Alguém avise a Úrsula de que já vem aí um reforço de 5 novos Oficiais de Justiça
A Comissão Europeia, presidida por Úrsula von der Leyen, elaborou um relatório sobre o Estado de Direito nos países da União Europeia, onde, na parte que diz respeito a Portugal, diz que se fizeram “alguns progressos” na adequação dos recursos humanos ao sistema judicial, mas que ainda não é suficiente.
Assim, a Comissão Europeia recomenda que Portugal tenha mais Oficiais de Justiça a trabalhar nos tribunais, garanta mais eficiência nos Tribunais Administrativos e Fiscais e melhore as leis penais para os megaprocessos serem mais eficientes.
Este relatório, que é o quinto da Comissão Europeia dedicado ao tema do Estado de Direito nos países da União Europeia, foi divulgado ontem, quarta-feira, 24JUL, e analisa o ano de 2023, quando o Governo de António Costa ainda exercia funções.
Ora, quando se diz que houve “alguns progressos” na adequação dos recursos humanos ao sistema judicial, mas que ainda não é suficiente, diríamos antes que não houve progressos nenhuns, mas apenas algumas medidas avulsas, mínimas e insignificantes, perante a enormidade do défice de Oficiais de Justiça, e ainda que a maior parte delas não passaram de meras manifestações de intenções e não de progressos verdadeiramente palpáveis, implantados.
O Ministério da Justiça considerou que o diagnóstico feito pela Comissão Europeia sobre o sistema de justiça português “coincide com o diagnóstico feito pelo Governo nestes primeiros três meses em funções”.
Fonte oficial do Ministério da Justiça referiu à agência Lusa que o programa do Governo apresenta respostas que são entendidas como “eficazes para os problemas identificados” e que o ministério dirigido por Rita Alarcão Júdice “está, desde o primeiro dia, a trabalhar na sua resolução”.
O Ministério da Justiça aponta, a título de exemplo, “os acordos já materializados para a valorização das carreiras dos Oficiais de Justiça e dos guardas prisionais”, entre outros aspetos relacionados com assuntos diversos, como a Agenda Anticorrupção, ferramentas de tecnologias de comunicação e de informação, “o processo legislativo em curso para que as citações e as notificações de pessoas coletivas e a tramitação da fase de inquérito passem, por regra, a ser feitas por via eletrónica”, o concurso público para a obra do novo Palácio de Justiça de Portalegre (lançado em maio) ou o concurso já aberto para o novo Estabelecimento Prisional de S. Miguel, nos Açores, com propostas já recebidas em junho, e “Além disso estão a ser feitos diversos levantamentos das necessidades de edificado para que se possa, com eficiência e racionalidade, lançar uma série de investimentos na Justiça”, concluiu o Ministério da Justiça.
Mais uma vez o Ministério da Justiça considera que o acordo com os Oficiais de Justiça resolveu tanto quanto o acordo com os Guardas Prisionais e que tais acordos são equivalentes, isto é, que estão no mesmo patamar de satisfação dos respetivos trabalhadores.
Os Guardas Prisionais, neste momento, só deixam de levar a tribunal os presos e detidos quando as carrinhas dão o berro, porque já não fazem greves. O mesmo não se verifica com os Oficiais de Justiça, depois do acordo as greves continuam e um dos sindicatos até decretou mais uma, pelo que se está a comparar o incomparável e a ludibriar a opinião pública.
No que diz respeito ao reforço de Oficiais de Justiça, todos sabem bem que as Finanças deram autorização para o preenchimento de 108 lugares e até na Comissão Europeia sabem, que esse número deveria ter, pelo menos, mais um zero no final.
Como todos bem sabem, dessa centena de lugares apenas se conseguiu o incrível número de 5 candidatos, portanto, apenas deverão ser preenchidos 5 lugares, e dizemos deverão porque, como vem sendo costume, há desistências, logo no início, no primeiro dia ou durante os primeiros meses, quando os Oficiais de Justiça se apercebem de que o vencimento é tão baixo que não dá para as despesas das suas longínquas colocações.
Também todos sabem que perante o fiasco dos 5 candidatos, o Ministério da Justiça apressou-se a inventar a desculpa de que o concurso era do ano passado e que vai já lançar um novo, como se isso fizesse aparecer, tal varinha de condão, novos interessados, seja uma centena, seja um milhar.
Os candidatos só surgirão quando a carreira for atrativa e essa atratividade não se compadece com um aumento de 3,5% sobre um suplemento de 10% sobre o vencimento, conforme acordado, isto é, para o ingressante corresponderá a um aumento de vinte e tal euros brutos, sujeito a descontos, pelo que, mantendo-se estas circunstâncias, não vale a pena abrir concursos para ingresso, porque o acordo não é, nem sequer se aproxima, àquele que o Ministério da Justiça também invoca: o do Corpo da Guarda Prisional; longe disso.
Perante o relatório da Comissão que Úrsula von der Leyen preside, também o Sindicato dos Funcionários Judiciais (SFJ) veio a público manifestar a sua postura e disse assim:
«É com enorme preocupação que o Sindicato dos Funcionários Judiciais (SFJ) comunica a todos os seus membros a recente recomendação da Comissão Europeia, que sublinha a necessidade urgente de assegurar recursos humanos adequados para o sistema judicial em Portugal, com particular enfoque nos funcionários judiciais.»
E depois da aparente surpresa da “enorme preocupação” com o relatório, continua assim:
«Esta recomendação é resultado de um esforço contínuo e dedicado do SFJ junto da EUR, da qual é membro ativo e comprometido. A nossa participação nas discussões e a apresentação de dados concretos sobre as dificuldades enfrentadas pelo sistema judicial português têm sido cruciais para produzir efeitos positivos e chamar a atenção para esta questão crítica.»
Portanto, o relatório da Comissão Europeia, ficamos a saber, tem mão do SFJ.
Em termos de “próximos passos”, o SFJ apresenta um desejo e esperança, para voltar a lavrar no mesmo erro. Diz assim:
«Esperamos que o Governo considere seriamente esta recomendação e, com caráter de urgência, inicie um procedimento para a contratação de novos Oficiais de Justiça.»
Ora, o que o SFJ deveria considerar, e “com caráter de urgência”, como bem diz, é a valorização da carreira para a tornar atrativa e só depois desejar um procedimento para a entrada de novos Oficiais de Justiça. Uma coisa primeiro e depois a outra e não a outra antes da primeira, porque isso é o que já temos com os maravilhosos resultados obtidos.
A nota sindical do SFJ termina dizendo que “o SFJ continuará a trabalhar incansavelmente para garantir que estas recomendações sejam implementadas”, e diz muito bem, mas esse “trabalho incansável” não passa pela repetição do erro do facilitismo de despachar mais uma abertura de um novo concurso, esse erro é o mesmo do Governo e até já o anunciou. O “trabalho incansável” do SFJ não é o de ir atrás daquilo que o Governo/MJ diz, deveria ser, antes, o de tornar possível que mais de que cinco candidatos se interessassem pela carreira e, para isso, não é aceitando, nem desejando, um mero despacho de abertura de um novo concurso, seja para cem, seja para mil, porque não é assim que se vai conseguir conquistar pessoas para esta profissão.

Fontes: “Eco/Advocatus/Lusa”, “SFJ-Info” e "Relatório CE Representação PT".
Á atenção do SFJ, ou seja do SR. Marçal:
ResponderEliminarO mês de Julho está quase no fim e notícias de reuniões ou intenções governamentais não existem
Vamos a entrar no mês de excelência das férias e o recomeço do ano, aproxima-se .
Se em setembro não houver notícias importantes sobre a carreira, espero bem que o imoeti lutador desapareça ou que desapareçam as actuais estruturas sindicais e as suas vãs promessas
TIC, TAC, TIC, TAC, TIC, TAC
A República Portuguesa não é um Estado de Direito.
ResponderEliminarUm país que liberta detidos por não ter meios para os apresentar em tempo útil a um juiz não pode considerar-se um Estado de Direito!
O SFJ pactua e pactuou com o governo!
ResponderEliminarAssinou um acordo horrível e todos vamos pagar por isso!
Perdeu a cara para reivindicar seja o que for!
Os novos que vão entrar sabem que não recebem os 13.5% de suplemento durante no mínimo 1 ano???
ResponderEliminarGuardas prisionais e polícias não me parece que seja igual...
A 3 dos 5 novos que entram e se entretanto reclamam do movimento e já não vão para Castelo Branco, Sertã e Ourem
Mas sim Cascais ou Sintra ou Lisboa?
Não fosse esta "sorte" de ficar à porta de casa duvido que esteja 3 ficassem
O SFJ é uma extensão das politicas dos vários governos e dos partidos políticos para o trabalho e contenção da pressão dos trabalhadores.
ResponderEliminarEstá no ADN e não conseguem sair disto.
Os governos precisam de ter a sociedade controlada e gerir descontentamentos só que agora as soluções do costume já não funcionam muito bem. A sociedade evoluiu e as pessoas começam a ficar mais despertas para os seus direitos não aceitando uma vida escrava como no passado.
Vou fazer um comentário cego, apenas com base no título. Depois de ler o texto logo se verá se faz algum sentido.
ResponderEliminarComo não poderia deixar de ser e tal como se processa em todas as outras áreas no nosso país, nós apenas existimos para o observatório de cada uma dessas áreas e para cumprir os objectivos de Bruxelas, sejam lá eles quais forem e para onde não é raro apanhar os tecnocratas lusos a olhar embevecidos.
Há muitos anos que Portugal perdeu toda e qualquer autonomia, bem antes do tempo da troika, que se limitou a aproveitar a fragilidade do país nessa ocasião para consolidar esse processo.
Pelo que, resumindo, esta informação não deverá lá chegar, a dita senhora espera apenas receber é a relação dos findos, e nem é porque se trate de uma operação portuguesa de branqueamento, é mesmo um desígnio geral da União, a dados dados não se olha o excel.
Ops queria dizer "ímpeto lutador apareça".
ResponderEliminarMaldito teclado pequeno e idade grande
ResponderEliminarO poeta diz que é de direito.
Diz é de que espécie de direito:
Um estado de direito não democrático
Antro de iniquidade e arbitrariedade
De gente em cujo peito corre a vaidade
De cumprir um desígnio tão sistemático
Que acaba por efeito nenhum ter prático
Só levando ao declínio e à precariedade
Numa demanda errática a sociedade
Em vez de ao tirocínio paradigmático.
Bom dia.
ResponderEliminarTodos sabem que os sindicatos procuram a sua base de subsistência, e quanto mais funcionários ingressarem maior é a sua base de apoio (quotas pagas).
Claro está que quem por aqui anda há algum tempo já percebeu que o SFJ tal como outros sindicatos é ao mesmo tempo um negócio chorudo, que movimenta centenas de milhares de euros, e é também uma ferramenta partidária como por estas bandas já se escreveu.
Ligar alguma coisa ao que o SFJ - o seu líder - diz é encarneirar é ficarmos acéfalos e já ninguém parece levar a mal que nos tentem ludibriar com ideias gastas e falsas expetativas.
A burrice não paga impostos senão estávamos todos ainda mais pobres!
Mais do mesmo.
ResponderEliminarDepois do que se leu ontem no CM da parte do sfj, sobre uma avaliação a fazer da reforma de 2014, mas em que logo a seguir aparecem já juízos de valor sobre a mesma reforma, vem agora mais esta "pérola" e tudo isto depois de um acordo " poucochinho".
Tem alguma lógica falar num novo concurso, em linha com a conversa do governo, sabendo-se que nāo conseguiram ainda melhores condições ( neste caso para quem entra de novo, nomeadamente a remuneração ) quando sabem todos que os anteriores concursos deram o resultado que deram, para nāo falar em muitos que depois de entrarem logo se despediram?
Querem todos atirar areia aos Of.Justiça. Parece quererem gozar e é uma vergonha. Principalmente para os mais esforçados, para os mais sobrecarregados de trabalho, porque a falta de colegas é mais sentida, é uma falta de respeito.
Nāo vão á raíz do problema, sabem disso, e ainda falam como se os outros fossem ignorantes.
Um concurso demorado, com as mesmas condições, que resultados?
Exijam mas é que o governo implemente outros incentivos no acesso.
Mas nāo. Preferem falar muito em alterar estatuto.Lá saberāo porquê. Mas os outros também entendem alguma coisa .🤔
Ao contrário de outras classes da função pública contentamos-nos com vitorias morais e com alguns rebuçados. Ao passo que outras classes com mais clarividência da situação e sindicatos menos alinhados sabem reivindicar e tem noção das prioridades ou seja mais dinheirinho e melhores condições salariais. E tem conseguiďo porque não desviam do seu objetivo.
ResponderEliminarA revisão da carreira decorre da obrigatoriedade legal para todas as carreiras em Portugal, não é um capricho...
ResponderEliminarAinda que, nisto como em tanta coisa aqui na tugolândia, essa obrigação pareça "meramente indicativa".
Como dizia um dirigentezeco espertalhote, que bem se encheu: fizeram-no através de uma lei imperfeita. Só tem previsão. Deveria ter estatuição e punição, também...
Assim seria uma lei perfeita.
Como não é esta aberta a porta a todo o tipo de interpretações, mais ou menos "achistas", mais ou menos ignorantes e mais ou menos estúpidas...
A bem da nação
Viva Portugal
Só uma geração mais nova e inconformada, de pensamento diferente, que chega às 17 e vem embora e diz ao Sr(a) termine a audiência que vou embora, poderá fazer a diferença.
ResponderEliminarO resto é conversa.
Desde trabalhadores a membros dos sindicatos, tudo novo para se conseguir algo.
O resto a grande maioria apenas está á espera da reforma ( não todos bem sei, peço desculpa aos que aqui não se enquadram mesmo com mais idade, mas é uma maioria infelizmente).
Minoria
ResponderEliminarAcho bastante lógico e oportuno que se insista na abertura de um novo concurso de admissão, sendo mesmo uma forma de pressionar o governo para a celeridade das negociações e entrada em vigor de um novo estatuto, com valorização da tabela salarial, pois qualquer futuro concurso terá que ocorrer de acordo com os novos requisitos e habilitações de admissão.
ResponderEliminarTenho contudo dúvidas que o salário de €1200 e poucos euros de entrada, a que o governo fez referência quando foi assinado o anterior acordo, que presumo ser o primeiro escalão de TSJ, seja contudo suficiente para atrair o número de candidatos que a carreira necessita.
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