A nova carreira dos Oficiais de Justiça pretende transformar gente comum em funcionários omnipotentes e omnipresentes

      De acordo com os números oficiais da DGAJ, constantes nas listas de antiguidade, a perda de Oficiais de Justiça de 2023 para 2024 demonstra a inexorabilidade do grande número de aposentações anuais.


      O ano de 2023 fechou com um total de 7391 Oficiais de Justiça e o ano de 2024 acabou com 7043. Portanto, perderam-se num ano 348 Oficiais de Justiça.


      De acordo com a análise das idades de todos os Oficiais de Justiça, análise que já aqui detalhadamente apresentamos, a média de aposentações anuais ronda os 350 Oficiais de Justiça, todos os anos nos próximos 10 anos (período que analisamos), tendo vindo o ano de 2024 comprovar essa média.


      Mas esta perda anual de 350 Oficiais de Justiça nem seria especialmente grave se estivéssemos a contar com um número suficiente de Oficiais de Justiça em todos os serviços judiciais e do Ministério Público, no entanto, tal não se verifica.


      A carreira já chegou a ter mais de 9 mil elementos, mas está hoje reduzida a pouco mais de 7 mil, sendo os números totais atingidos em 2023 e em 2024 os mais baixos de sempre, de acordo com os registos dos últimos 20 anos, registos esses que mantemos atualizados e que também já aqui apresentamos.


      Quer isto dizer que a perda de 350 Oficiais de Justiça num total tão baixo de elementos, num número que bateu no fundo mais fundo de sempre, é um golpe gravíssimo na carreira.


      Os cortes na carreira foram muitos e variados, mas há que contar com este a que nos referimos: o corte nos recursos humanos.


      O corte nos recursos humanos sucede por duas vias, desde logo, a maior fatia cabe às aposentações, mas não é desprezível a fatia dos desistentes, daqueles que se desinteressam pela carreira em face do vencimento, desde logo no vencimento de entrada.


      Finalmente, após tantos anos de reivindicações, o Governo resolveu compreender que o vencimento de entrada na carreira deveria ser melhorado para tornar a carreira mais atrativa e, nesse sentido, vemos como o salário que era oferecido em 2024 aos ingressantes, que era de 972,05, vindo depois a acrescer mais 131,23 do Suplemento de Recuperação Processual, com a transição para a nova carreira, tal vencimento passará este ano para 1284,67, no próximo ano para 1389,93 e em 2027 para 1547,83. Acrescendo a esses valores o novo suplemento de disponibilidade que permitirá auferir mais 120,00 este ano e depois mais 180,00 euros mensais.


      Quer isto dizer que no corrente ano o ganho total (com suplemento incluído) será de mais 320,14, em relação ao que era, e no próximo ano, a diferença para o que havia cifra-se em 485,40, terminando a evolução em 2027 com a diferença de mais 643,30 em relação ao valor inicial.


      Há, portanto, uma substancial melhoria no vencimento de entrada na carreira, com a subida programada de 320 euros no salário de entrada já este ano, subindo mais 165 euros no próximo ano e acrescendo mais 157 euros em 2027.


      Estes valores (320 este ano, mais 165 em 2026 e mais 157 em 2027), tornam o ingresso um pouco mais atrativo, permitindo a quem ingresse na carreira não ter de pedir emprestado tanto dinheiro para suportar a deslocação e a segunda habitação, mas, obviamente, não é suficiente.


      E não é suficiente apenas em termos remuneratórios, não é suficiente em termos de evolução na carreira ou de ajustamento às preferências na carreira.


      O custo destes aumentos programados a três anos implicaram novos cortes e perdas, desde logo das carreiras judiciais e do Ministério Público e, bem assim, de todas as categorias em que se estratificava a carreira. Os ingressantes passam a dispor de uma só carreira e de uma só categoria, podendo exercer funções em qualquer lugar, sem qualquer ambição de progressão na carreira, uma vez que dos 7 mil Oficiais de Justiça, apenas cerca de mil, isto é, nem 15%, poderão alcançar as categorias e os cargos de chefia.


      A esmagadora maioria não alcançará nunca nenhuma promoção e isto não se paga com os aumentos programados de 320 este ano a que acrescem mais cento e tal euros nos próximos dois anos.


      A criação desta nova carreira de Oficial de Justiça em que não se vislumbra qualquer motivação para 85% dos seus elementos, constitui um erro crasso que os sindicatos nunca poderiam ter aceitado.


      Misturar todas as categorias e carreiras numa só e permitir que toda a gente faça tudo em todo o lado e ao mesmo tempo, é algo que se pagará a prazo.


      Se os Oficiais de Justiça já eram omnipotentes, agora pretende-se que passem a ser também omnipresentes.


      A carreira bateu no fundo e a Administração, com a infeliz anuência dos Sindicatos, em vez de se focar naquilo que estava mal, melhorando tais aspetos e tais deficiências, desde logo fazendo com que o Estatuto fosse cumprido sempre, designadamente, a cada Movimento, mantendo as promoções e os ingressos sempre, como fonte de movimentação e evolução na carreira, resolveu fazer tábua rasa e tudo nivelar no nível mais baixo da carreira, acenando, no entanto, com alguns ganhos salariais, variáveis, que contentam alguns, mas descurando o futuro de todos.


      O desmoronamento total da carreira atual para, nas suas cinzas, se construir uma nova, de raiz, foi levada a cabo por governantes e sindicalistas sem o mínimo de responsabilidade em criar algo para o futuro, tendo-se centrado apenas no imediato, no curto prazo, na apresentação de algo diferente e, neste particular, conseguiram-no perfeitamente, porque é mesmo algo diferente, esquisito, irrefletido, que causará danos irremediáveis cuja recuperação será muito difícil e muito demorada, se é que alguma vez sucederá.


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Comentários

  1. A carreira não estava já no fundo antes do acordo?


    Quantos, dos novos, cá ficariam?


    Fica a pergunta ...

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  2. Está tudo comprado.

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  3. E ainda se fala que só irão contratar 50 novos OJ para substituição dos que desistiram em janeiro.

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  4. A criação da nova carreira somente favoresse a entrada dos novos oficiais de justiça, bem como quem está no topo da carreira (escrivães de direito, técnicos de justiça principal, secretários, inspectores, etc) sendo que a restante classe pouco vai ter de renumeração, ou muitos como o meu caso que ao fim de 12 anos como auxiliar, irei ficar com um patamar igual aos que acabaram de entrar, tendo uma perda substancial de cerca de €5000 até poder ir para o nivel 21, pois este ano iria progredir na carreira, e na mesma situação devem estar cerca de 1400 colegas, isto sem contar com os adjuntos que iriam progredir este ano ou no próximo, e que tambem vão ficar prejudicados monetáriamente, sem contar que fazemos uma especie de "reset" e começa-mos todos do ponto zero.
    Mas à muitos colegas contentes, pois vão ter vantagem económica, e não olham para a classe como um todo, pensando à boa maneira portuguesa, antes eles do que eu..
    Será que ninguém vê que quem mais ganha são os cargos de chefia?? Nos quais estão inseridos na grande maioria que está nos sindicatos??
    Por tudo isto é miserável...vergonha e que vai levar a uma maior desmotivação e ainda maior numero de saidas da classe...
    Resta-me finalizar, pedindo a todos os que na mesma situação estão como eu, de pegar numa frase mitica de um partido português..... QUEM MAIS GANHA É QUEM MAIS TÊM QUE TRABALHAR !!!!!!! o resto nade deve fazer...

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  5. A página dos requerimentos para o movimento está indisponível.


    Já me tinham dito que não ia haver movimento este ano. 
    E parece que se confirma...

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  6. Já saiu a lista dos colocados no IRN, conhecem alguém?


    Claro que não, a haver será extraordinário e só após a transição referida no dia 30/06.

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  7. Cada palavra cada cavadela...É erro sim erro não!

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  8. O SFJ e o SOJ, juntos não fazem 1

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  9. O colega deve ser dos que vai ficar bem, com o bolso mais cheio, enquanto outros estão na miseria...não se esqueça disso quando começar a apertar... e lembre-se não vá a correr por baixa com é o normal nestes muito bons especiais!!!

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  10. É só ir ver os quadros de pessoal e fazer as contas, é que eu ainda sou do tempo em que havia um secretário para cada Tribunal e um escrivão ou técnico de justiça para cada seção ou juízo. 

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  11. boa tarde, sou o autor do "post". Peço desculpa se escrevo em bom português da maneira como fui ensinado na escola primária, e não de acordo com o que alguns "idiotas" entenderam fazer com um tal de "acordo ortográfico", o qual somente esta em vigor em Portugal, pois os restantes PALOP, cag.. la do alto para tal.
    Mais reforço que enquanto temos estes pequenos "fait di vaire", o Estado e os Sindicatos, continuam a fazer o que querem de nós. 
    Se calhar mereçe-mos o que temos e o que ainda vamos ter mais.


    Um abraço caro colega, e muita força par o que ai vem 

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  12. Eu sou um deles. Tenho 5 dias para apresentar documentação e iniciar funções em 1 de maio próximo. Adeus.

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  13. Deixa estar, daqui a pouco tempo estás a queixar te no blogue dos oficiais de registos.
    Quem tem esse vício nunca está satisfeito.

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  14. Arre!!! Cada vez pior!!! E o que tem a ver saber escrever com ter os bolsos vazios ou cheios? Se os seus estão vazios deve ser graças também ao seu péssimo português!

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  15. Paguem o que nos devem do tempo de provisórios e acertem os escalões, ou esta demora tem um objetivo...?

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  16. E o despacho nada!!

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  17. Publicadas as regras do movimento 2025.
    Só há movimentações depois da transição das categorias, restritas a técnicos e escrivães, em movimento extraordinário.
    Secretários deixam de ser abrangidos pelos movimentos, dada a extinção da categoria.

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  18. Atendendo a que atualmente existem auxiliares com mais anos de carreira que adjuntos, é preciso ver como fica a graduação na antiguidade para efeitos de movimento de técnicos depois da transição.

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  19. Então diga lá onde aprendeu a escrever «» ??
    Só falta dizer que foi o corretor ortográfico

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  20. Colega das 14h 47 m estou do seu lado ! Hoje nunca poria cá os " butes" à boa maneira nortenha ! 

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  21. Não se esforce mais, prefira antes ler do que comentar, senão ainda provoca um ataque cardíaco na sua professora primária.

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  22. Deve ser um daqueles que se esconde atrás da antiguidade e do compradio daqueles aos quais lambe as botas, para ofuscar a falta gritante de capacidade no exercício de qualquer profissão entendível como qualificada. Injustiças há, a meu ver, se desta carreira se criasse duas, uma com um grau condizente com a sua capacidade exegética (que é nula) e outra, bem diferente, que premiasse a sapiência, porquanto reconheço não ser viável praticamente. Não obstante, se assim fosse, vozes como a sua deixariam de se ouvir, vozes que não sabem a sorte que têm em serem tratadas como se de um licenciado em direito se tratasse. Posso lhe garantir que já li escritos de trolhas com menos erros do que os seus. Faça antes uso das suas melhores qualidades, poupe-nos a ter de ler os seus ortograficamente insultuosos comentários. Antes de vir para aqui mostrar a sua oponibilidade em relação ao que quer que seja, lembre-se que há nas caixas dos supermercados pessoas capazes de o ensinarem a escrever.

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  23. Anónimo1/4/25 01:33

    Mas falta realmente Oficiais de Justiça?
    E é verdade que são por volta de 300 a reformar-se todos os anos nos próximos 10 anos a calcular pelas idades dos Oficiais de Justiça de hoje?
    Será que o novo Estatuto com o requisito de licenciatura para ingressar na carreira vai ajudar nalguma coisa sobre isso, ou vai piorar?
    Bom, estamos cá para ver, quantos licenciados irão concorrer nos próximos concursos, quantos estarão dispostos a ir ter mais uns mesinhos de formação, quantos depois de entrarem e encontrarem outra coisa irão ficar?
    Enfim...

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  24. Jim da selva urbana1/4/25 07:46

    Para além de mais um congelamento do tempo de serviço para todos aqueles que esperavam subir de escalão renumeratório ainda este ano, dois anos e meio para o galheto a acrescentar aos cerca de 9 anos

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  25. Jim da selva urbana1/4/25 07:51

    Sei o que isso é colega, faz hoje 26 anos que iniciei o estágio na profissão, em setembro passaria ao quarto escalão de adjunto, foram 20 anos para lá chegar, 140 euros brutos de aumento que se esfumaram em mais um congelamento de dois anos e meio a acrescentar aos outros  9

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  26. Anónimo1/4/25 08:27

    Melhor que isso foi a guerra aberta que o Soj e o SFJ deixaram. Parabéns Marcal. Parabéns Carlos Almeida. 

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  27. Anónimo1/4/25 09:02

    Não te preocupes, estamos cá para resolver essa guerra no terreno, nem que seja à moda do Trumpas.

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  28. Anónimo1/4/25 13:42

    Tanto òdio por parte de ignorantes... Sabem ao mesmo tempo que tento comentar e escrever, tenho público para atender, telefone para atender e ainda processos urgentes para serem tramitado no momento, algo que muitos que aqui andam não sabem o que é!!!


    Boa sorte para todos os que vão encher os bolsos. A classe têm mesmo o que merece....
    PS: Se calhar tenho mais formação académica dos que alquns ou aquele que debita ódio aqui em resposta ao comentário inicial, pena....
    Abraço, o homem do "post".

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  29. Anónimo1/4/25 14:19

    Escrivão ou secretário??

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  30. Anónimo1/4/25 14:20

    Rato de gabinete?? Ou Futuro escrivão??

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  31. Anónimo1/4/25 14:21

    Vá aprender a conjugar antes de falar... Muita falta faz a escolinha... 

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  32. Anónimo1/4/25 17:51

    Se tiver, não passa de um papel.
    Nota-se, ou notasse como tanta vezes costuma escrever quando quer dizer nota-se, que essa formação que diz ter não passa de um papel que lhe servirá, se dele quiser tirar proveito, para no inverno próximo acender a lareira. 

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  33. Anónimo2/4/25 22:12

    A sua ortografia não é própria de um oficial de justiça que supostamente deveria saber escrever muitíssimo melhor.... 

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