“Cara Ministra Rita Júdice, Santa Ignorância!”
Nesta quarta-feira, 22JAN, em entrevista na RTP3, a ministra da Justiça referiu alguns aspetos que escandalizaram os Oficiais de Justiça e obrigaram o presidente do Sindicato dos Funcionários Judiciais (SFJ), António Marçal, a publicar uma “carta aberta”, mais uma, em que critica e igualmente se indigna com a postura da ministra da Justiça.
Mas o que disse a ministra de tão especial para irritar os Oficiais de Justiça? Ou será que andam apenas irritadiços?
Prestamos muita atenção à entrevista e a seguir vamos transcrever alguns momentos, apreciando as suas afirmações, terminando o artigo de hoje com a carta aberta de António Marçal.

Pergunta o jornalista:
«A propósito dos Oficiais de Justiça, senhora ministra, eles têm estado em greve há mais de um ano e agora contestam a sua proposta de revisão da carreira que foi apresentada pelo seu Ministério no final de dezembro. Como é que o Governo conseguiu acordo com os professores, com as forças de segurança, com os enfermeiros… e está a ser tão difícil dar uma resposta que seja aceitável pelos Oficiais de Justiça?»
E responde a ministra da Justiça:
«Bom, mas deixe-me, se calhar, fazer um enquadramento temporal, desde logo, os Oficiais de Justiça, foi logo a primeira carreira com quem nós conversamos e quando conversamos com os Oficiais de Justiça fizemos um acordo, com um dos sindicatos – o outro não quis fazer esse acordo – e o que é que esse acordo dizia? Esse acordo dizia que a principal reivindicação que estava a ser reclamada pelos Oficiais de Justiça, que era o aumento do suplemento de recuperação processual, fosse dada, e a decisão que nós tivemos na altura foi a de: vamos então fechar esse tema e vamos também comprometer-nos com a revisão do Estatuto. Foi isso que fizemos.
O Sindicato dos Funcionários Judiciais aceitou esse acordo, foi fechado esse acordo, com a pacificação, com o cancelamento das greves que o sindicato, como tem maior volume, acaba por ter maior impacto nos tribunais. Manteve, contudo, a greve às horas extraordinárias.»
E perguntou o entrevistador: “Essas horas extraordinárias são pagas?”
E a ministra respondeu:
«Essas horas extraordinárias têm um regime diferente. Não são pagas (…)»

«A segunda parte desse acordo era, efetivamente, a negociação do Estatuto, e nós tivemos uma reunião, aliás, duas reuniões, começamos agora esse processo negocial que foi concluído com as outras carreiras. No que diz respeito à revisão do Estatuto está a começar agora. Houve a proposta do Governo, houve uma contraproposta dos Oficiais de Justiça, estamos ainda em… ainda não estamos em negociação, estamos nos preliminares, neste momento, e esperamos rapidamente poder celebrar o acordo de trabalho para poder; um protocolo de negociação para poder…
Quanto às horas extraordinárias, os Oficiais de Justiça têm um regime diferente; têm um suplemento de disponibilidade; está incluído nas suas funções a disponibilidade.
Há divergências de interpretação quanto a esse tema, o tribunal já se pronunciou em 1ª e em 2ª instância, sobre este tema, dando razão ao Estado; ao Governo.
E diz o jornalista:
«No fundo têm um suplemento para, justamente, poderem colmatar as horas extraordinárias e, portanto, as horas extraordinárias não entram…»
E diz a ministra:
«Sim. Em todo o caso, é um dos temas que vai estar em cima da mesa no nosso processo negocial. Esse é um dos temas que é muito caro para os Oficiais de Justiça, não tanto pela sua disponibilidade, mas pelas questões de algum, não digo abuso, mas de situações que possam ser muito extremas e, por isso, é um tema que os preocupa e, nessa medida, nos preocupa a nós.
Quer os sindicatos, quer o Governo, têm o mesmo objetivo, que é dar as melhores condições possíveis aos Oficiais de Justiça.»
E conclui o entrevistador: “Têm a chamada isenção de horário, não é? É um pouco isso…”
E remata a ministra: «Não é bem isso, mas é um regime; é uma carreira especial, que tem um regime especial.»
Todos os Oficiais de Justiça bradaram aos céus perante todo este chorrilho de disparates e falsidades, com tanta mentira encadeada, até pelo entrevistador, completamente impreparado, completamente desconhecedor da realidade e que atira as suas conclusões e imaginações para passarem a ser verdade.
Nunca se viu um entrevistador tão mal preparado. Note-se que conclui que as horas não são pagas porque há um suplemento de disponibilidade, quando toda a gente sabe que não há suplemento nenhum de disponibilidade nem nada semelhante, estando a sua existência apenas na lista de desejos para o futuro. É verdade que foi influenciado pela mentira da ministra ao dizer que existe o tal suplemento de disponibilidade, mas como nada sabe do assunto, acredita e até alimenta, isto é, contribui para o engrandecimento da mentira. E que dizer do seu desvario sobre o que ele acha que os Oficiais de Justiça têm que é “a chamada isenção de horário”? O entrevistador conclui que os Oficiais de Justiça têm isenção de horário por trabalharem para além do horário. Ora com um entrevistador assim desfocado e uma ministra ao mesmo nível, no que diz respeito aos Oficiais de Justiça, esta entrevista foi das maiores, senão mesmo a maior, construção de deturpações bárbaras.

Pressionando os sindicatos para uma reação, as vozes dos Oficiais de Justiça não deixaram de ecoar no espaço sideral das redes sociais e António Marçal sentiu-se impelido a fazer algo, tendo optado pela divulgação de uma carta aberta dirigida à ministra, carta essa cujo conteúdo vamos a seguir integralmente reproduzir.
«Cara Ministra Rita Júdice,
É com o maior respeito pelo cargo que ocupa, mas também com a firme responsabilidade de dar voz à realidade dos funcionários judiciais, que me dirijo a Vossa Excelência. Começo por lembrar que “preliminar” foi o voto de confiança que lhe demos em junho de 2024, com a esperança de que pudesse iniciar um caminho de resolução para os graves problemas que afligem os trabalhadores da Justiça e que, inevitavelmente, impactam negativamente os tempos de resposta do sistema judicial.
Até ao momento, porém, nada de concreto aconteceu. Nem mesmo a letargia do Ministério da Justiça foi ultrapassada.
De forma irónica, é preciso reconhecer que há uma “única” área onde não se verifica qualquer letargia: no discurso propagandístico que insiste em afirmar que os problemas estão a ser resolvidos. Um exemplo claro disso é a referência às “milagrosas soluções de tramitação eletrónica” como o Citius no inquérito, que supostamente poupam “milhares de horas de trabalho” aos oficiais de Justiça. Santa ignorância! Quem trabalha diariamente nos serviços do Ministério Público sabe bem que essa não é a realidade.
Permita-me lembrar, Senhora Ministra, que as SEIVD – Secções Especializadas Integradas de Violência Doméstica – não cobrem todo o território nacional por uma razão elementar: não há funcionários suficientes para alocar a esses serviços.
Além disso, os 570 candidatos que deveriam ter iniciado funções no passado dia 20 de janeiro enfrentam desde já um elevado número de desistências. A “formação intensiva”, que agora começa, implica que apenas em fevereiro os corajosos que persistirem estarão efetivamente nas Secretarias.
É também de sublinhar que esta formação, realizada online, ocorre nas residências habituais dos candidatos, mas que, em breve, serão obrigados a deslocar-se para os tribunais, assumindo uma rotina de trabalho presencial que exige cinco dias por semana no local de trabalho.
Para além disso, é frequente que o trabalho exceda o horário normal, sem qualquer tipo de compensação. No final do mês, como sucede com os que já exercem funções, os novos trabalhadores descobrirão que não existe qualquer suplemento de disponibilidade.
Senhora Ministra, fica-lhe mal – muito mal – produzir tais inverdades. Não pode ignorar que está pendente no Tribunal Administrativo e Central de Lisboa uma ação contra o Ministério da Justiça, com um pedido de reenvio prejudicial para o Tribunal de Justiça da União Europeia, cujo foco principal é o não pagamento do trabalho extraordinário. Também não corresponde à verdade que um Tribunal Superior tenha dado razão ao Governo nesta matéria. A ação, interposta em 2009, continua em recurso no Tribunal Administrativo do Sul, com conclusão ao Juiz em 7 de maio de 2024.
Na audição na Assembleia da República, Vossa Excelência furtou-se a responder às perguntas que lhe foram dirigidas sobre os trabalhadores judiciais. Enfrente os problemas e apresente soluções, como os sindicatos fizeram. Se analisar com “olhos de ver”, concluirá que a nossa proposta segue a linha adotada pelo Governo nas soluções encontradas para outras carreiras especiais. Abandone a demagogia e a palavra fácil e trabalhe seriamente na busca de soluções. Se assim o fizer, poderá contar com os trabalhadores. Caso opte por uma posição negacionista e demagógica, o silêncio do nosso protesto na abertura do ano judicial dará lugar ao troar do protesto veemente e robusto dos homens e mulheres que garantem o devir, lento mas devir, da Justiça.
É tempo de se fazer Justiça para quem nela trabalha!»

Fontes: “Entrevista RTP3” e “SFJ-Info Carta Aberta”.
Era interessante o Sindicato enviar a "Carta Aberta" igualmente ao Sr. Jornalista..
ResponderEliminarJá não dá para voltar atrás no tempo, mas pelo menos para o mesmo perceber o que se passou e o chorrilho de mentiras que por ali passaram no programa.
Era extraordinária a pergunta, em pleno programa, o que tera a Sra. Ministra a dizer sobre existirem já desistências entre os 570 novos funcionários.
ResponderEliminarPergunto eu, e isto é desconhecimento da minha parte, mas esta "Carta Aberta", vai via CTT ou por qualquer outro canal para a Srª. ministra, ou apenas circula aqui pela intranet !? Chegará a ter conhecimento da mesma?
ResponderEliminarpois...é fácil perceber...
ResponderEliminar
ResponderEliminarA carreira onde os atuais funcionários são mal tratados, mal pagos e desconsiderados...ao longo de anos e diferentes Governos
A carreira que tem passado por uma autêntica sangria de funcionários, com diversas saídas para outros Ministérios onde se sentem melhor tratados
A carreira que nem sequer aos novos consegue reter por meses...ou semanas, ao perceberem que a miséria que lhes é paga não compensa o sacrifício, desafios diários e (diria eu do que observo)...algum sofrimento pela escolha feita em termos de carreira.
PARAR A MÁQUINA O QUANTO ANTES, DO QUE ESTÃO À ESPERA ??
ResponderEliminarEste "entrevistador" é muito fraquinho.
ResponderEliminarJá não é a primeira vez que faz estas figuras.
Já a entrevista que fez à ministra Van Dunnem foi confrangedora.
O mais importante aqui é reter que com palavras meigas e sorrisos não vamos a lado nenhum.
O SFJ que acorde, que reconheça o erro colossal que fez ao assinar o acordo dos paposecos e marque já mais que uma greve.
Greve às diligências.
Estatística.
Contas.
Já passamos o tempo das pequenas conversas.
A ministra quer preliminares, nós queremos uma rapidinha.
Esta malta só entende um tipo de linguagem.
Escalar.
Vamos lá ver se o SFJ não dá outro tiro no pé.
O Marçal que fique calado nas reuniões e deixe o SOJ falar, faz melhor figura.
Estava na altura de criarmos um facto novo nesta história toda.
Temos que apertar e tem que ser agora.
Abraço.
FF
Carreira de escravos e que manda a maioria do pessoal de baixa, por falta de pessoal e não se aguentar a pressão.
ResponderEliminarAliado a mal pagos, deslocados.
farto.
ResponderEliminarAgradeçam só acordo dos papo secos feito à pressa e
cozinhado de véspera.
Agora aguentem.
Eu tenho a minha própria estratégia de luta individual:
ResponderEliminarA negligenciação da carreira de oficial de justiça não é cisma desta ministra da justiça mas algo transversal a quem tem sido governo nas últimas três décadas em Portugal, como é público e notório.
Aqui chegados, eu não posso deixar de responsabilizar todos os portugueses que têm votado tanto no PSD quanto no PS ao longo desses anos.
Paga o justo pelo pecador, é certo, sendo que os eleitores dos outros partidos também apanham por tabela, mas, salvaguardando na família e menores o superior interesse das crianças e jovens ou na violência doméstica a proteção das vítimas, bem como outros casos pontuais relacionados à ética pessoal, em todas as outras vertentes da profissão, no que dependa de mim, tudo farei para dificultar ao máximo a vida a esses cidadãos eleitores, sem qualquer problema de consciência e estando-me já nesta altura, em que se conclui que a deontologia governamental é uma batata, completamente nas tintas para o compromisso de honra.
Sim, tem conhecimento dela através de um gabinete de imprensa que todos os governos têm.
ResponderEliminarAgora a população em geral é que não tem e é para esses que os sindicatos deveriam fazer a carta aberta.
Já sem qualquer problema no sistema intestinal, que como é sabido está intrinsecamente ligado à azia cerebral, assisti e até consegui robustez estomacal suficiente para degustar uma pequena ceia acompanhada dum trago dum belíssimo branco de Setúbal enquanto ouvia as barbaridades.
ResponderEliminarO efeito surpresa já lá vai, agora para esta ministra já só me restará mesmo, a seu devido tempo, dar cumprimento ao ciclo natural biológico transformando essa refeição num singelo presente.
O jornalista esteve bem.
ResponderEliminarObrigou a ministra a mentir.
Alguém tem que fazer chegar ao jornalista a verdade.
Neste caso os sindicatos.
Ou pedir uma entrevista com o contraditório...
ResponderEliminarOra, aí está. Agradeçam ao acordo e queixem-se agora!
Todos podemos fazer a diferença...ou exigir aos sindicatos que venham desmentir a ministra numa entrevista.
ResponderEliminarOu cada um de nós bombardear a rtpna esclarecer as mentiras...
Toda a gente fala fala, mas ninguém diz o verdadeiro problema, nos tivemos um aumento entre 50 e 90 euros num suplemento que pode desaparecer a qualquer momento, ou outros 400 euros.
Está na hora de resumir a mensagem.
Greve às diligências!
ResponderEliminar3 semanas bastarão!
mas será possivel NINGUEM FALAR DOS OJ QUE ENTRARAM EM SETEMBRO DE 2023 QUE NAO OBSTANTE SE ENCONTRAREM APTOS DESDE SETEMBRO 2024 AINDA NÃO RECEBEM O VALOR QUE LHES É DEVIDO. CONTINUAM A SER PAGOS COMO PROVISÓRIOS, ENCONTRAMDO-SE JA EM DÍVIDA MAIS DE MIL EUROS AOS MESMOS.
ResponderEliminarSINDICATOS E COLEGAS NINGUEM FALA DISTO? CLASSE DESUNIDA EM QUE O QUE IMPORTA É QUEM TEM FORMAÇÃO ACADÉMICA NÃO GANHAR MAIS DE QUEM NEM TEM O SECUNDARIO CONCLUIDO.....MISERIA...
Obrigado
ResponderEliminarInspirador e sugestivo!! Muito bem...
ResponderEliminarColega lamento informar , mas a sua análise está certa, toda a classe inclusive sindicatos estão se a lixar para o vosso problema.
ResponderEliminarDesde que nos tribunais finjam ser seus amigos está tudo bem, e desde que trabalhe que nem um bicho.
Que tal você enviar um email ao sindicato para expor essa situação....envie carta, email, etc use os seus conhecimentos de oj. Mas faça algo pois o paradigma tem que mudar..
Jornalistas?
ResponderEliminarO que é isso?
Ainda agora mesmo, no usufruto do meu inalienável direito à greve, estava aqui a ver uma chusma deles à volta da ministra da saúde e só lhe faziam perguntas gastas sobre o anterior diretor do SNS não tendo havido um único que ousasse confrontá-la com as declarações do BE na AR acerca do possível clientelismo em torno das nomeações que tem feito para o referido organismo e para outros na esfera e dependência do próprio SNS, incluindo o anunciado sucessor do demissionário, segundo afirmações daquele partido de esquerda todos ligados às mesmas empresas e pertencentes à delegação da ordem dos médicos do Porto.
Sabem o que vos digo, "BareMinimumMondays" todos os dias da semana.
ResponderEliminarÉ o que esta gente merece.
Bom dia a todos.
ResponderEliminarCausa-me profunda consternação a singeleza na abordagem dos assuntos, nomeadamente naqueles de maior importância.
Como é que é possível acreditar num processo formativo realizado à distância, por isso, sem o contacto com os serviços onde vão ser integrados, com o visionamento de vídeos e leitura de manuais desmaterializados sem qualquer acompanhamento que não seja o dos seus "mentores".
Mas alguém terá ideia do que é "formar", que é coisa bem diferente de "ensinar", das suas várias modalidades e métodos (expositivo, demonstrativo, experimental), e da perceção nesse processo sobre se as competências que se pretendem estão a ser assimiladas pelos formandos.
Tudo isto que se passa na casa da justiça é anedótico e absolutamente ridículo.
Está visto que esta equipa foi uma muito má decisão, falta-lhe conhecimento das áreas que envolvem a sua atuação, falta-lhes experiência e, acima de tudo, não tinham e continuam sem ter ideia alguma sobre uma qualquer politica para a área da justiça.
Perguntamo-nos todos o que pretendem fazer e a resposta que nos assalta o pensamento é, apenas e só, a transformação para o "digital", a implementação da AI e dos algoritmos.
Esquecem que quem opera os sistemas são pessoas e estas são o maior capital dos serviços, sem as quais não funcionam.
Pelo que, nesse processo, de transformação, deveríamos ser todos informados das principais linhas ou eixos de transformação, da tal ideia que se quer para os serviços.
Mas ninguém a conhece (a ideia); talvez porque ela não existe e creio que até pode nunca ter existido, e não sabemos se ela está a ser construída.
Muito útil seria convidar a Dra. Paula Teixeira da Cruz a falar da reforma que iniciou, onde se encontram muitas virtudes, e o que queria definir para os oficiais de justiça - que plano ou ideia tinha para as suas funções.
Em lugar disso, o SOJ andou a organizar eventos convidando o ex-SEAJ Dr. Jorge Costa, que se apressou na jubilação, apesar de no seu percurso profissional predominar o tempo político, para falar sobre assuntos que não foi capaz, eu diria foi mesmo incompetente, para resolver.
O SFJ, por seu lado andou e anda entretido com outros afazeres. Cuidando que a coisa podia ficar assim, como está, numa lógica de funcionamento do século passado, de outro milénio que não o atual, deixou-se capturar pelos interesses individuais e de fação para os quais tendeu sempre na interação desenvolvida com a tutela. Agora, encontramos todos uma realidade que não é possível esconder e para a qual não existe ideia alguma.
Uns chama-lhes , carinhosamente, "a peste dos velhos", não no sentido pejorativo, mas naquele outro, no sentido que se alastrou a todos os tribunais, nuns mais que outros, levando ao fecho de serviços e ao esgotamento dos poucos funcionários que vão suportando as ausências dos outros que, gastos e velhos, carregados de maleitas, adoecem amiúde.
Como já aqui referi, o sr. Marçal contentou-se com os 3,5% de aumento no SRP pago por 12 meses, e por ali se ficou, menorizando tudo o resto - porventura terá acreditado que teria alcançado uma grande conquista quando na realidade o que aconteceu foi exatamente o contrário.
Por outro lado, a ministra acreditou ter alcançado algo importante, o que sucedeu apenas por desconhecer completamente o problema e que este se arrastava há vários anos.
E terá sido por isso que depois daquele acordo (o dos papos secos) nada mais foi feito, pelo menos com utilidade, para além de novos ingressos sobre os quais brevemente se conhecerá os resultados.
Desilusão profunda.
ResponderEliminarCom exceção do próprio Ministério da Justiça, diria que nesta altura em que ainda estão apenas em formação online (em casa), será difícil obter números concretos.
Porém, para já ter sido afirmado pelo próprio Sindicato, passado tão pouco tempo após 'início de funções' de tão grande número, se calhar as coisas já se vão sabendo por fora e as "baixas" (imagino) não estão a cair nada bem à Sra. Ministra.
Mas convenhamos que, com 1000€ de ordenado ou coisa que o valha, não admira!!
Entre uns mais novinhos e outros mais velhos, o sacrifício, que nesta carreira é fácil ser sentido como punição, tem os seus limites.
Com um vencimento líquido a rondar os 1.000€ de entrada, nesta carreira, é um autêntico gozo por parte do Ministério da Justiça.
ResponderEliminarComo se podem manter funcionários (quanto mais atrair!), a pagarem assim??
Pois.
ResponderEliminarNa DGAJ estão umas figurinhas a formar à distância a auferir vencimentos pelos índices mais elevados da carreira equiparados aos de secretário de tribunal superior, enquanto que, sem sequer referir esses que estão ainda em formação, os movimentados por transferência sem experiência nas áreas para onde foram transferidos estão a ter formação prática presencial por oficiais de justiça que ainda nem sequer viram as suas carreiras reconstituídas em função do tempo de provisórios não considerado quanto mais remunerado.
PQP.
ResponderEliminarPasso a Oficial de Justiça não inscrito.
ResponderEliminarNão percebo tanta apreensão e tanta crítica aos novos colegas... não creio que tenham culpa que a DGAJ tenha decidido que a formação seja online, certamente os colegas deveriam preferir e achar muito mais útil a formação na prática.
ResponderEliminarÉ como o Basófias do Trump.
ResponderEliminarO problema era a autarquia democrata de Los Angeles ter bloqueado a água por causa dum peixinho.
Anunciou com toda a pompa e circunstância a reversão da situação, continua a negar as alterações climáticas, mas eis que Deus não dorme e lhe deite de imediato fogo a Ventura County.
Onde é que está a confrontação jornalística a perguntar-lhe como é que é possível aquilo ainda estar tudo a arder?
Pois.
ResponderEliminarEssa é a parte dos deveres.
3 semanitas sem diligências e tudo se resolverá! ...
ResponderEliminarCom esse tipo de comentários, acho que você deve é o intestino grosso com ligação direta ao cérebro!
ResponderEliminarRepito:
Tanta crítica aos novos colegas??
ResponderEliminarMas onde leu isso??
A crítica certamente que não será aos mesmos, se bem me parece do que tem sido escrito.
INCOMPETÊNCIA ACUMULADA PORQUE NÃO ESTÁ JÁ GREVE AOS ACTOS MARCADA ?!
ResponderEliminarO(A) moralista!
ResponderEliminarQuero dizer o seguinte: o entrevistador pode estar mal preparado, mas a GRANDE culpa é dos representantes de cada um dos sindicatos, principalmente do do SFJ. Quando entrevistados, são autênticas muralhas! Dali não sai explicação nenhuma! São incapazes de levar as suas propostas sistematizadas! Se ouvirmos outros sindicatos, percebe-se o que eles querem. Estes, gostam de esconder, ninguém fica a saber nada. Somos muitíssimo prejudicados por esse motivo! Entre outros!
ResponderEliminarE ainda não sabe da missa a metade, se não gosta destes comentários...
ResponderEliminarJá começámos, eu a minha prima, a adormecer todos os dias a desejar coisas más para o paizinho dela e para os filhinhos, se os tiver, por mais recursos que tenham para além dos comuns cidadãos, hão-de sucumbir.
O que fizeram à minha prima Sibilina não se faz a ninguém.
Resultou com o Passos Coelho quando ele fez o que fez ao nosso povo indo para além da troika, desta vez pode ser que também tenhamos a nossa vingança.
Fizeram-nos tanto mal que já só vivemos com esse pensamento enquanto esperamos pela morte sem futuro.
Apenas 3 semanitas! ...
ResponderEliminarTêm vergonha de dizer que queremos mais dinheiro ao final do mês!
ResponderEliminarÉ isso mesmo prima.
ResponderEliminarSe confrontados com as acusações não contraditaram nem aplicaram sanções, nomeadamente a exoneração, é porque têm o rabo preso e cometeram sem dúvida tais violações.
E ainda lhe digo mais, depois de todo o mal que essa gente me fez convivo muito bem com ter como único objetivo no resto da vida que me resta viver desejar-lhes só o pior, sem qualquer tipo de remorso.
ResponderEliminarCARREIRA DE GRAU
ResponderEliminarPAGOS COMO DE GRAU
TRATADOS E IGNORADOS COMO SENDO DE GRAU
ResponderEliminarTem TODA a razão no que diz!
Parece que se acanham em ir diretos ao assunto.
Os Oficiais de Justiça querem melhores remunerações, que lhes permita sair de uma situação de injustiça, a qual até ao momento não lhes dá sequer para acompanhar o aumento dos preços.
No fundo, tal qual como outras carreiras que já ganham bem mais desde há meses.. os O.J. também querem ter a sua parte!
Se são 350€ ou quase 380€ como no caso dos sapadores de bombeiros...o que nós queremos é que o Governo olhe para esta carreira que está há anos a ficar para trás.
Será assim tão difícil esta carreira ser atendida?
Bombeiros
Enfermeiros
PJ
PSP
GNR
Guardas Prisionais
Médicos
Professores
INEM
Militares
etc...
Ainda é preciso esperar mais quanto tempo, Srª Ministra?
É para espezinhar a carreira, será isso?
Qual parte dos deveres qual carapuça, o que ali está escrito são os pressupostos que levaram a atribuir o suplemento.
ResponderEliminarSe não interessa falar sobre isso porque a imagem que tem sido passada aos colegas é que o suplemento foi criado com outros objetivos, isso é conversa de sindicatos.
Se somos tão especiais, temos de ter o grau 3! Ser só especial e não ter o proveito, não basta! Queremos o dinheiro! Merecemos VIVER!
ResponderEliminarTem toda a razão e perdemos força quando estamos a reivindicar desconhecendo os factos. O DL 485/99 teve uma razão e consta do seu preâmbulo...
ResponderEliminarSeja como for, não é uma lei e não passa dum decreto terceiromundista digno dum sistema ditatorial que deve ser levado ao parlamento.
ResponderEliminarSó na China é que se obrigam os trabalhadores a laborar tempo não remunerado.
E também perguntar-lhe quantos dos 7000 OJs estão atualmente de atestado há mais de 30 dias.
ResponderEliminarEu estou-me a borrifar para o dinheiro e para o prestígio.
ResponderEliminarSó quero ser tratado com igualdade.
Recuperar os escalões congelados em linha com e ter aumento de valorização de carreira na ordem dos outros funcionários públicos de carreiras equiparadas.
Mais uma semana das nossas vidas que passou e nada ... nada ... nada!
ResponderEliminarMerecemos viver?
ResponderEliminarQuem tem discursos destes merecia era ir viver para o Níger, e depois voltar cá para contar a história.
Boa Noite,
ResponderEliminar"Quando se pede pouco, não se pode almejar a Muito".
Por que cargas de agua foi negociado o SRP 12 meses/ano, e pagamos ADSE 14meses/ano, sendo que cada vez comparticipam menos e cada vez mais tarde. Foi porque foi transformado em IP os estatutos permitem-lhe comprar divida publica, mascarando o defice publico com as nossa contribuição.
Como se chamam os 2 meses extraordinários em que posso adoecer?
Quanto o estado poupou na formação das pensões com o congelamento dos escalões, prejudicando quem se aposentou e quem se vai aposentar, tendo acesso a pensões mais baixas?
Quanto é que o estado poupa em vencimentos e futuras pensões com colegas a chefiar em regime de substituição, ou por convite, sendo que, durante anos, nunca passam do 1º escalão, e, impedindo que categorias inferiores possam aceder livramente a esses lugares?
Todas essas poupanças, transversais a vários governos, de diversas cores, não foram já suficientes para acomodar as nossas reividincações?
Que dizer do aumento da idade da reforma?
Mas torna-se hoje oficial que há ladrões no Parlamento, ou então confundiu o jogo da mala da RR.
Saudações.
BFS
Você falou bem mas não colocou a questão principal.
ResponderEliminarPorque motivo tem existido essa negligência transversal?
Simples, veja as conclusões dos encontros nacionais de solicitadores e advogados.
Estão lá as respostas, eles parecem adquirir mais valências nomeadamente as constatações, intervenção no processo crime, etc.
Ou seja o objetivo é captar as funções dos oj para que eles tenham mais rendimento e mais trabalho.
Prontos aqui está a cabal resposta.
A diferença entre eles e nós, é que eles pensam na profissão em termos de futuro.
Pode estar a borrifar-se, mas o que diz são só palavras...
ResponderEliminarO sentimento que na realidade lhes subjaz, é o de pretender ser pago (naturalmente em dinheiro e não em género ou palmadinhas nas costas).
O que escreveu.... tratado com igualdade, recuperação de escalões, aumento de valorização...enfim, não sei como é na sua terra, mas na minha é com dinheiro.
Não há necessidade de ser preciosista quando se fala na palavra ou expressão 'mais dinheiro'.
Faz parte da justiça que refere.
Não é algo de que devamos estar a borrifar...
Sem essa valorização , não terá nada do que refere. Nada!
Fomos todos enganados , quando há mais de duas décadas decidimos , deixar os nossos lares, muitos já com família constituída e filhos, para abraçar uma profissão que prometia reforma a partir dos 56/57 , progressão na carreira, e outros direitos que nestas duas décadas e meia nos foram retirados , transformando as nossas vidas num autêntico horror ... Longe de casa anos a fio , pagar quartos na capital caríssimos o primeiro que aluguei foi na Gonçalo Crespo , e pagava já naquela altura 50 contos , com direito apenas a dormir e tomar banho , sem acesso á cozinha .
ResponderEliminarPagava mais pelo quarto do que pelo empréstimo da minha casa de morada de família ao banco . Os anos passaram, os ordenados congelaram, os direitos se evaporaram e os deveres continuaram. Advogados a lixarem-nos a cabeça , juízes mal dispostos com acordares arrogantes , achando -se Deuses da justiça. Tudo para ontem , ameaças de que se não ficassem os a trabalhar até às horas que eles queriam , seria comunicado á DGAJ . E foi assim que o trabalho escravo nasceu nos tribunais , por culpa de magistrados e com a conivência de escrivães de direito que para eles 17 horas era como se fossem nove da manhã !!!! Quase que éramos proibidos de sair às horas certas ..
Foram duas décadas de total escravatura . Ainda bem que de há uns anos para cá , começaram os sindicatos a decretar greves para hora de almoço e pós 17 horas, e foi aí que conseguimos ter algo onde nos agarrar para podermos nos libertar dessa amarra que durante essas duas décadas nos prendia ... Por isso caros colegas a culpa disto é nossa , porque nos deixamos enrolar na conversa dessa velhada toda que quase fazia uma vénia ao juiz quando ia ao gabinete e sabe lá Deus o que ali seria falado ..
Era horrível ... Foram anos e anos a sair da sala de audiências tarde e a mas horas...
Uma grande falta de respeito que tinham por nós .. Parecia que tinhamos vendido a nossa alma e a nossa liberdade a essa gente ..
Graças a Deus , que hoje pudemos dizer ... Estou de greve ...
Vou ter com a minha família... Porque amanhã , estou aqui de novo e o outro a senhor(a) juiz fica em casa ... E eu estou com o J2 OU J3 OU J4 , que também esteve em casa e v fazer os julgamentos dele ...
Acabem lá com o dever de disponibilidade , prefiro ir para casa a horas do que ganhar a porcaria de uns trocos que não valem as horas dou a mais .. Quem quiser ficar , que fique !
Já não tenho pachorra para aturar tanta coisa que nestes anos foi obrigado a ter que engolir ..
Por isso os sindicatos , que lutem de forma a que o pessoal mais antigo e o mais sacrificado , que possa ver reposta a sua aposentação mais cedo .. quem quiser continuar , na boa !!! É porque está bem .. os que já se fartaram disto tudo , deixem-os sair ..
Eu serei o primeiro ...
Estou farto desta ditadura...
O 25 de abril , nunca passou pelos tribunais ... É trabalho , trabalho , e dinheiro para o c....
Eles ganham mais de suplemento do que a maior parte dos oficiais de justiça que iniciam funções . Portanto , 17 horas ..
Casa ...
Boa noite ..
Fds... Eu não diria melhor. Parabéns, concordo em tudo consigo. Eles que metam a disponibilidade no cú. Eu quero ir para casa a horas. Quer quiser ficar no tribunal na net (sabe-se lá a ver que sites), que fique.
ResponderEliminarEstava só a usar de ironia.
ResponderEliminarO dinheirinho que foi dado aos outros em aumentos e recuperação de tempo de serviço é tudo o que eu quero.
No mais, se for assim tratado de forma igual, pode ter a certeza que até nem me repugna voltar a ficar lá fora de horas se for preciso pontualmente sem ganhar mais por isso e tudo.
Ou para o Ruanda, República Centro Africana, Moçambique, Nicarágua...
ResponderEliminarSe os OJ portugueses soubessem o que custa a vida a esses pobrezinhos, trabalhavam era todos os dias de sol a sol por metade dos seus chorudos ordenados com as calças nos tornozelos e já se tinham deixado de reivindicações parvas.
Liberdade é aquilo que nos querem tirar ... Eu não quero estar debaixo de uns estatutos que me obriguem a estar disponível 24 horas por dia , por semana, por mês , ano e anos ... Os sindicatos que nos desamarrem dessa obrigação ! Ou então que façam equipas de turno como nas fábricas. Todos temos direito ao nosso descanso. Todos temos direito a estar junto dos nossos familiares e amigos ... INSERIR DISPONIBILIDADE NOS ESTATUTOS , é regressamos de novo á escravatura ... É voltarem a por as correntes nas nossas pernas e uma mordaça na boca... Vivemos nos anos 20 do século XXI... Os nossos pais lutaram na sua juventude pela liberdade e igualdade . Portanto não é um presidente ou secretário de sindicato ou sindicatos que me vai limitar os meus direitos e liberdades a troco de de tostões ... Não os quero !!! E atualmente nem que dessem muito dinheiro de horas extras , também não as queria ... Já dei muita hora extra de borla .. continuo escrivão auxiliar ( sou do tempo do pessoal eventual que esteve 5 anos na corda bamba ) e os magistrados que se empoleiraram nas minhas costas anos a fio , hoje são desembargadores e eu continuo escrivão auxiliar a receber um ordenado miserável ...
ResponderEliminarGrande abraço . Força colegas ... Contra os canhões , marchar , marchar ... Sem medo ... Querem estatísticas e subir na carreira atolados nas nossas costas !!! ??? Não contem conosco ... Enquanto eles tem 23,24 dias de férias e gozam 40 ou o que for , nós só pudemos gozar os dias que temos e mais nada .. agora temos o fiscal crhonus. 17 horas , Senhor juiz ou senhora juiz , estou de greve . Até amanhã se Deus quiser ... 😁
Este comentário é um abre olhos isto tem acontecido nesta classe ... é uma vergonha...a diferença é que antes ainda se ganhava para isso atualmente não...
ResponderEliminarComigo nem mais um dia de horas extra...
Poucochinho mas graças a Deus.
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