As greves não vêm apenas libertando detidos por crimes
Os Oficiais de Justiça não param de aderir às greves decretadas pelo Sindicato dos Oficiais de Justiça (SOJ). Tradicionalmente ninguém fazia greves durante as férias de verão, aliás, até se marcavam com prazo até ao início das férias, mas este ano, especialmente depois do acordo pacificador, cada semana, haja ou não haja feriado, há sempre greves a serem realizadas e com tal empenho que ficam encerrados tribunais inteiros por todo o país.
Os efeitos e as consequências têm sido enormes, apesar da pouca visibilidade da comunicação social que apenas destacam os detidos por crimes, por ser tema mais popular.
Mas não são só os detidos libertados pela prática de crimes, um que outro, que é motivo de notícia, que deve prender a atenção de todos, pois há muito mais a acontecer.
Na semana passada tivemos conhecimento de dezenas de internados compulsivamente que tiveram de ser libertados porque ninguém apreciou atempadamente o internamento que, ao fim e ao cabo, constitui uma privação de liberdade idêntica aos detidos pela prática de crimes.
As comunicações eletrónicas remetidas pelos hospitais para os tribunais ficam na pasta de entrada mais do que as 48 horas e nem os tribunais de turno dos sábados acedem às comunicações dos dias anteriores, motivo pelo qual nada é tratado até passadas as 48 horas.
Os internamentos comunicados na passada quinta-feira à tarde ou na sexta-feira, para tribunais que estiveram em greve, serão apreciados apenas hoje, segunda-feira, não tendo servido para nada o tribunal de turno de sábado, porque não se trata de uma comunicação do sábado, mas anterior, e para diversos tribunais que não aquele que está de turno, o qual não acede, nem tem de aceder às comunicações dos dias anteriores de todos os tribunais da comarca.
Para além dessas dezenas de casos que semanalmente vão ocorrendo por todo o país, com libertação imediata, há também os óbitos para apreciação do Ministério Público, para decidir sobre a necessidade de realização de autópsia. Obviamente que neste caso não há propriamente uma libertação de pessoa detida, mas há libertação do cadáver e da família que o aguarda. Com as greves a demora está a ser enorme, de tal forma que a comunicação social já deu notícia na semana passada desta situação.
Embora a comunicação social e as entidades governamentais continuem a acreditar na pacificação dos Oficiais de Justiça, não valorizando um que outro detido libertado, cujo conhecimento raramente chega ao grande público, a verdade é que as libertações ocorrem às dezenas e os prejuízos das greves estão a ser muito consideráveis.
O SOJ dizia recentemente que os tribunais estão em contraponto com “o populismo da ministra da Justiça”, em face do anúncio dos novos 570 Oficiais de Justiça que um dia talvez hão de entrar.
«A conciliação da greve que vem decorrendo desde 10 de janeiro de 2023 – durante todas as tardes –, a que se associam as greves que se realizam todas as quartas e sextas-feiras, sem serviços mínimos, faz prever que dezenas ou centenas de cidadãos não serão presentes a juiz e muitos dos que se encontram presos não poderão ser libertados nesse período. A responsabilidade cabe à senhora ministra da Justiça, que insiste que os tribunais estão a funcionar e que alcançou a paz social.», acusa Carlos Almeida.
«A luta dos Oficiais de Justiça, em greve há mais de um ano, por condições para realizar o Estado de Direito e Democrático, vai continuar a paralisar os tribunais. A responsabilidade pelo estado atual da justiça não é dos que lutam por condições e denunciam o estado em que se encontram os serviços, mas sim daqueles que insistem em não dar condições, levando a que os tribunais tenham portas abertas, mas sem capacidade para realizar o Estado de Direito Democrático.», lê-se em nota sindical do SOJ.
Conclui o SOJ a nota sindical afirmando que “é da inteira responsabilidade de quem insiste em fazer anúncios, quando o que se exige são condições reais, para que se cumpra o Estado de Direito Democrático”.
Um outro Carlos Almeida – não o do SOJ, mas o presidente da Associação Nacional de Empresas Lutuosas (ANEL) (sim, tem o mesmo nome) – diz que “é uma vergonha e que chega a ser preciso esperar uma semana para haver um despacho” relativamente à dispensa da autópsia, atribuindo responsabilidades, também, às greves dos Oficiais de Justiça.
“Um funeral tem passos a cumprir, possivelmente até mais do que aqueles que se julga. A nível legal, o processo é complexo. Há intervenção de várias autoridades, os médicos atestam a morte e, no fim, é preciso que o Ministério Público dê o seu aval quanto à realização ou não das autópsias. O que se queria como um processo rápido, pelo respeito à pessoa que morreu e à própria família enlutada, chega a demorar uma semana ou mais.
As greves nos tribunais, que se acumulam desde o ano passado, também acabam por afetar os passos necessários ao nível legal no que diz respeito à morte de uma pessoa, já que existem autorizações que passam pelo Ministério Público.”, lê-se na notícia do Sapo24 difundida na semana passada.
“É um filme adiado. Ligamos de manhã e não há despacho. Ligamos à tarde e não houve por isto ou por aquilo. Provavelmente só no dia seguinte é que sabemos quando vem o corpo. E andamos nisto. E é quando atendem o telefone, porque há muitos tribunais que nem atendem telefones.”, afirma Carlos Almeida da ANEL.

Fontes: “Correio da Manhã”, “SOJ-Info” e “Sapo24”.
Funerais?? O que é que eu tenho a ver com isso?
ResponderEliminarNão entendo porque o interrogatório do arguido tem que estar nos serviços mínimos: – o arguido é posto em liberdade e não há nenhum direito fundamental que prevaleça sobre o direito à greve. A liberdade do arguido é a mossa da greve.
ResponderEliminarAs direções que consultem os gabinetes jurídicos.
Atrevo-me a dizer que o mal disto tudo é não termos divulgação a nível da comunicação social, ao contrário do que acontece com as outras classes profissionais. Ora, isso só ajuda os sucessivos governos. Será que ajuda mais alguém?
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ResponderEliminarE está tudo pacifico com o acordo alcançado pelo SFJ.
até recebemos mais 300€
e subsidio de exclusividade e de deslocação como alguns já passaram a receber.
está tudo bem, Srs da DGAJ e Srª Ministra.
Continuem a fazer dos OJs escravos e aqui têm a resposta.
SOJ não desarmes, são 20 e tal anos de mentiras e maus tratos aos OJs.
Um dia tinha que acontecer.
A ministra está mais focada nos negócios. A divisão da carreira, com a conivência do SFJ é certa. Desenganem-se contudo os que pensam que a licenciatura dará acesso a grau superior. Vai dar sim, aos poucos que forem escolhidos. Como é sabido que por aqui há muito lambe-botas, haverá muita gente mordida e uns poucos nesses lugares. Lógico que os dirigentes sindicais do acordo vão estar nomeados para esses lugares. Aguardemos, o futuro está já aí...
ResponderEliminarSerá que a ministra vai mesmo avançar com o concurso para os novos 570 lugares nos tribunais?
ResponderEliminarSe nem 100 conseguir preencher vai ser a maior vergonha e um fiasco completo.
Se quer que corra bem vai ter de fazer uma actualização salarial significativa antes disso. Ja não dá para tentar contornar a realidade com habilidades.
A situação dos óbitos tem acontecido.
ResponderEliminarÉ lamentável porque são situações em que famílias que querem tratar do funeral e não podem.
Ter um pai, uma mãe, um filho, etc, uma semana numa morgue à espera de um simples despacho do Ministério Público é inconcebível para o comum cidadão.
Só podemos lamentar mas o direito à greve prevalece.
Relembro que em bom rigor os óbitos nem se enquadram no serviço do turno (sábado) e que são os colegas em serviço no Ministério Público por uma questão de consideração pelas famílias enlutadas que apresentam o expediente aos magistrados e dão o devido andamento.
Mas em todo o caso, só podemos lamentar.
É muita hipocrisia que anda por aí, a ministra e o primeiro ministro a congratularem-se pelo acordo alcançado com os OJ.
O maior e mais representativo sindicato de bico fechado depois de um acordo de merda.
E os Tribunais paulatinamente a afundarem.
Sim, isto é um barco a afundar e "eles" tem a orquestra a tocar....
FF
ResponderEliminarSerás OJ...?
Não quero fazer de advogado do diabo, mas achar que a mais que necessária restruturação da carreira só avança se o SFJ for conveniente é de uma falta de ética enorme e o assumir uma estratégia bastante reles.
ResponderEliminarE o SEF, tb foi desmantelado com a conivência dos respectivos sindicatos?
Vão vender banha da cobra para outra freguesia.
Quer dizer, um sindicato, perante a inevitabilidade de uma opção política legitima, tenta negociar uma solução que mitigue os efeitos negativos da mesma e é o carrasco.
O outro sindicato, que se limita a contestar, sem apresentar solução minimamente compatíveis com essa opção política, é o que defende os interesses dos OJs.!
Mas quem é que vocês querem fazer passar por otários?
Se querem sobreviver, trabalhem ou pelo menos deixem trabalhar.
O problema é as pessoas não saberem o que se passa! Têm de ser os OJ a tomar a iniciativa!
ResponderEliminarVai chamar otário a quem te talhou as orelhas.
ResponderEliminarO SOJ tem opções, antes de falar de cor informa-te. ou só lês o que o SFJ apresenta?
Continua escravo. Ainda não te passaram anos de escravatura suficientes? Trabalha escravo.
Óbvio que se não aumentar salários não vai conseguir entradas.
ResponderEliminarE se conseguir, logo que possam vão sair disto.
ResponderEliminarTrabalhem escravos.
Trabalhem de borla.
Ou já vos aumentaram os 300€?
eheheh
É realmente uma pena que não se conheçam as "opções"... só populismo e contestação.!
ResponderEliminarCalma, calma, não digam coisas de que se possam arrepender, por precipitação, levando a que sejam injustos
ResponderEliminarEsperamos tanto. Agora, o mês de setembro está já ali e, neste mês "ou vai ou racha".
Nesse mês se verá se a opção do SFJ foi a certa, ou não.
Nesse mês se verá se haverá uma transição pacífica ou uma luta co nunca antes vista
Tenhamos calma, o setembro está já ali e "o algodão não engana".
Antes era o governo que ia cair, sabiam de fonte segura. Agora é a questão do SEF, tentando que as pessoas não recordem que a "morte" do SEF ocorreu com um governo com maioria absoluta e que o atual governo não tem essa maioria e depende da maioria constituída pela oposição. Portanto, vá dar banho ao cão, pois basta de andar a enganar as pessoas. Perante um governo minoritário no parlamento, basta aos sindicatos fazerem o seu trabalho normal e os resultados serão outros. Problema é andarem sempre bem informados e saberem, primeiro, que o governo ia cair em outubro, agora é inevitável aceitar o inaceitável.
ResponderEliminarEm primeiro lugar ultimamente tem existido muita divulgação comparado com antes que nem se falava de nada.
ResponderEliminarEm segundo lugar tem existido formas de luta nos últimos meses que nunca antes tinha acontecido...
Obvio que maior divulgação seria melhor mas já começa a causar problemas...desta vez são as funerárias a se queixarem...
A greve dos funcionários dos museus foi tratada pela comunicação social como se fosse o fim do mundo, certamente porque estão em causa os direitos liberdades e garantias, das peças em exibição.
ResponderEliminar???? Setembro??
ResponderEliminarAcha mesmo que em setembro vão decidir alguma coisa??
Vão andar a arrastar isto
..em setembro ninguém sabe nada...
Vocês tratam mal os jornalistas e os comentadores das tvs quando são arguidos, agora é a vingança.
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ResponderEliminarOs infiltrados... andem aí...
Não se esqueça do seguinte:
ResponderEliminarO estatuto tem que ser publicado no BTE. Depois têm de estar 30 em consulta pública. Após, pelo menos duas reuniões com os sindicatos para acertar a versão final. Aprovação em conselho de ministros, promulgação pelo PR e publicação no DR.
Tudo antes do final de dezembro, ou não haverá tranche do PRR para ninguém
Ainda acha que é cedo?
Tu não tás bom da cabeça.
ResponderEliminarEm setembro não existirá nada ponto final .
E assunto encerrado..
Por tal o seu desespero para que as coisas vão ser assim tem que acabar..
Não existirá qualquer valorização salarial... nem nada..
Ehehe falta muito nível e influência nesta classe de desgraça...as coisas vão lá com contatos e tal ..
ResponderEliminarAcordem...caso contrário ninguém quer saber de vocês..
Olhe que você não está melhor, a comentar da maneira que comenta!
ResponderEliminarEu também não quero saber de você!
ResponderEliminarNo próximo mês já veremos se abrandamos ou pelo contrário intensificamos a luta.
ResponderEliminarCaso nada de concreto comece a surgir e que seja justo e do agrado da classe, lá teremos de parar tudo novamente.
Primeiro estamos a falar de matéria da competencia do governo e não da AR.
ResponderEliminarSegundo, mesmo que fosse competência da AR, o projeto a apresentar será o mesmo ou semelhante à anterior proposta do PS.
Terceiro, não me recordo de nenhum partido totalmente contra a proposta do PS, à exceção do BE.
Sei perfeitamente que os outros resultados que fala, é manter tudo na mesma, de preferência a manter as inúmeras nomeações em regime de substituição, com um aumento de 300 euros.
Pois é, mas segundo o tal canário, parece que algo vai mudar. se
Se não continuarem a luta, nada conseguirão, além dos 30€ de papo secos.
ResponderEliminarDeve ser chefe e está no último escalão...e depois vem com postas de pescada...
ResponderEliminarObrigado pela preocupação, tenho tomado os comprimidos
ResponderEliminarPorém, colega ou não, substância da sua resposta, contraditório, factos, onde estão?Nada, niente, nada de nada, prosa curta e negação.
Já parecem o Trump
Muito bem..Muito bem...
ResponderEliminarIntensificamos a luta?!
ResponderEliminarComo?!
Lançando a bomba atómica?!
A mãe de todas as bombas?!
Colega, não me faça rir
LOL]
O problema não é do contrapoder.
ResponderEliminarHá na nossa classe tantos poderosos e influenciadores como nas outras todas, carreiras especiais, tais como professores.
A questão está no poder, o poder que nos encima comanda os outros poderes todos "a latere", não tem nada a ver com os fracos poderes que emanam dos ministérios, da educação, da defesa, ou mesmo da administração interna.
É um poder de órgão de soberania.
Muitos oficiais de justiça têm plena consciência disso, daí agirem sempre com muita cautela.
Ora aí está uma posição coerente. Ainda bem que vão aparecendo colegas que, para além do não, ainda conseguem ter algum discernimento e utilizar outro vocabulário.
ResponderEliminarO cotovelo dói?
ResponderEliminarTadinho...
Trabalhem escravos.
ResponderEliminarO papo seco não vos chega?
E tu pá, já mudaste de sindicato!|
ResponderEliminarO teu discurso faz pensar que sim, mas mudaste mesmo?
Ou tens o discurso da treta - "São todos iguais!"
Mais uma coisa - O papo seco não me chega!
Greve geral dias 4 e 6 de setembro.
ResponderEliminarJuntos somos mais fortes.
Não é assim Marçal?!...
Enfiaram te o papo seco pla boca, se fosse por outro lado, então é que ninguém te calava.
ResponderEliminarNão consegues elaborar outro slogan para a campanha, agora para o início do ano?
Que melga, dass......
Deixe-os falar à vontade, já ninguém os ouve.
ResponderEliminarEsta malta anda aqui só para descredibilizar o trabalho dos outros.
São como o STOP, precisam disto para justificar a existência.
Mesmo que o diabo não esteja para chegar, aparecem aos berros a dizer que já lhe viram o rabo na esquina.
Resquícios da PaF.
Neste momento rezam para que as negociações em setembro corram mal, pois sabem que não ficariam com louro nenhum.
Uns tristes.
O papo seco chega-te sim, pelo discurso foste um dos protagonistas dele.
ResponderEliminarEngole que fica mais fácil aceitares.
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