mapas de pessoal da 1ª instância

A carreira dos Oficiais de Justiça é a terceira mais envelhecida da Administração Pública

Mais um acordo assinado e foi “uma grande vitória” e foi “o que se conseguiu”, diz o SFJ