Oficiais de Justiça arbitrária e ilegalmente colocados ou recolocados
Na entrevista da ministra da Justiça da passada quarta-feira, 22JAN, na RTP3, a propósito da falta de meios, designadamente humanos, Oficiais de Justiça, na área do Ministério Público, uma das suas primeiras afirmações foi a de que destes novos 570 Oficiais de Justiça, cerca de 30% iriam para o Ministério Público.
Fomos ao Movimento confirmar os números e, efetivamente, pelo Movimento, dos 570 estão indicados para o Ministério Público quase 170, a que corresponde, portanto, a percentagem de 29,65%.
É, pois, verdade que nem metade dos ingressantes está destinada ao Ministério Público, apesar daquela aparente e manifesta grande preocupação da ministra da Justiça com os casos de violência doméstica, de tal forma que até dramatizou um caso, no seu discurso da sessão solene no Supremo Tribunal de Justiça, insinuando e deixando no ar a ideia de que a culpa da morte da vítima é dos serviços do Ministério Público, isto é, das pessoas que lá trabalham.
A ser verdade a preocupação da ministra com o Ministério Público, os tais 30% deveriam ser ao contrário, isto é, os restantes 70% deveriam ser para o Ministério Público, de forma a solucionar ou minimizar o flagelo desse e doutros fenómenos criminais, muito preocupantes.
O dramatismo mostra-se, pois, hipócrita; um mero aproveitamento retórico; uma vergonha.
De realçar ainda que, embora haja a indicação de 30% de Oficiais de Justiça para o Ministério Público, o número final de colocados no Ministério Público poderá não corresponder aos mesmos 30%, uma vez que nas comarcas, tudo se muda, não só pelas recolocações de núcleo para núcleo, como ainda de carreira para carreira, ainda que dentro do mesmo núcleo, de forma arbitrária, sem qualquer despacho fundamentado e sem observar as regras legais.
Se é verdade que os Oficiais de Justiça podem ser mudados de funções dentro do mesmo núcleo, sem necessidade da figura da recolocação transitória, esta verdade não se aplica apenas quando dentro do mesmo núcleo, mas também, cumulativamente, quando dentro da mesma carreira.
Quer isto dizer que não é possível que um Secretário de Justiça, verbalmente, ou não, recoloque transitoriamente um Técnico de Justiça Auxiliar nas funções de Escrivão Auxiliar, nem vice-versa, pois a mudança de carreira, ainda que dentro do mesmo núcleo, constitui uma alteração substancial ao Movimento e carece da figura da Recolocação Transitória pelo Administrador Judiciário.
Note-se bem que um Escrivão Auxiliar não pode concorrer num Movimento para o mesmo núcleo onde está colocado, porque, obviamente, já lá está. No entanto, pode concorrer para o mesmo núcleo sendo para a outra carreira. Da mesma forma, não é possível realizar permutas dentro do mesmo núcleo entre elementos da mesma categoria, mas já é possível realizá-las com transição de carreira e dentro do mesmo núcleo.
Quer isto dizer que a mudança de carreira, tal como a mudança de núcleo, são equivalentes e só podem ocorrer pelo Movimento e, transitoriamente, pela aplicação da figura da Recolocação Transitória e do cumprimento dos aspetos que a lei exige que sejam previamente validados pelo Administrador Judiciário.
Atualmente, vemos uma enorme bagunça nas colocações e em todos os sentidos: Escrivães Auxiliares que vão para o Ministério Público e Técnicos de Justiça Auxiliares que vão para as secretarias judiciais, sem qualquer formalismo legal, interpretando os Administradores Judiciários que a Recolocação Transitória, isto é, o desrespeito pelo Movimento, só se aplica quando há mudança de núcleo.
Perante este estado de sítio nas colocações, não é possível saber com a garantia da verdade se de facto o Ministério Público está a ser reforçado com 30% dos ingressantes, conforme aponta o Movimento, ou se serão apenas 20% ou até 40%. Ninguém tem uma ideia certa sobre isto, porque tudo está baralhado.
A ministra da Justiça, quando diz que são aqueles poucochinhos 30% que vão reforçar o Ministério Público, o mesmo Ministério Público que detém aqueles casos dramáticos que descreveu no seu impactante discurso, com mortes à mistura, não sabe se o Ministério Público vai ser mesmo reforçado com esses 30%, sabe apenas que há essa fraca indicação do Movimento, nada mais, porque o que vai acontecer na realidade é coisa diversa.
Sobre este assunto veja-se a alínea c) do n.º 1 do artigo 106.º da Lei da Organização do Sistema Judiciário (LOSJ), sobre as competências do Administrador Judiciário, bem como os critérios objetivos para a distribuição do pessoal e os casos de recolocação transitória previstas na Portaria 164/2014 de 21AGO.
Seja como for, convém ter presente que a recolocação transitória ou qualquer outra recolocação ou mera movimentação interna, não altera nunca a titularidade do lugar do Oficial de Justiça no mapa de pessoal a que pertence, pela colocação através do Movimento. Alterar a categoria ou o lugar é algo que só pode acontecer através dos Movimentos de Oficiais de Justiça ou pela aplicação de uma sanção disciplinar, nunca por decisão local.

Bom dia a todos. O texto de hoje aborda questões que já não são de hoje e que desde há muito tempo que denuncio por aqui (a situação descrita - de colocações e recolocações ao arrepio da lei (em sentido amplo) - é sobejamente conhecida e tolerada pelo SFJ pois que serve muitos dos "seus" associados, nomeadamente os que têm o poder decisório no seu seio).
ResponderEliminarSão inúmeros os casos de recolocações incompreensíveis a que eu lhe chamaria de "recolocações de favor". São precisamente aquelas que são feitas para investir pessoa determinada em determinadas funções, e isto até seria admissível se se tratassem de cargos políticos (os apelidados "cargos de confiança" justificados apenas para favorecer alguém que não tem competência).
É um absurdo o que se vê nos tribunais, e já não dá mais para esconder o estado da situação, daí que um novo estatuto que ponha termo a esta injustiça e a esta "promiscuidade", que temos sempre de admitir que possa existir, é a única solução.
As leis são para cumprir!
ResponderEliminarNInguém está acima da lei!
Havia aré a expressão "fora da lei"
Meus caros colegas, e Srs. presidentes dos sindicatos e restante staff, façam cumprir a lei!
Façam cumprir a lei!
Nessa narrativa só se esqueceu, concerteza por lapso, de referir o estado caótico em que o Passos deixou os serviços públicos e o tecido empresarial português, destruindo milhares de pequenas e médias empresas.
ResponderEliminarAquele sr economista que recebia 2500 euros para dar formação de controlador aéreo a funcionários de certas câmaras municipais, onde os aviões escasseavam.
De raio de ex caro colega.
ResponderEliminarCOMUNICADO CONJUNTO:
# ENQUANTO A MINISTRA NÃO COMPREENDER, A NOSSA LUTA VAI ENDURECER !
ResponderEliminarCantigas de embalar, que mais não fazem que protelar para mais tarde o que é inevitável, o confronto entre a posição do governo e dos sindicatos!
ResponderEliminarSó estamos a beneficiar o governo, em desfavor dos OJ, quando não entrarmos de imediato numa paralisação total das diligências.
Toda a gente sabe que é a única coisa que resultará, e que até será o que vai acontecer, mas, no entanto, perde-se tempo precioso para os OJ, com os respectivos danos financeiros!
Começa a ser insuportável, mas A. Marçal e C. Almeida tardam em por as cartas em cima da mesa!
Não acerdito que eles acreditem na negociação e, se assim, é, de que estamos à espera?!!!
GREVE ÀS DILIGÊNCIAS!
Tanto os sindicatos como a classe anda de mão esticada a implorar por esmolas...em vez de uma vez por todas lutar de verdade...
ResponderEliminarA classe neste momento está mais unida do que nunca..
Agora é o momento certo ...
Contudo imploram por boa fé..a ministra já percebeu isso...por isso é que estica a corda....
Concordo, greve as diligências.
ResponderEliminarEstamos prontos e á espera
Desistências parece que não param...
ResponderEliminarColegas dos novos, com coloção em Almada e Sintra (do que me foi agora transmitido) já desistiram vários...
Alguém dessas Comarcas consegue confirmar esta informação?
Disseram-me que foram várias desistências... 😔
Na Administração Pública, duvido que haja qualquer outra carreira incapaz de reter, como nesta, os novos funcionários.
ResponderEliminarA sangria continua e a avaliar por aquilo que foi dito em Carta Aberta, há poucos dias atrás, .
Uma carreira que tem passado por uma total erosão na sua capacidade de ser atrativa, desde logo a começar na vergonhosa tabela salarial.
O QUE É PRECISO MAIS ACONTECER PARA O PERCEBER, SRª MINISTRA??
Como já adivinhava o que vinha por aí , em resposta ao comentário que fiz - e aconteceu logo com o comentário antecedente - - bem se vê a parvoíce de muitos que por aqui passam.
ResponderEliminarEu critiquei a politica que está a ser delineada pelo atual Governo - de privatização de determinados serviços/atos - como solução que apresentam para a maioria dos problemas (é assim na saúde, na educação, e por sinal quer-se assim também nos tribunais).
Ao fazê-lo, sinalizei desde logo que, em todas as situações, o argumento foi o caos deixado pelos antecessores - e isso colega (se o é) é uma verdade insofismável e a história não pode ser reescrita à nossa maneira, foi o que foi, aceite essa circunstância que é meio caminho andado para se encontrar soluções no futuro que não se quedem pelos mesmos defeitos - e com esse argumento lá se privatizou os Notários, deu-se o jeito aos Agentes de Execução, Tribunais Arbitrais, Julgados de Paz, Gabinetes Alternativos de Litígios, Mediação Penal e Familiar, etc., etc., etc..
Em nenhuma das situações, nunca por nunca, se colocou a questão do reforço dos serviços públicos e em concreto dos tribunais, o mote foi sempre desjudicializar para desafogar os tribunais.
E é assim que chegamos a este estado de coisas.
No que nos respeita, aos Tribunais e Conservatórias, o que interessa é saber-se o que foi feito nestes últimos oito anos e facilmente se obtém a resposta de que não se tratou do capital humano.
Nas Conservatórias foi o "balcão Nascer Cidadão" entre outros e nos tribunais foi o "balcão +" e por aí fora - em ambos os casos é paradigmático o caso de não terem sido dotados de mais funcionários mas apenas de mais tecnologia (Tablets nas Conservatórias, PCs e Monitores nos Tribunais) talvez, numa crença de que por detrás de um destes equipamentos se encontraria uma mão qualquer.
Não é assim que se transformam os serviços, esta transformação só pode acontecer com as pessoas e em todos os casos estas foram e são sempre esquecidas.
Mas para agravar a situação, pior que não fazer nada é fazer mal, e foi o que aconteceu nos tribunais com uma série de imbróglios jurídicos ainda por resolver nos tribunais - falo das ações intentadas pelos sindicatos e também pelos colegas, uma delas respeitante aos secretários que está para ser resolvida quando já não existir nenhum oponente(interessado.
Tudo isto é aberrante e ninguém tem a coragem de denunciar os que está mal apenas porque tende a apoiar fações partidárias ou ideologias bacocas - foi o calo do colega que logo se apressou a chamar à colação o tempo da troika, esquecendo os 8 anos imediatamente anteriores e posteriores àquele tempo - somando os 16 anos fora da troika tudo o que se passou nos tribunais foi, como que referi, mau demais ...e parece que assim vai continuar.
Pois mas pequenas desistências não vão criar impacto se forem muitas aí simmm
ResponderEliminarIsto já cansa.
ResponderEliminarEstivemos á espera 6 meses.
Após sermos enganados com suplemento, a ministra faz uma proposta sem valorização.
A ministra na entrevista á RTP afirma que não vai existir valorização.
A ministra na abertura do ano judicial volta a afirmar que não existe mais nada a dar.
A ministra faz uma proposta sem qualquer valorização.
A ministra adia a negociação com chantagem para se acabar com as greves.
Afinal estamos á espera do que??
Raios não vem aí nada , nada de bom.
Srs. António Marçal e Carlos Almeida, assumam a vossa responsabilidade, não percam mais tempo e anunciem as formas de luta!
ResponderEliminarEstá na altura de parar a máquina!
Penso que está falta de postura dos sindicatos é a prova clara que existe agendas próprias..isto não faz sentido nenhum.
ResponderEliminarEstá visto que o que a ministra propõe é péssimo..
Estamos lixados nesta carreira...
ResponderEliminarPara quando estão marcadas as eleições no SFJ?
.
E a nossa salvação ainda vai sendo este blog , que com o seu espírito de voluntariado, vai expondo as situações...caso contrário não tínhamos hipótese....
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ResponderEliminarSindicatos ABRAM olhos !
ResponderEliminarApetece dizer um PALAVRÃO!!
ResponderEliminarA diferença de negociação entre Ministra da Administração Interna. VS Ministra da (in)Justiça
ResponderEliminarColega é capaz de ser.
ResponderEliminarJuiz é que não deve ser de certeza, para falar assim mal do Passos.
A juizada gostou bastante dele, deu-lhes praticamente o exclusivo dos aumentos nesse tempo em que dizia que não se podia aumentar ninguém, nos vencimentos e nos subsídios.
Isto é nojento isto é doentio....
ResponderEliminarTudo o que puder fazer para lixar o sistema vou fazer..
O sistema precisa de levar uma mocada nos cornos
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ResponderEliminarDra. Rita Alarcão Júdice.
A Ministra que tem demonstrado repetidamente que está (computadores, sistemas informáticos, ar condicionado, etc) que todos os dias dão o seu melhor, muitas vezes com um sacrifício que abusa da sua própria vida pessoal e tempo em família.
Que Ministra extraordinária!! 👎
O presente, é o tempo de os sindicatos enganarem os 530 novos colegas!
ResponderEliminarO futuro = passado, para os sindicatos e o MJ, vencerem-nos por cansaço!
Já se perderam 40?
ResponderEliminarEstou a ver que chegamos a Março e o MJ tem de ir à 'repescagem' dos que não entraram...
Promiscuidade desde há muitos anos.
ResponderEliminarÉ NOJENTA esta situação.!!!!
É o vale tudo, sem regras sem cumprimento da Lei.
Mais...!! Vejam quantas ações foram intentadas contra a Entidade Patronal...para repor alguns direitos dos trabalhadores.
Mais, ainda, pensem quem poderá estar por detrás de obstacularizar a melhoria da nossa carreira.
Tão certinho como Deus ser Deus.
Por que é que representantes de outras Entidades extrínsecas aos Oficiais de Justiça estão presentes nas negociações entre os Sindicatos e o Governo?? Expliquem isto se souberem, por favor..!!!
ResponderEliminarAo que me parece uma negociação salarial entre os funcionarios do fisco, por exemplo e o Governo, apenas estão presentes nessa negociação as estruturas sindicais do Fisco e os membros do Governo competentes.
Pensem bem.!!!
Quem puder sair desta carreira, saia, porque aqui a morte é lenta e agonizante
ResponderEliminarConfesso que com o que se lê aqui, fico com medo de ingressar na carreira.
ResponderEliminarNão está nada fácil esta carreira para lhe ser honesto .
ResponderEliminarMal pagos e perspectivas de futuro 0.
Se puder e tiver outras opções aliciantes, aconselho a escolher outra carreira.