Os efeitos que parecem não se notar, mas que tanto se impõem
O apelo à greve, para que tivesse maior adesão e dimensão no dia de ontem, obteve resposta em muitas secções pelo país fora, que encerraram completamente.
Mas já no dia anterior, na quinta-feira, entre outros, correu a notícia de que em Aveiro, o Juízo Central Criminal aderira à greve de todas as tardes do SOJ, provocando um adiamento num processo mediático, referindo toda a comunicação social que o motivo da não realização da diligência do sorteio para selecionar o tribunal de júri foi a greve dos Oficiais de Justiça.
Independentemente da cobertura mediática e da concentração de esforços que permita uma maior ou menor adesão num determinado dia, o que é facto é que estas greves, assim marcadas e por tempo indeterminado, embora rompendo com o conceito clássico da greve, com início e fim, concentrada num determinado momento temporal, concreto e delimitado, acabou por se tornar uma nova ferramenta de luta que alia o protesto à conveniência pessoal.
À conveniência pessoal, sim, e qual é o problema disso? Nenhum!
Anos a fio de greves, isto é, de perda de muito dinheiro dos já parcos salários, permite com toda a razão e toda a justiça que o trabalhador, no mínimo, obtenha algum ganho compensatório, algum prazer na sua vida, já que dinheiro vai perder, aliás, vai continuar a perder e muito.
Os críticos desta greve contínua e à escolha de cada um, alegam que não surte efeito nenhum por não haver sacrifício, megafones e bandeiras a esvoaçar, como no passado, no entanto, tal espalhafato do passado nunca surtiu efeito, como bem se vê, designadamente, por ser ato passageiro, com dia marcado, com início e fim. Incomodava, sim, mas passava rapidamente e os governos habituaram-se a conviver bem com isso, como uma súbita chuvada que se espera um bocadinho para que passe e se possa continuar a caminhar fazendo o mesmo percurso.
A falta de visibilidade da greve na rua, a falta das palavras de ordem gritadas repetidamente e a falta das bandeiras dos sindicatos, não tem nenhuma correlação com a falta de efeito.
Esta greve diferente, que agora ocorre todos os dias, permite ao Governo obter a informação diária de que há Oficiais de Justiça diariamente em greve por todo o país.
Agora um aqui, amanhã outro ali e ontem foi acolá; todos os dias são muitos dias e o Governo tem tanta noção disso – noção essa que escapa a tantos Oficiais de Justiça – que até fez com que o atual Governo pressionasse (e continue a pressionar) os sindicatos (ambos os sindicatos) para que terminem com as greves, que são diárias, que são por tempo indeterminado e que conseguiram escapar ao ataque dos serviços mínimos. Ora, se este novo tipo de greve fosse inócuo, como alguns dizem, por que razão se incomodaria o Governo com elas?
Embora tantos Oficiais de Justiça desprezem as greves diárias à escolha de cada um e aleguem, por exemplo, que não há sacrifício de luta, como antigamente, mas mero interesse pessoal, circunstância que não conduz à desejada pressão, essa opinião revela-se redondamente errada e prova disso é o facto do Governo detestar esta greve e seus perniciosos efeitos diários, chegando ao ponto de ameaçar os sindicatos, chantageando-os dizendo que não negociaria sob tal pressão.
Ora, é precisamente essa a pressão que interessa manter, para que o Governo se decida a debruçar-se, de facto e com toda a celeridade, sobre a carreira. Os Oficiais de Justiça acabarão, voluntariamente, isto é, e por sua própria iniciativa, com todas as greves, quando os problemas estiverem resolvidos e as reivindicações satisfeitas, uma vez que todas são justas, mais do que justas, justíssimas, e urgentes, pois a chegar, chegam com muitos anos de atraso.
Por isso, se o Governo quer acabar com a pressão e o incómodo que as greves diárias lhe causam, tem boa solução e só lhe resta um caminho: resolver, o quanto antes, todas as questões que afetam a vida laboral dos Oficiais de Justiça.
E aproveitando a notícia do adiamento do sorteio dos elementos que hão de integrar o tribunal de júri, vamos esclarecer o que estava em causa, uma vez que a constituição de um tribunal de júri não é coisa que suceda todos os dias e é desconhecida da maioria dos Oficiais de Justiça.
O que iria suceder na quinta-feira era o sorteio de um grupo, em pré-seleção, de candidatos a jurados, escolhidos de entre os cadernos eleitorais dos 12 municípios que integram a Comarca de Aveiro. Seriam selecionados, aleatória e eletronicamente, 100 eleitores.
Esses 100 selecionados teriam depois de responder a um inquérito, no prazo de cinco dias, para se ficar a saber se preenchem os requisitos de capacidade indispensáveis para o desempenho da função, sendo eliminados aqueles que não reúnam os requisitos.
Seguidamente, haverá um segundo sorteio, tomando como base o número de respostas não rejeitadas, que para o efeito são encerradas em sobrescritos iguais, dos quais se tiram 18 e é deste grupo que irão sair, finalmente, os oito jurados (quatro efetivos e quatro suplentes), para o julgamento.
Neste caso, foi o Ministério Público que pediu que o julgamento seja realizado por um tribunal de júri, o que quer dizer que para além dos três juízes de Direito que compõem o coletivo, haverá quatro jurados que podem ter participação ativa no julgamento, dirigindo perguntas ao arguido e às testemunhas, intervindo na decisão das questões da culpabilidade e da determinação da sanção.
O adiamento da seleção dos 100 eleitores para, a final, se escolher os tais 8 jurados, ficou reagendada para a tarde do próximo dia 25, na próxima semana, isto é, precisamente para um momento em que os Oficiais de Justiça podem teimar em demonstrar e alertar para o incómodo em que vivem, ou mal vivem, as suas vidas, pois uma segunda vez aportará mais atenção e mais pressão sendo isso mesmo que os Oficiais de Justiça carecem.

Fontes: “Sol”, “Observador” e “Comunicado do Tribunal de Aveiro publicado na página do CSM”.
Enquanto aqui nos tribunais muitos pacóvios o.j. continuam nas lutas e guerras diárias, não licenciados contra licenciados, o.j. e depois todos se acham especiais, melhores do que os que trabalham noutras secções.
ResponderEliminarExiste outras classes que pensam no futuro delas, eu já tinha avisado
Para além de terem roubado as penhoras aos tribunais agora já querem roubar às finanças...e a nós também..as poucas que ainda existem eu tenho avisado..
Enquanto a nossa classe é desunida e pouco solidária entre colegas.
ResponderEliminarOutras unem-se e pensam no futuro delas através de retirar ainda mais as nossas funções.
Como querem tirar tudo dos tribunais já agora tirem o resto das penhoras que sobram...
Como é o carro da entrevista ao expresso da bastonaria da osae.
Onde querem começar a cobrar as multas, taxas, coimas etc...
Já que querem tirar tudo dos tribunais como o nosso querido presidente do SFJ defende.... então que me tirem as cuecas também.
ResponderEliminarSeja bem aparecido Rei dos Oficiais de Justiça! Onde tem andado Vª. Exª.!?
ResponderEliminarIsto está tudo a definhar... Só faltava essa, agora!
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ResponderEliminarSim Sra. Ministra:
Acabei de ouvir que o salário mínimo na Bélgica = 2.070 €
Acresce que os preços no supermercado são cerca de < 5 %
Faça o favor de nos passar a grau 3 e c/ remuneração JUSTA!
Tanta gente preocupada com a retirada de certas coisas do tribunais.
ResponderEliminarPois eu não me importo nada.
E podem até esvaziar o meu conteúdo funcional que eu não me importo.
Quanto menos fizer e quanto menos responsabilidades tiver, melhor!!!
E já agora, que nunca acabem com as greves de sexta feira pois eu já me habituei às semanas de quatro dias.
P Q os P a todos.
Eu quero é que eles se F
Já foste
ResponderEliminarEheheh
ResponderEliminarVia a URSS
Greve a diligências mediaticas!!
ResponderEliminarIsso sim! Até que governantes olhem para nós como olharam para as outras carreiras!
E contra o papo seco!
Eu andei a tentar criar um blog extremista de oficiais de justiça onde se pode dizer tudo, fui bloqueado...assim tive que voltar para aqui.
ResponderEliminarFazenda, já foste!!
ResponderEliminarO Rei como D. Sebastião após desaparecer está de regresso!!
3 vivas ao Rei!!
Agora, como faço parte do povo, digo o seguinte:
Uma Ministra pode mover um funcionário, mas a alma pertence-lhe!
Como associado do SOJ, já há algum tempo, comuniquei ao Carlos Almeida, que só deve levantar a greve, quando, estiver tudo, mas, mesmo tudo acordado.
Greve a todas as diligências isso sim
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ResponderEliminarSim Sra. Ministra:
Acabei de ouvir que o salário mínimo na Bélgica = 2.070 €.
E que os preços no supermercado são cerca de <5%.
Faça o favor de passar a grau 3 e c/ remuneração JUSTA!
ResponderEliminarConseguirá a pacificação
Oficiais de Justiça
É mesmo gentalha sem palavra
ResponderEliminarE continuam
Eu estou de baixa e continarei até ver se de facto não vou ser roubado.
Cansei, esgotei de tanta mentira e roubo.
De baixa sem estar doente NÃO É Oficial de Justiça. É qualquer outra coisa...
ResponderEliminarE não podem fornecer umas marmitas? Sff
ResponderEliminarObrigada a todos os que diariamente lutam por uma carreira melhor, com sacrifícios pessoais por verem os seus rendimentos encolherem, em especial e desta vez aos colegas de Aveiro.
ResponderEliminarSiga 👏💪
Anormais de comentários estes, só de gente ressabiada. Tantos tristes por aqui.
ResponderEliminarMete baixa invejoso
ResponderEliminarEheh
Tristes nada.
ResponderEliminarGente alegre de marmita.
Respeitinho
Devia era ter-lhe pedido que só assinasse quando fosse conhecido o OE para 2026, pois se assinar antes, quando chegar a hora, lá se irá a parte da valorização salarial para armamento ou coisa que o valha e só ficarão as obrigações acrescidas que estão a ser cozinhadas.
ResponderEliminarQuais?
ResponderEliminarAs brancas da Calvin Klein?