Oficiais de Justiça trabalham fora de horas, mas não fazem horas extraordinárias

      Ontem, sexta-feira, dia em que concorrem as três greves ativas dos Oficiais de Justiça, cobrindo todo o dia, o Diário de Notícias da Madeira destacava, em título, que os “Oficiais de Justiça abdicaram da greve” e que as diligências de um processo mediático “prosseguiam em horas extraordinárias”.


      Antes de mais convém alertar para o facto de que os Oficiais de Justiça não realizam, como se diz, horas extraordinárias.


      As horas extraordinárias, assim designadas, fazem-nas todos os demais trabalhadores, do setor público e privado, sendo remuneradas ou compensadas, seja lá como for, horas que são registadas e conhecidas.


      Já as horas a mais, de trabalho suplementar que os Oficiais de Justiça realizam diariamente, não são remuneradas nem compensadas de forma absolutamente nenhuma e nem sequer são registadas como tal, porque ninguém quer saber delas, por não servir esse eventual registo de horas suplementares para nada.


      Portanto, que se note bem, os Oficiais de Justiça não fazem horas extraordinárias, mas horas a mais, horas suplementares obrigatórias e necessárias, mas não são extraordinárias, não lhe chamemos isso, porque as extraordinárias são remuneradas ou compensadas.


      Deixada esta nota de alerta continuemos a ler a notícia do JN-M com a devida atenção e salvaguardado o erro da designação:


      «As diligências do primeiro interrogatório judicial do caso ‘Ab Initio’ prosseguem na tarde desta sexta-feira, 20 de setembro, com os Oficiais de Justiça a abdicar, tal como na hora de almoço, do direito à greve às horas extraordinárias.


      A paralisação convocada pelo Sindicato dos Funcionários Judiciais ocorre todos os dias entre as 12h30 e as 13h30 bem como a partir das 17 horas, sem serviços mínimos garantidos. Os oficiais de justiça destacados para o caso ‘Ab Initio’ não têm feito greve, garantindo a continuidade das diligências.


      As portas do Palácio da Justiça, que já deveriam estar encerradas, permanecem abertas.»


      Assim se lia ontem no Diário de Notícias, sendo certo que a informação colhida junto de fonte local do SFJ, apenas referiu essa única greve ativa do SFJ, omitindo ao Diário a existência de mais duas greves, a das duas manhãs e a das todas as tardes, omissão que advém do fundamentalismo clubístico, por tais greves terem sido lançadas pelo outro sindicato e como se não se aplicassem aos Oficiais de Justiça da Instrução Criminal  do Funchal.


      Já no outro jornal regional, o Jornal da Madeira, surgia um artigo em que se destacava um agradecimento aos Oficiais de Justiça por terem abdicado das greves. Consta assim no artigo:


      «Alexandre Carvalho da Silva, um dos advogados dos oito arguidos implicados na operação ‘Ab Initio’, agradeceu o trabalho dos Funcionários Judiciais, que permitiu que as diligências para alegações ficassem concluídas ao início da tarde de hoje. Desta forma, ao que tudo indica, a juíza de instrução criminal deverá comunicar já esta tarde as medidas de coação a aplicar aos detidos.»


      O mencionado advogado disse assim: “Gostava de salientar e fazer uma referência ao trabalho dos Funcionários Judiciais, que estiveram a trabalhar fora de horas”, disse o advogado, à saída do Palácio da Justiça, após uma diligência que apenas terminou por volta das 13h30, acrescentando: “Se não fosse isso, tudo isto ficaria adiado para a próxima semana.”


      “Agora, na parte da tarde, penso que a partir das 17h, irá sair a decisão”, concluía o advogado.


      Este episódio de ontem, relatado nos dois jornais madeirenses, está aqui descrito e transcrito sem qualquer intuito crítico e, muito menos, maldizente, em relação à opção dos Oficiais de Justiça da Instrução Criminal, opção que consideramos ser totalmente legítima e irrepreensível.


      As únicas coisas que aqui criticamos foram: a inexistência de horas extraordinárias, mas de horas a mais ou suplementares, isto é, o conceito, e criticamos ainda o fundamentalismo de omitir as duas greves ativas a que os mesmos Oficiais de Justiça poderiam ter aderido, durante todo o dia.


      Quer isto dizer que quando a comunicação social diz que os Oficiais de Justiça prescindiram da hora de almoço, deveria ter dito que os Oficiais de Justiça prescindiram também da greve de toda a manhã e de toda a tarde, pois caso aderissem a estas greves, não se trataria apenas de uma hora de greve, mas de várias horas, para todo o dia e, isto sim, seria ainda mais gravoso do que aquela simples hora do almoço que, na realidade, acabou por ser deslocada para a frente, isto é, em vez de começar à hora habitual (12H30), começou uma hora depois, às 13H30.


      Informar a comunicação social da existência de uma greve quando há três é algo muito mau, tanto mais quando a greve informada abrange apenas uma hora, a de almoço, entre as 09H00 e as 17H00, enquanto que as greves omitidas abrangem as demais 7 horas do dia. Sete horas e não uma hora.


      Quando estamos a falar de Oficiais de Justiça para a comunicação social, convém falar daquilo a que os Oficiais de Justiça estão sujeitos na sua globalidade. Se os Oficiais de Justiça têm três greves ao dispor, não é concebível que se ignorem duas para se pôr o foco em apenas uma.


      Naquilo que interessa aos Oficiais de Justiça tudo conta e, de igual forma, todas as omissões contam, embora negativamente.


MaosTapamVisao.jpg


      Fontes citadas: “Diário de Notícias da Madeira” e “Jornal da Madeira”.

Comentários

  1. Quando os interesses sindicais se sobrepõe aos interesses da classe, em breve se irá pagar a fatura. Apesar da postura nobre e altruísta deste colegas, foi esta mesma postura que nos colocou onde estamos hoje... Quando uns remam para a direita e outros para a esquerda, a tendência é o barco ficar no mesmo sítio ...

    ResponderEliminar
  2. Os culpados somos nós que continuamos a dar tiros nos pés, continuem a dar borlas.
    Não é profissionalismo ou brio, é ser um péssimo colega para todos os OJ.
    Visão curta e querer agradar dá nisto.

    ResponderEliminar
  3. Disseram-me que foram aliciados com a atribuição do grau 3 caso não fizessem greve.

    Foi isso que os demoveu.

    Foi o que ouvi dizer.

    ResponderEliminar
  4. Pois eu acho que desta vez, atendendo à referência feita pelo DN a "horas extra.." e ao agradecimento público de um dos advogados, a realização das diligências teve muito mais impacto que o seu adiamento por adesão às greves.

    ResponderEliminar
  5. Ninguém fica com o "grau 3".

    É há profissão que é atribuído o grau de complexidade 3!

    ResponderEliminar
  6. Há quantos meses foi alcançado o pseudo acordo?!!

    Ainda não há novidades sobre o estatuto?

    Será assim coisa tão ruim de se escrever?!

    Quem ganha com este marasmo?!!

    Ninguém retira consequências da estratégia falhada?

    O que esperar da força sindical que fez um acordo que não se materializa?

    Eis algumas questões que deviam ser respondidas!

    ResponderEliminar
  7. Todos sabemos que 90% das adesões às greves das tardes são por conveniência pessoal e sem qualquer motivação reivindicativa, o que não é de espantar.
    Trabalho numa das maiores comarcas do país, e até hoje não vi um único elemento do Soj a marcar presença física e a explicar os seus fundamentos, de modo a motivar os trabalhadores.
    Portugal não é só Lisboa!

    ResponderEliminar
  8. Deixo aqui um comentário que fiz ontem, que, estranhamente, nãos suscitou qualquer reação:

    " Depois de tão ousado acordo, tão ousado que de acordo só tem o nome, porque nada ficou escrito, nem com os milagres Fátima lá vamos!

    Claro que mais tarde ou mais cedo o M. da inJ. vai acabar por publicar o estatuto.

    Quando o fizer, a personagem principal do dito sindicato mais representativo vai dar um gritinho, gritinho que anuncia a traição do MJ e da Drª. RIta!

    Com as costas dilaceradas da facada, o principal culpado vai virar vitima, e muitos ao lado dele estarão, tentando expiar as culpas que também têm!

    Miseráveis de tais seres, que tanto mal fazem, e nós, que não saímos deste pântano Guterreano!"

    ResponderEliminar
  9. Quanto a mim, a omissão do período da manhã é compreensível.
    Eu também não falo das minhas ex-mulheres...
    Já quanto ao período da tarde, sempre foi da outra equipa, é como as seleções nacionais das modalidades desportivas, jogam muito menos vezes do que os clubes, o espírito só ascende de tempos a tempos.
    Esperemos que ascenda ao estatuto e não se volatilize ainda mais nos próximos tempos.

    ResponderEliminar
  10. Este é mais um exemplo da importancia desta classe para a sociedade e para o funcionamento do estado e da democracia.
    É a tutela e os diversos governos que não querem admitir o papel fundamental dos oficiais de justiça e não querem compensar como tal.
    Esta resistencia da tutela em atribuir grau 3 a toda a classe e apenas por razoes economicistas. Em que é que as funções de um funcionário dos tribunais é menos importante que as funções de um oficial dos registos? Eu estou a ver o contrário.
    Ao que parece e se acontecer a divisão da classe o mais certo é que os funcionários que asseguram as diligencias e o serviço nas salas de audiencia esses ficarão com o grau 2.
    E são esses que tem mais impacto na sociedade caso faltem ou façam greve.
    A tutela continua a abusar da boa vontade e espirito de sacrifício dos oficiais de justiça sempre foi assim.
    Quando estes oficiais de justiça levantam a voz em conjunto e em bloco tudo treme.
    Quando não se sabe a força que temos e temos medo de usar essa força os abusos vão continuar. São varias as forças a tentar condicionar esta classe, tutela, juizes e até sindicatos.

    ResponderEliminar
  11. Porque sim21/9/24 10:49

    Acredito que se está a fazer ao lugar do Marçal quando este der o salto para a política. Sr. Yes.

    ResponderEliminar
  12. Para quê continuar com as greves, se estas são minadas de dentro para fora?
    Aconteceu em Setúbal, acontece na madeira, uma espécie de "cavasquistao' do SFJ, e, parece-me que vai voltar tudo ao tempo em os OJ prescindiam dos seus direitos em prol de uma"palmadinha nas costas", bastando para tal agradecer o esforço e a prestação de trabalho escravo.
    Lamentável.
    É por causa de gente desta que os OJ não passarão da cepa torta, quiçá merecidamente.

    ResponderEliminar
  13. Porque sim21/9/24 11:06

    Concordo. Existem colegas que não vestem a camisola de oficial de justiça mas sim do SFJ. Tudo o que este lhes diz e sagrado e para defender. Lembram-se o PCP e as suas tiradas sobre a Rússia na actual guerra com a Ucrânia.

    ResponderEliminar
  14. Rei dos Oficiais de Justiça21/9/24 11:21

    Viva aos funcionários da madeira que gostam de ser escravizados..

    Venho solicitar aos funcionários da madeira que estou a fazer obras em casa e já que vocês gostam de trabalhar de graça, venho pedir a vossa colaboração, pelo menos umas minis posso vos garantir..sempre é melhor que estar aí sem nada.

    Agora a falar a sério já que o blog gosta de notícias também convinha divulgar que na madeira há cerca de uma semana existiu libertação de detidos em tráfico de droga .

    Quanto ao agradecimento do advogado não passa de um agradecimento que não serve para nada ..

    ResponderEliminar

  15. Mais um pretoriano do sindicatozinho dominante...

    Quanto aos colegas da Madeira... tenham juízo. Cumpram o horário e nada mais. Estão a boicotar o sacrifício de outros colegas!


    ResponderEliminar
  16. Rei dos Oficiais de Justiça21/9/24 11:28

    Na qualidade de defensor do SFJ, informo a todos que criei uma música dedicada ao SFJ de forma a angariar mais funcionários para o sindicato..espero que gostem:

    O SFJ é o maior.
    O SFJ é nosso amigo.
    O SFJ é quem faz os melhores acordos.
    O SFJ nos ajuda.
    O SFJ gosta de ti
    O SFJ é maravilhoso.
    O SFJ é eficaz.
    Lalalala...
    Lalalala...
    Lalalala ..

    Treinem a música em casa, e não esqueças de te sindicalizar..

    ResponderEliminar
  17. https://www.facebook.com/reel/1011124587359918

    ResponderEliminar
  18. De referências à nossa importância e classe estamos "fartos" colega e de pessoas bem mais importantes do que esse Il. Advogado. Perdemos novamente uma grande importância de dar mediatismo à classe, de vir novamente a público exclamar as nossas reivindicações e problemas e de, indiretamente, fazer pressão à Exma. Sra. Ministra da Justiça!

    Mas isto tudo é uma utopia, pois para isso tínhamos de colocar os nossos interesses pessoais e sindicais de lado ....

    ResponderEliminar
  19. *grande oportunidade

    ResponderEliminar
  20. Recentemente, um sr. Advogado, ao balcão do juízo onde trabalho saiu-se com esta “Eu tenho muito respeito e consideração pelos senhores oficiais de justiça”.
    Como estas palavras, deram volta aos meus fígados, respondi-lhe “É pena os senhores doutores, na assembleia de república, não terem a mesma consideração”.
    Não fiquei sem resposta, tendo o mesmo me respondido nos seguintes termos” Sempre existiu escravatura nos tribunais”.
    Infelizmente, é uma grande verdade e toda a gente sabe porque ocorre.
    É por esta e outras que nunca fui associado do SFJ, por isso estou à vontade de dizer que o Marçal e a sua trupe, não me desiludem nem me surpreendem por tudo o que têm feito de mal a esta classe.

    ResponderEliminar
  21. Atribuir o grau 3 à profissão, não aos OJ!

    ResponderEliminar
  22. Precisamente! Sabem que está errado mas insistem na cor clubística!

    ResponderEliminar
  23. A banana da Madeira é pequenita, mas aqui em alguns tribunais do continente parece que não veio da A. Sul, mas sim de Africa!

    Banana africana é obra!

    Nos grandes tribunais da comarca de Lisboa e Porto é assim, sempre, sempre, serviço, sem fim!

    As pessoas, os OJ, são cada vez menos, e cada vez mais velhos!

    Começa a ser muito difícil fazer o dia a dia e eles não querem saber!

    ..ck them!

    ResponderEliminar
  24. Desculpem, sem "h".

    ResponderEliminar
  25. Mas alguma coisa devem ganhar, mas eu ainda não percebi o quê?

    Quem souber, que a aqui o diga, para todos sabermos!

    ResponderEliminar
  26. A pretensão de uns mandarem nos outros é ancestral!

    Não é exclusivo do macaco com pouco pelo, mas é nessa espécie em que adquire maior esplendor!

    Com efeito, rapazes e raparigas, com pouco timbre, com pouca verticalidade, adquirem uma preponderância inusitado sobre os demais!

    Têm o direito de ser tratados de forma diferenciada, alguns têm até direito a bajulação, perdoe-se-me o exagero!

    Pouco espaço resta ao oficial de justiça, despromovido agora a sargento de justiça!

    Abraço.

    ResponderEliminar
  27. Pensem no seguinte;

    AS revoluções são feitas pelas bases, pelo povo!

    No sistema judicial, as bases, ou o provo, é constituído pelos sargentos de justiça!

    Somos nós que temos de fazer a "revolução"!

    ResponderEliminar
  28. Se se considera "sargento" está tudo dito. Pelo menos "tenente"

    ResponderEliminar
  29. Infelizmente é o que somos!

    Essa de oficiais de Justiça é só letra, de oficiais nada temos.

    ResponderEliminar
  30. La dizia o Passos, o Diabo vem aí! Só que não.

    ResponderEliminar
  31. Ou seja, acha que a atribuição de grau 3 a uma função, devia ter como fundamento o impacto que a sua falta causa e não o grau de complexidade.
    Nesse caso qualquer camionista de transporte de bens essenciais ou coveiro, devia ter grau 3.
    Pois, não é bem assim..

    ResponderEliminar
  32. Pois, mas o contrário também ocorre.
    Se o SFJ não tivesse ouvido a insistência da estupidez da prioridade da integração do suplemento por parte da 3a idade, esta carreira não estaria como está e provavelmente teria recebido as vantagens atribuídas às restantes carreiras especiais.
    Quando começou a ouvir a maioria e percebeu a burrice já foi tarde.

    ResponderEliminar
  33. Para o comentário das 19:33 finalmente vejo que existe mais gente que está a abrir a pestana e a ver o verdadeiro problema....aleluia

    Muito bem dito...

    ResponderEliminar
  34. Nem mais!!

    As competências dos OJ não podem continuar neste limbo em que a remuneração, desde logo no início de carreira, acaba por concorrer 'taco a taco' com o auferido na entrada num Mercadona.

    Isto é... simplesmente.... lamentável.

    ResponderEliminar
  35. Ja mete nonju a conversa da integração do suplemento.

    ResponderEliminar
  36. Foi essa conversa do suplemento k nos arruinou a todos .

    ResponderEliminar
  37. Quem faz essas horas fora do horário mormal, sem ser remunerado, simplesmente está a boicotar a carreira dos oficiais de justiça .
    E os magistrados advogados, sabendo da situação, também deviam ser os primeiros a parar na hora certa em que deixa ddcser paga ao funcionário e adiar.

    Tidos culpados da porcaria em que a carreira está.

    ResponderEliminar
  38. Coitados dos da Madeira...
    Se fossem só eles!
    Mais de 70% dos OJ estão satisfeitos com e gostam do que têm.
    Os restantes, lutamos, mas a única coisa que irão conseguir é alguma satisfação pessoal advinda do sentimento de nunca baixar os braços.

    ResponderEliminar
  39. As minhas desculpas a quem tão bem gere este espaço, mas esta carreira está numa degradação tal e sentimo-nos de tal forma ignorados nos nossos apelos e mal tratados no seio da Administração Pública, que só apetece dizer um palavrão...


    Um grito de revolta embrulhado em palavrão, é o que dá vontade de saltar da boca!!!

    Estou numa desilusão completa.

    Os meses passam e passam...e nada.

    As despesas não param de aumentar e brincam com a vida das pessoas.

    Estou farto de 'engolir sapos' como se nada se passasse, estou farto de promessas, estou farto de paliativos de 35€/mês para calarem a classe ad aeternum.

    Nunca imaginei, quando entrei há tantos anos na carreira, vir alguma vez a ter este sentimento de repulsão.

    ResponderEliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

Ministério da Justiça já tem novos mapas de pessoal da 1ª instância

A carreira dos Oficiais de Justiça é a terceira mais envelhecida da Administração Pública

Mais um acordo assinado e foi “uma grande vitória” e foi “o que se conseguiu”, diz o SFJ