Tribunal condena Ministério da Justiça e IGFEJ

      O Tribunal Administrativo e Fiscal de Leiria condenou o Ministério da Justiça e o Instituto de Gestão Financeira e Equipamentos da Justiça (IGFEJ) a criar acessibilidades em tribunais de Leiria na sequência de uma ação interposta pela Associação Salvador.


      «(…) Julgo totalmente procedente a presente ação e, em consequência, condeno os demandados [ministério e instituto] a adotar os comportamentos necessários ao cumprimento das normas técnicas de acessibilidade previstas no Decreto-Lei n.º 163/2006, de 08 de agosto», lê-se na sentença do Tribunal Administrativo e Fiscal de Leiria.


      O Decreto-lei nomeado aprovou o regime da acessibilidade aos edifícios e estabelecimentos que recebem público, via pública e edifícios habitacionais.


      O IGFEJ tem, entre outras atribuições, a gestão financeira e orçamental do Ministério da Justiça, assim como assegurar a gestão e manutenção do património deste.


      A ação popular foi interposta pela Associação Salvador em 11 de fevereiro de 2019, que alegou, entre outros aspetos, que o diploma de 2006 “estipulou prazos de adaptação para o Estado e os particulares procederem às alterações necessárias nas instalações, nos edifícios, estabelecimentos, nos equipamentos e na via pública, de modo a assegurar o cumprimento das normas técnicas de acessibilidade”.


      Ou seja, atente-se bem: um Decreto-lei de 2006 (com 18 anos) implementado pelo Governo que obriga os governos e que é inobservado por estes, obrigando os cidadãos a propor uma ação em tribunal, cuja decisão aguardam por cinco anos, decisão esta que diz o que o mesmo Decreto-lei já dizia há quase duas décadas, isto é, que as acessibilidades são para ser mesmo feitas.


      A associação sustentou que, “apesar de há muito decorridos os prazos previstos” pelo decreto-lei, “não foi ainda dado o devido cumprimento às normas de adaptação dos edifícios do Tribunal Judicial de Leiria”, consubstanciando uma “intolerável discriminação dos cidadãos com mobilidade reduzida”.


      A associação identificou, no Palácio da Justiça, no imóvel onde funciona o Juízo do Trabalho e nos antigos edifícios do BNU (Juízo Local Cível) e do liceu Rodrigues Lobo (juízos de Comércio e Central Cível), na cidade de Leiria, barreiras arquitetónicas.


      No Palácio da Justiça, onde decorrem os julgamentos dos crimes mais graves na comarca, estão sediados os juízos criminais (central, local e instrução), a unidade central e as secções do Departamento de Investigação e Ação Penal de Leiria.


      “Estes tribunais são espaços onde os cidadãos com mobilidade condicionada estão impedidos de exercer os seus direitos/deveres na qualidade de autores, réus, arguidos ou testemunhas e onde os procuradores, advogados e funcionários judiciais portadores de deficiência motora não têm condições para desempenhar a sua profissão nos termos previstos na Lei”, salientou a associação.


      Para a associação, a omissão de conduta é uma “violação flagrante de um dos mais basilares direitos (…), o acesso ao Direito e aos tribunais”.


      A sentença, de 7 de novembro último, reconhece que aqueles edifícios “incumprem, em vários aspetos, as regras técnicas de acessibilidade”, e que o Ministério da Justiça e o IGFEJ “são responsáveis pela implementação das medidas necessárias a colmatar as irregularidades”.


      Nesse sentido, devem “conjugar as respetivas competências e atribuições legais por forma a dotar” aqueles edifícios das “acessibilidades legalmente exigidas, consoante as soluções técnicas adequadas a cada uma das situações detetadas”.


      “Uma última nota apenas para salientarmos que não vem alegado pelos demandados (nem o tribunal descortina) qualquer circunstância concreta que impossibilite ou dificulte gravemente a implementação das normas técnicas” naqueles edifícios, pelo que inexiste “fundamento para o seu não cumprimento”, escreve a juíza.


      Segundo o tribunal, o IGFEJ limitou-se “a invocar genericamente que os edifícios são de construção antiga e de difícil intervenção arquitetónica, o que, porém, não permite dilucidar factos específicos que pudessem obstaculizar a aplicação” do diploma que “não prevê qualquer exceção à aplicação das suas regras a edifícios que recebem público, por motivo de antiguidade dos edifícios ou outros motivos”.


      Entre outros aspetos, o Tribunal Administrativo e Fiscal de Leiria determina a realização de obras para alteração da dimensão de balcões e guichés de atendimento ou para alargar corredores, a instalação de rampas de acesso às bancadas destinadas aos advogados em salas de audiência ou a instalação de plataformas elevatórias.


      Fonte da Comarca de Leiria confirmou que, “no geral, não houve obras para além do elevador [no Palácio da Justiça]”, havendo neste edifício uma rampa “para acesso às bancadas dos advogados”.


      A Lusa questionou o Ministério da Justiça sobre se e quando vai cumprir a sentença e o seu gabinete de imprensa fez saber que foi pedida informação ao IGFEJ e que aguarda a resposta.


      Outro aspeto que querermos aqui realçar é que o Ministério da Justiça contestou a ação, isto é, teve a distinta lata de, para além de não se preocupar em cumprir as determinações legais, apresentar uma contestação contendo desculpas esfarrapadas.


      O Ministério da Justiça e o IGFEJ ainda têm a possibilidade de recorrer da sentença para um tribunal superior, sendo o prazo para a interposição do recurso de 30 dias.


      Esperemos que, em vez de empatar mais o assunto, o Ministério da Justiça resolva o que efetivamente tem de ser resolvido, tanto mais que nem sequer aproveitou o atraso da decisão do TAF durante estes últimos 5 anos.


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      Fontes: “Jornal de Leiria” e “Associação Salvador”.

Comentários

  1. O email da fensinap está aqui fesinap@fesinap.pt.

    Vamos enviar emails a questionar estes meninos , porque se andam a meter nos assuntos dos oficiais de justiça?

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  2. pobre da cuca24/11/24 11:20

    Mais uma vez e porque neste caso uma Associação não se calou, é o M. Justiça a perder. E tantos outros casos semelhantes haverá pelo país fora e as pessoas a fazer pouco ou nada.
    O cumprimento da lei devia ser o exemplo que, o governo, neste caso o Ministério da Justiça, devia dar aos cidadãos. Mas não e também se não fosse o incumprimento, para que serviam os Tribunais? Está visto.
    O último parágrafo de hoje é muito otimista pois o "empate" do assunto deve mesmo continuar. Mas é uma faculdade, um direito, os réus poderem decidir recorrer da sentença como qualquer outro réu.
    A Autora tem de aguardar pois às tantas, os milhões de Euros do Plano de Recuperação e Resiliência, na parte do M.J. nāo chegam, pois nāo pensaram nessas obras tāo importantes para acesso dos deficientes e qualquer um de nós também pode vir a precisar desses acessos dedicados.
    Enfim, preocupam-se os dirigentes com outras coisas, para eles mais importantes.
    Bom domingo de descanso se a tempestade deixar!

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  3. Casa de ferreiro espeto de pau?

    NÃO, consideram-se acima da lei!


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  4. Quantos há como Leiria?
    No tribunal onde trabalho não há acessibilidade para o Balcão+, nem para a secção central, nem para algumas salas de inquirição e, até há bem pouco tempo, nem para o Ministério Público, situação última que já se alterou, mas que esteve inacessível anos e anos.

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  5. ESTADO BANDIDO


    Falácia do Princípio da Igualdade
    Do Estado de Direito Democrático,
    Embuste de preceito anafilático
    Só meio para fins de iniquidade.

    Constituição que aplicabilidade
    Só tem consoante a quem; paradigmático
    Dogma duma nação que é caso prático
    Do que é e que não é a Realidade.

    Que da mesma se evade e não segura
    A própria Liberdade mas procura
    Fazer da História um círculo vicioso...

    Legado de sistema pernicioso
    Num estado que é Pessoa é de Mal
    E o bandido maior de Portugal!

    Augusto Sandeu

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  6. Essa insistência em mandar a Constituição e o atual regime abaixo, já todos sabemos porque princípios se rege.
    Portanto, meta lá a sua viola no saco que isto não é a Trumplandia.

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  7. Há anos que a Dgaj e IGFEJ anda a fazer levantamentos sobre a existência de acessibilidades nos tribunais e outros serviços do MJ.
    Em muitos casos a solução passa por construir edifícios de raiz, portanto, esperem sentados até o MJ cumprir a lei em todos os edifícios.
    Quando isso acontecer, concerteza que a maioria dos atuais OJs não estará cá para ver.

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  8. Querer puxar para cima para fazer cumprir, é mandar abaixo?
    Mas não importa, a sua opinião é tão falível quanto não saber quem é que efetivamente manda nisto tudo.
    Infelizmente as ramificações da Trumplandia chegam a todo o lado onde se pronuncie a palavra economia e ir-se-ão acentuar nos próximos tempos. Quem não consegue perceber o pontinho que é este país e qual a sua insignificância...
    E se é tão bom o regime, por que é que há tantos incumprimentos por parte de quem deveria dar o exemplo?
    E faz algum sentido interpor recursos para evitar dar condições de igualdade de acesso a todas as pessoas, para quê, só para mostrar que o regime é democrático e o direito funciona?

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  9. O ministério da justiça, seguramente, não vai recorrer. O MJ recorre muito até às últimas instâncias e por vezes até tenta criar regimes excepcionais, quando se trata de decisões favoráveis aos oficiais de justiça
    Quando as ações são interpostas por empresas por vezes a própria contestação serve para aumentar o valor da condenação, essa é a realidade, pois os advogados são dos mesmo escritórios, representam alguns é o MJ.
    Será que as pessoas esqueceram quando a Van Dunem aumentou os juízes com o argumento de que tinham interposto uma ação em tribunal e o MJ poderia ser condenado? Não esperou a decisão sequer. Com os oficiais de justiça é recurso atrás de recurso. O MJ e os seus dirigentes fazem parte de uma máfia que tem corroído o sistema de justiça e o regime democrático. Esperemos que em breve possam prestar contas ao povo, pois o povo está a acordar...

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  10. Bom dia,
    A reforma de 2014, levou a cabo o levantamento das necessidades de adaptação do parque imobiliário afeto aos tribunais.
    Desde aí, foi sempre a piorar, veja-se o afundamento do palácio da justiça de Sta Maria da Feira, as fissuras no de Penafiel, as unidades modulares provisórias tornadas definitivas e muito mais fica por dizer.

    Nos países nórdicos há estratégia e planificação das intervenções para melhoria das condições de trabalho de comodidade ao cidadão utente de justiça.

    Com efeito, desde a adaptação do mobiliário, ergonómico, e das adaptações luminotécnicas passando pela climatização e adaptabilidade funcional dos equipamentos e respectivos acessos , nesses países acontece independentemente dos governos.

    Por cá, politizou-se a justiça mas não só, ao que parece também as nossas reformas, desvirtuando um regime criado por Vieira da Silva do PS que garantia pelo menos a expectativa, de quem está no ativo, poder contar com uma reforma.

    Metem esta responsabilidade, o mesmo é dizer o nosso futuro na algibeira, num bolso furado, servindo como capital político ora de uns ora de outros e com isso hipoteca o futuro de todos.

    Estamos a tornar-nos num país degradante em que não há dinheiro para o socorro urgente, ficando com os saldos na gaveta para apresentar contas positivas, mas esbanja-se em medidas cujo fito maior é agradar ao eleitorado, seja de esquerda ou de direita.

    Falta uma reforma profunda porque é também no fundo que nos encontrarmos.

    É triste mas é assim.

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  11. Manda deste lado, porque do outro lado, para quem não temos qualquer utilidade - pelo menos conhecida para já -, estamos apenas a breves 3 minutos de nos eclipsarmos.
    No mais, os meus comentários são meras constatações à guisa de desabafos, não pretendo com eles arregimentar ninguém.
    Há décadas que compreendi o mundo e me preparei para ele por forma a nada ter no fim a lamentar nem que me preocupe.

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  12. PS - Para mim, a Constituição está ótima.
    Falta apenas cumpri-la pontualmente.
    Nem sei de onde tirou essa ideia de eu querer deitar o atual regime abaixo quando sempre considerei a democracia o menor dos males e não haver outro sistema alternativo tão justo.

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  13. Qual a postura do SOJ perante a fensinap?? Já os advertiu?? Nem um comunicado sobre o assunto??? 😞😕 É por estas e por outras k.nao me sindicalizo...

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  14. Oh, não chatei os srs, que andam com uma vida muito preenchida.
    Há coisas mais prioritárias.
    Ainda nem sequer conseguiram apresentar um esboço do que entendem que deve ser o novo estatuto e a reestruturação da carreira, da qual depende a valorização salarial.
    Mas devem estar quase a dizer alguma coisa....

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  15. Eheh

    O que importa é ser licenciado e comer papo secos

    Eheh

    Reclamem escravos!

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  16. Eheh deve estar quase deve...ehehe

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  17. Todos falam mal do SFJ mas esquecem -se do SOJ..

    O Soj que é quem mantém a greve deveria no imediato notificar a fensinap...ou como é que é essa porcaria se chama para não violar o estatuto entre os diversos sindicatos...retirando no imediato a greve em que decretou...

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  18. Cuidado porque os papo secos do SFJ podem deixar de o alimentar. A si e dua familia.



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  19. Hoje vou jantar papo seco.

    Tão bom desde há 30 anos

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  20. Ups!...

    https://www.publico.pt/2024/11/24/sociedade/noticia/erros-crassos-acordao-levam-advogados-suspeitar-inteligencia-artificial-2113160

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  21. SFJ

    Manda então desarmas-te das greves com o acordo??

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  22. O observador:

    "Como um julgamento de homicídio que causou alarme social foi adiado pela "birra" de uma juíza com os "objetos pessoais" de uma colega

    João Paulo Godinho
    Texto
    Vários julgamentos foram adiados em Faro por uma juíza recusar um gabinete que tinha objetos de uma colega. Um dos julgamentos adiados causou alarme social e tem arguido preso em casa...."

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  23. Seria uma sanita de ouro??

    Ou uma maçaneta dourada??

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  24. "Há décadas que compreendi o mundo!" 😅😂

    Só esta me fazia rir no meio deste temporal.
    Tomara que compreenda a sua rua e já vai com sorte.

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  25. Frita uma bifana e guarda o molho para a semana, que da para várias sandes com papo secos
    Para passares a vida aqui a falar de papo secos é porque não deves ter muito que fazer, por isso não precisas de comer proteína.

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  26. Acho que a proposta de projeto de estatuto do SOJ vai ser anunciada amanhã, para comemorar o 25 novembro e tentar evitar que a proposta progressista do SFJ avance.
    Estava previsto os paraquedistas saírem à rua esta madrugada, mas o temporal está a estragar os planos.

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  27. Advertir, a ter de advertir alguém, melhor seria advertir o SFJ pelo prejuízo maior causado com o acordo. São mais de 300 euros todos os meses...

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  28. Violar estatutos entre sindicatos. Essa agora é boa, mas há estatutos entre sindicatos? Realmente o desnorte é enorme, na vã tentativa de criar cortinas de fumo, para esconder o acordo que traiu todos.

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  29. Eheh

    Não gista de papo secos minha virgem ofendida ?

    Não gosta? Eu gosto.
    Sfj saia mais um bem sequinho.

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  30. Agora em português, por favor

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