O descongelamento dos professores já está, falta o resto
Foi ontem publicado em Diário da República o diploma do Governo que trata de compensar os professores e os educadores de infância do tempo congelado, pretendendo recuperá-lo.
É o Decreto-Lei n.º 48-B/2024 de 25JUL que vem estabelecer um regime especial de recuperação do tempo de serviço àquelas carreiras.
Na motivação do diploma pode ler-se, entre outros aspetos, que o Governo “assumiu como compromisso estratégico, no âmbito da educação, a valorização profissional dos educadores de infância e dos professores dos ensinos básico e secundário dos estabelecimentos públicos de educação pré-escolar e dos ensinos básico e secundário, de modo a elevar a sua motivação para a prestação de um serviço educativo de qualidade, bem como a devolver à escola pública a serenidade, o rigor e o planeamento de que necessita para a prossecução da sua missão”.
A destacar: o compromisso do Governo para com os professores, a valorização profissional das carreiras com o propósito de elevar a sua motivação para a prestação de um serviço de qualidade, bem como devolver a serenidade para a prossecução da missão.
Todos esses aspetos se aplicam aos Oficiais de Justiça, exceto o do compromisso do descongelamento, pois tal compromisso ficou focado nos professores. No entanto, a valorização profissional, a motivação, o serviço de qualidade e a serenidade, são aspetos que ainda hoje não estão alcançados na carreira dos Oficiais de Justiça.
No diploma pode ler-se ainda assim:
«O regime de recuperação do tempo de serviço cuja contagem esteve suspensa previsto no presente decreto-lei vem repor a normalidade no desenvolvimento da carreira docente, a qual se pretende reconhecida e com profissionais empenhados para dar resposta aos complexos desafios que a sociedade e os alunos lhes colocam, tempo esse há muito reivindicado por estes profissionais e que agora lhes é devolvido, de uma forma faseada e plurianual, atentos os inevitáveis impactos orçamentais que a concretização de tal medida acarreta.»
Precisamente as mesmas circunstâncias em que se encontram os Oficiais de Justiça: a suspensão da contagem, a carência de reposição da normalidade na carreira, a qual se pretende reconhecida e com profissionais empenhados para, igualmente, dar resposta aos complexos desafios que a sociedade e os utentes da justiça lhes colocam.
A recuperação do tempo sucederá em 4 momentos de cerca de 600 dias cada (cerca de um ano e meio de cada vez). O primeiro será já em setembro próximo, depois outro em 2025, o terceiro em 2026 e o último em 2027.
Concretamente, estabelece o citado diploma assim:
".a) Em 1 de setembro de 2024: 599 dias; .b) Em 1 de julho de 2025: 598 dias; .c) Em 1 de julho de 2026: 598 dias e .d) Em 1 de julho de 2027: 598 dias".
Por fim, a entrada em vigor. O mencionado Decreto-lei entra em vigor no dia seguinte ao da sua publicação, isto é, hoje mesmo, produzindo efeitos a partir de 1 de setembro de 2024.
Este é um descongelamento muito rápido com efeitos quase imediatos, pois a primeira tranche de tempo é concedida já em cerca de um mês.
Recordemos o que sucedeu em 2018 e 2019, altura em que se reivindicava o descongelamento das carreiras, tendo o Governo descongelado apenas dois ano e pico.
A contagem total reivindicada era de 9 Anos, 4 meses e 2 dias, tendo o Governo concedido apenas 2 anos, 9 meses e 18 dias aos professores e 2 anos, 1 mês e 6 dias aos Oficiais de Justiça.
Mais: esses dois anos e pico foram recuperados em 3 prestações ao longo de três anos, portanto, comparativamente com o que agora está em causa, que é o descongelamento, não de dois anos e pico, mas de mais de seis anos, já em setembro e em mais três prestações, estamos perante um acordo muito melhor do que aquele do passado alcançado com um dos governos PS.
Mas só em 2019 é que se viram publicados os diplomas da recuperação parcial: em março (DL.36/2019-16MAR) para os professores e em maio (DL.65/2019-20MAI) para as demais carreiras especiais, para além dos professores, como os militares, os magistrados, polícias e os Oficiais de Justiça.
Esta velocidade legislativa com a publicação em dois meses após o diploma dos professores não vai suceder agora, uma vez que os sindicatos não estão tão focados como estavam nessa altura, designadamente em 2018.
Recorde-se que, nessa época, se reivindicava o óbvio: o princípio da igualdade para todos os trabalhadores da Administração Pública, tendo mesmo surgido uma plataforma de sindicatos de Guardas Prisionais, Polícias, Professores, Profissionais da GNR e Oficiais de Justiça, exigindo a contagem integral do tempo de serviço. Era este o empenho que resultou nos dois anos e pico.
Em 2018 descongelou a contagem normal do tempo de serviço, retomando-se a contagem desde o primeiro dia de janeiro desse ano e descongelou também o suplemento, mas este só em agosto de 2018.
Para quem já se esqueceu, o suplemento de recuperação processual de 10% também esteve congelado, tendo deixado de ser atualizado.
O suplemento, que representava 10% do vencimento e se atualiza cada vez que o vencimento sofre alguma atualização, ficou congelado em 2006 ao valor em que se encontrava em 2005, deixando de se ser atualizado de acordo com o vencimento, perdendo, assim, a correspondência dos 10% e sendo pago pelo valor congelado de 2005 até 2018. Os vencimentos sofreram pouca atualização, pelo que a correspondência não sendo de 10% era de mais de 9%. Até a este tipo de ninharia se chegou, cortando remuneração aos Oficiais de Justiça.
Os 9 anos, 4 meses e 2 dias em que as carreiras e os salários estiveram congelados, não podem ser apagados, considerados como inexistentes. Durante todo esse tempo – quase uma década – os Oficiais de Justiça e os demais funcionários da Administração Pública, deixaram de receber o vencimento que lhes era devido.
A forma fracionada de receber os vencimentos, num esquema pré-determinado repartido ao longo de vários anos de serviço, com subidas previstas a cada período de anos pré-determinado, é uma forma acordada de pagamento do vencimento, não é nenhuma benesse extraordinária para pagar mais, é, ao contrário, uma forma de pagar menos ao longo de muitos anos.
Por isso, as progressões e a atualização dos escalões e vencimentos não constituem algo extraordinário, mas apenas a forma acordada de pagar menos e ir corrigindo o baixo vencimento ao longo de todos os anos de serviço até à reforma.
As correções ao longo do tempo fazem parte do vencimento dos funcionários; é o vencimento em si e não algo extraordinário.
Os Oficiais de Justiça e os demais Funcionários do serviço público não estão a pretender receber mais do que aquilo que lhes é devido, aliás, até estão a pretender receber bem menos do que aquilo que lhes é devido, uma vez que não estão a reclamar o pagamento dos valores desses anos perdidos, mas apenas e tão-só a atualização dos escalões, em tempo, esquecendo o dinheiro perdido lá atrás.
São quase dez anos de vencimento recortado e não pago que não está a ser reclamado por ninguém. Todos esses anos e todo o valor que foi suprimido dos vencimentos não está a ser pedido para ser reposto.
Não está a ser reclamado, mas seria lógico que o fosse. Não foi pago nessa altura, mas pode perfeitamente ser pago posteriormente; no entanto, ninguém reclama os vencimentos perdidos, reclama-se, tão-só, que os anos, o tempo, seja considerado e que, seja lá de que forma for e se venha a acordar, conte e que conte para alguma coisa e não para nada. E isto não é nada de especial nem é sequer uma novidade, para ninguém e, muito menos, para o atual governo.
A Assembleia da República, através da Resolução nº. 1/2018 de 02JAN, a que pode aceder diretamente na hiperligação aqui contida, fez constar o seguinte:
«A Assembleia da República resolve, nos termos do n.º 5 do artigo 166.º da Constituição, recomendar ao Governo que, em diálogo com os sindicatos, garanta que, nas carreiras cuja progressão depende também do tempo de serviço prestado, seja contado todo esse tempo, para efeitos de progressão na carreira e da correspondente valorização remuneratória.»
Não é só para os professores, tem de ser para todos os demais cuja progressão é idêntica à dos professores (por anos/escalões), pelo que cabe aos sindicatos zelar por este direito dos Oficiais de Justiça e fazê-lo o quanto antes.

Fonte: “Diário da República”.
Se nos nem conseguimos lutar por direitos mínimos agora vamos andar a brincar ao tempo de serviço...
ResponderEliminarPor exemplo mais uma inconstitucionalidade como o que passo a citar.." O disposto no Estatuto dos Funcionários de Justiça (EFJ) relativamente à obrigatoriedade de todos os Oficiais de Justiça contribuírem para a normalização do serviço, colaborando com tudo e todos, é um facto, aplica-se a todos os Oficiais de Justiça, sejam do Judicial ou do Ministério Público e de qualquer categoria ou área jurisdicional; todos colaboram e substituem-se entre si sem qualquer limitação. É verdade que esta obrigação estatutária se aplica a todos e todos os dias"
Esta norma viola o conceito de conteúdo funcional, contribui para a tal escravidão sem defesa possível....
ResponderEliminarComo nunca ninguém pos em causa esta inconstitucionalidade?
ResponderEliminarIncrível!
Essa situação tem de ser banida do novo estatuto.
ResponderEliminarQuando um professor mete atestado prolongado, o que se faz é ao fim de um mês pôr o lugar a concurso para professor de substituição. É assim que se chama e é em mini-concurso.
Resposta ao primeiro comentário de hoje.
Sindicatos já estão a tratar de meter ação para a recuperação do tempo congelado
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ResponderEliminarE Quando pagam o tempo de provisório? Caloteiros! Quando?
Há gente que necessita urgente desse dinheiro!
Tenham vergonha, Caloteiros. Dinheiro devido Há 30 anos!
Não sei se é verdade ou mentira, mas fontes da própria DGAJ, referem que depois do levantamento de todos os Oficiais de Justiça que tem a receber e da publicação das listas deixaram de efectuar as contas e por ora não há mais pagamentos..
ResponderEliminarOrdens de cima......
Bom dia,
ResponderEliminarOs professores vão ver a sua carreira revista em menos de um ano - palavras do ministro Fernando Alexandre na última quarta feira á RTP - a tutela quer aumentar o vencimento no início da carreira e desbloquear as progressões nos escalões mais elevados para a tornar mais atrativa e transparente.
Está posição é de aplaudir mas nem por isso os professores ficaram contentes e já anunciaram greves..???
Nós, os oficiais de justiça, sempre muito inteligentes contentamo-nos com muito pouco, precisamente co nada pois nada foi o que nos foi prometido.
Este SFJ é uma treta e o SOJ não lhe fica muito atrás.
Contentam-se com mais funcionários a recrutar sem possuírem licenciatura, talvez por pensarem que são a sua base de subsistência.
Não há ninguém que defenda a valorização da carreira apenas a manutenção do seu status quo, da sua forma de viver, do situacionismo exasperante que nos ceifa as esperanças de fazer carreira.
Os dirigentes sindicais deveriam prestar-nos contas e esclarecer porque é que se pautam pela inércia como se fossem pedras de dez toneladas.
O sindicalismo tornou-se um grande negócio e, a par da política, uma forma de vida com pouca transparência e com a mesma reputação e que gozam os políticos ...
Mas que raio de acordo foi este sem datas para a negociações subsequentes, sem uma data limite para finalização do estatuto, isto era o mínimo que se pedia...temos uma mão cheia de nada...
ResponderEliminarFomos ultrapassados pelos guardas prisionais, pelos PSP, pela gnr etc...vergonha
Não pode haver funcionários públicos de 1ª e de 2ª, além de que o MJ e a DGAJ já nos devem muito dinheiro com o não pagamento do tempo como provisório e a não actualização da tabela salarial há muitos anos.
ResponderEliminarO governo tem de dizer claramente se existem ou não funcionários de primeira e de segunda.
ResponderEliminarEu (anónimo) avisei-vos!
ResponderEliminarDias a fio ! "Vamos ficar com os 300 euros" ; "A integração do SRP fica para a discussão do estatuto" - ninguém, ou quase ninguém disse nada!
Escrevi aqui dias seguidos, que bastava aceitar os 300 € que as Polícias e os G. Prisionais na altura ainda não tinham aceite!
Vezes sem conta!
Houve um ou outro que disse que estava a sonhar acordado ...
Aí está! Uns com 300, outros com 40!
Dá trabalho pensar, dá trabalhos escrever (como eu fiz aos sindicatos), dá trabalho opinar de forma construtiva, dá trabalho "espalhar a palavra" aos colegas ... mas também, com a ajuda de todos, daria dinheiro!...
No dia de "nunca mais" haverá outra oportunidade como esta.
Também so são 300 euros mensais - Coisa pouca para tipos que ganham tanto como nós!
Abraço
Apoiado andaram a brincar com a m.... Dos 10 por cento...que nem sequer foram integrados nem saberemos se desaparecera...
ResponderEliminarSó uma correção o aumento a psp e guardas prisionais não foi só os 300 euros no início do ano existiu um aumento de 20 por cento sobre o salário...
Que nós mais uma vez recusamos
..
Mais 300€ - agora para os militares (e os O.J. a vê-los passar)...
ResponderEliminarParece que os 300euros estão a ficar a norma para o reforço salarial das carreiras especiais da função publica.
ResponderEliminarEntão e nós??
Pura incompetencia dos sindicatos. Em breve fecham a torneira e ficamos a ver navios. Mais uma vez.
Se não houver seja que forma for valorização salarial para os oficiais de justiça de igual valor então esta carreira foi rebaixada e não vale a pena ingressar nos tribunais.
ResponderEliminarPara nós também eram os 300, tal como foi para todos, à excepção da PJ que foi bem mais.
Mas o sindicato mais representativo deve ter achado muito...
Algo de errado se passa nesta profissão
ResponderEliminarEu digo: algo de errado se passa no seio SFJ!
ResponderEliminarUma verdadeira desilusão toda a gente nos passa à frente, primeiro foram os professores, a PSP, a GNR, os Guarda Prisionais e depois não se percebe aquele estranho acordo. Tenham vergonha, Ide ide...
ResponderEliminarComprometeram toda uma classe.
Resta saber que estranhas promessas foram feitas à Senhora Ministra.
A Porta da rua é caminho da serventia.
O colega esqueceu-se dos militares...
ResponderEliminarApoiado até que enfim que alguém lhes mete o dedo no nariz!
ResponderEliminarÉ mais do que notório o desanimo dos colegas e não falta razão para o que dizem.
ResponderEliminarPerdeu-se a oportunidade de ouro de passar a ter um recibo de vencimento com números mais justos...
Mas não...
As outras carreiras ganharam mais um pulo no vencimento e nós continuamos praticamente na mesma, com perda brutal no poder de compra, mês após mês.
Desânimo total é o que qualquer um sente nesta carreira da Administração Pública.
Para não falar em pura revolta!
E para aqueles que ouço a dizer que temos os Senhores Magistrados do nosso lado...meus caros(as) colegas, esqueçam!!!
Eles estão bem (muito bem!). Só podemos contar mesmo connosco.
Deixei de acreditar há muito tempo nessas 'palmadinhas nas costas', pois não têm trazido nada para a carteira.
Professores, já está
ResponderEliminarMilitares, já está
GNR, já está
PSP, já está.
Guardas prisionais, já está
Médicos, já está e vai estar mais
Enfermeiros, na está e vai estar mais
Todos com horas extraordinárias pagas e os que tem disponibilidade permanente, com o consequente subsídio, agora de missão
Oficiais de justiça, que, curiosamente, antes era referenciada como sendo a categoria de mais urgência e com mais justiça a ser revista, já teve esmola para quatro papo secos que depois passou para oito
Curiosamente, ninguém fala de datas de reuniões, de timings para a resolução dos nossos problemas que subsistem e se agravam de dia para dia.
A título de exemplo, no meu serviço, em que somos 7, e já somos poucos, em setembro vão mais dois para a reforma e colocações ou promoções, nada
O promotor do acordo, no qual primeiramente acreditei cegamente, está a deixar esbster a fé, por falta de informação.
.... e os militares também.
ResponderEliminarMais 300€/mês.
Os Oficiais de Justiça, por 30€ até Setembro, cancelam greves!
Incompetentes sindicalistas.
A situação dos oficiais de justiça está a ficar cada vez mais insustentável. A cada semana surgem noticias de uma nova classe profissional bafejada pela sorte com aumentos de salario significativos.
ResponderEliminarIsso faz aumentar mais a frustração da nossa classe e parece que não incomoda nada a tutela o mal crescente nos tribunais.
Para ajudar na baixa de auto-estima veio o SFJ dar um tiro no pé com um acordo vergonhoso.
Estou para ver como esta panela de pressão vai rebentar. Manter esta aparência de pacificação tem um limite que por via de ser uma classe subserviente e com sentido de responsabilidade todos julgam que a corda sempre pode esticar mais um bocadinho.